RESENHA
RESUMO DO LIVRO “A LÍNGUA DE EULÁLIA”, DE MARCOS MAGNO
1. IDENTIFICAÇÃO DA OBRA:
OBRA: A Língua de
Eulália: novela Sociolinguística
AUTOR: Marcos Bagno
15
ed., São Paulo: Contexto, 2006.
2. APRESENTAÇÃO DA OBRA:
Nesta obra o autor argumenta que falar diferente
não é falar errado e o que pode parecer erro, no português não-padrão, tem uma
explicação lógica. Para explicar essa problemática, ele reúne então na obra
"A Língua de Eulália" as universitárias Vera, Sílvia e Emília, que
vão passar as férias no sítio da professora Irene. Dedicada, Irene se reúne
todos os dias com as três educadoras do ensino fundamental, transformando suas
férias numa espécie de atualização pedagógica, em que as universitárias
reciclam e ampliam seus conhecimentos e saberes linguísticos. Sendo assim,
Irene acaba dando subsídios para que as universitárias passem a encarar, com um
novo olhar, as variedades não-padrão da língua portuguesa. A novela acontece em
diálogos deliciosamente informativos. A obra "A Língua de Eulália" trata
a sociolinguística como ela deve ser tratada: com seriedade, mas sem sisudez.
3. ESTRUTURA DA OBRA:
A
obra está dividida em 21 capítulos totalizando 242 páginas.
4. RESUMO DA OBRA:
Emília, Vera e Sílvia e são universitárias e professoras de
uma escola pública que vão passar as férias no interior de São Paulo, na casa
de Irene, tia de Vera, que é uma linguista. Logo que chegaram as universitárias
criticam o português falado por Eulália, que é a empregada da casa e amiga de
Irene. A partir disso, Irene resolve explicar questões linguísticas a elas e esclarece,
através de aulas, que o preconceito linguístico não tem fundamentação, pois a
história da Língua Portuguesa passou por várias fases e cada uma delas explica
o uso dessas multiplicidades linguísticas. Irene elucida, a
partir da fala de Eulália, que há muitas
diferenças no modo de falar, sendo algumas delas: diferenças fonéticas (no modo
de pronunciar os sons da língua), diferenças sintáticas (no modo de organizar
as frases, as orações e as partes que as compõem), diferenças semânticas (no
significado das palavras) e diferenças no uso da língua. Para dar nome a uma
língua seria necessário levar em consideração as múltiplas variáveis que
envolvem o ser que fala como: cor, sexo, nível social, grau de instrução, etc.
Toda língua, além de variar geograficamente, no espaço, também muda com o tempo,
ou seja, toda língua muda e varia. Quer dizer, muda com o tempo e varia no
espaço. A mudança ao longo do tempo se chama mudança diacrônica. A variação
geográfica se chama variação diatópica. A norma padrão (PP) é aquele modelo
ideal de língua que deve ser usado pelas autoridades, pelos órgãos oficiais,
pelas pessoas cultas, pelos escritores e jornalistas, aquele que deve ser
ensinado e aprendido na escola.
Todas as variedades de uma língua têm recursos linguísticos
suficientes para desempenhar sua função de veículo de comunicação, de expressão
e de interação entre seres humanos. Nas aulas de linguística que Irene
ministrou nas férias as universitárias, vários conceitos foram abordados, os
principais são: o mito da língua homogênea, ou seja, as multiplicidades linguísticas
que existem e necessitam ser respeitadas, sendo que sua utilização não deve ser
considerada inadequada, pois são modos diferentes de se falar a mesma língua e,
seu emprego, não prejudica o entendimento e tudo que parece erro no português
não-padrão (PNP) tem uma explicação científica e lógica, e acaba incentivando o
ensino da norma padrão, pois esta foi criada para que exista um modelo de
comunicação nacional. No entanto, sugere que o ensino desta, seja voltado para
a Linguística.
O livro busca sempre comparar o português padrão com o
não-padrão para provar que há mais semelhanças que diferenças entre eles. Neste
contexto discute que os falantes da norma não-padrão tem dificuldade de
aprender a norma padrão, primeiramente porque o primeiro é transmitido
naturalmente, já o segundo requer aprendizado e, como na maioria das vezes,
essas pessoas pertencem à classe baixa, abandonam a escola cedo para trabalhar
ou desistem de estudar por serem discriminadas linguisticamente, dessa forma o
problema acaba adquirindo grandes proporções. Esses preconceitos fazem com que
a criança que chega à escola falando PNP seja considerada uma “deficiente” linguística,
quando na verdade ela simplesmente fala uma língua diferente daquela que é
ensinada na escola. Por outro lado, cria no professor a sensação de estar
tentando ensinar alguma coisa a alguém que nunca terá condições de aprender.
Daí resulta que o aluno fica desestimulado a aprender, e o professor,
desestimulado a ensinar. Todo professor é professor de língua. A escola não
reconhece a existência de uma multiplicidade de variedades de português e tenta
impor a norma-padrão sem procurar saber em que medida ela é na prática uma
“língua estrangeira” para muitos alunos, senão para todos.
Irene usa a história da língua na tentativa de mostrar que a
língua portuguesa, em todas as suas variedades, continua em transformação,
continua mudando, caminhando para as formas que terá daqui a algum tempo. Todavia,
a eficácia do português não-padrão não pode ser negada, pois consegue diminuir
as regras gramaticais tornando-as mais simples, isso ocorre frequentemente com
o uso de concordância, plural e conjugação verbal. Essa postura não deve ser detestada,
pois esse processo é comum em muitas outras línguas, mesmo na norma padrão
delas como o Inglês, por exemplo. No caso do português, há ocorrências de
vários fenômenos linguísticos, os principais são: rotacização que é a troca de L por R nos encontros consonantais, este
pode ser explicado através da origem das palavras no latim que recebiam R, mas
com o passar do tempo essas palavras sofreram modificações, porém alguns
falantes não tiveram ciência disso e assim estão preservando os traços do português
arcaico; eliminação das marcas de plural
redundantes; yeísmo que é a
troca de LH por I, essas mudanças ocorreram devido a ser mais cômodo pronunciar
I do que LH; simplificação das
conjunções verbais, por exemplo, eles gosta, nós gosta, vocês gosta; assimilação é a transformação de ND em
N e de MB em M, isso se explica porque essas consoantes são dentais e o som de
uma está muito próximo da outra; redução
do ditongo OU em O, exemplo poco (pouco) e ropa (roupa), EI em E, exemplo chêro
(cheiro) e quêxo (queixo), E e O átonos pretônicos, exemplo bibida (bebida) e
furmiga (formiga); contração das
proparoxítonas em paroxítonas, que não é exclusivo do português não-padrão que
tem um ritmo paroxítono, já que palavras proparoxítonas em Latim passaram a
serem paroxítonas também no português padrão, exemplo arvre (árvore); desnalização de vogais postônicas que
ocorre na norma padrão e não-padrão, caracteriza-se por eliminar o som nasal
das vogais que estão depois da sílaba tônica, o que é uma tendência natural da
língua, exemplo home (homem); arcaísmo
que surgiu devido ao português arcaico ter sido ensinado no Brasil, com isso
seus traços ainda permanecem em regiões afastadas das principais cidades
brasileiras pela falta de contato com as mudanças que surgiram na língua,
exemplo escuitar (escutar); função da
partícula SE como verdadeiro sujeito da oração; analogia que é a mudança linguística causada pela interferência de
uma forma já existente, por exemplo palavras que mudam de classe gramatical por
causa do som de uma vogal, é o caso do pronome oblíquo mim como sujeito de
infinitivos, com este ocorreu algo interessante, pois esse costume foi
transmitido dos menos cultos para os mais cultos. A classificação de uma variedade
como culta é uma questão de grau de freqüência. Classifica-se como culta aquela
variedade na qual as formas consideradas padrão ocorrem com maior intensidade.
O falante culto, como qualquer falante, está sujeito a todo tipo de influências
externas e internas. Ele sofre pressão do ambiente em que se encontra, do tipo
de situação, da hierarquia social em que se acha em relação às demais pessoas
com quem está interagindo. O certo de hoje já foi o errado de ontem. O livro
aborda e explica, através de exemplos, todos esses fenômenos onde se pode perceber
que, do ponto de vista linguístico, não existe erro, mas sim o adequado e o
inadequado, assim é necessário que o ensino do português-padrão seja voltado
para linguística para que o cidadão perceba a importância de adequar a sua
forma de comunicação em diferentes contextos, permitindo-lhe o acesso as
práticas sociais de leitura e escrita e que se faz necessário desvelar o mito
da língua única, mencionando o seu valor social e abordando temas como
variantes linguísticas e fenômenos da língua para evitar o denominado
preconceito linguístico.
É um mito a unidade linguística do Brasil, pois há muitas
línguas no país, além das línguas indígenas e das línguas trazidas pelos
imigrantes, falam-se diferentes tipos da língua portuguesa, cada uma delas com características
próprias, com diferenças em seu status social, mas todas com uma lógica linguística
facilmente demonstrável; traços característicos do PNP (considerados erros) se
encontram em outras línguas, o que mostra que eles não são uma prova da
ignorância ou da deficiência mental do nosso povo; muitos aspectos considerados
errados no PNP (e no PP do Brasil) são na verdade arcaísmos, vestígios da
língua portuguesa falada muitos séculos atrás; a língua escrita não deve ser
usada como camisa-de-força para submeter e aprisionar a língua falada; a
escrita é a tentativa de representação da língua falada e nasceu centenas de
milhares de anos depois de o homem ter começado a falar.
O preconceito que pesa sobre o PNP faz parte de toda uma
triste coleção de inverdades, de distorções, de falácias que povoam a mente da
maioria das pessoas, mesmo as supostamente mais bem informadas. Ele está no mesmo
porão escuro da imaginação onde se amontoam mitos e preconceitos de toda ordem:
racial: o índio preguiçoso, o negro malandro, o japonês trabalhador, o judeu
mesquinho, o português burro; sexual: a inferiorização da mulher, o desprezo
pelo homossexual pervertido e doente, a valorização do macho rude e indelicado;
cultural: o conhecimento científico valorizado em detrimento do conhecimento
popular, por exemplo, o desprezo por práticas medicinais naturais e
tradicionais em favor de medicamentos químicos industrializados; ou a
valorização da cultura transmitida por escrito em detrimento da cultura
transmitida oralmente; socioeconômica: valorização do rico e do poderoso e
desprezo do humilde e do oprimido, por exemplo, chamar o nordestino de atrasado
e o sulista de progressista; ou acreditar que tudo o que vem do primeiro mundo
é intrinsecamente bom, bonito, infalível e necessário.
Gostei muito, muito mesmo
ResponderExcluirParabéns.
M. Obrigada...
Excluirlegal gostei também parabéns...
ResponderExcluirObrigado...
ResponderExcluirFaz dez anos aproximadamente que li esse livro, acho que deveria ser obrigatorio nas escolas de segundo grau
ResponderExcluirVerdade. Muito bom
Excluirgostei mto...ainda não havia lido o livro mas,gostei mto d verdade!acho q me abriu bastante o campo do entendimento!
ResponderExcluirObrigado. O livro é muito bom mesmo.
ExcluirEste livro é muito bom..
ResponderExcluirTens razão. O livro é maravilhoso!!!
ExcluirMe ajudou muito obrigada.
ResponderExcluirQue bom! Fico feliz em saber que lhe ajudei.
Excluirmuito bom e esclarecedor :)
ResponderExcluirObrigado
ExcluirExcelente texto! Preciso fazer uma dissertação sobre esta obra e seu texto me ajudou muito!!! Super obrigada
ResponderExcluirQue bom. Fico feliz em saber.
Excluirmuito Obrigado tomei 10 disso ai
ResponderExcluirAgora eu to ti dando 10
Valeu.
ExcluirÉ pra isso que a gente publica materiais, para ajudar os outros.
Obrigada pelo dez.
Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirGOSTARIA DE PARABENIZA-LA PELO BLOG. FIQUEI SURPRESO EM ENCONTRAR ESSA RESENHA: O LIVRO DE EULÁLIA. ESTOU FAZENDO UMA DISCIPLINA QUE MINHA PROFESSORA INDICOU-O PARA LEITURA. É IMPORTANTE QUE OS UNIVERSITÁRIOS LER LHE PARA COMPREENDER UM POUCO DA LÍNGUA NÃO PADRÃO COMUMENTE CRITICADA NA SOCIEDADE.
ResponderExcluirNão gostei dessas borboletas, pois tirava minha atenção a todo momento!
ResponderExcluirNão gostei dessas borboletas, pois tirava minha atenção a todo momento!
ResponderExcluirMuito bom, parabens! Eu fiz a leitura do livro, mas a sua compreensao foi melhor e me ajudou muito.
ResponderExcluirmuito bom parabéns !
ResponderExcluirOlá, eu não concordo com a ideia central do livro. Para mim não se trata de preconceito com os que não puderam estudar, ou algo assim... Trata-se de não aceitar a maneira errada de se falar o Português, por falta de estudo ou seja lá pelo motivo que for, como se falar errado tivesse que passar a ser certo por ser a maioria.
ResponderExcluirPenso que não se pode negar que isso ocorra, deve ser respeitado, porém não é o modo correto de se falar, ou seja, existe sim um modo certo e um modo errado, já que existe uma língua oficial com gramática, etc, etc...
Quando a fala "errada" é considerada como sendo "certa", não se dá a oportunidade dos alunos aprenderem o correto, de evoluir e valorizar o próprio idioma. Eles devem ser incentivados a aprender, e não incentivados a continuarem falando como falam, simplesmente porque é o jeito que falam. O tema do livro seria mais uma pesquisa dos motivos que levam as pessoas a terem variações na forma de se falar nossa língua. Todos os motivos e causas são compreensíveis e bem claros, só que não justificam serem motivo de continuarem falando errado, de não precisarem se preocupar com o certo...
Alguem concegue me ajudar com essa pergunta?Ela é assim
ResponderExcluira linguagem de euladia é,segundo seu autor,uma novela sociolinguisticas.nela,as personagens ficticias expóem conceitos e teorias sobre a lingua.no trecho que voce leu e apresentado um conceito de norma-padrao identifique-o
Bom resumo
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