9/26/2012

RESENHA RESUMO DO LIVRO “A LÍNGUA DE EULÁLIA”, DE MARCOS MAGNO



RESENHA RESUMO DO LIVRO “A LÍNGUA DE EULÁLIA”, DE MARCOS MAGNO


1. IDENTIFICAÇÃO DA OBRA:

OBRA: A Língua de Eulália: novela Sociolinguística
AUTOR: Marcos Bagno
15 ed., São Paulo: Contexto, 2006.

2. APRESENTAÇÃO DA OBRA:
Nesta obra o autor argumenta que falar diferente não é falar errado e o que pode parecer erro, no português não-padrão, tem uma explicação lógica. Para explicar essa problemática, ele reúne então na obra "A Língua de Eulália" as universitárias Vera, Sílvia e Emília, que vão passar as férias no sítio da professora Irene. Dedicada, Irene se reúne todos os dias com as três educadoras do ensino fundamental, transformando suas férias numa espécie de atualização pedagógica, em que as universitárias reciclam e ampliam seus conhecimentos e saberes linguísticos. Sendo assim, Irene acaba dando subsídios para que as universitárias passem a encarar, com um novo olhar, as variedades não-padrão da língua portuguesa. A novela acontece em diálogos deliciosamente informativos. A obra "A Língua de Eulália" trata a sociolinguística como ela deve ser tratada: com seriedade, mas sem sisudez.

3. ESTRUTURA DA OBRA:
A obra está dividida em 21 capítulos totalizando 242 páginas.

4. RESUMO DA OBRA:
Emília, Vera e Sílvia e são universitárias e professoras de uma escola pública que vão passar as férias no interior de São Paulo, na casa de Irene, tia de Vera, que é uma linguista. Logo que chegaram as universitárias criticam o português falado por Eulália, que é a empregada da casa e amiga de Irene. A partir disso, Irene resolve explicar questões linguísticas a elas e esclarece, através de aulas, que o preconceito linguístico não tem fundamentação, pois a história da Língua Portuguesa passou por várias fases e cada uma delas explica o uso dessas multiplicidades linguísticas. Irene elucida, a partir da fala de Eulália, que há muitas diferenças no modo de falar, sendo algumas delas: diferenças fonéticas (no modo de pronunciar os sons da língua), diferenças sintáticas (no modo de organizar as frases, as orações e as partes que as compõem), diferenças semânticas (no significado das palavras) e diferenças no uso da língua. Para dar nome a uma língua seria necessário levar em consideração as múltiplas variáveis que envolvem o ser que fala como: cor, sexo, nível social, grau de instrução, etc. Toda língua, além de variar geograficamente, no espaço, também muda com o tempo, ou seja, toda língua muda e varia. Quer dizer, muda com o tempo e varia no espaço. A mudança ao longo do tempo se chama mudança diacrônica. A variação geográfica se chama variação diatópica. A norma padrão (PP) é aquele modelo ideal de língua que deve ser usado pelas autoridades, pelos órgãos oficiais, pelas pessoas cultas, pelos escritores e jornalistas, aquele que deve ser ensinado e aprendido na escola.
Todas as variedades de uma língua têm recursos linguísticos suficientes para desempenhar sua função de veículo de comunicação, de expressão e de interação entre seres humanos. Nas aulas de linguística que Irene ministrou nas férias as universitárias, vários conceitos foram abordados, os principais são: o mito da língua homogênea, ou seja, as multiplicidades linguísticas que existem e necessitam ser respeitadas, sendo que sua utilização não deve ser considerada inadequada, pois são modos diferentes de se falar a mesma língua e, seu emprego, não prejudica o entendimento e tudo que parece erro no português não-padrão (PNP) tem uma explicação científica e lógica, e acaba incentivando o ensino da norma padrão, pois esta foi criada para que exista um modelo de comunicação nacional. No entanto, sugere que o ensino desta, seja voltado para a Linguística.
O livro busca sempre comparar o português padrão com o não-padrão para provar que há mais semelhanças que diferenças entre eles. Neste contexto discute que os falantes da norma não-padrão tem dificuldade de aprender a norma padrão, primeiramente porque o primeiro é transmitido naturalmente, já o segundo requer aprendizado e, como na maioria das vezes, essas pessoas pertencem à classe baixa, abandonam a escola cedo para trabalhar ou desistem de estudar por serem discriminadas linguisticamente, dessa forma o problema acaba adquirindo grandes proporções. Esses preconceitos fazem com que a criança que chega à escola falando PNP seja considerada uma “deficiente” linguística, quando na verdade ela simplesmente fala uma língua diferente daquela que é ensinada na escola. Por outro lado, cria no professor a sensação de estar tentando ensinar alguma coisa a alguém que nunca terá condições de aprender. Daí resulta que o aluno fica desestimulado a aprender, e o professor, desestimulado a ensinar. Todo professor é professor de língua. A escola não reconhece a existência de uma multiplicidade de variedades de português e tenta impor a norma-padrão sem procurar saber em que medida ela é na prática uma “língua estrangeira” para muitos alunos, senão para todos.
Irene usa a história da língua na tentativa de mostrar que a língua portuguesa, em todas as suas variedades, continua em transformação, continua mudando, caminhando para as formas que terá daqui a algum tempo. Todavia, a eficácia do português não-padrão não pode ser negada, pois consegue diminuir as regras gramaticais tornando-as mais simples, isso ocorre frequentemente com o uso de concordância, plural e conjugação verbal. Essa postura não deve ser detestada, pois esse processo é comum em muitas outras línguas, mesmo na norma padrão delas como o Inglês, por exemplo. No caso do português, há ocorrências de vários fenômenos linguísticos, os principais são: rotacização que é a troca de L por R nos encontros consonantais, este pode ser explicado através da origem das palavras no latim que recebiam R, mas com o passar do tempo essas palavras sofreram modificações, porém alguns falantes não tiveram ciência disso e assim estão preservando os traços do português arcaico; eliminação das marcas de plural redundantes; yeísmo que é a troca de LH por I, essas mudanças ocorreram devido a ser mais cômodo pronunciar I do que LH; simplificação das conjunções verbais, por exemplo, eles gosta, nós gosta, vocês gosta; assimilação é a transformação de ND em N e de MB em M, isso se explica porque essas consoantes são dentais e o som de uma está muito próximo da outra; redução do ditongo OU em O, exemplo poco (pouco) e ropa (roupa), EI em E, exemplo chêro (cheiro) e quêxo (queixo), E e O átonos pretônicos, exemplo bibida (bebida) e furmiga (formiga); contração das proparoxítonas em paroxítonas, que não é exclusivo do português não-padrão que tem um ritmo paroxítono, já que palavras proparoxítonas em Latim passaram a serem paroxítonas também no português padrão, exemplo arvre (árvore); desnalização de vogais postônicas que ocorre na norma padrão e não-padrão, caracteriza-se por eliminar o som nasal das vogais que estão depois da sílaba tônica, o que é uma tendência natural da língua, exemplo home (homem); arcaísmo que surgiu devido ao português arcaico ter sido ensinado no Brasil, com isso seus traços ainda permanecem em regiões afastadas das principais cidades brasileiras pela falta de contato com as mudanças que surgiram na língua, exemplo escuitar (escutar); função da partícula SE como verdadeiro sujeito da oração; analogia que é a mudança linguística causada pela interferência de uma forma já existente, por exemplo palavras que mudam de classe gramatical por causa do som de uma vogal, é o caso do pronome oblíquo mim como sujeito de infinitivos, com este ocorreu algo interessante, pois esse costume foi transmitido dos menos cultos para os mais cultos. A classificação de uma variedade como culta é uma questão de grau de freqüência. Classifica-se como culta aquela variedade na qual as formas consideradas padrão ocorrem com maior intensidade. O falante culto, como qualquer falante, está sujeito a todo tipo de influências externas e internas. Ele sofre pressão do ambiente em que se encontra, do tipo de situação, da hierarquia social em que se acha em relação às demais pessoas com quem está interagindo. O certo de hoje já foi o errado de ontem. O livro aborda e explica, através de exemplos, todos esses fenômenos onde se pode perceber que, do ponto de vista linguístico, não existe erro, mas sim o adequado e o inadequado, assim é necessário que o ensino do português-padrão seja voltado para linguística para que o cidadão perceba a importância de adequar a sua forma de comunicação em diferentes contextos, permitindo-lhe o acesso as práticas sociais de leitura e escrita e que se faz necessário desvelar o mito da língua única, mencionando o seu valor social e abordando temas como variantes linguísticas e fenômenos da língua para evitar o denominado preconceito linguístico.
É um mito a unidade linguística do Brasil, pois há muitas línguas no país, além das línguas indígenas e das línguas trazidas pelos imigrantes, falam-se diferentes tipos da língua portuguesa, cada uma delas com características próprias, com diferenças em seu status social, mas todas com uma lógica linguística facilmente demonstrável; traços característicos do PNP (considerados erros) se encontram em outras línguas, o que mostra que eles não são uma prova da ignorância ou da deficiência mental do nosso povo; muitos aspectos considerados errados no PNP (e no PP do Brasil) são na verdade arcaísmos, vestígios da língua portuguesa falada muitos séculos atrás; a língua escrita não deve ser usada como camisa-de-força para submeter e aprisionar a língua falada; a escrita é a tentativa de representação da língua falada e nasceu centenas de milhares de anos depois de o homem ter começado a falar.
O preconceito que pesa sobre o PNP faz parte de toda uma triste coleção de inverdades, de distorções, de falácias que povoam a mente da maioria das pessoas, mesmo as supostamente mais bem informadas. Ele está no mesmo porão escuro da imaginação onde se amontoam mitos e preconceitos de toda ordem: racial: o índio preguiçoso, o negro malandro, o japonês trabalhador, o judeu mesquinho, o português burro; sexual: a inferiorização da mulher, o desprezo pelo homossexual pervertido e doente, a valorização do macho rude e indelicado; cultural: o conhecimento científico valorizado em detrimento do conhecimento popular, por exemplo, o desprezo por práticas medicinais naturais e tradicionais em favor de medicamentos químicos industrializados; ou a valorização da cultura transmitida por escrito em detrimento da cultura transmitida oralmente; socioeconômica: valorização do rico e do poderoso e desprezo do humilde e do oprimido, por exemplo, chamar o nordestino de atrasado e o sulista de progressista; ou acreditar que tudo o que vem do primeiro mundo é intrinsecamente bom, bonito, infalível e necessário.

27 comentários:

  1. Gostei muito, muito mesmo
    Parabéns.

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  2. legal gostei também parabéns...

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  3. Faz dez anos aproximadamente que li esse livro, acho que deveria ser obrigatorio nas escolas de segundo grau

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  4. gostei mto...ainda não havia lido o livro mas,gostei mto d verdade!acho q me abriu bastante o campo do entendimento!

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  5. Este livro é muito bom..

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  6. Me ajudou muito obrigada.

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    1. Que bom! Fico feliz em saber que lhe ajudei.

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  7. muito bom e esclarecedor :)

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  8. Excelente texto! Preciso fazer uma dissertação sobre esta obra e seu texto me ajudou muito!!! Super obrigada

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  9. muito Obrigado tomei 10 disso ai

    Agora eu to ti dando 10

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    1. Valeu.
      É pra isso que a gente publica materiais, para ajudar os outros.
      Obrigada pelo dez.

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  10. Este comentário foi removido pelo autor.

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  11. GOSTARIA DE PARABENIZA-LA PELO BLOG. FIQUEI SURPRESO EM ENCONTRAR ESSA RESENHA: O LIVRO DE EULÁLIA. ESTOU FAZENDO UMA DISCIPLINA QUE MINHA PROFESSORA INDICOU-O PARA LEITURA. É IMPORTANTE QUE OS UNIVERSITÁRIOS LER LHE PARA COMPREENDER UM POUCO DA LÍNGUA NÃO PADRÃO COMUMENTE CRITICADA NA SOCIEDADE.

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  12. Não gostei dessas borboletas, pois tirava minha atenção a todo momento!

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  13. Não gostei dessas borboletas, pois tirava minha atenção a todo momento!

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  14. Muito bom, parabens! Eu fiz a leitura do livro, mas a sua compreensao foi melhor e me ajudou muito.

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  15. muito bom parabéns !

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  16. Olá, eu não concordo com a ideia central do livro. Para mim não se trata de preconceito com os que não puderam estudar, ou algo assim... Trata-se de não aceitar a maneira errada de se falar o Português, por falta de estudo ou seja lá pelo motivo que for, como se falar errado tivesse que passar a ser certo por ser a maioria.
    Penso que não se pode negar que isso ocorra, deve ser respeitado, porém não é o modo correto de se falar, ou seja, existe sim um modo certo e um modo errado, já que existe uma língua oficial com gramática, etc, etc...
    Quando a fala "errada" é considerada como sendo "certa", não se dá a oportunidade dos alunos aprenderem o correto, de evoluir e valorizar o próprio idioma. Eles devem ser incentivados a aprender, e não incentivados a continuarem falando como falam, simplesmente porque é o jeito que falam. O tema do livro seria mais uma pesquisa dos motivos que levam as pessoas a terem variações na forma de se falar nossa língua. Todos os motivos e causas são compreensíveis e bem claros, só que não justificam serem motivo de continuarem falando errado, de não precisarem se preocupar com o certo...

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  17. Alguem concegue me ajudar com essa pergunta?Ela é assim
    a linguagem de euladia é,segundo seu autor,uma novela sociolinguisticas.nela,as personagens ficticias expóem conceitos e teorias sobre a lingua.no trecho que voce leu e apresentado um conceito de norma-padrao identifique-o

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