UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA
CENTRO DE EDUCAÇÃO
CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO A DISTÂNCIA
ESPECIALIZAÇÃO LATO-SENSU EM GESTÃO EDUCACIONAL
INFORMÁTICA
NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A
UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA REDE DE ENSINO DE ENGENHO VELHO-RS
MONOGRAFIA DE ESPECIALIZAÇÃO
Leonara Piran Frigeri
Constantina, RS, Brasil
2009
INFORMÁTICA
NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A
UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA REDE DE ENSINO DE ENGENHO VELHO-RS
por
Leonara Piran Frigeri
Monografia apresentada ao
Curso de Pós-Graduação a Distância
Especialização Lato-Sensu em Gestão Educacional ,
da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM, RS), como requisito parcial para
obtenção do título de
Especialista em Gestão Educacional
Orientador (a): Me. Cristiane Ludwig
Constantina, RS, Brasil
2009
Universidade
Federal de Santa Maria
Centro de
Educação
Curso de
Pós-Graduação a Distância
Especialização
Lato-Sensu em Gestão Educacional
A Comissão Examinadora, abaixo assinada,
aprova a Monografia de Especialização
INFORMÁTICA
NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A
UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA REDE DE ENSINO DE ENGENHO VELHO-RS
elaborada por
Leonara Piran Frigeri
como requisito parcial para obtenção do título de
Especialista em Gestão Educacional
COMISSÃO
EXAMINADORA:
_____________________________________________
Cristiane Ludwig - Mestre (UFSM)
(Presidente/Orientadora)
__________________________________
Maiane Liana Hatschbach Ourique - Mestre (UFSM)
___________________________________
Tatiana
Valéria Trevisan - Mestre (FAMES)
Santa Maria, 07 de agosto de 2009

“A tecnologia não será suficiente para democratizar e reconstruir
adequadamente a educação.
A tecnologia sozinha não melhora necessariamente o ensino e
aprendizagem e, com certeza, não trará a superação das agudas divisões
sócio-econômicas.
Sem recursos apropriados e sem pedagogia e práticas educativas
corretas, a tecnologia pode ser um obstáculo ou uma carga para um ensino
autêntico e provavelmente pode até aumentar em vez de suplantar as divisões
existentes de poder, capital e riqueza.
(Douglas Kellner, 2003)
RESUMO
Monografia de
Especialização
Curso de
Pós-Graduação a Distância
Especialização Lato-Sensu em Gestão Educacional
Universidade Federal
de Santa Maria
INFORMÁTICA
NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A
UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA REDE DE ENSINO DE ENGENHO VELHO-RS
AUTOR (A): LEONARA PIRAN FRIGERI
ORIENTADOR (A): CRISTIANE
LUDWIG
Data e Local da
Defesa: Constantina/RS, 07 de agosto de 2009.
Este trabalho versa sobre a utilização das TICs, mais precisamente do
computador e da internet, no processo de ensino e de aprendizagem. Com o avanço
das tecnologias torna-se interessante o seu uso como recurso didático na
educação. Porém, para o sucesso de sua aplicação
ser alcançada o professor necessita estar aberto a mudanças e as inovações. Para realizar este trabalho,
recorreu-se à pesquisa qualitativa e a teórico bibliográfica, que se consolidou
em um Estudo
de Caso em duas escolas da rede de ensino do município de Engenho
Velho/RS, onde se observou
a utilização desses recursos nas aulas ministradas no laboratório de
informática. Foram utilizados
como instrumentos: entrevistas, questionários, análise documental e observação.
A investigação se preocupou com a contribuição qualitativa que o computador e a
internet podem oferecer aos alunos e a utilização destes recursos no processo educativo.
A fundamentação teórica abordou a informática na educação, sua articulação com
o processo de ensino e de aprendizagem. Inicialmente foi realizada uma pesquisa
exploratória nas escolas do município para verificar a existência desses
recursos. Ficou evidenciado que os professores reconhecem a utilidade
pedagógica do computador e da internet, entretanto esbarram em limitações como:
falta de domínio do computador, dificuldade de desenvolver atividades relacionadas
aos conteúdos desenvolvidos em sala de aula, falta de tempo disponível para
fazer frente às novas exigências e a carência de recursos técnicos para a
exploração, em sala, dos benefícios dos computadores.
Palavras-chave: Informática na educação. TICs. Computador.
Internet. Processo de ensino e aprendizagem. Professor. Aluno. Recursos tecnológicos.
ABSTRACT
Monografia de
Especialização
Curso de
Pós-Graduação a Distância
Especialização Lato-Sensu em Gestão Educacional
Universidade Federal
de Santa Maria
INFORMÁTICA
NA EDUCAÇÃO: UM ESTUDO SOBRE A
UTILIZAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA REDE DE ENSINO DE ENGENHO VELHO-RS
AUTHOR: LEONARA PIRAN FRIGERI
ADVISER: CRISTIANE LUDWIG
Date and place of Defense: Constantina/RS, July
11, 2009.
This
work turns on the use of the TICs, more necessarily of the computer and the
Internet, in the learning and education process. With the advance of the
technologies its use becomes interesting as didactic resource in the education.
However for the success of its application to be reached the professor needs to be open the changes and the
innovations. To carry through this work, one appealed the qualitative research
and the bibliographical theoretician to it, who if consolidated in a Study of
Case in two schools of the net of education of the city of Velho/RS Device , where if observed the use of
these resources in the lessons given in the computer science laboratory. They
had been used as instruments: interviews, questionnaires, documentary analysis
and comment. The inquiry if worried about the qualitative contribution that the
computer and the Internet can offer to the pupils and the use of these
resources in the educative process. The theoretical recital approached computer
science in the education, its joint with the learning and education process.
Initially a exploratória research in the schools
of the city was carried through to verify the existence of these resources. He
was evidenced that the professors recognize the
pedagogical utility of the computer and the Internet, however esbarram in limitations as: lack of domain of the
computer, difficulty to develop activities related to the contents developed in
classroom, lack of available time to make front to the new requirements and the
lack of resources technician for the exploration, in room, of the benefits of
the computers.
Word-key: Computer
science in the education. TICs. Computer. Internet. Process of education and
learning. Professor.
Pupil. Technological resources.
LISTA DE ILUSTRAÇÕES
Figura 1:
Discentes em aula no laboratório de informática da Escola A........................... 35
Figura 2:
Discentes em aula no laboratório de informática da Escola B........................... 35
Gráfico 1:
Caracterização da amostra dos alunos............................................................... 38
Gráfico 2:
Caracterização da amostra dos professores....................................................... 38
SUMÁRIO
1.
CONSIDERAÇÕES INICIAIS.................................................................................. 09
2.1. O
processo educativo e as novas tecnologias no ensino e na aprendizagem....... 14
2.2. A
Internet na Educação........................................................................................... 16
2.3. A
formação do professor.......................................................................................... 21
2.4. A
gestão da Informática na Educação.................................................................... 23
2.4.1 Gestão Educacional.................................................................................................. 24
2.4.2 Gestão Escolar.......................................................................................................... 25
2.4.3 Gestão Democrática................................................................................................. 27
3.
METODOLOGIA....................................................................................................... 31
3.1.
Estratégia da pesquisa............................................................................................. 31
3.2. Sobre a
população e a amostra................................................................................ 34
3.2.1. Descrição da população........................................................................................... 34
3.2.2. Seleção e caracterização da amostra....................................................................... 35
3.3.
Descrição dos instrumentos..................................................................................... 36
3.4. Coleta
dos dados....................................................................................................... 36
3.5.
Tratamento dos dados.............................................................................................. 36
3.6.
Limitações do estudo................................................................................................ 37
4.
RESULTADOS E DISCUSSÕES.............................................................................. 38
4.1.
Exploração inicial..................................................................................................... 38
4.1.2 Conclusões da exploração inicial............................................................................. 44
4.2.
Exploração final........................................................................................................ 45
4.2.1 Conclusões da exploração final................................................................................ 54
5.
CONSIDERAÇÕES FINAIS..................................................................................... 56
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS.......................................................................... 59
ANEXOS.......................................................................................................................... 62
ANEXO 1: Questionário para os alunos no início das
aulas............................................ 63
ANEXO 2: Questionário para os alunos no fim das
aulas............................................... 64
ANEXO 3: Questionário para os professores no início
das aulas.................................... 65
ANEXO 4: Questionário para os professores no final
das aulas...................................... 66

1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS
Os avanços provocados pela informática, nos últimos tempos, afetam grande
parte da sociedade. Dessa forma, parece difícil pensar o mundo sem tecnologia.
Tarefas, que antes eram realizadas manualmente, foram informatizadas, com a
finalidade de torná-las mais ágeis, seguras e dinâmicas. Tais mudanças também
se refletiram na Educação. Com o crescente desenvolvimento das tecnologias de
informação e de comunicação, esses avanços levam a um repensar sobre as
metodologias utilizadas no processo de ensino e de aprendizagem, desafiando a
buscar condições mais adequadas para um ambiente de aprendizagem que seja
interativo e dinâmico.
Podem-se observar várias razões para a alfabetização tecnológica da
população. Entre eles, para Moreira (2004 apud NUNES), a primeira está centrada
na lógica do mercado, pois se necessita de trabalhadores com formação
tecnológica para a produção de bens e serviços para a sociedade da informação,
uma vez que uma população alfabetizada tecnologicamente torna-se potencial
consumidora desses bens e serviços; e a segunda está voltada para o projeto de
cidadania e democratização do saber, pois “a sociedade da informação deve
construir-se a serviço de necessidades sociais e humanas” (MOREIRA, 2004, p. 87 apud NUNES, p. 01). Por isso, não
se pode negar que, todos necessitam de certo grau de conhecimento na utilização
das tecnologias de informação e comunicação.
Pesquisas apontam que as escolas são elementos importantes para favorecer
o acesso da população às Tecnologias da Informação e Comunicação, especialmente
às mais recentes como, o computador e a internet ITU (2003 apud NUNES). Segundo
Cabero (2001) e Neto (2003 apud NUNES), a utilização dessas ferramentas em sala
de aula tem significado uma transformação na cultura organizacional da escola e
no próprio trabalho de ensinar. Se não pode ser vista como a solução para os
diversos problemas educacionais, tampouco se podem desprezar suas potencialidades
na construção de opções pedagógicas como: flexibilidade do tempo escolar,
estabelecimento de redes de aprendizagem, confecção de materiais multimídia,
etc., capazes de atender as individualidades dos educandos.
Contudo, a inclusão de uma nova tecnologia
na escola não significa que ela será plenamente utilizada. O professor precisa
estar preparado e ter formação mínima para saber usar essas tecnologias,
explorando pedagogicamente suas potencialidades em favor da aprendizagem dos
alunos Zhao e Frank (2003 apud NUNES). Pois, segundo Freire (2000, p. 102 apud
NUNES, p.02), “a formação técnico-científica de que urgentemente precisamos é
muito mais do que puro treinamento ou adestramento para o uso de procedimentos
tecnológicos”. A formação docente necessita levar o
professor, a saber,? como usar a tecnologia, seja em situações
didáticas, seja em sua vida pessoal, mas também lhe propiciar a contínua
reflexão sobre as conseqüências sociais e éticas de suas escolhas tecnológicas.
O objetivo em investigar o
uso pedagógico do computador e da Internet na educação como ferramenta de
auxílio no processo ensino-aprendizagem, tem como foco de nossa pesquisa o
papel dos professores nesse processo. Acredita-se que é preciso entender como se formam os processos de aprendizagem e como interagir com eles
para uma conscientização dos professores no campo educacional, bem como para cada um assumir sua identidade, como trabalhadores que
trabalham? com a cultura e estão
envolvidos na produção de uma memória histórica e de sujeitos sociais que criam
e recriam o espaço e a vida social, Gentili (1994 apud CALIGIORNE, 2002),
lembrando que o conhecimento não se passa, o conhecimento se cria, se
constrói a todo instante. (procure pontuar a frase,
substituindo os “como”)
Por
entender a educação escolar como prática intencional transformadora, inserida dentro
de um contexto social e articulada, portanto, às bases materiais e a outras (desnecessário) práticas sociais com as quais
se relacionam dialeticamente, priorizou-se, neste trabalho, a pesquisa
qualitativa. A estratégia metodológica usada foi o Estudo de Caso, pois,
considera-se uma abordagem que possibilita um conhecimento melhor das
concepções e das práticas diárias dos sujeitos envolvidos na pesquisa. Para a
coleta de dados, utilizou-se o questionário, a entrevista e a análise
documental. A pesquisa foi desenvolvida no período de junho a dezembro de 2008,
no Laboratório de Informática da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino
Fundamental Cleiton Costa e da Escola Estadual de Ensino Médio Floriano Peixoto.
A observação objetivou identificar o uso do computador e da Internet na
educação infantil e no ensino fundamental, no desenvolvimento das disciplinas e
dos conteúdos curriculares. O objetivo do estudo foi identificar, por um lado, as condições concretas da inserção e da
utilização do computador como recurso didático e pedagógico; e, por outro, à formação dos docentes relativas a esta
questão da inserção da informática na educação. Para o registro dessas
observações foram utilizados recursos como questionários e fotografias.
As
observações realizadas possibilitaram tanto um contato com os sujeitos
pesquisados, como a descoberta de aspectos importantes referentes ao problema
investigado. Tomou-se o cuidado, entretanto, para que esse envolvimento não interferisse
nos resultados mantendo uma visão imparcial e impessoal do fenômeno estudado.
O
questionário se constituiu como um recurso interessante que envolveu dois
momentos. O primeiro foi aplicado no primeiro dia de observação (início do ano
letivo de 2008), para a obtenção das informações referentes às necessidades, as
expectativas e ao conhecimento quanto ao uso da tecnologia em questão – o
computador e a internet. O segundo foi aplicado no último dia de observação
(fim do ano letivo de 2008), no intuito de fazer uma análise das expectativas,
das vantagens e desvantagens do uso do computador no processo educacional. A
análise documental, por sua vez, revelou-se como fonte imprescindível e valiosa
de reflexão e análise, no que se refere à fundamentação deste trabalho. No
âmbito da pesquisa teórica, recorreu-se a produções bibliográficas na área da
Educação e Informática, a artigos e teses, publicados nas últimas décadas, além
de consultas a sites da Internet. É importante ressaltar que a produção teórica
especializada possibilitou a interlocução da teoria com a prática que teve sua
representação definida pelos sujeitos envolvidos na pesquisa.
2. A INFORMÁTICA E A
EDUCAÇÃO
O computador e a Internet podem ser vistos como uma janela para o mundo. As
estratégias de comunicação possibilitam a produção de jornais, a formação de
redes de comunicação, a criação de bancos de dados, arquivo de imagens,
consultas e pesquisas em todos os campos, com extrema agilidade.
Alarcão (2003, p.16 apud VILARES, p.01), afirma que "esta era
começou por se chamar a ‘sociedade da informação’, mas rapidamente se passou a chamar ‘sociedade da informação e do
conhecimento’ a que, mais recentemente, se acrescentou a designação de
‘sociedade da aprendizagem". Isto porque se reconhece que não há
conhecimento sem aprendizagem e que a informação, sem ser organizada, não
constrói conhecimento. O conhecimento tornou-se e pode ser um bem comum e a
aprendizagem ao longo da vida, é um direito e também uma necessidade. A
designação de sociedade do conhecimento e da aprendizagem traduz o
reconhecimento das competências que são exigidas das pessoas atualmente.
Como a matéria-prima do conhecimento é a informação e o conhecimento é
provisório, não há mais uma essência imutável a partir da qual o sujeito se
forma. Se tal sujeito não se forma mais de uma única vez e de modo definitivo,
então se trata de pensar a idéia de que o próprio profissional precisa se
atualizar constantemente, fato este que exige dele se colocar-se na posição de
uma permanente aprendizagem. Precisará tornar-se
consciente e crítico, empreendedor e criativo, sabendo trabalhar de forma
cooperativa e flexível. Sendo assim, a informática poderia ser um caminho, e
não uma disciplina nas escolas.
Segundo Salles (2000), estudos mostram
que o computador é um instrumento poderoso de transmissão de conhecimento e
aprendizado. Seu uso pedagógico tem sido cada vez mais incentivado com o surgimento
da Internet. A internet encurta distâncias entre pessoas e culturas, abre
portas de espaços e instituições até então acessadas somente pelas elites,
tornando o distante em algo bem próximo.
Porém, o grande desafio é a utilização adequada da Informática na
Educação, pois muitos buscam pela informatização do ensino e não pela utilização
das tecnologias como recurso didático. Algumas escolas já estão bem avançadas
neste sentido, outras ainda estão longe da utilização da Informática na
Educação e os motivos são diversos, entre eles estão a não disponibilização desses
recursos, uma vez que muitas escolas não possuem laboratórios e muito menos
computadores; algumas possuem os recursos físicos, mas não sabem como
utilizá-los ou não utilizam de forma a contribuir para uma melhoria da
aprendizagem; e alguns possuem esses recursos somente para realizar a parte
burocrática da escola, sendo assim os alunos não tem acesso a eles.
A integração do computador ao processo educacional
depende da atuação do professor, que nada fará se atuar isoladamente. São
necessários o envolvimento e o apoio de toda a comunidade para que se
estabeleça uma perspectiva comum de trabalho em torno dos objetivos
explicitados no projeto pedagógico da escola, o qual deve ser elaborado
coletivamente e continuamente revisto, atualizado e alterado segundo os
interesses emergentes (ALMEIDA, 1998, p. 51).
Talvez o que muitos educadores ainda não tenham se dado conta é que,
independente da vontade daqueles que fazem a educação, cada dia mais as TICs[1]
vem conquistando espaços no contexto das relações sociais. Não é mais uma
questão se a escola vai ensinar ou não a informática aos alunos. As crianças
irão aprender mesmo que não acionem um computador na escola, pois as TICs estão
nos mais diferentes lugares. Ou seja, as crianças aprendem muito mais rápido do
que os adultos sobre os melhores e mais modernos recursos tecnológicos. Além do
mais, não há porque fugir deles, pois fazem parte de
uma realidade nova que atinge a todos independente de fazerem uso ou não desses
recursos.
Outro aspecto fundamental da informática é que ela é feita pelo homem e
para o homem. Diariamente as pessoas se deparam com computadores, quer seja na
farmácia, no caixa de banco, na máquina de coca-cola e até no relógio de pulso;
ele está aí, em qualquer lugar que se vá. É hora, então, dos educadores
começarem a se inteirar com a máquina. Romper barreiras e buscar na informática
todos os recursos que ela é capaz de oferecer, objetivando facilitar o trabalho
docente e o aprendizado discente. Nesta perspectiva é preciso conhecer para
utilizar e produzir saber, um saber com certeza mais eficiente, de melhor
qualidade empírica, abstrata e maior harmonia estética.
Esse novo papel exige maior empenho do professor. Algo
que não é adquirido em treinamentos técnicos ou em cursos em que os conceitos
educacionais e o domínio do computador são trabalhados separadamente,
esperando-se que os participantes façam a integração entre ambos. É preciso um
processo de formação continuada do professor, que se realiza na articulação
entre a exploração da tecnologia computacional, a ação pedagógica com o uso do
computador e as teorias educacionais. O professor deve ter a oportunidade de
discutir e como se aprende e o como se ensina. Deve também ter a chance de
poder compreender a própria prática e de transformá-la (ALMEIDA, 1998, p. 52).
Um bom trabalho pedagógico não poderá ser caracterizado pela utilização
ou não das TICs. Utilizá-las visa apenas facilitar e melhorar o processo e se
faz muito importante, uma vez considerada a realidade sócio-cultural na qual
estamos inseridos. O que dará qualidade a uma escola é sua filosofia de ensino,
atrelado a bons recursos pedagógicos e, dentre eles, o projeto de
informatização da escola.
Para Valente e Prado (2003, p. 22) “o domínio do técnico e do educacional
não deve acontecer de modo estanque, um separado do outro [...] o melhor é
quando os conhecimentos técnicos e pedagógicos crescem juntos, simultaneamente,
um demandando novas idéias do outro”. A
Informática Educacional vista sob esta ótica poderá auxiliar a escola a
promover a integração curricular, a quebra das barreiras entre as disciplinas e
entre as culturas, proporcionando a realização de um trabalho globalizado.
É importante ressaltar que o aluno dificilmente se envolve em um trabalho
que não seja do seu interesse, pois para Aranha (1996, p. 14 apud VILARES, p.08)
“Se não compreendermos o sentido de nossa ação e se o produto do trabalho não é
nosso, é bem difícil dedicarmo-nos com empenho a qualquer tarefa”.
2.1. O processo educativo e as novas tecnologias no ensino e na aprendizagem
Na denominada sociedade da
informação e do conhecimento, “a escola perdeu o monopólio de transmissora de
saber” Rodriguez (1996, p. 115 apud ALONSO, p. 754, 2008). As fontes em que
crianças, jovens e adultos buscam e encontram informações seriam, hoje, muito
diversas. Em muitos casos, com o uso da informática e das redes de comunicação,
as informações são transmitidas com grande eficácia, fazendo emergir o discurso
de que a escola e os centros educativos devam descobrir ou ressignificar seus
papéis ou funções, de maneira que as TICs sejam utilizadas com maior eficácia
pedagógica. Reforça-se, assim, na perspectiva de Barreto (2004, apud CALIGIORNE,
2002), o sentido de desterritorialização dessa instituição.
Na educação atual e do futuro uma das práticas mais importantes é a do
conhecimento construído coletivamente, almejado pelo grupo, partilhado por
todos. A criatividade passa a ser muito importante, num momento em que novos
caminhos de aprendizagem se abrem e passam a ser valorizados e já não se tenha
um único padrão de estudo. À medida que o saber é construído, ocorre à partilha
dos conteúdos e das experiências. Isso valoriza o conhecimento, pois o expõe a
críticas, a divergências e com isso, é claro, enriquece o saber de todos.
A
tecnologia sempre afetou o homem desde a invenção das primeiras ferramentas
tecnológicas até o computador, e este trouxe novas e profundas mudanças sociais
e culturais. E essa forma de interferência da tecnologia em nosso cotidiano
caracteriza-se como uma contribuição que ocorre naturalmente, mesmo que não
estejamos nos dando conta disso.
Trata-se
de um processo que está transformando, entre outras coisas, aquilo que
tradicionalmente chamamos de ensino, aproximando-o cada vez mais do próprio
processo natural de difusão cultural. As novas tecnologias estão desterritorializando a
instituição escolar, com isso, aprende-se não apenas no prédio escolar, mas em
casa, no escritório, em qualquer lugar onde se possa ter acesso às informações.
Os conteúdos virtuais permitem que tanto alunos
quanto professores possam explorar fenômenos e conceitos muitas vezes inviáveis
ou inexistentes nas escolas por questões econômicas e de segurança. As
perspectivas que se abrem nos mais diversos campos do saber implicam num modelo
educacional que permaneça aberto ao novo, ao dinâmico, ao interativo, aberto a
uma realidade que se transforma a cada momento. Com a velocidade das
tecnologias, a produção de novos conhecimentos e as crescentes aplicabilidades
com os recursos da informática, exigem novas metodologias de ensino e
impulsionam a modernização da educação requerendo constante aperfeiçoamento de
toda comunidade escolar, segundo Moran (1998, p. 81) “Um dos eixos das mudanças
na Educação passa por sua transformação em um processo de comunicação
autêntica, aberta entre
professores e alunos, primordialmente, mas também incluindo administradores e a
comunidade, principalmente os pais”.
Valente
(2005, p.23 apud VILARDELL-CAMAS, p.02) afirma que “a experiência do professor
é fundamental. [...] o professor precisa conhecer as diferentes modalidades de
uso da informática na educação [...] entender o que os recursos oferecem para a
construção do conhecimento”. A estreita passagem do anterior para o novo é,
ainda, função dos professores. Transfere-se, desse modo, para as ‘mãos’ dos
envolvidos diretamente com as práticas escolares e pedagógicas a responsabilidade
da transformação, cabendo-lhes recriar fazeres e saberes de lógicas estranhas e
alheias a seu cotidiano. Evidentemente que o envolvimento dos professores e
professoras nesta tarefa é fundamental, e a constituição dos significados sobre
as TICs, do ponto de vista escolar e pedagógico, só poderá vingar com o
envolvimento destes profissionais. O problema é que a incorporação das TICs no
contexto escolar aparece como mais uma das pressões para alcançar os objetivos
da qualidade na educação, constrangendo mudanças, sobretudo no perfil
profissional dos professores.
Redescobrir e reafirmar uma
lógica para a escola não significa apartá-la do mundo tecnológico, mas
reconhecer que a tarefa de educar requer certos princípios, processos e
procedimentos que não coincidem com os modos de operar em rede por meio das TICs.
Os educadores têm claro
hoje que nem o professor, nem o aluno têm controle do processo da aprendizagem.
Ambos os sujeitos/personagens participariam dinamicamente dele e estariam em
constante aprendizagem.
Portanto, o problema da
inovação escolar, mais que as questões sobre o uso das TICs, apontam para a
incorporação de ideário que possa, ao mesmo tempo, recriar o cenário escolar,
ensejando uma lógica que afirme o papel da escola nos processos de ensino e de aprendizagem,
corroborando práticas pedagógicas que poderão, ou não, ser afetadas pelas TICs.
2.2. A Internet na Educação
A internet pode ser entendida como um recurso dinâmico, atraente,
constantemente atualizado, de fácil acesso, que possibilita o ingresso a um
número ilimitado de informações. Sem dúvida, é um inesgotável recurso de
aprendizagem múltipla: aprende-se a ler, a buscar informações, a pesquisar, a
comparar dados, a analisá-los, a criticá-los, a organizá-los. Mas, tal como
ocorre em relação a todos os outros recursos, há necessidade de o professor
orientar seus alunos a respeito de como direcionar o uso desse recurso para as
atividades de pesquisa, de busca de informações, de construção do conhecimento
e de elaboração de trabalhos. Essa orientação é fundamental para que este
valioso instrumento de aprendizagem não se transforme em uma forma mais rápida
e prática de colagem de textos e sim que represente uma possibilidade de
elaboração de trabalhos que sejam produção de conhecimento, frutos da reflexão
e estudos pessoais e discussões em grupo. Para Silva (2003, p.55 apud VILARES, p. 15), “o professor [...]
constrói uma rede e não uma rota. Ele define um conjunto de territórios a
explorar, enquanto a aprendizagem se dá na exploração – ter a experiência - realizada pelos aprendizes e não a partir da
sua récita”. Dessa maneira, o professor não detém o saber em sala de aula, não
é um mero apresentador de conteúdos e, sim, o provocador de situações-problema,
criando possibilidades de participação, envolvimento dos alunos e
estimulando-os à criação colaborativa, o verdadeiro professor ‘designer de
software’.
Com a Internet a forma de ensinar e aprender está mudando tanto na escola
de Educação Básica até no Ensino Superior. Segundo Lévy (1993, apud CALIGIORNE, 2002), aprender
a navegar é uma condição fundamental para desenvolver a autonomia; a
aprendizagem é uma navegação sem fim. O professor tem que ser um orientador e
acompanhar de perto a navegação dos alunos supervisionando esse processo de
busca.
A Internet é uma tecnologia que facilita a motivação
dos alunos, pela novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que
oferece. Essa motivação aumenta se o professor a fez em um clima de confiança,
de abertura, de cordialidade com os alunos. Mais que a tecnologia o que
facilita o processo de ensino-aprendizagem é a capacidade de comunicação
autêntica do professor, de estabelecer relações de confiança com os seus
alunos, pelo equilíbrio, competência e simpatia com que atua.
O aluno desenvolve a aprendizagem cooperativa, a
pesquisa em grupo, a troca de resultados. A interação bem sucedida aumenta a
aprendizagem [...] (MORAN, 1998, p.86).
A
tecnologia é vista como transformadora tanto do processo do trabalho docente,
quanto do processo de trabalho discente APPLE (1995 apud CALIGIORNE, 2002). Por
isso não pode ser ignorada, não somente porque muitos dos relatórios de âmbito
nacional fazem recomendações diretas em seu favor, mas também porque um número
considerável de alunos e de educadores acredita que o computador é muito
importante em sala de aula, interferindo nos processos motivacionais, além de favorecer
o aprendizado e possibilitar a formação de aptidões.
Os
recursos tecnológicos atuais, como multimídia, Internet, videoconferência,
trazem novas formas de ler, de escrever e, portanto de pensar e agir. O uso de
um editor de texto possibilita o registro dos pensamentos de forma distinta do
texto manuscrito, provocando no indivíduo uma forma diferente de ler e de
interpretar o que escreve (FRÓES, 1998).
Segundo Silva (2001, p. 174 apud VILARES, p.12):
O professor não é somente ator na rede de interações.
Mas, sobretudo, autor. Ele provoca e disponibiliza a rede de interações tomando
por base os fundamentos da interatividade. É nessa materialidade comunicacional
que ele expressa sua autoria. Aliás, manter essa ambiência, já constitui sua
autoria. (AUTOR, ano, p. )
Para
que seja efetiva a utilização da tecnologia no processo educacional, ela pode estar
desvinculada dos objetivos da educação tradicional, no que se refere à
transmissão do conhecimento. Não adianta oferecer computadores de última
geração se o método de ensino continuar o mesmo. Trata-se de implementar
mudanças profundas, mudanças em procedimentos antigos. Segundo Freire (1995 apud CALIGIORNE, 2002)
precisa-se contribuir para criar a escola que seja aventura, que marque o aluno
e que não tenha medo do risco e por isso recusa o imobilismo. Uma escola que
possibilite pensar, atuar, falar, amar, adivinhar, uma escola que
apaixonadamente diz sim a vida. É
importante o entendimento de como os estudantes, na sua relação com o
computador, interagem e adquirem conhecimentos e de que forma os professores podem
trabalhar em direção ao processo educacional.
A interação bem sucedida aumenta a aprendizagem. Desenvolve a
flexibilidade, porque a maior parte das seqüências são imprevisíveis, abertas.
Ajuda a adaptação a ritmos diferentes: a Internet permite a pesquisa
individual, em que cada aluno vai no seu próprio ritmo, e a pesquisa em grupo,
em que se desenvolve a aprendizagem colaborativa. Na Internet também se
desenvolve formas novas de comunicação, principalmente escrita. Escreve-se de
forma mais aberta, hipertextual, conectada, multilingüística, aproximando texto
e imagem.
A possibilidade de divulgar páginas pessoais e grupais na Internet gera
uma grande motivação, visibilidade, responsabilidade para professores e alunos.
Todos buscam se esforçar para escrever bem, para comunicar melhor as suas idéias,
para serem bem aceitos.
Outro resultado comum a maior parte dos
projetos na internet confirma a riqueza de interações que surgem, os contatos
virtuais, as amizades, as trocas constantes com outros colegas, tanto por parte
de professores como dos alunos. A comunicação afetiva, a criação de amigos em
diferentes países se transforma em um grande resultado individual e coletivo
dos projetos. O conhecimento não se passa, o conhecimento se cria, se constrói e
reconstrói. Aprender se dá ao filtrar, selecionar, comparar, avaliar,
sintetizar, contextualizar o que é mais relevante, significativo.
Educar é estar mais atento as possibilidades do que
aos limites. Estimular o desejo de aprender, de ampliar as formas de perceber,
de sentir, de compreender, de comunicar-se. Apoiar o estado de prontidão para
aprender dentro e fora da escola, em todos os espaços do nosso cotidiano, em
todas as dimensões da vida. estar atentos a tudo, relacionando tudo, integrando
tudo. Conectar sempre o ensino com a pessoa do aluno, com a vida do aluno, com
a sua experiência (MORAN, 1998, p. 88).
Educar é procurar chegar ao aluno por todos os caminhos possíveis: pela
experiência, pela imagem, pelo som, pela representação (dramatizações,
simulações), pela multimídia. É partir de onde o aluno está ajudando-o a ir do
concreto ao abstrato, do imediato para o contexto, do vivencial para ao
intelectual, integrando o sensorial, o emocional e o racional. O emocional é um
componente fundamental da compreensão e do ensino. Ensinar e aprender depende
do educador e do educando, é um processo compartilhado. Parafraseando Freire
(1987), poderíamos dizer: “ninguém educa ninguém, ninguém é educado por
ninguém; os homens se educam juntos, em comunhão. A Internet
é um dos caminhos desse processo”.
Ensinar e aprender depende do educador e do educando,
é um processo compartilhado. O educador coordena, sensibiliza, organiza o
processo, que vai sendo construído em conjunto comas habilidades e tecnologias
possíveis a cada grupo, de forma participativa. É um processo baseado na
confiança, na comunicação autêntica, na interação, na troca, no estímulo, com
normas e limites, mas sempre enfatizando o incentivo (MORAN, 1998, p.89).
O poder de interação não está fundamentalmente nas tecnologias, mas nas
mentes. A revolução é ensinar com as novas mídias. Como afirma Moran (1998), a internet
acaba sendo um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas que pode ajudar
a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de
aprender. Como instrumento a disposição do professor e do aluno e, portanto da
educação, os recursos da informática, utilizados de maneira adequada, poderão
se constituir em valioso agente de mudanças para a melhoria da qualidade do
processo de ensino e de aprendizagem. Para isso irá requerer professores bem
formados, com conhecimento sólido.
No terceiro milênio o sistema educacional encontra muitos desafios para
superar, seja por conseqüência natural das demais transformações do mundo, seja
por exigência deste novo contexto ao qual a escola precisa se adequar. Surge um
novo paradigma em educação, ainda não consolidado,
mas que já está se esboçando nas idéias e na prática dos educadores, que sabem
captar os sinais dos tempos e cumprir seu papel de construtores dessa nova
história.
O comprometimento do aluno também
é importante para que ele elabore o seu próprio conhecimento. Pois, segundo Vygotsky
(1991, 1993 apud CALIGIORNE, 2002), o conhecimento é visto como um resultado da
construção do próprio indivíduo, através da interação do sujeito com o mundo, considerando
os fatores biológicos, experiências físicas e troca social e os processos de
equilíbrio e desequilíbrio nessa construção. De acordo com essas idéias, o
indivíduo é o motor ativo e coordenador de seu próprio desenvolvimento.
A
respeito das contribuições de Vygotsky, Oliveira (1997) destaca que o homem não
nasce pronto, ele se constrói ao longo de um percurso de desenvolvimento psicológico
no qual a interação com o grupo e o outro social é fundamental. Ele vai reconstruir
e desenvolver, em nível individual, o material recebido do contexto sócio cultural,
assim como para Piaget (1973 apud VILARES), conhecimento é construção. O
conhecimento se dá fundamentalmente no processo de interação, de comunicação.
Os processos de conhecimento dependem profundamente do social, do ambiente
cultural onde se vivem, dos grupos com os quais as pessoas se relacionam, pois
a cultura onde se mergulha interfere em algumas dimensões do que se percebe. Ainda
para Vygotsky (1991 apud CALIGIORNE,
2002), compreender o desenvolvimento de uma criança analisando o percurso
percorrido ao realizar uma tarefa, marca a distância entre o desenvolvimento real,
- a capacidade de realizar uma tarefa de forma independente, associado às
funções psicológicas - e o desenvolvimento potencial, - que é a capacidade
de realizar tarefas com ajuda de adultos ou companheiros mais capazes - é que
se encontra a Zona de desenvolvimento
proximal (ZDP). É um domínio psicológico em constante transformação,
pois o que uma criança não consegue fazer hoje ela é capaz de fazer amanhã. A
zona de desenvolvimento proximal é a distância entre aquilo que já foi conquistado
e aquilo que está por vir. Um bom ensino é aquele que está direcionado para o
futuro, para aquilo que está por vir. Ele a define como a distância entre o
nível de conhecimento real, que se costuma determinar através da solução
independente de problemas sob a orientação de um adulto ou em colaboração com
companheiros mais capazes, Vygotsky (1991 apud CALIGIORNE, 2002).
Segundo o sóciointeracionismo de Vygotsky (1987 apud VILARES), a
arrumação da sala de aula com alunos sentados em dupla ou em grupo facilita a
aprendizagem, pois estimula a troca e a cooperação entre os participantes. O
autor incentiva ainda a interação mediada por sujeitos cognitivamente
diferentes
Numa perspectiva construtivista, o ensino pelo computador deve ocorrer
viabilizando trocas entre os alunos, que são os sujeitos da aprendizagem,
segundo Piaget, e o software, que contará com objetos de aprendizagem
decididos previamente, através das quais se tornem evidentes as possibilidades
de assimilação e acomodação dos conteúdos veiculados. Assim, professores e
alunos são pesquisadores; o professor procura quais são as possibilidades que o
computador apresenta ao usuário; o aluno procura a solução dos seus problemas
e, assim o fazendo, constrói ao mesmo tempo concreta, física e mentalmente o
próprio pensamento.
Outro
ponto a destacar é a idéia de intervenção pedagógica, ou seja, o desenvolvimento
de um indivíduo não é um processo espontâneo, mas um processo de intervenção
fundamental e essencial do outro ser social. Não significa que haverá uma
imitação mecânica, ou um comportamento de receptor passivo por parte do educando.
De acordo com a interpretação de Oliveira (1995 apud CALIGIORNE, 2002),
Vygotsky trabalha com a idéia de reconstrução, de reelaboração, por parte dos
indivíduos, dos significados que lhes são transmitidos pelo grupo social.
Diante
de tais colocações, Oliveira (1997) conclui que o papel do professor é um papel
ativo, e a intervenção no desenvolvimento do aluno é deliberada. A escola é uma
instituição que existe para promover a aprendizagem do aluno e por isso deve
procurar garantir que os processos de aprendizagem impulsionem o
desenvolvimento do indivíduo.
2.3. A formação do professor
A
discussão entorno de como ocorre o processo do conhecimento é antiga, isto é, muito
se discute sobre a questão dos meios mais adequados para alcançar os fins do
processo, e, acima de tudo incluir as experiências culturais e suas produções,
como a produção científica, elementos da mídia, produtos tecnológicos, filmes,
peças de teatro, obras literárias e outras diversas produções das diferentes
culturas. A proposta curricular pode considerar um novo tipo de aluno, com diferentes
interesses, capacidades e necessidades. Sendo assim, o professor tem um papel a
desempenhar, ocupando e ampliando seu espaço de trabalho na escola. Neste
sentido é necessário repensar a sua prática, bem como o seu processo de
formação Santos (1997 apud CALIGIORNE, 2002).
O computador é uma ferramenta que pode auxiliar o professor a promover
aprendizagem, autonomia, criticidade e criatividade do aluno. Para Valente
(1998, p. 02), o termo “informática na educação refere-se à inserção do
computador no processo de aprendizagem dos conteúdos curriculares de todos os
níveis e modalidades de educação”. Mas, para que isto aconteça, é necessário
que o professor assuma o papel de mediador da interação entre aluno,
conhecimento e computador, o que supõe formação para exercício deste papel. Nem
sempre é isto, entretanto, que se observa na prática escolar.
O computador pode ser um
instrumento útil no processo de ensino e de aprendizagem quando o aluno,
auxiliado pelo professor e isso intensifica a relação professor-aluno, assume o
controle da máquina, desenvolvendo sua criatividade no uso ou elaboração de
programas que atendam seus interesses e necessidades Ripper (1985 apud ROSALEN).
Assim, o computador torna-se uma ferramenta de aprendizagem e não uma máquina de
ensinar que pode auxiliar no processo de aprendizagem do aluno. Por isso Almeida
(1998, p. 02-03 apud ROSALEN, p.03)
afirma que:
Para que o professor tenha condições de criar
ambientes de aprendizagem que possam garantir esse movimento (contínuo de construção
e reconstrução do conhecimento) é preciso reestruturar o processo de formação,
o qual assume a característica de continuidade. Há necessidade de que o
professor seja preparado para desenvolver competências, tais como: estar aberto
a aprender a aprender, atuar a partir de temas emergentes no contexto e de
interesse dos alunos, promover o desenvolvimento de projetos cooperativos,
assumir atitude de investigador do conhecimento e da aprendizagem do aluno,
propiciar a reflexão, a depuração e o pensar sobre o pensar, dominar recursos
computacionais, identificar as potencialidades de aplicação desses recursos na
prática pedagógica, desenvolver um processo de reflexão na prática e sobre a
prática, reelaborando continuamente teorias que orientem sua atitude de
mediação. (AUTOR, ano, p. )
A formação de professores capazes de utilizar tecnologias e em especial,
o computador na Educação, não exige apenas o domínio dos recursos, mas uma
prática pedagógica reflexiva aberta a mudança e imprevistos, uma vez que o uso
de computadores não garante, por si só, uma melhor qualidade do ensino:
Uma aula mal preparada não será melhor apenas com o
uso do computador. A tecnologia pode talvez mascarar a deficiência de um
professor, mas, se usada inadequadamente, não deixa de ser prejudicial ao
aluno. Nada substitui o verdadeiro professor Berbel (1999, p. 42 apud ROSALEN,
p.03).
O computador não é e nem pode ser visto como a solução para problemas
pedagógicos da sala de aula, não supre, por si, as possíveis lacunas na formação
do professor, pois:
A formação do professor deve prover condições para que
ele construa conhecimento sobre as técnicas computacionais, entenda por que e
como integrar o computador na sua prática pedagógica e seja capaz de superar
barreiras de ordem administrativa e pedagógica. Essa prática possibilita a
transição de um sistema fragmentado de ensino para uma abordagem integradora de
conteúdo e voltada para a resolução de problemas específicos do interesse de
cada aluno. Finalmente, deve-se criar condições para que o professor saiba
recontextualizar o aprendizado e a experiência vivida durante a sua formação
para a sua realidade de sala de aula compatibilizando as necessidades de seus
alunos e os objetivos pedagógicos que se dispõe a atingir Valente (1997, p. 14 apud ROSALEN, p.4).
Com
a implementação da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB),
no que diz respeito à formação docente, as atuais diretrizes (lei 9394/96) impõem
a necessidade de repensar a formação de professores no país. Essa lei determina
que a formação de docentes para a educação básica aconteça, segundo o Artigo 62
“em nível superior, em cursos de licenciatura, de graduação plena, em
universidades e institutos superiores de educação”.
Os
problemas da profissão docente no Brasil são inúmeros, diversificados e ultrapassam
os próprios limites dos cursos de formação de docentes. Para enfrentá-los é
preciso romper com uma visão simplista de formação de professores. Negarem a idéia
do docente como mero transmissor de conhecimento e superar os modelos de Licenciatura
que sobrepõem o ‘como ensinar’ ao ‘o que ensinar’. Estas mudanças educacionais
dependem dos professores e de sua formação, e das transformações de suas
práticas pedagógicas na sala de aula. É necessário que o licenciado, futuro professor,
seja compreendido como sujeito em formação que traz consigo uma visão de
educação, de educador e aluno construído por sua escolarização, que vivencia uma
formação superior e irá se formar também na prática pedagógica, compromissado
com o cotidiano da sala de aula. A licenciatura é um momento intermediário e
imprescindível no processo de formação do professor (PEREIRA, 2000).
Segundo
Popkewitz (1992, apud CALIGIORNE, 2002), é através da formação do professor que
se dá à chave da socialização e da configuração profissional. A profissão
docente representa mais do que um lugar de aquisição de conhecimentos e de
técnicas, e muita vez é visto como um ideal, uma posição altruísta, que ignora
as questões políticas, os confrontos e os compromissos que envolvem a formação
docente. É necessário criar um equilíbrio na formação, que envolva a preparação
acadêmica, a preparação profissional e a prática profissional. Para Esteves
(1991 apud CALIGIORNE, 2002), é uma profissão onde se convive com o conflito, com
a mudança, com a ambigüidade e com a complexidade. Criar um tempo para acomodar
as inovações tecnológicas e as mudanças, para refazer as identidades, contribui
para a emancipação profissional e para a consolidação de uma profissão que é
autônoma na produção dos seus saberes e dos seus valores Nóvoa (1992 apud CALIGIORNE,
2002). Segundo Valente, (2003) o cenário atual não é tão tranqüilo. No modelo
atual de informatização adotado pela maioria das escolas, o professor ainda
fica à margem do processo, não trabalha diretamente com as máquinas, nem
modifica o conteúdo das aulas, para incluir nelas as possibilidades do uso dos
computadores. Não há como definir o currículo de formação ou da atuação como um
conjunto de objetivos e unidades de conteúdo. A formação e a atuação de
professores para o uso da Informática na Educação envolvem o domínio dos
recursos tecnológicos, da ação pedagógica e dos conhecimentos teóricos necessários
para refletir, compreender e transformar essa ação (FROES, 1998).
Portanto,
para Nóvoa (1992, p.28 apud CALIGIORNE, 2002, p.31), uma perspectiva para a
formação do professor é a formação-ação proposta:
É preciso trabalhar no
sentido diversificado dos modelos e das práticas de formação, instituindo novas
relações dos professores com o saber pedagógico e cientifico. A formação passa
pela experimentação, pela inovação, pelo ensaio de novos modos de trabalho
pedagógico. E por uma reflexão crítica sobre a sua utilização. A formação passa
por processos de investigação, diretamente articulados com as práticas
educativas. (AUTOR, ano, p. )
2.4. A gestão
da Informática na Educação
2.4.1 Gestão
Educacional
Gestão educacional é todo o processo que envolve a coordenação das
atividades relacionadas à educação englobando as três instâncias governamentais:
federal, estadual e municipal. No cenário da gestão educacional, ocorre o
gerenciamento e legitimação das políticas públicas e das leis para a educação,
ou seja, é o canal de normatização de leis que gestam a educação brasileira.
Desta gestão são elaborados os pareceres, portarias, decretos e leis como, por
exemplo, a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), essa legislação deve
abranger toda área educacional do país.
A gestão educacional estabelece o direcionamento e a mobilização capaz de
sustentar e dinamizar o modo de ser e de fazer do sistema de ensino e das
escolas, por isso deve realizar um trabalho participativo e democrático, com
espírito cooperativo, respeitando a opinião da comunidade envolvida.
Segundo Lück (2006), gestão educacional corresponde ao processo de gerir
a dinâmica do sistema de ensino como um todo e de coordenação das escolas em
específico, afinado com as diretrizes e políticas educacionais públicas, para a
implementação das políticas educacionais e projetos pedagógicos das escolas,
compromissado com os princípios da democracia e com métodos que organizem e
criem condições para um ambiente educacional autônomo capaz de achar soluções
próprias no âmbito de suas competências; de participação e compartilhamento com
a tomada conjunta de decisões e efetivação de resultados; autocontrole fazendo
o acompanhamento e avaliação com retorno de informações; e transparência
realizando a demonstração pública de seus processos e resultados.
Segundo dados do MEC, nas últimas décadas algumas políticas públicas
ligadas a introdução das TICs foram implementadas nas escolas, propiciando uma
melhoria educacional. Com isso muitas escolas foram inseridas em programas como
ProInfo proporcionando o acesso a computadores e a Internet. Sendo assim houve
uma melhora significativa para essas escolas (como
afirma isso, em base de qual fonte?), porém até hoje, ainda muitas
instituições educacionais não disponibilizam desses recursos importantes para o
processo de ensino e de aprendizagem (da mesma forma
aqui, quem constata isso?).
O Ministério da Educação (MEC), em 2008, através do Programa Nacional de
Formação Continuada em Tecnologia Educacional (ProInfo Integrado)
começou a capacitação de 100 mil professores. A meta a atingir até 2010 é de 240
mil, desenvolvendo um amplo projeto de formação de professores e gestores da
rede pública de ensino, para utilização de tecnologias da informação em sala de
aula. O programa oferece dois cursos. O primeiro, com carga horária de 40
horas, é de introdução à educação digital. Ele tem como objetivo familiarizar,
motivar e preparar os professores para a utilização de recursos básicos de
computadores e internet. O segundo, cuja carga horária é de cem horas, abordará
o potencial pedagógico das tecnologias, preparando os professores para planejar
e utilizar as tecnologias da informação e comunicação (TICs) em situações de
ensino e aprendizagem na escola.
Segundo o MEC (2008), os dois cursos serão oferecidos de forma
independente. Num primeiro momento, eles serão destinados aos professores e
gestores de escolas da rede pública de ensino que tenham recebido laboratórios
de informática do ProInfo, a partir de 2005. Ou seja, algumas políticas
públicas estão sendo desenvolvidas na área da informática e assim introduzir as
TICs na educação brasileira.
2.4.2 Gestão
Escolar
Para
Barbosa (1999, apud MOUSQUER, 2008), os novos conceitos de gestão se constituem numa preocupação para os
gestores da educação. Percebe-se a necessidade de se investir na gestão
participativa, pois a autonomia de poderes sugere a ampliação de
responsabilidades e, conseqüentemente, de maior preparo dos gestores
educacionais. “A gestão da escola passa a ser então o resultado do exercício de
todos os componentes da comunidade escolar, sempre na busca do alcance das
metas estabelecidas pelo projeto político-pedagógico construído coletivamente” Barbosa
(1999, p. 219 apud MOUSQUER, 2008, p. 32).
A gestão pode ser entendida como a arte de pensar, agir e fazer
acontecer. Sendo assim, o gestor precisa articular para que cada indivíduo
envolvido se sinta responsável no processo e assim ocorra a mudança. Pode
trabalhar para superar as diferenças, a fragmentação, a descontextualização e
construir, através de um olhar abrangente e interativo, a visão e orientação de
conjunto, e a partir do qual desenvolver ações articuladas e conscientes.
O gestor precisa ter habilidades para diagnosticar e propor soluções
assertivas às causas geradoras de conflitos nas equipes de trabalho, ter
habilidades e competências para a escolha de ferramentas e técnicas que
possibilitem a melhor administração do tempo, promovendo ganhos de qualidade e
melhorando a produtividade profissional. Necessita ter a habilidade de
articular em meio aos problemas e os diferentes setores educacionais envolvidos,
por isso poderá gestar de forma democrática a introdução das TICs na escola.
O Projeto Político Pedagógico ocupa o papel central na construção de
processos de participação escolar e, portanto, na implementação de uma gestão
democrática. Envolver os diversos segmentos na elaboração e no acompanhamento
do projeto pedagógico constitui um grande desafio para a construção da gestão
democrática e participativa, pois, a escola é um espaço de contradições e
diferenças. Quando se busca construir na escola um processo de participação
baseado em relações de cooperação, no trabalho coletivo e no partilhamento do
poder, precisa-se exercitar a pedagogia do diálogo, do respeito às diferenças,
garantindo a liberdade de expressão, a vivência de processos de convivência
democrática, a serem efetivados diariamente, em busca da construção de projetos
coletivos.
O
Projeto Político Pedagógico da escola é uma ferramenta muito importante para a
escola e para o gestor e por isso há a necessidade de que a gestão se realize
através da participação, é importante que conste nele objetivos e metas que se
deseja atingi, além da introdução e uso das TICs no processo educacional. Por
isso, a gestão participativa envolve em suas atividades além do diretor, dos
professores e dos funcionários, os alunos, os pais e qualquer membro da
comunidade da escola que esteja empenhado em colaborar na construção do projeto
político pedagógico da escola, pois para Barbosa (1999, p.91 apud MOUSQUER,
2008, p.33):
[...] a sua construção
implica aprendizado do jogo democrático entre os vários interlocutores da
escola (professores, conselho, funcionários, etc.). Trata-se de uma luta
política e, portanto, deve envolver todos os segmentos na busca da ruptura com
a cultura autoritária da escola. (AUTOR, ano, p. )
A Gestão Escolar pode ser dividida em:
1. Gestão Pedagógica: é o lado mais importante e significativo da gestão
escolar, ela pode gerir a área educativa da escola e da educação escolar;
estabelecer objetivos para o ensino; definir as linhas de atuação, observando
os objetivos, o perfil da comunidade e os alunos; propor metas; elaborar os
conteúdos curriculares; acompanhar e avaliar o rendimento da proposta
pedagógica, dos objetivos e o cumprimento de metas; avaliar o desempenho dos
alunos, do corpo docente e da equipe escolar como um todo. Suas atribuições
estão descritas no Regimento Escolar e no Projeto Político Pedagógico da
escola. Diretor é o grande articulador da Gestão Pedagógica e o primeiro
responsável pelo seu sucesso. É auxiliado nessa tarefa pelo Coordenador
Pedagógico, quando existir.
2. Gestão Administrativa: cuida da parte física do prédio e dos
equipamentos materiais que a escola possuir, e da parte institucional, ou seja,
a legislação escolar, direitos e deveres, atividades de secretaria.
3. Gestão da Comunidade Escolar: é a parte mais sensível de toda a
gestão, pois abrange alunos, equipe escolar e comunidade, ou seja, lida com
pessoas, procurando mantê-las trabalhando satisfeitas, rendendo o máximo em
suas atividades, pode contornar problemas e questões de relacionamento humano,
e para que os objetivos educacionais sejam atingidos é preciso ter êxito de
gestão neste segmento. Para auxiliar a gestão podem estar previstos no
Regimento Escolar os direitos, deveres, atribuições: de professores, corpo
técnico, pessoal administrativo, alunos, pais e comunidades. O Regimento
Escolar pode ser elaborado de modo equilibrado, não tolhendo demais a autonomia
das pessoas envolvidas com o trabalho escolar, nem deixando lacunas e vazios
sujeitos a interpretações ambíguas, assim gestão da comunidade escolar se
tornará mais simples e mais justa.
4. Gestão Financeira: poderá controlar os recursos financeiros
disponíveis na escola e buscar formas de adquiri-los quando esses se
encontrarem em falta.
2.4.3 Gestão
Democrática
A gestão da escola nada mais é que um ato político, pois implica sempre
uma tomada de posição dos atores sociais (pais, professores, funcionários,
estudantes...). Ou seja, a sua construção não pode ser individual, pelo
contrário, pode ser coletiva, envolvendo os diversos segmentos na discussão e
na tomada de decisões. Ela indica para os sistemas de ensino as normas para a
gestão democrática, apontando dois instrumentos fundamentais: a elaboração do
Projeto Pedagógico da escola, contando com a participação dos profissionais da
educação; e a participação das comunidades escolar e local em CPM, Conselhos
Escolares ou equivalentes.
Para que a tomada de decisão seja partilhada, é necessária a
implementação de vários mecanismos de participação, tais como: o aprimoramento
dos processos de provimento ao cargo de diretor, a criação e consolidação de
órgãos colegiados na escola (CPM, Conselhos Escolares, Conselho de Classe...),
o fortalecimento da participação estudantil por meio da criação e consolidação
de grêmios estudantis, a construção coletiva do PPP da escola, a progressiva
autonomia da escola e, conseqüentemente, a discussão e a implementação de novas
formas de organização e de gestão escolar e a garantia de financiamento público
da educação e da escola nos diferentes níveis e modalidades de ensino. Toda
essa dinâmica se efetiva como um processo de aprendizado político fundamental
para a construção de uma cultura de participação e de gestão democrática na
escola.
A implementação de processos e práticas de participação coletiva, bem
como a avaliação destas, é fundamental para romper com a lógica autoritária em
que se estruturam as concepções e práticas dominantes de organização e gestão
escolares. Desse modo, é fundamental ressaltar a importância: da construção
coletiva de um projeto pedagógico pela escola, envolvendo os diferentes
segmentos da comunidade local e escolar; da discussão e mudanças na organização
do trabalho e na gestão da escola; do estabelecimento de formas de distribuição
do poder, assim como da vivência e construção de novas formas de relacionamento
interpessoal. A efetivação da gestão democrática como aprendizado coletivo deve
considerar a necessidade de se repensar a organização escolar, tendo em mente a
importância desta na vida das pessoas, bem como os processos formativos
presentes nas concepções e práticas que contribuam para a participação efetiva
e para o alargamento das concepções de mundo, homem e sociedade dos que dela
participam.
A participação não tem o mesmo significado para todos, trata-se de uma
palavra que tem vários significados. Isso quer dizer que os processos de
participação constituem, eles próprios, processos de aprendizagem e de mudanças
culturais a serem construídos diariamente. Não existe apenas uma forma ou
lógica de participação: há dinâmicas que se caracterizam por um processo de
pequena participação e outras que se caracterizam por efetivar processos, em
que se busca compartilhar as ações e as tomadas de decisão por meio do trabalho
coletivo, envolvendo os diferentes segmentos da comunidade escolar. Ou seja,
alguns processos chamados de participação não garantem o compartilhamento das
decisões e do poder, configurando-se como mecanismo legitimador de decisões já
tomadas centralmente.
Segundo Navarro (2004), a participação é um
processo a ser construído coletivamente. É fundamental ressaltar que a
participação não se decreta, não se impõe e, portanto, não pode ser entendida
apenas como mecanismo formal/legal.
A democratização da gestão por meio do fortalecimento dos mecanismos de
participação na escola pode-se apresentar como uma alternativa criativa para
envolver os diferentes segmentos das comunidades locais e escolares nas
questões e problemas vivenciados pela escola. Esse processo, certamente, possibilita
um aprendizado coletivo, cujo resultado pode ser o fortalecimento da gestão
democrática na escola.
Para
Rodrigues (1997 apud MOUSQUER, 2008), numa perspectiva ampliada de gestão democrática, destaca que a
democracia, na escola, está embasada em três conceitos básicos: o conceito da
autonomia, o conceito da participação e o conceito de gestão democrática.
Atualmente, diz ele, precisamos assegurar a democratização da gestão e da
educação de qualidade. Adverte, portanto, que parece estar havendo uma tendência
metodológica de segmentar os debates, ou seja: ou qualidade, ou gestão, ou
democracia, ou autonomia.
A
concepção que deve ser instaurada é a da importância da educação e, no
desdobramento, o porquê de lutar por qualidade, por democracia, por autonomia,
mas o cerne de toda a discussão é o tema da educação. [...] O que é que nós
queremos com a atividade da educação? Rodrigues (1997, p.10 apud MOUSQUER,
2008, p.33).
Ampliando
o conceito anterior, o autor se refere a idéia de que a educação é um direito
da natureza humana e que, acima de tudo, precisamos ser formados para viver. A
formação do ser humano, direito universal de ser formado e direito de viver na
sua época, estabelece outras condições, como o tipo de educação que vamos ter,
a informação que precisamos, o tipo de gestão que vamos criar na escola para
formar este homem. Para isso temos de estabelecer “regras de convivência para
que se evite a tendência do homem de usar o outro como extensão da sua vontade”
Rodrigues (1997, p.10 apud MOUSQUER, 2008, p.33).
Quando estamos em
condições de estabelecermos as regras de nossa convivência, estamos em
condições de estabelecer o processo de construção democrática. É por isto que a
democracia não é algo a que se chega em um determinado momento, pois ela é sempre
uma possibilidade. (AUTOR, ano,
p. )
Numa
abordagem mais humanística, ainda para o mesmo autor, gestão democrática
significa ter senso de medida, de persistência, de capacidade de articulação,
de vontade, enfim, ser capaz de ouvir. É dessa forma que se desenvolve pessoas
autônomas, capazes de falar, participar, criar, pessoas participativas, capazes
de saber que são respeitadas. É por isto, então, que a eleição de diretores não
é democracia, é um momento da democracia, é condição de possibilidade Rodrigues
(1997, p.17 apud MOUSQUER, 2008 p.33).
Para Hamze, na Gestão democrática poderá haver compreensão da
administração escolar como atividade, meio e reunião de esforços coletivos para
o implemento dos fins da educação, assim como a compreensão e aceitação do
princípio de que a educação é um processo de emancipação humana; que o Projeto
Político Pedagógico (PPP) pode ser elaborado através de construção coletiva e
que além da formação pode haver o fortalecimento do Conselho Escolar, uma vez
que “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo. Os homens se educam entre
si, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1987, p.68).
Então a gestão democrática da educação está vinculada aos mecanismos
legais e institucionais e à coordenação de atitudes que propõem a participação
social: no planejamento e elaboração de políticas educacionais; na tomada de
decisões; na escolha do uso de recursos e prioridades de aquisição; na execução
das resoluções colegiadas; nos períodos de avaliação da escola e da política
educacional. Com a aplicação da política da universalização do ensino pode-se
estabelecer como prioridade educacional a democratização do ingresso e a
permanência do aluno na escola, assim como a garantia da qualidade social da
educação.
Segundo Barbosa (1999, p.219 apud MOUSQUER, 2008, p.32):
A gestão democrática, assim entendida, exige uma
mudança de mentalidade dos diferentes segmentos da comunidade escolar. A gestão
democrática implica que a comunidade e os usuários da escola sejam os seus
dirigentes e gestores e não apenas os seus fiscalizadores ou meros receptores
de serviços educacionais.
Com base nesta nova visão democrática da gestão o desafio agora é mudar a
mentalidade e dar abertura para a participação efetiva da comunidade na vida
educacional do país. A LDB, criada em 1996, veio para garantir mecanismos e
condições para que espaços de participação, partilhamento e descentralização do
poder ocorram. Ela dispõe que:
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas de
gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas
peculiaridades e conforme os seguintes princípios:
I – participação dos profissionais da educação na
elaboração do Projeto Político-Pedagógico da escola;
II – participação das comunidades escolar e local em Conselhos Escolares
ou equivalentes.
Termina assim?
3. METODOLOGIA
Neste capítulo será apresentado como se buscou alcançar os objetivos
propostos, descrevendo a estrutura da pesquisa e os procedimentos metodológicos
empregados na busca dos resultados. Descrevem-se os
autores que seguem a mesma interpretação, a fim de evitar maus entendimentos
sobre os termos da pesquisa social.? A preocupação, segundo Castro (1997
apud CALIGIORNE, 2002), se
justifica pelo fato de que, nas classificações das pesquisas, os critérios
podem ser relativos e elásticos, pois só adquirem sentido e precisão dentro de
um contexto comparativo bem definido. Desta forma, buscou-se
definir a estrutura conceitual (será bem definida?
Sugiro deletar), a fim de servir de guia
para a investigação, coleta e análise de dados.
Para Demo (1995 apud CALIGIORNE,
2002 ) a metodologia se caracteriza como um instrumento usado para fazer
ciência, e também reconhece o seu valor enquanto caráter problematizante consiste na idéia de que tudo em ciência é discutível,
sobretudo em ciências sociais. Esta é uma característica a mais da pesquisa? (sugiro: esta é uma característica da
pesquisa qualitativa), talvez seja porque nunca se esgota a realidade?, pois dependendo da maneira como se
trata dela, ela ainda pode ser? (sugiro: ela permanece
sendo) questionada. Em se tratando de pesquisa, a metodologia deve
questionar a cientificidade da produção científica, discutindo sua demarcação;
a construção do objeto, desvendando a realidade e as diferentes abordagens tais
como: empirismo; positivismo; dialética; estruturalismo, sistemismo e posturas
alternativas.
3.1. Estratégia da pesquisa
A investigação seguiu a abordagem qualitativa, na qual, segundo os parâmetros
destacados por Goldenberg (1999 apud GERHARDT 2008), a pesquisa qualitativa não
se preocupa com representatividade numérica, mas sim com o aprofundamento da
compreensão de um grupo social, de uma organização, etc. Os pesquisadores que
adotam a abordagem qualitativa se opõem ao pressuposto que defende um modelo
único de pesquisa para todas as ciências, já que as ciências sociais têm sua
especificidade, o que pressupõe uma metodologia própria. Assim, os
pesquisadores qualitativos recusam o modelo positivista aplicado ao estudo da
vida social, uma vez que o pesquisador não pode fazer julgamentos nem permitir
que seus preconceitos e crenças contaminem a pesquisa.
Os pesquisadores que utilizam os métodos qualitativos buscam explicar o
porquê das coisas, exprimindo o que convém ser feito?,
mas não quantificam os valores e as trocas simbólicas nem se submetem à prova
de fatos, pois os dados analisados são não-métricos e se valem de diferentes
abordagens.
A pesquisa qualitativa se preocupa, portanto, com aspectos da realidade que não podem ser quantificados, centrando-se
na compreensão e explicação da dinâmica das relações sociais. Para Minayo (2001
apud GERHARDT 2008), a pesquisa qualitativa trabalha com o universo de
significados, motivos, aspirações, crenças, valores e atitudes, o que
corresponde a um espaço mais profundo das relações, dos processos e nos? fenômenos que não podem ser reduzidos à
operacionalização de variáveis.
Segundo Gerhardt (2008), as características da pesquisa qualitativa são:
objetivação do fenômeno; hierarquização das ações descrever, compreender,
explicar; precisão das relações entre o global e o local em determinado
fenômeno; observância das diferenças entre o mundo social e o mundo natural;
respeito ao caráter interativo entre os objetivos buscados pelos
investigadores, suas orientações teóricas e seus dados empíricos; busca de
resultados os mais fidedignos possíveis; oposição ao pressuposto que defende um
modelo único de pesquisa para todas as ciências. Triviños (1987, p.131)
complementa dizendo que uma pesquisa qualitativa não envolve uma estrutura tão
rígida quando a pesquisa quantitativa:
As informações que se colhem, geralmente, são
interpretadas e isto pode originar a exigência de novas buscas de dados. (...)
As hipóteses colocadas podem ser deixadas de lado e surgir outras, no achado de
novas informações, que solicitam encontrar outros caminhos. Dessa maneira, o pesquisador
tem a obrigação de estar preparado para mudar suas expectativas frente ao
estudo. (AUTOR, ano, p. )
Desta forma, segundo as colocações apresentadas,
a pesquisa que se segue apresenta uma
flexibilidade na formulação e reformulação das hipóteses à medida que a mesma
vai se realizando. Sem perder o caráter de uma investigação cuidadosa da
realidade, o método permite que as perguntas inicialmente formuladas sejam apresentadas
de outra maneira, em parte ou totalmente reformuladas, de acordo com os
resultados e as evidências encontradas nas primeiras fases da pesquisa.
Sendo assim a natureza desta pesquisa teve um caráter exploratório, este
tipo de pesquisa tem como objetivo proporcionar maior familiaridade com o
problema, com vistas a torná-lo mais explícito ou a constituir hipóteses. A
grande maioria destas pesquisas envolve: (a) levantamento bibliográfico; (b)
entrevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o problema
pesquisado; e (c) análise de exemplos que ‘estimulem a compreensão’. Exemplos destas pesquisas podem ser
classificados como bibliográfica e estudo de caso Gil (2007 apud GERHARDT
2008).
O método de
procedimento desenvolvido foi de um estudo de caso. Esse método pode ser
caracterizado como um estudo de uma entidade bem definida como um programa, uma
instituição, um sistema educativo, uma pessoa, ou uma unidade social. Visa
conhecer em profundidade o como e o porquê de uma determinada situação que se
supõe ser única em muitos aspectos, procurando descobrir o que há nela de mais
essencial e característico. O pesquisador não pretende intervir sobre o objeto
a ser estudado, mas revelá-lo tal como ele o percebe (FONSECA, 2002).
O estudo de caso pode decorrer de acordo com uma perspectiva
interpretativa, que procura compreender como é o mundo do ponto de vista dos
participantes, ou uma perspectiva pragmática, que visa simplesmente apresentar
uma perspectiva global, tanto quanto possível completa e coerente, do objeto de
estudo do ponto de vista do investigador (FONSECA, 2002). Sendo assim, as
instituições estudadas foram a Escola Estadual de Ensino Médio Floriano Peixoto
e Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, situadas
no município de Engenho Velho/RS.
As instituições acima referidas foram selecionadas por possuírem
laboratório de informática e fazerem uso deles no processo de ensino e
aprendizagem. O laboratório de informática da primeira Escola comporta uma turma
de 30 alunos, possui 20 computadores interligados, já na segunda Escola o
laboratório de informática possui 13 computadores ligados em rede e com acesso a
internet. A utilização do laboratório de informática na primeira escola ocorre
durante as aulas curriculares de acordo com a necessidade que os professores
percebem por isso não está previsto um horário específico, como disciplina
própria durante a semana. Já na segunda escola, há uma disciplina de
Informática com horário semanal, onde os alunos são atendidos no laboratório
por uma professora com habilitação específica acompanhada pelo (a) professor
titular (a) da turma, porém a disciplina ainda não consta na grade curricular. O
(a) professor (a) titular solicita a professora de informática o que quer que
seja desenvolvido na turma a cada aula e acompanha o desenvolvimento das
atividades no laboratório. O estudo de caso incluiu, portanto, a observação
assistemática do uso do computador no início e final do processo de ensino e de
aprendizagem, mediante programa previamente estabelecido e que abordava as
questões referentes à informática educativa.
Os procedimentos descritos estão de acordo com as características fundamentais
apresentadas por Lüdke e André (1986, apud CALIGIORNE,
2002), de onde se destaca que os
estudos de caso visam a descoberta, pois mesmo que o investigador parta de
alguns pressupostos teóricos iniciais ele procurará se manter constantemente
atento a novos elementos que podem emergir como importantes durante o estudo.
Os estudos de caso enfatizam a “interpretação de um contexto”, pois para uma
apreensão mais completa do objeto é preciso levar em conta o contexto em que
ele se situa; os estudos de caso procuram apresentar pontos de vista presentes
numa situação social, e os relatos utilizam uma linguagem e uma forma mais
acessível que os outros relatórios de pesquisa.
O método de abordagem seguiu a tendência dialética: a realidade investigada
foi, inicialmente, problematizada, buscando-se distinguir regras gerais visualizadas
na questão e os atores historicamente envolvidos. Em seguida, foi realizado um
levantamento da realidade, determinando-se as contradições relacionadas entre
as partes envolvidas com a composição do problema. Buscou-se identificar mecanismos
que atuam no processo, como e de que maneira se realiza o desenvolvimento da
construção do conhecimento no processo de ensino e de aprendizagem dos alunos
da educação infantil e ensino fundamental na utilização das novas tecnologias.
Triviños (1987)
apresenta uma orientação na busca do conhecimento na pesquisa dialética que
direciona de modo geral este trabalho. O método dialético não busca compreender
a aparência, mas a sua essência, pelo fato de que os fenômenos sociais são
contraditórios e dinâmicos.
Como etapa inicial do estudo, realizou-se um diagnóstico da realidade, no
qual foram realizadas as entrevistas, questionários e observações e da análise
de documentos (ementas, programas das disciplinas, planos de ensino, planos de aula,
etc.). Em seguida, realizou-se a análise das informações através da observação
das partes que integram o todo e do estabelecimento de suas relações, aplicando
e elaborando instrumentos no intuito de reunir informações.
3.2. Sobre a população e a amostra
3.2.1. Descrição
da população
Docentes e discentes da educação infantil e do ensino fundamental da
Escola Estadual de Ensino Médio Floriano Peixoto e da Escola Municipal de
Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, no município de Engenho
Velho/RS.
3.2.2. Seleção e
caracterização da amostra
A técnica de amostragem considerada foi a teoria da probabilidade, no
qual envolveu os professores e alunos das referidas escolas públicas.
Inicialmente, por meio de observação, entrevistas e um questionário, buscou-se
identificar qual a expectativa dos mesmos em relação as aulas de informática,
como utilizam o laboratório de informática e como são estruturadas as aulas de informática
nessas escolas.
|
Figura 1: Discentes em aula no laboratório de
informática da Escola A.
Fonte: Própria do autor.
Figura 2: Discentes em aula no laboratório de informática da
Escola B.
Fonte: Própria do autor.
3.3. Descrição dos instrumentos
Os instrumentos utilizados nesse estudo foram a entrevista, o
questionário de pesquisa, a análise documental e a observação. O questionário
da pesquisa foi distribuído a todos os docentes e discentes da educação
infantil e ensino fundamental das referidas escolas. Uma cópia do instrumento
encontra-se no Anexo I e II. No primeiro momento, procurou-se identificar os
docentes e discentes que já sabiam usar o computador e a Internet ou não;
identificar os docentes e discentes que já os utilizavam como apoio pedagógico
e de que maneira os estavam utilizando. Neste mesmo instrumento, buscou-se
informação sobre a pretensão de se incluir ou aprimorar a utilização do
computador e da Internet na prática docente e discente para aqueles que ainda
não fazem uso. O significado da inclusão das novas tecnologias nos
procedimentos pedagógicos das disciplinas foi investigado no intuito de
verificar as vantagens e desvantagens visualizadas pelos professores e alunos em
relação aos benefícios do uso das novas tecnologias.
A análise documental constituiu-se no estudo da documentação legal e dos
planejamentos que orientam a disciplina de Informática (constitui no estudo dos
planejamentos que orientam as disciplinas, como programas das disciplinas,
plano de ensino, plano de aula, etc.), para avaliar como estava sendo feita a inserção
das novas tecnologias junto aos alunos da educação infantil e ensino
fundamental.
3.4. Coleta dos dados
Os
instrumentos utilizados no trabalho foram à entrevista, o questionário de
pesquisa, a observação e a análise documental.
3.5. Tratamento dos dados
A análise dos dados seguiu a linha descritiva para tratar da importância
de preparar os professores no uso das novas tecnologias, favorecendo o processo
de ensino e de aprendizagem e a forma como este produz o conhecimento. Os
resultados obtidos, finalmente, foram analisados para identificar:
• se as novas tecnologias estão sendo usadas apenas como cursos técnicos (Word,
Paint, Internet Explorer) ou se estão sendo empregadas como uma forma de
impulsionar o processo de ensino e de aprendizado crítico, criativo e
participativo;
• se o conhecimento dos professores permite a construção do conhecimento
dos educandos, favorecendo a sua autonomia intelectual, isto é, se permite a
construção da sua aprendizagem através do desenvolvimento de habilidades
conducentes à reconstrução do saber;
• se a formação dos alunos permite torná-los sujeitos do conhecimento, permitindo
estabelecer relações com seu espaço da sala de aula por intermédio da sua
interação assimilação/apropriação de saberes.
3.6. Limitações do estudo
A pesquisa tratou de um tema relativamente novo, embora o computador seja
uma realidade presente e disponível em várias instituições de ensino. No entanto,
a capacitação de professores que envolvam experiências culturais diversificadas,
isto é, as inclusões de elementos das produções culturais humanas, como os
produtos das TICs, envolvem um grande investimento, mas que precisam ser
identificadas e analisadas.
A princípio, o que se identificou como limitação foi o reduzido número de
professores que fazem uso do computador e da Internet como recurso didático e
da forma como o utilizam. Algumas iniciativas foram analisadas e registradas no
desenvolvimento do presente estudo.
4. RESULTADOS E
DISCUSSÕES
4.1. Exploração inicial
Uma das dificuldades encontradas na investigação do uso das
tecnologias digitais no processo de ensino e de aprendizagem constituiu-se na escolha
das escolas para a realização do Estudo de Caso. Foi necessário realizar uma
pesquisa exploratória nas escolas através de uma visita as escolas para definir
as escolas que seriam investigadas. Sendo assim, foram visitadas as três
escolas existentes no município, sendo que duas possuíam laboratório de
informática e uma não, por isso essas foram as selecionadas.
A amostra constitui-se de 181 alunos, sendo 26 da educação
infantil e 151 do ensino fundamental (1º ao 5º ano). A amostra apresenta a
idade dos alunos conforme o gráfico abaixo, sendo que quatro alunos deixaram de
responder ao questionário.

A escolha desses alunos e professores representa apenas uma
delimitação desta pesquisa, mas tem como objetivo obter respostas às questões
formuladas.
Essas respostas
permitirão perceber como os professores e
alunos percebem a utilização do computador e
da internet no processo de ensino e de aprendizagem.
No início da observação, no intuito de sondar o conhecimento a
respeito da informática e as expectativas, os anseios relacionados à sua
utilização no processo de ensino e aprendizagem e também para verificar o
acesso e utilização dos alunos e professores quanto ao computador e a internet,
foi aplicado um questionário, o modelo se encontra no anexo I e II. Sendo que,
para os alunos da Educação Infantil, 1º e 2º anos do ensino fundamental foi
aplicado o questionário oralmente.
A seguir será apresentado de forma representativa, mas sucinta, as
informações coletadas através dos questionários aplicados aos alunos.
·
1ª questão: O que
você espera aprender nas aulas de informática?
Através desta pergunta procurou-se obter respostas como forma de
buscar elementos que mostrem as expectativas e anseios dos alunos antes de
participarem das aulas de informática. Entre as respostas percebe-se a
preocupação com o domínio da leitura, da escrita e do computador, para que eles
possam desenvolver os trabalhos solicitados em sala de aula, como o apresentado
nas falas abaixo:
Aprender a usar o computador para fazer os trabalhos que os profes
dão.
Aprender a pesquisar na internet para fazer os trabalhos de aula.
Aprender a ler e a escrever.
A partir das opiniões que os alunos têm e expressaram, percebeu-se
que eles esperam que as aulas desenvolvam estratégias de aprendizagem e contribuam
na assimilação dos conteúdos trabalhados em sala de aula.
Muitas
discussões sobre tecnologia em educação focalizam o uso do meio e não o aluno
ou o professor. E do ponto de vista da educação, a tecnologia não é tão
importante quanto às possibilidades que oferece de melhorar a educação a um
maior número de pessoas. Contudo, poderá ser a capacidade do professor de selecionar e explorar as
tecnologias adequadas ao seu contexto específico que dará a devida dimensão ao
seu uso na educação, não só porque facilita as tarefas de ensino, mas porque
poderá facilitar e ampliar a aprendizagem dos alunos, pois, a aquisição
da informação, dos dados dependerá cada vez menos do professor. As tecnologias
podem trazer hoje dados, imagens, resumos de forma rápida e atraente. O papel
do professor, talvez o papel principal, é ajudar o aluno a interpretar esses
dados, a relacioná-los, a contextualizá-los.
O professor passa a ser um facilitador, mediador que
procura ajudar a que cada um consiga avançar no processo de aprender. Mas tem
os limites do conteúdo programático, do tempo de aula, das normas legais. Ele
tem uma grande liberdade concreta, na forma de conseguir organizar o processo
de ensino e de aprendizagem, mas dentro dos parâmetros básicos previstos
socialmente.
Muitos alunos
imaginam que a utilização das novas tecnologias será suficiente para formá-los
ou capacitá-los, tornando-os técnicos executores de pacotes de instrução, como
se pode ver em algumas respostas:
A gente precisa saber mexer no computador porque a informática tá
em tudo.
Espero que essas aulas me ensine a mexer no computador e na
internet.
Outros alunos vêem as tecnologias com recursos didáticos que fazem
parte do conjunto das mediações culturais que caracterizam o ensino, como tais,
são portadoras de idéias, emoções, atitudes, habilidades e, portanto
traduzem-se em objetivos, conteúdos e métodos de ensino (LIBANEO, 1998).
Espero que o computador me ajude a aprender mais o que o profe
ensina na aula.
Aprender um pouco mais sobre informática pra fazer meus trabalhos
e pra arrumar um bom trabalho.
Aprender depende também do aluno, de que ele esteja pronto? (mas ele não é um ser inacabado?), maduro,
para incorporar a real significação que essa informação tem para ele, para
incorporá-la vivencialmente e emocionalmente. Enquanto a informação não fizer
parte do seu contexto pessoal, intelectual e emocional, não se tornará
verdadeiramente significativa, não será aprendida verdadeiramente.
·
2ª questão: O que você
conhece de informática? Você sabe usar o computador e a internet?
Com esta questão procurou-se levantar informações sobre o
conhecimento de informática e da internet que cada um tem, ou seja, procurou-se
saber, dos alunos que já fazem uso, para que e no que eles utilizam o
computador e a internet. Portanto dos 181 alunos, 174 responderam o
questionário, e destes, 15 já tinham tido um contato direto com o computador,
alegando ter um conhecimento prévio, o que demonstra que a tecnologia faz parte
do seu cotidiano. Isto pode ser observado pela falas apresentadas a seguir:
Utilizo o computador para jogar joguinhos.
Uso o computador para escutar música e assistir historinhas.
Uso para escrever e desenhar.
O restante dos alunos não apresentava nenhum conhecimento, desta
forma o contato inicial com o computador e a internet aconteceu nas aulas
desenvolvidas no laboratório de informática.
·
3ª questão: Aonde
você tem acesso a computador e a internet?
Segundo as respostas obtidas pode-se observar
que 165 alunos não têm acesso a computador, 10 alunos têm computador em casa e
destes, 7 com acesso a internet e 5 já alunos utilizaram essas ferramentas na
escola, na biblioteca pública municipal ou na prefeitura municipal.
Para ter conhecimento da realidade que envolve os professores foi
aplicado um questionário a eles. Abaixo está descrito de forma representativa e
sucinta as informações coletadas.
·
1ª questão: É do seu
interesse constar o uso do computador e da Internet no seu trabalho pedagógico?
Dos treze professores que responderam o questionário, de um total
de quatorze, todos foram unânimes em constar o computador e a internet no seu
trabalho pedagógico.
Na realidade, para trabalhar bem a matéria de ensino, o professor
precisa ter conhecimento do que se propõe a ensinar. Isto não significa uma
postura que pressuponha uma forma estanque de conhecimento. Ao contrário, o
professor que tem domínio do conteúdo é aquele que trabalha com a dúvida, que
analisa sua estrutura de matéria de ensino e é profundamente estudioso do assunto.
Segundo Moran (2005), as mudanças na educação dependem, em primeiro
lugar, de ter educadores maduros intelectual e emocionalmente, pessoas
curiosas, entusiasmadas, abertas, que saibam motivar e dialogar. Pessoas com as
quais valha a pena entrar em contato, para dele sair mais enriquecido.
Os professores consideram importante o domínio do conteúdo e que
esteja vinculado à realidade, evidenciando a necessidade de introduzir as novas
tecnologias. Esta inquietude está relacionada abaixo e demonstra o
posicionamento do professor frente às novas tecnologias.
Eu acho importante proporcionarmos esse contato do aluno com o
computador e a internet uma vez que existem por tudo hoje em dia.
Sou a favor desse trabalho, pois entendo que a escola precisa
inovar e utilizar os recursos já que estão aí e procurar tirar proveito deles.
É algo a mais que atrai os alunos.
Estas informações
demonstram que é do interesse dos professores fazer uso do computador e da
internet. Desta forma, qualquer mudança na educação deve contar com o apoio dos
professores, pois a formação docente passa por processos de investigação
diretamente articulados com as práticas educativas, Nóvoa (1992 apud CALIGIORNE,
2002).
·
2ª questão: O que
você conhece de informática?
Dos 13 professores que
responderam o questionário todos já tinham tido um contato direto com o
computador, alegando ter um conhecimento prévio, o que demonstra que fazem uso
desta tecnologia no seu cotidiano. Isto pode ser observado pela falas
apresentadas a seguir:
Sei o básico Windows e
Word para digitar textos.
Tenho um bom
conhecimento de computador, me viro legal.
Me considero autodidata,
pois nunca fiz nenhum curso,e o pouco que sei aprendi sozinho, a digitar e
navegar na internet, etc..
Meu conhecimento é
básico, porém sem muita experiência.
O domínio do conteúdo
técnico por parte do professor como uma das partes que constituem sua prática
pedagógica poderá ser importante para desenvolver uma aprendizagem crítica,
criativa e transformadora. Desconhecendo melhores opções, na maioria das vezes,
as escolas restringem o uso do computador a
práticas delimitadas e específicas, ou ministram aulas de informática na
tentativa de tornar o aluno usuário competente na realização de seus trabalhos,
desconsiderando-se o elemento fundamental para que um projeto inovador tenha
sucesso na sala de aula: o professor (LIBANEO, 1998). A alfabetização em
computadores deve ser parte do saber: como ler, escrever, contar e comunicar;
isto permite compreender o que os computadores podem fazer pelos professores e
alunos. Segundo Stahl (1997 apud CALIGIORNE, 2002), é necessário dominar todas
as habilidades e valores necessários para funcionar efetivamente numa sociedade
cada vez mais dependente do computador e da tecnologia da informação.
É importante educar para a autonomia, para que cada um encontre o seu
próprio ritmo de aprendizagem e, ao mesmo tempo, é importante educar para a
cooperação, para aprender em grupo, para intercambiar idéias, participar de
projetos, realizar pesquisas em conjunto.
Só podemos educar para a autonomia, para a liberdade com autonomia e
liberdade. Uma das tarefas mais urgentes é educar o educador para uma nova
relação no processo de ensinar e aprender, mais aberta, participativa,
respeitosa do ritmo da cada aluno, das habilidades específicas de cada um.
·
3ª questão: O que
deseja desenvolver ou que seja desenvolvido nas aulas de informática?
Em geral as respostas foram:
O mundo hoje está
informatizado, porém uma grande parte de pessoas não tem acesso à informática,
nós vivemos esta realidade e esperamos mudar este quadro com a aplicação dessas
aulas.
Esperamos com estas
aulas ensinar o básico do computador, conciliando a informática com o que ensinamos
no dia a dia em sala de aula.
Aperfeiçoamento, pois é
uma grande ferramenta que veio para auxiliar o processo ensino-aprendizagem.
Esperamos que nos traga
recursos inovadores pra utilizarmos nas aulas transformando o ambiente
tradicional em um ambiente inovador. Buscando uma melhor aprendizagem dos
alunos.
Que ela possa nos
auxiliar através da ajuda e cooperação do professor e da determinação e
interesse dos alunos.
·
4ª questão: Você
acha que os alunos devem ter a oportunidade de explorar, individualmente, suas
áreas de interesse e de construir seu próprio conhecimento quando estiverem
usando o computador e a Internet? Por quê?
A
maioria dos professores (10 professores) acha que os alunos podem ter momentos
de exploração individual, mas sob supervisão do professor que deverá estar
atento aos interesses e acessos dos alunos assim terão oportunidades de
construir seus conhecimentos.
A
prática pedagógica precisa escutar e dialogar com as crianças, jovens e
adultos, partindo do saber da experiência, compreendendo as significações
sistematizadas por diferentes grupos de geração em geração. Para Ferreira
(2006, p.39 apud KRUM, 2008, p.03)
“uma prática de hospitalidade e acolhimento”.
Ensinar utilizando as tecnologias digitais exige uma forte dose de
atenção do professor. Na internet diante de tantas possibilidades de busca, a
própria navegação se torna mais sedutora do que o necessário trabalho de
interpretação. Os alunos tendem a dispersar-se diante de tantas conexões
possíveis, de endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se
sucedem ininterruptamente. Tendem a acumular muitos textos, lugares, idéias,
que ficam gravados, impressos, anotados. Colocam os dados em seqüência mais do
que em confronto.
Copiam os endereços, os artigos uns ao lado dos outros, sem a
devida triagem (MORAN, 1998).
A Internet é uma tecnologia que facilita a motivação dos alunos, pela
novidade e pelas possibilidades inesgotáveis de pesquisa que oferece. Essa
motivação aumenta se o professor a faz em um clima de confiança, de abertura,
de cordialidade com os alunos. Mais do que a
tecnologia, o que facilita o processo de ensino e de aprendizagem é a
capacidade de comunicação autêntica do professor, de estabelecer relações de
confiança com os seus alunos, pelo equilíbrio, competência e simpatia com que atua. Assim, o aluno desenvolve a aprendizagem
cooperativa, a pesquisa em grupo, a troca de resultados. A interação bem
sucedida aumenta a aprendizagem. É importante sensibilizar o aluno antes? para conseguir atingir o que se quer naquele momento.
Se o aluno tem claro ou encontra valor no que vai pesquisar, o fará com mais
rapidez e eficiência.
4.1.2
Conclusões da exploração inicial
Segundo as informações coletadas, parece ser o papel do professor
bem mais complexo do que a simples tarefa de transmitir o conhecimento já
produzido. O professor, durante a sua formação, precisa compreender o próprio
processo de construção e produção do conhecimento escolar, entender as
diferenças e semelhanças dos processos de produção do saber científico e do
saber escolar, é preciso estimular os professores a se apropriarem dos saberes de que são portadores? (PEREIRA, 2000). Os
grandes educadores atraem não só pelas suas idéias, mas pelo contato pessoal.
Dentro ou fora da aula chamam a atenção. Há sempre algo surpreendente,
diferente no que dizem, nas relações que estabelecem, na sua forma de olhar, na
forma de comunicar-se. Tornam-se um poço inesgotável de descobertas.
Os problemas da
prática profissional docente em relação a informática não são meramente
instrumentais, todos eles comportam situações problemáticas que obrigam a
decisões em um terreno de grande complexidade, incerteza, singularidade e
conflitos de valores (NÓVOA, 1992 apud CALIGIORNE,
2002), pois as situações que os professores por vezes
se deparam apresentam características únicas, exigindo, portanto, respostas únicas?. O
profissional competente possui capacidade de autodesenvolvimento reflexivo.
Alguns alunos não aceitam facilmente essa mudança na forma de ensinar e de
aprender. Estão acostumados a receber tudo pronto do professor, e espera que
ele continue "dando aula", como sinônimo de ele falar e os alunos
escutarem. Alguns professores também criticam essa nova forma, porque parece
uma forma de não dar aula, de ficar ‘brincando’ de aula.
Ao concluir essa primeira fase de observações pode-se perceber que
tanto alunos quanto os professores estão abertos ao uso das TICs no processo de
ensino e aprendizagem o que propicia um bom ambiente para a produção de
conhecimentos. Observando o Projeto Político Pedagógico das escolas, percebe-se
que os mesmos foram elaborados de forma democrática promovendo a valorização do
conhecimento empírico dos educandos cuja preocupação está voltada para a
aprendizagem dos mesmos.
Quanto aos planos de estudos, ambas as escolas não têm a
disciplina de Informática na grade curricular. O que as diferencia é que na Escola A, os alunos utilizam o
laboratório de informática esporadicamente e as aulas ficam a cargo da
professora titular da turma que faz uso dos computadores para desenvolver
atividades como: digitação de textos, produção de desenhos e textos, sem
explorar muitos os recursos e não tem acesso a internet. Já na escola B, os
alunos têm aula semanalmente com uma professora formada em informática, mas com
experiência em sala de aula, pois era professora do Currículo por Atividades,
acompanhada do (a) professor (a) titular. Nas aulas são realizadas atividades
diversas como: digitação, jogos educativos (jogo da memória, quebra-cabeças,
pintura, jogos matemáticos, cruzadinhas, etc.), produção de textos, pesquisas
na internet, recebimento e envio de e-mail aos colegas com os trabalhos
produzidos, etc. As atividades na maioria das vezes estão relacionadas aos
conteúdos desenvolvidos na semana em sala de aula. Percebe-se a interação e
diálogo entre os professores titulares e a da informática o que proporciona um
trabalho diferenciado com bom aproveitamento pedagógico.
4.2 Exploração final
Para concluir o estudo em questão, ou seja, a utilização das TICs
no processo de ensino e aprendizagem aplicou-se um questionário objetivando
analisar as aulas no laboratório de informática e relacioná-las com as
expectativas apresentadas.
Ao compreender as representações e desafios que as novas
tecnologias apresentam percebe-se uma situação de conflito que levam o
professor a questionar sua postura, refletir sua prática, iniciando assim um
processo de mudança de postura como educador, diferente daquele professor
repassador de conhecimento.
Um modelo do instrumento de pesquisa utilizado foi disponibilizado
no anexo III e IV e foi aplicado aos alunos e aos professores envolvidos no
final do ano letivo de 2008, ou seja, no último dia de aula no laboratório de informática,
quando foram convidados a responder o questionário. Aos alunos da educação
infantil, 1º e 2º anos do ensino fundamental o questionário foi realizado
oralmente.
A seguir será apresentado de forma representativa, mas sucinta, as
informações coletadas através dos questionários aplicados aos alunos nesta
etapa final.
·
1ª questão: Como foi usar o computador e a internet nas
aulas?
Com essa questão se buscou avaliar a experiência no uso do
computador e da internet durante o ano letivo de 2008. A grande maioria dos
alunos, apresentam conhecimento no uso do computador, pois dos 181 alunos que responderam
ao questionário, 152 apresentam uma experiência positiva no uso do computador,
como mostram as respostas abaixo:
Foi bom, mas a gente
poderia vir mais seguido no laboratório.
Foi bom, agradável e diferente. Amei os jogos e
atividades que a profe dava.
Foi ótimo. Aprendi muita coisa legal.
Muito bom, porque eu nunca tinha utilizado e aprendi bastante.
Foi ótimo aprendi muito, adorei fazer pesquisas na internet e
fazer meus trabalhos escolares e mandar os trabalhos pros colegas.
Percebe-se através das respostas que a experiência com o computador,
para alguns alunos, representou a possibilidade de aprendizagem de novos
conhecimentos e também sua utilização como apoio didático para as atividades escolares,
sendo assim agregaram conhecimento a eles. Os alunos da Escola A avaliaram como
positiva as aulas no laboratório de informática, porém reclamaram que não tem
internet e que o número de aulas são poucas.
·
2ª questão: Você utilizou o computador e a internet como
ferramenta de apoio para as atividades escolares?
Os 562 alunos que responderam o questionário
disseram que utilizaram o computador e a internet nas aulas para desenvolver
alguma atividade escolar. As atividades realizadas nas aulas de informática eram
relacionadas aos conteúdos vistos em sala de aula complementando-os.
Sim, usei para fazer pesquisa na internet.
Jogar os joguinhos que a profe dava e escrever textos que eu fiz
no caderno.
Usei para inventar uma história que a profe pediu, tive que
inventar também os desenhos.
·
3ª questão: Na sua opinião, quais são as vantagens de
usar o computador e a internet nas atividades escolares?
Segundo as respostas obtidas dos 152
alunos através do questionário, as vantagens são que as atividades são mais
interessantes porque são interativas, atraentes e desenvolvem a atenção dos
alunos para realizá-las.
Eu acho bom usar o computador porque é mais bom do que escrever no
caderno.
É mais legal porque toda aula tem coisa nova para aprender.
É mais legal, mas a gente tem que prestar mais atenção para
aprender a fazer as coisas que a profe pede senão a gente se perde.
·
4ª questão: Na sua opinião, quais as desvantagens do uso
do computador e da internet nas aulas?
Para essa questão as respostas obtidas
dos alunos foram unânimes no sentido de que não percebem desvantagens em
utilizar o computador nas aulas:
Eu acho que é bom e precisa continuar as aulas no laboratório de
informática.
Eu quero que as aulas continuem porque foi muito bom e aprendi
bastante.
Espero que no ano que vem tenha ainda aula de informática.
·
5ª questão: Em relação às aulas no laboratório de
informática, suas expectativas foram atendidas?
As respostas obtidas através do
questionário foram de que as aulas no laboratório de informática atenderam as
expectativas.
Sim, era o que eu esperava.
Foram boas, espero que seja cada vez melhor.
Foi melhor do que eu esperava porque eu não sabia nada.
Abaixo serão apresentadas sucintamente as informações coletadas
através dos questionários aplicados aos professores nesta etapa final.
·
1ª questão: Como foi usar o computador e a internet como
recurso pedagógico?
Dos 14 professores que participaram desse processo de pesquisa, pois
um professor não respondeu o questionário, 13 acharam que a internet e o
computador contribuem de forma significativa no processo de ensino e
aprendizagem.
O uso da informática em educação não significa a soma de
informática e educação, mas a integração dessas duas áreas. Mas para o educador
integrar o uso do computador e da internet à sua prática pedagógica é preciso
que ele o domine, portanto, o domínio da informática implica entre outras
coisas o domínio do computador. Ao dominar o computador, o educador pode passar
por um processo de formação de conceitos como ocorre com uma criança na
formação do conceito de permanência do objeto. Desta forma, o curso de formação
de professores deve oferecer condições para que o educador domine o computador
e se sinta confortável e não ameaçado por esta tecnologia Valente (1998).
Nas respostas a seguir, percebe-se que os professores tendem a resistir
à inovação tecnológica e expressam dificuldade em assumir, teórica e praticamente,
disposições favoráveis a uma formação tecnológica.
Não sei muito de computador e também não me interesso muito, mas
adorei acompanhar as aulas que sempre foram descontraídas e com isso passei até
a gostar e aprendi bastante junto com as crianças.
De início achei que as aulas não iam contribuir para a
aprendizagem dos alunos, depois fui percebendo e descobrindo recursos, como
jogos diversos que vinham a dar seqüência aos conteúdos trabalhados em sala de
aula e acho que foi uma experiência muito válida.
Romper com a resistência dos professores é um desafio a ser
superado. Esta resistência pode ser trabalhada na formação de professores,
desenvolvendo habilidades cognitivas e operativas para o uso das tecnologias e
também a formação de atitudes favoráveis ao seu emprego. Na verdade, em nosso
país, a associação entre educação e desenvolvimento tecnológico vem de uma
visão tecnicista, do período da ditadura militar, que gerou uma resistência de
natureza política e tecnológica. Há também outras características a considerar
como questões culturais, sociais, um certo temor pela máquina, equipamentos
eletrônicos, medo da despersonalização, de ser substituído pelo computador,
ameaça ao emprego e formação que não inclui a tecnologia (LIBANEO, 1998).
As mudanças na educação dependem também de termos administradores,
diretores e coordenadores mais abertos, que entendam todas as dimensões que
estão envolvidas no processo pedagógico, além das empresariais ligadas ao
lucro; que apóiem os professores inovadores, que equilibrem o gerenciamento
empresarial, tecnológico e o humano, contribuindo para que haja um ambiente de
maior inovação, intercâmbio e comunicação.
Na fala a seguir, percebe-se o fascínio e interesse do professor
na utilização do computador na educação. Mesmo havendo um desconhecimento total
das possibilidades do uso do computador na educação, ele acredita que o
computador possa contribuir no processo de ensino e de aprendizagem. Demonstra
o interesse de introduzir o computador como instrumento capaz de contribuir na
melhoria da educação.
Eu sou amante do computador, vejo-o como uma ferramenta inovadora
na educação e a minha experiência no laboratório de informática foi válida até
o ponto de eu sentir necessidade de me aperfeiçoar mais.
A introdução dos computadores na educação pode promover uma nova
relação entre os professores e alunos. O domínio do computador não acontece de
maneira imediata e sem ele é difícil o professor se sentir seguro a ponto de provocar
a transição da postura, de professor tradicional para um professor que saiba tirar
proveito do computador como ferramenta auxiliar do processo de construção do conhecimento
do aluno (VALENTE, 1998).
·
2ª questão: Você utilizou o computador e a internet como
ferramenta de apoio para as atividades pedagógicas?
Essa questão buscou identificar a utilização do computador e da
internet como instrumento de apoio no processo pedagógico. Dos 13 professores
que responderam o questionário, 9 disseram que usaram o computador e a internet
sem dificuldade já 4 disseram que usaram, mas tiveram dificuldades para relacionar
o seu uso com os conteúdos da sala de aula e que os auxiliou dando idéias foi a professora do
laboratório (reveja).
Os professores não podem mais ignorar os recursos tecnológicos
disponíveis, porque há tempos o livro didático e os professores deixaram de serem
as únicas fontes de conhecimento, portanto é preciso que os professores
modifiquem suas atitudes. As resistências às inovações tecnológicas se
expressam na ação dos professores em assumir, teórica e praticamente,
disposições favoráveis a uma formação tecnológica (LIBANEO, 1998). Observou-se
nas respostas dos questionários, que a forma empregada para fazer uso do
computador e da internet por parte dos professores é de uma ferramenta para
promover a aprendizagem.
Segundo Valente (1998, p.12), “o computador não é mais o
instrumento que ensina o aprendiz, mas a ferramenta com a qual o aluno
desenvolve uma tarefa por intermédio do computador”. E estas tarefas podem ser
elaboração de texto através de processadores de textos, pesquisa, resolução de
problemas, envolvendo o domínio do
conhecimento, utilização de jogos pedagógicos on-line ou não. Procurando tornar
mais clara esta opinião sobre a utilização do computador e da internet como
ferramenta de apoio no processo de ensino e de aprendizagem, citam-se as respostas
dos professores.
Utilizei Word, paint, pesquisa na internet sobre determinados
assuntos propostos em sala de aula.
Digitação de textos produzidos em sala de aula de forma individual
ou em grupos.
Produção de histórias em quadrinhos, onde os alunos fizeram os
personagens das histórias.
Software educativo para crianças com jogos direcionados aos
objetivos que se queria atingir como: coordenação motora, percepção visual,
cores, formas geométricas, atenção, raciocínio, etc.
O objetivo do computador é promover um ambiente de aprendizado
baseado na resolução de problemas. Existem diversas maneiras de fazer uso do
computador na educação. Uma delas é informatizando os métodos tradicionais de
instrução, que do ponto de vista pedagógico, é chamado de paradigma
instrucionista. O outro é o paradigma construcionista no qual a ênfase está na
aprendizagem, na construção do conhecimento e não no ensino, ou na instrução VALENTE
(1998).
É importante que o curso de formação de professores considere todos estes aspectos,
através do envolvimento constante e participação dos professores, considerando-os como participantes ativos
do processo de aprendizagem. É preciso formá-los do mesmo modo que se espera
que eles atuem Candau (1997 apud CALIGIORNE, 2002).
Libâneo defende a idéia do comprometimento do professor para
desempenhar bem sua função na escola, para ele:
A ênfase no saber ser, sem dúvida fundamental para
se definir uma postura crítica do educador frente ao conhecimento e aos instrumentos
de ação, não pode dissolver as outras duas dimensões da prática docente, o
saber e o saber fazer, pois a incompetência no domínio do conteúdo e no uso de
recursos de trabalho compromete a imagem do professor educador. Tornar nossa
prática ineficiente põe em risco os próprios fins políticos dessa prática Libâneo (1986,
p.52 apud CALIGIORNE,
2002).
Demo (1998 apud CALIGIORNE,
2002) reforça a idéia do envolvimento dos professores
na apropriação de um conhecimento sólido para a utilização dos recursos
tecnológicos, pois aquele que não aprende bem, não pode fazer o aluno aprender
bem.
·
3ª questão: Na sua avaliação, quais são as maiores
vantagens do uso educacional do computador e da internet?
A terceira indagação teve por objetivo analisar as reações
favoráveis quanto à utilização do computador na área educacional. Os 13
docentes registraram a sua avaliação. Algumas respostas obtidas foram:
Possibilita a realização de
pesquisas sobre assuntos recentes além de fazer o aluno a ler, pois ele precisa
selecionar o que serve e o que não serve para sua pesquisa.
Desenvolver espírito colaborativo entre alunos, pois muitas vezes
um ajudava o outro nas descobertas.
Desenvolver a socialização de idéias, soluções. Desenvolver trabalhos
de forma mais atrativas para o aluno, devido aos sons e imagens.
Nas discussões sobre a melhor forma de utilizar o computador no
ensino, faz-se necessário ter a clareza do potencial das modalidades de
utilização. Para Valente (1991, p.27 apud CALIGIORNE, 2002, p.56):
É importante lembrar que as diferentes modalidades do uso do computador
na educação vão continuar coexistindo. Não se trata de uma substituir a outra,
como acontece com a introdução de outras tantas tecnologias na nossa sociedade.
O importante é compreender que cada uma destas modalidades apresenta
características próprias, vantagens e desvantagens. Estas características devem
ser explicadas e discutidas de modo que as diferentes modalidades possam ser
usadas nas situações de ensino aprendizagem que mais se adequam. (AUTOR, ano, p. )
Estas restrições dos professores a outras formas de utilização do
computador e da internet na educação, fazem lembrar as palavras de Chaves (ano) sobre a subvalorização do potencial
do computador decorrente em grande parte do desconhecimento dos professores das
possibilidades da utilização desta tecnologia no processo de ensino e de aprendizagem.
Este desconhecimento faz com que se subordinem “os objetivos educacionais aquilo que se acredita ser o potencial máximo
do computador – mas esse potencial é subestimado, pois definido muito mais em
termos do que se faz na escola do que em termos daquilo que se poderia fazer” Chaves
(1988, p.27 apud CALIGIORNE,
2002). Por isso, a Escola B apresenta uma ‘vantagem’
em relação a Escola A, pois a professora que atende no laboratório tem
experiência de sala de aula e também tem formação em informática, com isso
conhece mais as possibilidades e os recursos que podem ser explorados nessas
aulas, sendo que na Escola A o professor da turma faz esse atendimento e por
não ter um conhecimento mais aprofundado explora superficialmente as
possibilidades das atividades.
Os professores também apresentam outros argumentos sobre as
vantagens da utilização do computador, que nem sempre são convincentes. Esta
visão otimista é construída com pouca fundamentação, com risco de provocar
frustrações. Diante disto, para alguns professores, o uso do computador pode:
Promover o conhecimento do aluno sobre computador, diferenciar as
aulas, ajudar na socialização e interagir professores e alunos, ao novo para
muitas escolas públicas.
Este tipo de argumento tem se apresentado, segundo Valente (1998),
como uma forma de aprender sobre o computador, no entanto o computador na educação
significa aprender, mas através do computador.
Para alguns professores, o computador merece um destaque dentre as
outras tecnologias, entretanto esse tipo de argumento demonstra que se
necessita desse recurso para tornar a escola mais motivadora e interessante. A
escola deve ser interessante não pelo fato de possuir estes recursos, mas pelo
que acontece nela em termos de aprendizagem e de desenvolvimento intelectual, afetivo,
cultural e social VALENTE (1998). Como se observa nestes depoimentos:
Ligar o educando a um novo mundo e rapidez em obter informações.
Procurar sites diferenciados sobre o mesmo tema.
Motivação interação com o mundo e a tecnologia, dinamismo e magia.
Segundo Valente (1998, p.34), “O computador como agente motivador pressupõe que a escola, como um todo,
permaneça como ela é, que não haja mudança de paradigma ou de postura do
professores”.
Acredita-se que a tecnologia sozinha não é solução nem a única
condutora desse processo. Colher os benefícios que os computadores podem
oferecer requer, antes de tudo, o treinamento e a mudança de comportamento dos
professores, bem como novos projetos curriculares. Os professores são levados a
deixar de ser controladores da informação e detentores exclusivos do
conhecimento.
·
4ª questão: Na sua avaliação, quais as maiores desvantagens
do uso educacional do computador e da internet?
Entre todas as respostas obtidas, verificou-se que a desvantagem mais
destacada é a falta de domínio do computador e da internet, por isso, o
professor se sente inseguro, o que dificulta a transição da postura tradicional
para uma postura que permita tirar proveito desses recursos como ferramenta
auxiliar do processo de construção do conhecimento do aluno VALENTE (1998).
Um segundo item apresentado pelos professores é a acessibilidade
ao computador, o que evidencia não só o interesse destes professores em
adquirir ou repassar conhecimentos de informática, mas demonstra uma
necessidade de interagir com o recurso tecnológico. A falta de conhecimento dos
professores sobre os recursos que podem garantir uma forma de melhorar sua
prática pedagógica provoca uma relação de rejeição à tecnologia. Este acesso ao
recurso não só é necessário, como também permitirá aos professores terem uma
visão das possibilidades de utilização que ele oferece (OLIVEIRA, 1997).
Outra desvantagem destacada foi a utilização dos softwares, pois o
fato de ter dois tipos de usuários, isto é, professor e aluno, fazendo uso
quase simultâneo deste recurso envolve um conhecimento mais aprofundado do
professor em como funciona o software. A falta desse conhecimento gera insegurança diante de algumas
situações que ocorrem diante da máquina. O uso do software no processo de
ensino e de aprendizagem cria novas condições na produção do conhecimento,
quando utilizado pelos alunos sob orientação do professor. Desta forma é importante que
haja disponibilidade de computadores e de softwares que ajudem o professor a
usá-los e integrá-los nas atividades de ensino CYSNEIROS (1996 apud CALIGIORNE, 2002). Isto pode ser percebido nos relatos apresentados nos questionários:
Falta de domínio do programa usado.
Saber que existem milhares de recursos, isso me deixa sem saber
por onde começar.
Falta de programas educativos.
Pouco conhecimento tanto de nós professores quanto dos alunos.
A utilização da tecnologia apenas como ferramenta utilizada na
execução de tarefas leva à interação e à construção de outros tipos de texto,
isto é, novos significados sobre os objetos de estudo. Portanto surge um novo
tipo de processo de produção do conhecimento que demanda habilidades
condizentes com as exigidas na superação de desafios de um mundo em constante
mutação Neto (2002 apud CALIGIORNE,
2002).
[...] Fornecer a esse profissional base teórica e
prática desta nova tecnologia que enfatiza o aprendizado e não o ensino. Nesse
caso, o objetivo da formação desse profissional não deve ser a aquisição de
técnicas ou metodologias de ensino, mas de conhecer profundamente o processo de
aprendizagem (VALENTE, 1998, p.3).
·
5ª questão: Em relação às aulas no laboratório de
informática, suas expectativas foram atendidas?
A última pergunta gerou respostas que permitirão serem estudadas e
analisadas para a organização do plano de ensino da disciplina de Informática.
A maioria dos docentes (13) responderam que sim, que atendeu as expectativas. O
domínio da informática implica no domínio do computador e os profissionais
envolvidos concordam que este não ocorre de maneira imediata e sem este domínio
é difícil para o professor se sentir seguro. Para o profissional que conhece a
informática e não tem a experiência pedagógica, a situação não é diferente. É
necessário fornecer a esses profissionais a base teórica e prática desta nova
metodologia que enfatiza o aprendizado e não o ensino Valente (1998).
Sim, adquiri segurança para vencer a barreiras no uso do
computador.
Aprendi a usar o computador melhor e perceber as inúmeras
possibilidades que ele oferece.
Sim, enriqueceu os conhecimentos meus e de meus alunos.
Há professores que se posicionam com indiferença perante o
computador, demonstram indiferença na sua utilização, pois consideram as novas
tecnologias como uma novidade que não devem ocupar o espaço pedagógico. Partem
da premissa de que nada precisa ser modificado e assim são contrários às
inovações tecnológicas Oliveira e Valladares (1999 apud CALIGIORNE, 2002). O curso de formação na área de informática na educação,
no entanto, deve também oferecer condições para que vivenciem situações de
conflito a ponto de identificar aspectos importantes deste aprendizado e
iniciar os primeiros passos de mudança de postura como educador não ignorando a
tecnologia e do mesmo modo não se sentindo ameaçado por ela Valente (1998).
Não gosto muito de computador, mas toda novidade ou informação é
bem vinda e é necessário cada vez mais saber lidar com a máquina.
Gostei de conhecer e utilizar os softwares educativos.
A inclusão de uma disciplina específica nos cursos de formação de
professores parece ser o caminho para que todos os futuros professores cheguem
às escolas dominando certas habilidades. Os cursos podem variar em função da
experiência do professor Candau (1997 apud CALIGIORNE, 2002). De acordo com análise
feita, a formação do professor em curso pode começar pela utilização do
computador como ferramenta de trabalho, passar pela análise de seu potencial
para o processo de ensino e de aprendizagem, e
só? então o professor ira usá-lo pra apoiar a
aprendizagem de conhecimentos e o desenvolvimento de habilidades de seus
alunos.
4.2.1 Conclusões
da exploração final
Ao concluir esta pesquisa, pode-se constatar a satisfação em ter
usufruído das TICs, tanto por parte dos alunos quanto dos professores, nesse
processo de ensino e de aprendizagem. Apesar do pouco, ou quase nada, conhecimento
que a grande maioria dos alunos tinham do uso do computador e da internet, o
trabalho desenvolvido rendeu múltiplas aprendizagens a docentes e discentes,
que se entusiasmavam diante das máquinas.
Percebe-se que grande parte do êxito alcançado se deve a
integração dos profissionais envolvidos, o comprometimento e o diálogo pode ter
sido o diferencial nesse processo envolvendo a utilização das TICs, pois seu
uso só foi válido porque agregou conhecimentos e oportunizou formas
diferenciadas de ensino e aprendizagem, onde pode-se atingir objetivos por
caminhos diferentes do tradicional utilizados em sala de aula.
Uma das possibilidades verificadas foi o trabalho
interdisciplinar, que promoveu a integração dos conteúdos de várias disciplinas
promovendo o trabalho solidário, quando alunos ajudavam seus colegas e trocavam
idéias sobre as tarefas. Este procedimento permitiu a reflexão e intervenção no
sistema de ensino. Portanto, a perspectiva assumida para a formação é a de formação-ação
proposta por Nóvoa (2001 apud
CALIGIORNE, 2002), para quem a formação está e
acontece na ação, e seu processo de reflexão ocorre antes, durante e após a
ação. Os trabalhos em equipes envolvem a construção de culturas de cooperação.
Este esforço de pensar a profissão em grupo implica na existência
de espaços de partilha além das fronteiras escolares. Ressalta-se que o
conhecimento da informática torna-se importante porque permite maior exploração
dos recursos, pois o professor que não tem um conhecimento mais aprofundado
sentia-se limitado diante da máquina. Esse aspecto ficou bem evidenciado na
Escola A. Sendo assim, a formação profissional do educador deveria proporcionar
oportunidades de aprendizagens quanto as TICs para que esses recursos pudessem
ser incorporados nas escolas sem reservas e inseguranças.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS
As
tecnologias se alteram velozmente, produzindo-se muitas inovações. O meio
educacional é desafiado a ousar e a alcançar os intentos de promover um ensino
de boa qualidade com o auxílio das ferramentas tecnológicas. São pequenos
desafios, vitórias cotidianas que impulsionam docentes ao propósito de
tornar-se professor criador, construtivo. Na educação, a introdução das TICs
esteve ligada inicialmente às atividades administrativas, objetivando agilidade
dos processos de controle e gestão técnica. Posteriormente, passaram a compor o
ensino e a aprendizagem, sem necessariamente promover a
integração no processo pedagógico. Funcionavam como atividade extra,
inovadora e orientada por especialista Valente (2003 apud GONÇALVES). As
escolas passaram a ministrar aulas de informática, em momentos específicos,
percebem-se problemas relacionados à formação de professores e à
intencionalidade do processo.
Após a realização deste trabalho é importante observar que, quando se fala
em mudanças pedagógicas há a necessidade dos professores fazerem coisas diferentes
das que fazem; mudarem a mentalidade e a maneira de trabalhar em sala de aula. É
importante ressaltar que, para os professores mudarem sua prática pedagógica talvez
necessitem não só de compensações, mas também de condições. A escola também é
constituída de outros agentes educacionais importantes como diretores,
coordenadores e demais membros da comunidade escolar que poderiam estar
engajados e apoiar as mudanças pedagógicas conduzidas pelos professores. Sem
apoio de toda a hierarquia do sistema escolar, os professores, como agentes de
mudança, não irão conseguir mudar muita coisa. Como lembra Moraes (1996, p.07
apud VILARES, p.05), “é preciso construir uma consciência coletiva [...] como
parte de um conjunto de mudanças que poderão ser gradualmente absorvidas pela
comunidade educacional”.
Durante muito tempo a memorização foi tida como aprendizagem. Atualmente o
aprender passou a ser visto como ação. O conhecimento passou a ser vistos? através das ações que promovem uma aprendizagem,
ocorre de fato quando um modo de agir passa a fazer parte de cada um, revelando
um aspecto novo ou uma nova reação. Portanto, para Vilares a construção de
conhecimento está ligada a ações ou operações, ou seja, a transformações ativas
do próprio sujeito. Afinal, não se aprende senão aquilo que se pratica. Papert
(1994, p.62 apud VILARES, p.09) reforça esta posição quando afirma que
“aprender-em-uso” libera os estudantes para aprender de forma pessoal, e isso,
por sua vez, libera os professores para oferecer aos seus alunos algo mais
pessoal e mais gratificante para ambos os lados”.
O trabalho com as TICs amplia a liberdade dos professores para adaptar
esses recursos dentro das necessidades da turma, dos projetos desenvolvidos, além
de utilizar nos trabalhos escolares. Trabalhar de forma integrada, processo
criativo unido a tecnologias de comunicação, poderá permitir que se dê um salto
de qualidade no ensino, gerando evolução de estruturas mentais e
comunicacionais, uma vez que padrões culturais, sociais e psicológicos vão
sendo agregados gradativamente, podendo substituir velhos padrões de conduta
dentro de situações novas de aprendizagem.
Um computador ligado à Internet representa, dentre outras possibilidades,
o acesso a informações, um instrumento de comunicação, um recurso de ensino
reunido no que é hoje uma importante mídia. Para, Ponte, Oliveira e Varandas (2001, p.6 apud CALIXTO, p.08), “A
utilização da Internet pode remeter para uma simples lógica de consumo (da
informação nela disponível) como envolver uma lógica de produção (de
informação, de materiais, de documentos que podem ser transformados por toda
uma comunidade de utilizadores)”.
Ao trabalharem com a internet, a necessidade de ajuda mútua e a maneira
coletiva proporciona o desenvolvimento da autonomia, espírito crítico e atitude
de trabalho coletivo, o que aconteceu com os grupos ao pesquisarem os temas de
seus projetos. A interação bem-sucedida pode potencializar a aprendizagem. A
internet, por sua estrutura hipertextual, amplia o nível dialógico, permitindo
interlocução entre vários sujeitos ao mesmo tempo. Essa interlocução múltipla,
imbricada, que inclui sujeitos, tecnologias e saberes, impulsiona o movimento
recursivo, promovendo, logicamente, interatividade.
A partir dos dados coletados, observa-se
que o aluno deve aprender a pesquisar, e que deve ser competência do docente
conduzi-lo ao melhor aproveitamento das informações que dispõe na Internet e
isto deve ser feito em sala de aula, Valente (2005 apud VILARDELL-CAMAS), para que assim ele aprenda a ponderar o que está
disponível na rede. Pode-se transformar uma parte das aulas em processos
contínuos de informação, comunicação e pesquisa, por meio dos quais se vai
construindo o conhecimento e equilibrando o individual e o grupal, entre o
professor e os alunos. O professor lança um desafio tendo em vista os objetivos
a serem alcançados e motiva, incentiva, dá os
primeiros passos para sensibilizar o aluno para o valor do que vai ser feito,
para a importância da participação do aluno nesse processo e aí passa então
para o papel de gerenciador do processo de aprendizagem, coordenando o
andamento, estabelecendo o ritmo adequado, sendo o gestor das diferenças e das
convergências.
São
inúmeras as estratégias pedagógicas que podem ser desenvolvidas utilizando-se softwares
educativos, internet,
aplicativos, ambientes síncronos (chats,
videoconferência) e assíncronos (listas, grupos de discussão, correio
eletrônico etc.). As conexões estabelecidas, intercâmbios, levam os sujeitos a
ficarem fascinados com esse mundo que se descortina. Contudo para realizar
essas tarefas, têm que ter oportunidade de acesso e orientação. Se os docentes
não possuem formação adequada para trabalhar com tecnologias, é possível que tenham
dificuldades em desenvolver atividades usando as TICS bem como orientar os
alunos na realização das mesmas.
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perspectiva comunicacional no laboratório de informática: um desafio ao
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ANEXOS
ANEXO
1: Questionário para os
alunos no início das aulas.
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA ALUNOS (INÍCIO DAS AULAS)
IDADE:...........................................
1ª questão: O que
você espera aprender nas aulas de informática?
______________________________________________________________________________________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2ª questão: O que você
conhece de informática? Você sabe usar o computador e a internet?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3ª questão: Aonde
você tem acesso a computador e a internet?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
ANEXO
2: Questionário para
os alunos no fim das aulas.
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA ALUNOS (FIM DAS AULAS)
IDADE: ...................................
1ª questão: Como foi usar o computador e a internet nas
aulas?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2ª questão: Você utilizou o computador e a internet como
ferramenta de apoio para as atividades escolares?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3ª questão: Na sua opinião, quais são as vantagens de
usar o computador e a internet nas atividades escolares? Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4ª questão: Na sua opinião, quais as desvantagens do uso
do computador e da internet nas aulas? Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5ª questão: Em relação as aulas no laboratório de
informática, suas expectativas foram atendidas? Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
ANEXO
3: Questionário para
os professores no início das aulas.
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA PROFESSORES (COMEÇO
DAS AULAS)
IDADE: ...................................
1ª questão: É do seu
interesse constar o uso do computador e da Internet no seu trabalho pedagógico?Por
quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2ª questão: O
que você conhece de informática?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3ª questão: O que
deseja desenvolver ou que seja desenvolvido nas aulas de informática?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4ª questão: Você acha que os alunos devem ter a
oportunidade de explorar, individualmente, suas áreas de interesse e de
construir seu próprio conhecimento quando estiverem usando o computador e a
Internet? Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
ANEXO 4:
Questionário para os professores no final das aulas.
QUESTIONÁRIO DE PESQUISA PROFESSORES (FIM DAS AULAS)
IDADE: ...................................
1ª questão: Como foi usar o computador e a internet como
recurso pedagógico?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
2ª questão: Você utilizou o computador e a internet como
ferramenta de apoio para as atividades pedagógicas?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
3ª questão: Na sua avaliação, quais são as maiores
vantagens do uso educacional do computador e da internet?Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
4.2.9. 4ª
questão: Na sua avaliação, quais as
maiores desvantagens do uso educacional do computador e da internet?Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
5ª questão: Em relação às aulas no laboratório de informática,
suas expectativas foram atendidas?Por quê?
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
___________________________________________________________________________
[1]
TICs: Tecnologia de Informática e Comunicação. Englobam tecnologias analógicas
(rádio, TV, etc.) e tecnologias digitais (informática, internet, etc.). Este
estudo enfoca as tecnologias digitais.
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