Como avaliar na escola
hoje
Ivete Terezinha Rizzotto
A avaliação por muito tempo foi utilizada para
classificar, selecionar, como instrumento de disciplina e autoritarismo na sala
de aula. Esta modalidade de avaliação, chamada de classificatória privilegia a
competição e o julgamento reforça a exclusão e dificulta a permanência do aluno
na escola. Esta avaliação coloca o aluno em determinado nível, ou seja,
quantifica seu aprendizado.
A
avaliação precisa vir junto com a aprendizagem, ou seja, em forma de processo
de observação do crescimento do aluno. Vem ao encontro deste pensamento a
chamada avaliação mediadora, que propõe um modelo baseado no diálogo e
aproximação do professor com o seu aluno de forma que as práticas de ensino
sejam repensadas e modificadas de acordo com a realidade sócio-cultural. Nesta
perspectiva de avaliação o erro é considerado como parte do processo na
construção do conhecimento e não como algo passível de punição. Na visão
mediadora, o professor é capaz de criar situações desafiadoras que tornem capaz
a reflexão e ação tornando a aprendizagem mais significativa. Essa avaliação
mediadora possibilita ao aluno construir seu conhecimento, respeitando e
valorizando suas idéias, ou seja, faz com que o aluno coloque em prática toda
sua vivência.
A verificação e a qualificação dos resultados
da aprendizagem no início, durante e no final das unidades didáticas, visam
sempre diagnosticar e superar dificuldades, corrigir falhas e estimular os
alunos a continuarem dedicando-se aos estudos. A avaliação da aprendizagem
necessita, para cumprir o seu verdadeiro significado, assumir a função de
subsidiar a construção da aprendizagem bem-sucedida.
A avaliação, portanto deve representar um trabalho
participativo, no qual deve haver o engajamento de toda a comunidade
educacional na busca de êxitos, tendo como perspectiva a continuidade da
aprendizagem e um conhecimento de qualidade. Neste caso, a avaliação deve ser
compreendida com um processo mediador onde os pressupostos de caráter qualitativo
sirvam como subsídio para uma contínua reflexão do trabalho educacional. A
avaliação é um processo contínuo que deve ocorrer-nos mais diferentes momentos
do trabalho.
A
condição necessária para que isso aconteça é de que a avaliação deixe de ser
utilizada como um recurso de autoridade, que decide sobre os destinos do
educando, assumindo assim, o papel de auxilio no crescimento. É neste sentido
que os professores encontram muitas dificuldades, sendo de suma importância que
o professor saiba exercer seu papel de mediador entre o aluno e o saber e
utilize a avaliação como alavanca de promoção do indivíduo.
Avaliar o aluno apenas no seu
desenvolvimento cognitivo é avaliar uma faceta do processo de aprendizagem, é
negar-lhe o desenvolvimento de todas as suas possibilidades, é uma farsa, um
discurso político desvinculado da realidade do educando.
A
avaliação, não se restringe apenas em saber se o aluno apreendeu ou não, de
acontecer de forma contínua e sistemática por meio da interpretação qualitativa
do conhecimento construído pelo aluno. Possibilitando conhecer o quanto ele se
aproxima ou não da expectativa de aprendizagem que o professor tem em
determinados momentos do decorrer do ano letivo, em função da intervenção
pedagógica realizada.
Portanto,
a avaliação das aprendizagens só pode acontecer relacionada com as
oportunidades oferecidas, isto é, analisando as adequações das situações
didáticas propostas aos conhecimentos prévios dos alunos e aos desafios propostos.
Pensando assim, no decorrer de nossa prática de estágio buscamos estar embasadas
em uma avaliação que objetiva-se o processo de ensino aprendizagem do aluno,
para que o mesmo fosse respeitado em sua individualidade.