RESENHA
RESUMO DO TEXTO “DA NOSSA ESCOLA PRIMÁRIA”, DE PAULO FREIRE E SÉRGIO GUIMARÃES
1. IDENTIFICAÇÃO DA OBRA:
OBRA: Sobre Educação: Diálogos. Da nossa escola
primária.
AUTOR: Paulo Freire e Sérgio Guimarães
Volume I. Paz e Terra, (pg. 35-49).
2. APRESENTAÇÃO DA OBRA:
Neste capítulo o autor apresenta o diálogo entre
Paulo Freire e Sérgio Guimarães sobre as escolas primárias que se apresentam no
Brasil. Trazem a tona alguns problemas que eles consideram importantes para a
educação. O diálogo acontece de forma clara onde os dois conversam e se
reportam as escolas primárias fazendo menção também a quando frequentavam o a
escola primária.
3. ESTRUTURA DA OBRA:
O
capítulo está dividido em 6 partes totalizando 9 páginas.
4. RESUMO DO CAPÍTULO:
Paulo Freire destaca o problema da formação do professor como um dos problemas que ele
considera grave. Menciona que a linguagem utilizada pela escola enquanto
instituição social, quase sempre difere da dos alunos. A escola é desatualizada,
pois não acompanha os avanços tecnológicos, e isso serve para todos os alunos
independente de sua posição social e para os diferentes níveis da escola. O
outro problema levantado por ele é quanto a estimulação de posições passivas dos educandos, através dos
procedimentos autoritários utilizados na escola. É o autoritarismo do discurso,
da transferência de um conhecimento parado, ao invés de fazer a criança a
pensar e a aprender a aprender por si própria. O que a escola faz, é preparar a
criança para que ela receba o pacote do conhecimento que lhe é transferido. Em
1958, ele já criticava essa transferência de saber imóvel, em lugar de um chamamento
ao aluno para, agir, pensar e, agindo e pensando, conhecer, incorporar, criar,
produzir o seu próprio saber. Ressaltava que a escola deveria criar um estudante
com iniciativa a pesquisa, a busca, ao trabalho, a vitalidade, em vez daquele
que só recebe o que lhe é transmitido. O autoritarismo presente em sala de aula
propicia a imobilidade mental, mais do que a física; o quase desejo por não
falar, por não perguntar, por não investigar; tudo isso é a demonstração do
autoritarismo brasileiro, como resultado deste é também o centralismo ressaltado
na política brasileira. Segundo ele "O centro sabe e fala, a periferia do país
escuta e segue". A pesquisa do entorno, deveria ser realizada pelos
educandos também, com o auxílio dos professores. Ressalta que não vê obstáculo
em ensinar pesquisando o meio, com o ambiente da realidade escolar. Também para
ele, "A escola é a alavanca da transformação social e deveria propor o
exercício pela curiosidade de saber".
Sérgio Guimarães destaca que a questão política está no centro do problema da escola, pois a
escola é uma instituição pública. Sendo assim, toda repartição pública, como
parte do aparelho de Estado, é administrada por um governo instalado. Consequentemente,
a escola responde aos objetivos e intenções do governo em vigor. O professor
nem sempre se coloca na perspectiva do educador que pensa os problemas da
educação e da escola; geralmente ele é apenas um trabalhador da escola.
Paulo Freire se reporta ao problema do uso dos espaços institucionais. Diz que
os espaços são históricos e políticos, e que o uso deles também. Tanto há
limites para o uso dos espaços, quanto há limites que determinam o espaço. Os
problemas da escola primária são de extrema importância, não apenas do ponto de
vista da quantidade, mas da qualidade. Ao educador que se encontra dentro de um
mecanismo autoritário, e às vezes despreparado do ponto de vista político, cabe
a ele também, se dando conta de que a sua tarefa é política também e não apenas
técnica, elucidar a sua preferência política e, aí, buscar ocupar o espaço
mínimo de que dispõe dentro da própria instituição escolar e ver o mínimo que
pode fazer no sentido de uma abertura democrática para os seus estudantes ou
alunos com quem trabalha. Não é novidade nenhuma a organização de movimentos educacionais
dentro das escolas e não é a maioria que se põe à frente e fazem a organização
desses movimentos; são algumas pessoas que se tornam porta-voz das demais,
aquelas que têm maior facilidade de se manifestar e que tem uma maior coragem
de afrontar a autoridade constituída. Os recursos destinados à educação são
muito insuficientes, e conseguidos com muita luta e reivindicações. Ele diz que
é muito fácil alfabetizar crianças, fazer uma boa educação, com recursos
fartos, com todo acesso a metodologias, a tecnologias avançadas. O difícil é realizar
com a realidade inversa. Poderia se realizar uma ótima educação, se a escola
fosse capaz e estivesse preparada para aproveitar os recursos naturais ou
disponíveis em seu próprio ambiente, como aqueles objetos da realidade das
crianças. Partindo das brincadeiras delas, dos seus recursos que elas poderiam compreender
a razão de ser das próprias coisas. O problema maior está, na realidade, no
descaso pela classe popular. Na falta de condições materiais mínimas com muitas
escolas caindo e se destruindo.
O descaso é grande quanto às condições materiais das
escolas, mas há também o despreparo do professor, a falta de apoio ao seu
trabalho pedagógico. Não há a preocupação em reunir o professor para estudo e avaliação
da sua prática. No debate com outros professores, muitos dos problemas
passariam a ser reconhecidos pelo outro, e as soluções planejadas em comum. Refletindo
sobre a prática de todos, se faria a teoria dessa prática. Os professores
poderiam se reunir e, ao mesmo tempo, tentar um vínculo da escola não apenas com
as famílias, mas com as instituições do entorno, discutindo a problemática político-pedagógica.
Um trabalho como esse estimularia a criatividade, a curiosidade e o direito das
massas populares dizerem "por quê?", perguntando e interrogando. Paulo
Freire finaliza dizendo que deve-se terminar com a discriminação das classes
populares, das escolas populares. Tudo isso deve ser aspectos de um processo de
transformação. A transformação social que é abstraída da preocupação sobre
esses problemas. Os problemas de cultura e de política estão no centro de um
programa de educação. Não é por acaso que Gramsci se preocupou tanto com eles
também. Esses problemas estão associados a um processo global de transformação
social de qualquer sociedade.
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