5/31/2015

O USO DO VÍDEO E DA INTERNET NO 4º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL NA ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA EM ENGENHO VELHO-RS

O USO DO VÍDEO E DA INTERNET NO 4º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL NA ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA EM ENGENHO VELHO-RS

LEONARA PIRAN FRIGERI[i]
EIXO: TECNOLOGIA, MÍDIAS E EDUCAÇÃO

RESUMO

Este artigo versa sobre a utilização das TICs[ii] no processo de ensino-aprendizagem. A fundamentação teórica abordou o vídeo e a internet na educação, sua articulação com o processo de ensino-aprendizagem. Com o avanço das mídias torna-se indispensável o seu uso como recurso didático na educação. Nesse cenário a figura do professor aparece como agente muito importante desse processo, necessitando estar aberto a mudanças, ser auxiliado por alguém que tenha conhecimentos técnicos e pela equipe diretiva da escola, além de se manter atualizado. Ficou evidenciado que as TICs podem contribuir de muitas maneiras significativas no processo de ensino-aprendizagem e para a formação de melhores cidadãos, capazes de atuar conscientemente na sociedade do conhecimento em constante transformação.

Palavras-chave: Vídeo. Internet. Contribuição no ensino-aprendizagem.

ABSTRACT

This paper focuses on the use of TIC in the teaching-learning process. The theoretical foundation approached the video and the internet in education, its articulation with the teaching-learning process. With the advancement of media becomes essential to its use as an educational resource in education. In this scenario the figure of the teacher appears as very important in this process, need to be open to change, be assisted by someone who has expertise and by the school's policy team, in addition to stay updated. Evidenced that TICs can contribute to many significant ways in the teaching-learning process and to the formation of better citizens, able to act consciously in the knowledge society in constant transformation.

Keywords: Video. Internet. Contribution in the teaching-learning process.

INTRODUÇÃO

Pesquisas apontam que as escolas são locais importantes para promover o acesso da população às TICs. A utilização desses recursos na escola tem provocado uma mudança na sua estruturação e até mesmo no ofício de ensinar. Em tempos atrás, a utilização do vídeo e da internet era recebida, muitas vezes, com receios. A preocupação estava em vincular esses recursos aos objetivos pedagógicos da escola e, algumas vezes, essas tecnologias eram vistas como a salvação para os problemas da educação. Por isso, o presente artigo versa sobre o uso do vídeo e da internet no 4º ano do Ensino Fundamental, na Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, no município de Engenho Velho-RS, onde se pretende analisar o seu uso e a sua contribuição no processo de ensino-aprendizagem dos educandos.
O objetivo é investigar a contribuição pedagógica do vídeo e da internet na educação, como instrumento auxiliar no processo de ensino-aprendizagem dos alunos, a fim de compreender a dinâmica dessas tecnologias e sua relação com o processo de ensino-aprendizagem, para que o educador assuma seu papel enquanto agente cultural e transformador de seu tempo.
Deu-se preferência, neste trabalho, a pesquisa-ação. Para a coleta de informações, se fez uso da observação, de questionários, da análise documental e da análise da aplicação. A pesquisa aconteceu no período de abril a junho de 2014. A observação procurou identificar como ocorre o uso do vídeo e da internet no 4º ano, no desenvolvimento das disciplinas e dos conteúdos curriculares. Os questionários foram utilizados para registrar informações como: expectativas, anseios e formas de utilização das respectivas mídias.
O questionário se constituiu num recurso importante, o qual foi aplicado em dois momentos. Um questionário foi aplicado no primeiro dia de observação a professores e alunos, a fim de obter as informações quanto às necessidades, expectativas e ao conhecimento no que se refere a utilização das mídias em questão: o vídeo e a internet. O segundo questionário foi aplicado no último dia de pesquisa a professores e alunos, no intuito de recolher informações quanto ao atendimento das expectativas, das vantagens e desvantagens do uso do vídeo e da internet no processo educativo.
A análise documental, por sua vez, revelou-se como fonte imprescindível para reflexão, análise e à fundamentação deste trabalho. No âmbito da pesquisa teórica, buscaram-se informações nas produções bibliográficas na área da Educação e Informática, a artigos e teses, divulgados nas últimas décadas, além de consultas a sites da internet.

1 O USO DAS TICs NO PROCESSO ENSINO-APRENDIZAGEM

Os recursos tecnológicos podem ser vistos como uma janela para o mundo. O grande desafio a ser enfrentado pela escola é o uso apropriado das mídias ou dos recursos tecnológicos. Talvez, o que alguns professores ainda não tenham percebido é que, independente da sua vontade, as TICs cada vez mais vem ocupando espaços nas relações sociais. A todo o momento as pessoas se deparam com recursos tecnológicos, quer seja na farmácia, no celular, no caixa de banco, na máquina de refrigerantes e até no relógio de pulso, ou seja, eles estão em quase todo lugar.
É necessário vencer as dificuldades e tirar proveito dos recursos tecnológicos e midiáticos, aproveitando os seus benefícios a fim de ajudarem no trabalho pedagógico do professor e na aprendizagem do aluno. Sendo assim, é muito importante conhecê-los para fazer boa utilização e produzir saber, um saber mais eficaz, de maior qualidade empírica, abstrata e com maior harmonia estética. Para Valente e Prado (2003):

Embora as sofisticações tecnológicas sejam ainda maiores, existem dois aspectos que devem ser observados na implantação destas tecnologias na educação. Primeiro, o domínio do técnico e do pedagógico não deve acontecer de modo estanque, um separado do outro [...] O melhor é quando os conhecimentos técnicos e pedagógicos crescem juntos, simultaneamente, um demandando novas idéias do outro [...] O segundo aspecto diz respeito à especificidade de cada tecnologia com relação às aplicações pedagógicas. O educador deve conhecer o que cada uma destas facilidades tecnológicas tem a oferecer e como pode ser explorada em diferentes situações educacionais. Em uma determinada situação, a TV pode ser mais apropriada do que o computador. Mesmo com relação ao computador, existem diferentes aplicações que podem ser exploradas, dependendo do que está sendo estudado ou dos objetivos que o professor pretende atingir (VALENTE e PRADO, 2003, p. 22).

A utilização da TICs não define a qualidade de um trabalho pedagógico. A sua utilização visa a auxiliar o processo ensino-aprendizagem, considerando toda realidade escolar na qual se encontra inserido. As tecnologias educacionais vistas sob esse olhar poderão ajudar a escola a desenvolver a integração curricular, o rompimento de barreiras entre as disciplinas e entre as culturas, propiciando a execução de um trabalho globalizado.

1.2 O vídeo em sala de aula

O vídeo, há mais de uma década, chegou à sala de aula. Ele auxilia o educador, prende a atenção dos alunos, mas não transforma a prática pedagógica do professor. Aproxima a sala de aula da realidade dos alunos, usando as linguagens de aprendizagem e comunicação que a sociedade utiliza, também pode ser usado para introduzir diferentes assuntos no processo educacional.
O vídeo e a televisão estão ligados diretamente, assim como são relacionados a um contexto de entretenimento e lazer e isso quase sempre passa despercebido pela sala de aula. A sua utilização, na visão da maioria dos alunos, significa um momento para descansar e não para ter aula e essa concepção muda a postura e as expectativas dos envolvidos em relação a sua utilização. Sendo assim, o professor deve tirar proveito dessa sensação boa para chamar a atenção do educando para os assuntos da sala de aula. Porém, é necessário o professor ficar atento para estabelecer relações entre o vídeo e a aula. Para Moran:

O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, do próximo, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele - nos toca e "tocamos" outros, que estão ao nosso alcance, através dos recortes visuais, do close, do som estéreo envolvente. Pelo vídeo sentimos, experienciarnos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos (MORAN, 1995, p.28).

As imagens apresentadas estão associadas às histórias, falas ou narrações. A fala procura aproximar o vídeo do dia-a-dia das pessoas, como elas se comunicam diariamente. As conversas quase sempre expressam a fala coloquial, enquanto o narrador, normalmente em off, se responsabiliza por fazer a relação das cenas dentro da norma culta, dando significação e organizando o todo. A narração falada dá suporte a todo o processo de significação.
Os efeitos sonoros e a música servem de ilustração, fazem com que as pessoas lembrem e relacionem as imagens à personagens, como por exemplo, nas novelas, criando expectativas, antecipando reações e informações.
A linguagem escrita também aparece no vídeo. Os textos aparecem nas palavras que se visualiza na tela, nas legendas de filmes, na tradução para deficientes auditivos, na tradução de entrevistas com estrangeiros. Na tela, a escrita apresentada serve para dar ainda mais significação à narrativa falada. Ainda para Moran:

O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada, linguagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas, interligadas, somadas, não-separadas. Daí a sua força. Somos atingidos por todos os sentidos e de todas as maneiras. O vídeo nos seduz, informa, entretém, projeta em outras realidades (no imaginário), outros tempos e espaços. O vídeo combina a comunicação sensorial-cinestésica com a audiovisual, a intuição com a lógica, a emoção com a razão.  Combina, mas começa pelo sensorial, pelo emocional e pelo intuitivo, para atingir posteriormente o racional (MORAN, 1995, p. 28).

O vídeo e a TV conseguem se comunicar com quase todas as pessoas, independentes da faixa etária em que se encontram. Utilizam ritmos cada vez mais apaixonantes, como nos videoclipes. A narração não acontece de forma casual e sim para fazer ligações entre as cenas, as quais, às vezes, utilizam um pedaço de imagem ou uma história ao lado da outra. A sua retórica busca maneiras de atingir a sensibilidade das pessoas. A narração utiliza a linguagem concreta, plástica, de pequenas cenas, com poucas informações, com ritmos diversificados e contrastados, multiplicando as maneiras de ver personagens, cenários, ângulos, imagens, sons, efeitos.
A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes perceptivas, induzindo a todo instante as pessoas a usarem a imaginação e reinvestindo na afetividade como um papel de mediação primordial no mundo, a passo que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a organização e a análise lógica (MORAN, 1995).

1.3 O Processo Educativo e as Tecnologias Digitais

Os conteúdos virtuais permitem que tanto professores quanto alunos, consigam descobrir fenômenos e conceitos, muitas vezes inviáveis ou inexistentes nas escolas, por questões financeiras ou de segurança. Com a velocidade em que as tecnologias surgem na vida das pessoas, a produção de novos saberes e as crescentes aplicabilidades desses recursos acabam requerendo a prática de novas metodologias de ensino, impulsionando a modernização da educação e exigindo com isso, uma permanente formação de toda comunidade escolar envolvida no processo educativo.
Valente (2005, p.23) afirma que “a experiência do professor é fundamental. [...] o professor precisa conhecer as diferentes modalidades de uso da informática na educação [...] entender o que os recursos oferecem para a construção do conhecimento”. A estreita passagem do anterior para o novo continua sendo função dos professores. Deposita-se nas mãos dos envolvidos com a prática escolar, a responsabilidade pela mudança, ficando como sua tarefa, recriar saberes. Por tanto, é essencial o comprometimento dos professores neste trabalho, e a constituição dos significados sobre as TICs, do ponto de vista pedagógico e escolar, só poderá dar frutos com o envolvimento destes profissionais. Destaca-se como aspecto negativo, a incorporação das TICs na escola, vista apenas como mais um recurso para atingir as metas da qualidade educacional, ignorando mudanças, inclusive no perfil profissional dos professores.

1.3.1 A Internet na Educação

A internet pode ser compreendida como uma mídia atraente, acessível, dinâmica, atualizada, capaz de permitir o ingresso e o acesso quase ilimitado à informações. Uma mídia inesgotável de múltipla aprendizagem que permite desenvolver pesquisas, comparar dados, aprender a ler, buscar informações, assim como organizá-las, analisá-las ou criticá-las. Mas, também, como acontece com qualquer outra ferramenta, é necessário que o professor auxilie as crianças a respeito de como fazer um melhor uso dessa ferramenta para as atividades educacionais bem como na elaboração de trabalhos, na busca das informações e construção do conhecimento.
Para Silva (2003, p.55), “o professor [...] constrói uma rede e não uma rota. Ele define um conjunto de territórios a explorar, enquanto a aprendizagem se dá na exploração - ter a experiência - realizada pelos aprendizes e não a partir da sua récita”. Dessa maneira, o professor não é detentor do saber na escola, nem um mero transmissor ou repassador de conteúdos e, sim, o provocador de situações-problema, criando situações para que ocorra a participação e o comprometimento dos alunos, estimulando-os à criação colaborativa.
As tecnologias e as mídias podem ser observadas como uma oportunidade de formação tanto para a realização do trabalho discente, quanto para a realização do trabalho docente, por isso, não podem ser ignoradas. Segundo Silva (2001):

O professor não é somente ator na rede de interações. Mas, sobretudo, autor. Ele provoca e disponibiliza a rede de interações tomando por base os fundamentos da interatividade.  É nessa materialidade comunicacional que ele expressa sua autoria. Aliás, manter essa ambiência, já constitui sua autoria (SILVA, 2001, p.174).

Para que a utilização das mídias na escola seja realizada de forma efetiva e eficaz, ela precisa estar desvinculada dos objetivos da educação tradicional, em se tratando ao repasse do conhecimento. Assim como diz Freire (1995), precisa contribuir para a construção de uma escola que seja aventura, que marque o aluno de forma positiva, que não tenha medo do risco e, por isso, recusa o imobilismo. Uma escola com uma educação que propicie o pensar, o atuar, o falar, o amar, o adivinhar.
Com a internet o aluno tem a possibilidade de pesquisar de forma individual seguindo seu próprio ritmo, além de possibilitar a pesquisa coletiva, desenvolvendo dessa forma a aprendizagem colaborativa. Ela também permite a descoberta de formas novas e diferenciadas de comunicação, destaca-se aqui a escrita, pois permite uma escrita mais aberta, de forma hipertextual, conectada, multilinguística, aproximando texto e imagem. Para Moran (2005):

Educar é estar mais atento as possibilidades do que  aos limites. Estimular o desejo de aprender, de ampliar as formas de perceber, de sentir, de compreender, de comunicar-se. Apoiar o estado de prontidão para aprender dentro e fora da escola, em todos os espaços do nosso cotidiano, em todas as dimensões da vida. Estar atentos a tudo, relacionando tudo, integrando tudo. Conectar sempre o ensino com a pessoa do aluno, com a vida do aluno, com a sua experiência (MORAN, 2005, p.88).

A educação deve procurar chegar ao aluno por todos os caminhos viáveis seja pelas imagens, representações, experimentações, sons, dramatizações, simulações ou pela multimídia. O processo ensino-aprendizagem é um acontecimento do qual educador e educando compartilham juntos. Moran (2005) ressalta que:

Ensinar e aprender depende do educador e do educando, é um processo compartilhado.  O educador coordena, sensibiliza, organiza o processo, que vai sendo construído em conjunto com as habilidades e tecnologias possíveis a cada grupo, de forma participativa. É um processo baseado na confiança, na comunicação autêntica, na interação, na troca no estímulo, com normas e limites, mas sempre enfatizando o incentivo (MORAN, 2005, p.89).

A internet, segundo Moran (2005), é um meio de comunicação, ainda incipiente, mas que serve para rever, estender e transformar as muitas formas atuais de aprender e ensinar. As mídias quando usadas de maneira adequada, podem se constituir num fator de transformação para o processo de ensino-aprendizagem e, portanto, para a melhoria da educação.
Numa visão construtivista o ensino utilizando o computador e as mídias permitem as trocas entre as crianças, que são os sujeitos da aprendizagem, e o software, e estes poderão conter recursos de aprendizagem previstos anteriormente, através dos quais fiquem claras as possibilidades de assimilar e acomodar conteúdos. Sendo assim, alunos e professores acabam se tornando pesquisadores; o professor procura descobrir os recursos que as mídias e o computador propiciam ao aluno e estes buscam resolver suas dúvidas e, quando o fizer, o conhecimento é construído de forma concreta, física e mental ao mesmo tempo.

2. RESULTADOS E DISCUSSÕES

2.1. Exploração Inicial

Inicialmente realizou-se uma pesquisa exploratória na escola para definir qual turma seria escolhida para o desenvolvimento da pesquisa-ação. Sendo assim, foram visitadas as turmas do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, no município de Engenho Velho/RS, selecionou-se a turma do 4º ano devido a turma ser mais receptiva e comprometida. A amostra constitui-se de 25 alunos, com faixa etária dos 9 aos 12 anos de idade e 2 docentes, com 30 e 49 anos de idade.
Fez-se dois dias de observação na turma, no intuito de sondar o conhecimento a respeito de vídeo e da internet, para descobrir às expectativas e os anseios relacionados à sua utilização no processo de ensino-aprendizagem e, também, para verificar o acesso e a utilização dos alunos e professores quanto a essas mídias, para isso foi aplicado um questionário, sendo que, todos os participantes o responderam.
A seguir, serão apresentadas sucintamente, as informações obtidas através dos questionários aplicados aos alunos e professores. Questionando os alunos sobre o que esperavam aprender utilizando o vídeo e a internet, obteve-se: 19-Assuntos relacionados a aula; 23-Assuntos que auxiliem a compreensão do conteúdo visto em sala de aula alunos e 01-Assuntos não relacionados a aula. A partir das opiniões que os alunos tem e expressaram, percebeu-se que eles anseiam que as aulas com o vídeo e a internet desenvolvam estratégias de aprendizagem e colaborem na assimilação dos conteúdos trabalhados em sala de aula.
Do ponto de vista educacional, as mídias não são tão importantes quanto às possibilidades que oferecem de contribuir com a educação. Contudo, poderá ser a capacidade do professor em selecioná-las e explorá-las adequadamente a sua realidade que dará a devida dimensão ao seu uso educativo, não só porque colabora com as tarefas de ensino, mas porque poderá contribuir e ampliar a aprendizagem dos alunos. A função do professor, e talvez a principal, é ajudar o aluno a interpretar as informações, relacioná-las e contextualizá-las.
Alguns alunos enxergam as mídias como recursos didáticos, como tais, são portadoras de ideias, emoções, atitudes, habilidades e, portanto traduzem-se em objetivos, conteúdos e métodos de ensino (Libaneo, 1998). O ato de aprender depende também do aluno, de que ele esteja aberto para incorporar a significação que a informação tem para ele, para incorporá-la vivencialmente e emocionalmente. Enquanto a informação não fizer parte do seu contexto pessoal, intelectual e emocional, não se tornará significativa.
Ao questionar os professores sobre a utilização do vídeo e da internet responderam que utilizam para: 02-Para fazer pesquisas; 02-Para trabalhar jogos; 02-Para passar filmes; 0-Para passar mensagens. Ao serem questionados sobre o interesse em constar o uso do vídeo e da internet no seu trabalho pedagógico, foram unânimes em dizer que: 02-Sim, porque podem auxiliar na transmissão de conteúdos e assuntos tratados em sala de aula; 02-Sim, porque podem contribuir com a aprendizagem dos alunos; 02-Sim, porque apresentam uma linguagem diferente e que os alunos podem compreendem melhor; 0-Não, porque não ajuda na aprendizagem dos alunos; 0-Não, porque repassam muitas informações e os alunos não assimilam e 0-Não, porque não gosto de utilizar.
Para saber, dos alunos que já fazem uso, para que e no que eles utilizam o vídeo e a internet, foi perguntado: O que você conhece de vídeo e de internet? Sendo obtido: 23-Conheço vídeo e internet e sei utilizá-los; 02-Conheço vídeo e internet e não sei utilizá-los e 0-Não conheço vídeo e internet e não sei utilizá-los.
Também os professores foram questionados sobre o conhecimento que tinham sobre vídeo e internet e responderam: 02-Já usei vídeo e internet e sei utilizá-los; 0-Conheço vídeo e internet, mas não sei utilizá-los e 0-Não conheço vídeo e internet e não sei utilizá-los. Desejam utilizar para: 0-Usar para diversão e entretenimento; 02-Usar para trabalhos pedagógicos; 02-Usar para oferecer outras alternativas de aprendizagem para os educandos e 0-Não usar. Percebe-se então que qualquer mudança na educação conta com o apoio dos professores, pois a formação docente passa por processos de investigação articulados as práticas educativas (NÓVOA, 1992).
O domínio do conteúdo técnico por parte do professor como uma das partes que constituem sua prática educativa poderá ser significativa para promover uma aprendizagem crítica, criativa e transformadora. Na maioria das vezes, as escolas delimitam o uso das mídias a práticas restritas e específicas, por ignorar melhores opções. É importante educar para a autonomia, para a cooperação, para trocar ideias, participar de projetos, entre outros, e para que cada um encontre o seu ritmo de aprendizagem.
Foi perguntado aos alunos como usam vídeo e internet e aonde. Segundo as respostas obtidas: 21-Uso para diversão e entretenimento; 18-Uso para trabalhos escolares; 10-Assistir filmes; 19-Jogar jogos na internet; 15-Realizar pesquisas, 17-Conversas on line e conhecer pessoas e 0-Não uso. Sendo que utilizam: 13-Em casa; 25-Na escola; 16-No telecentro comunitário e 0-Em outros lugares.
 Por fim, questionou-se se fossem eles os professores da turma o que trabalhariam com seus alunos relacionados a vídeo: 0-Passaria filmes; 23-Passaria filmes educativos; 19-Usaria para fazer pesquisas; 21-Usaria para acessar jogos educativos; 20-Passaria músicas; 0-Usaria para acessar conversas e conhecer pessoas; 16-Passaria mensagens e 0-Outros.
Questionou-se os professores quanto a dar oportunidade aos alunos para explorar individualmente o vídeo e a internet, responderam: 02-Sim, porque é importante que aprendam selecionar conteúdos e assuntos; 02-Sim, porque possibilita que o aluno construa uma visão mais ampliada dos assuntos; 02-Sim, porque é importante que ele aprenda a descobrir as coisa por eles próprios; 0-Não, porque se dispersam e acabam se distanciando dos objetivos propostos e 0-Não, porque perdem tempo olhando coisas e conteúdos que não tem relação com o que está estudando.
Ensinar utilizando mídias exige uma atenção maior do professor. A internet oferece tantas possibilidades de busca, que a navegação se torna muito mais atrativa do que o imprescindível trabalho de interpretação. Os alunos tendem a dispersar-se frente às muitas conexões possíveis, de endereços dentro de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem ininterruptamente.

2.1.2 Conclusões da Exploração Inicial

Ao concluir essa primeira fase de observações, pode-se perceber que tanto alunos quanto os professores, estão abertos a utilização das TICs no processo de ensino-aprendizagem o que propicia um bom ambiente para a produção de conhecimentos. No que se refere ao Projeto Político Pedagógico da escola, percebe-se que o mesmo foi construído de forma democrática promovendo a valorização do conhecimento empírico dos alunos cuja preocupação está voltada para a aprendizagem dos mesmos.
Quanto ao plano de estudo da turma, está previsto a utilização de mídias como a impressa, TV e vídeo, computador e internet.

2.2 Exploração Final

Para concluir essa pesquisa sobre a utilização do vídeo e da internet no processo de ensino-aprendizagem aplicou-se um questionário objetivando analisar como foi o uso desses recursos no período da pesquisa. Foi aplicado aos alunos e professores envolvidos no dia 19 e 23 de junho de 2014, ou seja, no último dia de pesquisa com a turma. A seguir será apresentado de forma sucinta, as informações coletadas através dos questionários aplicados aos alunos e professores nesta etapa final.
Perguntando aos alunos e professores como foi utilizar o vídeo e a internet nas aulas se buscou avaliar a experiência realizada com o uso dessas mídias. A grande maioria dos alunos apontou como positiva essa experiência: 22-Foi bom e proveitoso; 21-Me ajudou na compreensão dos conteúdos; 0-Não achei proveitoso e 0-Não gostei porque me distraí.
Percebe-se através das respostas que a experiência com o vídeo e a internet, para os alunos, representou a possibilidade de aprendizagem e o uso como recurso pedagógico para as atividades escolares, com isso agregaram conhecimento a eles.
Os 2 professores que participaram desse processo de pesquisa, ao serem questionados sobre a utilização do vídeo e da internet, responderam: 02-Foi bom e proveitoso porque os alunos podem trabalhar a criatividade, iniciativa, atenção, responsabilidade; 02-Ajudou os alunos na compreensão dos conteúdos e 0-Não achei proveitoso. Tanto os 02 professores quanto os 25 alunos responderam que utilizaram o vídeo e a internet como ferramenta de apoio para as atividades escolares.
Sobre as vantagens de usar o vídeo e a internet nas atividades escolares, segundo as respostas dos alunos, obteve-se: 23-Auxilia a compreensão dos conteúdos trabalhados em sala de aula; 24-Desperta a criatividade e a imaginação auxiliando na produção de novas atividades e 22-Prende a atenção por ser ferramentas que tem recursos de multimídia.
Para os docentes as reações favoráveis quanto à utilização do vídeo e da internet na área educacional foram: 02-Auxilia a compreensão dos conteúdos trabalhados em sala de aula; 02-Desperta a criatividade e a imaginação auxiliando na produção de novas atividades e 02-Prende a atenção por ser ferramentas que tem recursos de multimídia.
Romper com a resistência dos professores é uma tarefa a ser superada devendo ser iniciada na formação de professores, desenvolvendo habilidades cognitivas e operativas para a utilização das mídias e também a formação de atitudes favoráveis a sua utilização. No Brasil, a relação entre educação e desenvolvimento tecnológico vem de uma visão tecnicista, que gerou resistência de natureza política e tecnológica. Existem também outros aspectos importantes como: questões culturais, sociais, temor diante dos equipamentos tecnológicos, medo da despersonalização, da substituição pelo computador, ameaça ao emprego e formação que não inclui a tecnologia (LIBANEO, 1998).
As mudanças na educação dependem também de administradores, diretores e coordenadores mais abertos e receptivos, que entendam todas as dimensões relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem, além das empresariais ligadas ao lucro; que apoiem os professores inovadores, equilibrando o gerenciamento administrativo, tecnológico e o humano, contribuindo para que haja um ambiente de maior inovação, intercâmbio e comunicação.
Para alguns professores, os recursos tecnológicos e midiáticos merecem lugar de destaque na escola, entretanto esse tipo de argumento é utilizado para tornar a escola mais motivadora e interessante. Porém, a escola deve ser interessante não por possuir estes recursos, mas pelo que acontece nela em termos de aprendizagem e de desenvolvimento intelectual, afetivo, cultural e social, VALENTE (1998).
Acredita-se que as mídias por si só não são a solução nem a única condutora desse processo. Colher os benefícios que elas oferecem necessita, primeiramente, do treinamento e da mudança de comportamento dos professores, bem como projetos curriculares inovadores. Os professores são levados a deixar de controlar a informação e deter exclusivamente o conhecimento.
Em se tratando das desvantagens do uso do vídeo e da internet nas aulas, os alunos disseram que não percebem desvantagens em utilizá-los. Já os 02 professores apontaram: 0-Passam muitas informações; 02-Dificuldade em se concentrar nas informações passadas; 02-Dificuldade em controlar o que o aluno acessa na internet e 0-Não tem desvantagem.
Para finalizar, em relação a utilização do vídeo e da internet, os dois docentes afirmaram que suas expectativas foram atendidas. Para Libaneo o comprometimento do professor é o diferencial para desempenhar bem seu papel na escola:

A ênfase no saber ser, sem dúvida fundamental para se definir uma postura crítica do educador frente ao conhecimento e aos instrumentos de ação, não pode dissolver as outras duas dimensões da prática docente, o saber e o saber fazer, pois a incompetência no domínio do conteúdo e no uso de recursos de trabalho compromete a imagem do professor educador. Tornar nossa prática ineficiente põe em risco os próprios fins políticos dessa prática (LIBANEO, 1998, p.52).

Demo (1998) reforça a ideia do envolvimento dos docentes na assimilação de um saber sólido para a utilização dos recursos tecnológicos, pois quem que não aprende bem, não consegue fazer o outro aprender bem.
Um aspecto a ser destacado na utilização das mídias na educação, é o fato de existir dois tipos de usuários envolvidos: professor e aluno, ambos fazem uso quase simultâneo destes recursos e isso envolve um conhecimento mais aprofundado do professor em como funciona a mídia. A falta desse conhecimento gera insegurança diante de algumas situações que ocorrem diante da máquina.
Em se tratando das expectativas dos alunos em relação às aulas com vídeo e internet, as expectativas foram atendidas para 24 alunos e não para 01 aluno.

2.2.1 Conclusões da Exploração Final

Ao concluir esta pesquisa, constatou-se a satisfação dos alunos e dos professores em ter usufruído do vídeo e da internet no processo de ensino-aprendizagem. O trabalho desenvolvido rendeu múltiplas aprendizagens como: melhora da escrita e expressão oral, melhor produção textual, desenvolvimento de espírito cooperativo, solidário e da criatividade.
Percebe-se que grande parte do êxito alcançado se deve ao comprometimento e ao diálogo, que pode ter sido o diferencial nesse processo envolvendo a utilização do vídeo e da internet. Seu uso só foi válido porque agregou conhecimentos e oportunizou formas diferenciadas de ensino-aprendizagem, onde se atingiu objetivos por caminhos diferentes do tradicional utilizados em sala de aula.
Uma das possibilidades verificadas foi o trabalho interdisciplinar, que promoveu a integração dos conteúdos de várias disciplinas promovendo o trabalho solidário, quando os alunos se ajudavam entre si e trocavam ideias sobre as tarefas. Este procedimento permitiu a reflexão e a intervenção no sistema de ensino. Portanto, a perspectiva assumida para a formação é a de formação-ação proposta por Nóvoa (2001), para quem a formação está e acontece na ação, e seu processo de reflexão ocorre antes, durante e após a ação. Os trabalhos realizados em equipe envolvem a construção do espírito de cooperação.
Este esforço de pensar em grupo implica na existência de espaços de partilha além das fronteiras escolares.  Ressalta-se que o conhecimento das mídias, torna-se importante porque permite maior exploração dos recursos, pois o professor que não tem um conhecimento mais aprofundado sente-se limitado. Sendo assim, a formação profissional do educador deveria proporcionar oportunidades de aprendizagens quanto às mídias para que esses recursos pudessem ser incorporados nas escolas sem reservas e inseguranças.

CONCLUSÃO

Após a realização deste trabalho é importante observar que, quando se fala em mudanças pedagógicas há a necessidade dos professores fazerem coisas diferentes das que fazem, mudarem a mentalidade e a maneira de trabalhar em sala de aula. É importante ressaltar que, para os professores mudarem sua prática pedagógica talvez necessite não só de compensações, mas também de condições. A escola também é constituída de outros agentes educacionais importantes como diretores, coordenadores e demais membros da comunidade escolar que poderiam estar engajados e apoiar as mudanças pedagógicas conduzidas pelos professores. Sem apoio de toda a hierarquia do sistema escolar, os professores, como agentes de mudança, não irão conseguir mudar muita coisa. Como lembra Moraes (1996, p.07), “é preciso construir uma consciência coletiva [...] como parte de um conjunto de mudanças que poderão ser gradualmente absorvidas pela comunidade educacional”.
Um computador ligado à internet representa, dentre outras possibilidades, o acesso a informações, um instrumento de comunicação, um recurso de ensino reunido no que é hoje uma importante mídia. Para Ponte, Oliveira e Varandas (2001, p.06), “A utilização da Internet pode remeter para uma simples lógica de consumo (da informação nela disponível) como envolver uma lógica de produção (de informação, de materiais, de documentos que podem ser transformados por toda uma comunidade de utilizadores)”.
A partir dos dados e informações coletadas, observa-se que o aluno deve aprender a pesquisar, e que deve ser competência do docente conduzi-lo ao melhor aproveitamento das informações que dispõe na internet e isto deve ser feito em sala de aula (Valente, 2005). Para que assim ele aprenda a ponderar o que está disponível na rede. Pode-se transformar uma parte das aulas em processos contínuos de informação, comunicação e pesquisa, por meio dos quais se vai construindo o conhecimento e equilibrando o individual e o grupal, entre o professor e os alunos. O professor lança um desafio, tendo em vista os objetivos a serem alcançados, e incentiva os primeiros passos para sensibilizar o aluno para o valor do que vai ser feito, para a importância da participação do aluno nesse processo e aí passa então para o papel de gerenciador do processo de aprendizagem, coordenando o andamento, estabelecendo o ritmo adequado, sendo o gestor das diferenças e das convergências.
São inúmeras as estratégias pedagógicas que podem ser desenvolvidas utilizando-se softwares educativos, internet, aplicativos, ambientes síncronos (chats, videoconferência) e assíncronos (listas, grupos de discussão, correio eletrônico), televisão, rádio, vídeo, jornal, etc. As conexões estabelecidas e intercâmbios levam os sujeitos a ficarem fascinados com esse mundo que se descortina. Contudo para realizar essas tarefas, tem que ter oportunidade de acesso e orientação. Se os docentes não possuem formação adequada para trabalhar com tecnologias e mídias, é possível que tenham dificuldades em utilizá-las bem como orientar os alunos na realização das mesmas.

REFERÊNCIAS

DEMO, Pedro. Questões para teleducação. Rio de Janeiro: Vozes, 1998.

FREIRE, Paulo. Crítico, radical e otimista. Presença Pedagógica, Belo Horizonte, ano 1, v.1, p. 5 -12, jan./fev.1995.

LIBANEO, José C. Adeus professor, adeus professora: novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 1998.

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____. Pesquisa, comunicação e aprendizagem com o computador. O papel do computador no processo ensino-aprendizagem. Em (Org.) ALMEIDA, M. E.B.de; MORAN, J. M. Integração das tecnologias na Educação. Salto para o Futuro. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2005, p. 22-31.




[i] Aluna da Universidade Aberta do Brasil - Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense - Curso de Especialização Mídias na Educação – Pólo de Constantina. Rua André Martinelli, 13 – Centro, Engenho Velho-RS, 99698-000. E-mail: piranfrigeri@bol.com.br

[ii] TICs: Tecnologia de Informação e Comunicação. Englobam tecnologias analógicas (rádio, vídeo, TV) e tecnologias digitais (internet, computador).

IX COLÓQUI0 INTERNACIONAL-EDUCAÇÃO E CONTEMPORANEIDADE


5/06/2015

TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: o uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem nas turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS

UNIVERSIDAD DEL SALVADOR

FACULDAD DE CIENCIAS DE LA EDUCACIÓN Y DE LA COMUNICACIÓN SOCIAL

MAESTRÍA EN EDUCACIÓN

 


TECNOLOGIAS NA EDUCAÇÃO: o uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem nas turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS




ALUMNA: FRIGERI, LEONARA PIRAN

Profesora: Gomez, Yamilla
Seminário: Epistemología y Educación
Turma: IUNES III


  


Buenos Aires, Mayo de 2015.


SUMÁRIO




1. INTRODUÇÃO.............................................................................................................     03

2. TEMA...........................................................................................................................       03

3. OBJETO DE ESTUDO................................................................................................      04

4. OBJETIVO PRINCIPAL.............................................................................................     04

5. PROBLEMA................................................................................................................       04

6. ANTECEDENTES.........................................................................................................    04
6.1 A Informática Em Seu Contexto Histórico...............................................................      04

7. PERSPECTIVA TEÓRICA.........................................................................................     07
7.1. O Processo Educativo E As Novas Tecnologias No Ensino-Aprendizagem..........      07
7.2. A Internet Na Educação.............................................................................................     08
7.3 Por Que O Computador Na Educação?....................................................................      09

8. OBSTÁCULOS EPISTEMOLÓGICOS.....................................................................     10

9. CONCLUSÕES..............................................................................................................     11

REFERÊNCIAS.................................................................................................................    13


1. INTRODUÇÃO
 



Pesquisas apontam que as escolas são elementos importantes para propiciar o acesso da população às Tecnologias da Informática e Comunicação (TICs[1]), especialmente ao computador e a internet. O uso dessas ferramentas em sala de aula tem gerado uma mudança na cultura organizacional da escola e no próprio trabalho de ensinar. A tecnologia não pode ser vista como a solução para os diferentes problemas educacionais, mas também não se pode desprezar suas potencialidades na construção de alternativas pedagógicas como flexibilidade do tempo escolar, estabelecimento de redes de aprendizagem, produção de materiais com recursos multimídia capazes de atender os educandos individualmente.
Contudo, a inserção de uma nova tecnologia no ambiente escolar não significa que ela será plenamente utilizada. Para que ocorra a utilização o educador precisa buscar formação e experiência para saber usar essas tecnologias, explorando de forma pedagógica suas potencialidades em prol da aprendizagem dos alunos. A formação técnico-científica de que se precisa vai além do puro treinamento ou adestramento para a utilização de procedimentos tecnológicos. Desse modo, uma formação voltada para sua utilização poderia colaborar com o professor em situações didáticas e em sua vida pessoal, mas também promover a contínua reflexão sobre as consequências sociais e éticas de suas escolhas tecnológicas.
O objetivo em investigar a utilização pedagógica das TICs na educação como instrumento auxiliar no processo de ensino-aprendizagem dos alunos tem como foco nesse trabalho a contribuição pedagógica dessas ferramentas nesse processo. Acredita-se que é necessário compreender as dinâmicas das novas tecnologias e sua relação nos processos de ensino-aprendizagem para que o educador assuma sua identidade enquanto agente cultural de seu tempo.


2. TEMA

Tecnologias na Educação: o uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem nos anos iniciais do Ensino Fundamental.

3. OBJETO DE ESTUDO

Tecnologias na Educação: o uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem nas turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS em 2015-2016.


4. OBJETIVOS

Objetivo Geral: Analisar o uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem dos alunos nas turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS em 2015-2016.

Objetivos Específicos:

·         Esclarecer o que é TICs;
·         Identificar o uso das TICs no processo de ensino-aprendizagem dos alunos nas turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS em 2015-2016;
·         Analisar os resultados da utilização das TICs no processo de ensino-aprendizagem dos alunos nas turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS em 2015-2016.


5. PROBLEMA

De que forma o uso das Tecnologias da Informática e da Comunicação podem influenciar no processo de ensino-aprendizagem dos alunos das turmas do segundo ano do Ensino Fundamental nas Escolas Municipais de Engenho Velho/RS?


6. ANTECEDENTES

6.1 A Informática Em Seu Contexto Histórico

No Brasil, a implantação de políticas de informática na educação pública tem se pautado fundamentando-se na mudança a nível pedagógico. As experiências desenvolvidas têm salientado a mudança escolar, isso vem ocorrendo desde 1982, quando essas políticas começaram a ser delineadas. Porém, essas políticas não são defendidas pela maioria dos educadores brasileiros e a sua implementação sofre influências de metodologias usadas em outros países, como França e Estados Unidos.  Em tais países, o uso da Informática na educação não tem a preocupação clara da mudança pedagógica, pois o sistema educacional possui um nível superior ao nosso, e a Informática foi inserida apenas para o aluno se familiarizar com esses recursos. Por isso, os objetivos da utilização da Informática nesses países são muito mais simples e fáceis de serem alcançados, pois requer menor formação dos professores, pouca mudança pedagógica em sala de aula, no currículo e na gestão escolar (VALENTE, 1999).
As decisões tomadas no Brasil sempre tiveram como ponto de referência o contexto mundial sobre o uso da informática educativa, porém a trajetória brasileira é muito peculiar e diferente do que se faz e fez em outros países. No entanto, ao comparar os avanços pedagógicos alcançados através da Informática no Brasil a outros países, os resultados são parecidos e indicam que ela praticamente não alterou a forma pedagógica em sala de aula.  Mesmo nos países como Estados Unidos e França, onde aconteceu uma grande utilização de computadores nas escolas e um grande avanço tecnológico, as mudanças quase não existiram do ponto de vista pedagógico.
Para Valente (1999), não se encontravam experiências realmente transformadoras que embasassem a afirmação de que tenha havido transformação do processo educativo como uma mudança que apontasse a criação de ambientes de aprendizagem, no qual o educando construísse o seu saber e fizesse o controle desse processo. Na maioria das vezes era o educador quem controlava o ensino e transmitia a informação ao aluno.
No Brasil, as políticas e propostas pedagógicas da Informática na Educação sempre tiveram sua fundamentação nas pesquisas e experiências práticas realizadas entre as universidades e as escolas públicas. Esses projetos objetivavam contemplar a diversidade do uso do computador em diferentes abordagens pedagógicas. E, do ponto de vista metodológico, o trabalho de pesquisa foi desenvolvido por equipes interdisciplinares, formada por professores das escolas escolhidas e por um grupo de profissionais das universidades. Os professores das escolas ficaram responsáveis pelo desenvolvimento do projeto na escola, trabalho esse que tinha o suporte e o acompanhamento do grupo de pesquisa da universidade, composto por cientistas da computação, sociólogos, pedagogos e psicólogos.
Segundo Valente (1999), um dos fatores que difere o programa de Informática na Educação do Brasil em relação a França e aos Estados Unidos, é a relação que se estabeleceu entre os órgãos de pesquisa e a escola pública. Na França, as políticas praticadas pelo governo, não foram necessariamente frutos da pesquisa e não ocorreu o estabelecimento de uma ligação direta entre os centros de pesquisa e a escola pública. Nos Estados Unidos, apesar de terem sido produzidas várias pesquisas e experiências, estas podiam ou não ser utilizadas pela escola interessada em implementar a Informática educacional.
A segunda diferença, para Valente (1999), é a descentralização das políticas e a sistemática de trabalho estabelecida entre o Ministério da Educação e Cultura (MEC) e as instituições que desenvolviam trabalhos de Informática na Educação. Essa sistemática foi diferente de qualquer outro programa educacional iniciada pelo MEC. No caso da Informática na Educação, os projetos e as decisões não ficaram totalmente centralizados no MEC. Elas foram fruto de discussões e propostas feitas pela comunidade de técnicos e pesquisadores da área. A função do MEC era acompanhar, disponibilizar e implementar essas decisões. No Brasil, as políticas de implantação e desenvolvimento da Informática na Educação não são resultado só de decisões governamentais como na França e nem consequência do mercado como nos Estados Unidos.
A terceira diferença é em relação à abordagem pedagógica e a função do computador no processo educativo. No programa desenvolvido no Brasil, a função do computador é o de causar alterações pedagógicas profundas, em vez de automatizar o ensino ou preparar o aluno para ser capaz de trabalhar com a Informática e essa proposta de modificação sempre esteve presente nos diálogos. Todos os núcleos de pesquisa do projeto EDUCOM atuaram pensando em criar ambientes educacionais onde o computador serviria como recurso para facilitar o processo de aprendizagem.
A mudança da abordagem educacional era e é o grande desafio. Transformar uma educação voltada no ensino e no repasse do saber, para uma educação em que o aluno desenvolve atividades através do computador e, dessa forma, construir seu conhecimento é o objetivo almejado. A formação dos pesquisadores dos centros-pilotos, os cursos de formação projetados e até os softwares educacionais desenvolvidos eram realizados pensando nesse tipo de mudança pedagógica (Valente, 1997).
Segundo Valente (1999), nos sistemas públicos de educação, ocorreu de forma marcante o processo de repensar a escola e preparar o professor para trabalhar nessa escola transformada. Porém, nas escolas particulares, o investimento com a formação do professor não era do interesse das mesmas e nelas a Informática foi implantada da mesma forma que no sistema educacional dos Estados Unidos, onde o computador era usado para diminuir o analfabetismo digital dos educandos ou automatizar os processos de transmissão da informação.


7. PERSPECTIVA TEÓRICA


7.1. O Processo Educativo E As Novas Tecnologias No Ensino-Aprendizagem

Os conteúdos virtuais possibilitam que tanto alunos quanto professores, consigam explorar fenômenos e conceitos, muitas vezes inviáveis nas escolas ou inexistentes, por questões econômicas e de segurança. Com a velocidade das tecnologias, a produção de novos conhecimentos e as crescentes aplicabilidades com os recursos da informática, acaba exigindo novas metodologias de ensino e impulsionam a modernização da educação requerendo contínua formação de toda comunidade escolar envolvida. Segundo Moran (1998):

Um dos eixos das mudanças na Educação passa por sua transformação em um processo de comunicação autêntica, aberta entre professores e alunos, primordialmente, mas também incluindo administradores e a comunidade, principalmente os pais (MORAN, 1998: 81).

Valente (2003) afirma que “a experiência do professor é fundamental. [...] o professor precisa conhecer as diferentes modalidades de uso da informática na educação [...] entender o que os recursos oferecem para a construção do conhecimento”. A estreita passagem do anterior para o novo continua sendo função dos professores. Transfere-se, desse modo, para as mãos dos envolvidos com a prática escolar a responsabilidade da mudança, sendo sua tarefa recriar fazeres e saberes de diversas lógicas alheias a seu dia-a-dia.
Os educadores já têm conhecimento que nem o professor, nem o aluno controlam o processo de aprendizagem. Ambos participam dele dinamicamente e estão em constante aprendizagem. Por isso, o aspecto da inovação escolar, mais que as questões sobre o uso das TICs, apontam para o surgimento de um ideário que possibilite, ao mesmo tempo, reinventar o cenário escolar, buscando uma lógica que embase a função da escola nos processos de ensino-aprendizagem, colaborando com práticas docentes que poderão, ou não, sofrerem influência das TICs.

7.2. A Internet Na Educação

A tecnologia é vista como uma possibilidade de formação tanto do processo do trabalho discente, quanto do processo de trabalho docente. Por isso, não pode ser ignorada, os recursos tecnológicos, como internet, multimídia, videoconferência, apresentam novas formas de ler, de escrever, e por isso, de pensar e agir. Ao usar um editor de texto ele possibilita o registro dos pensamentos de forma diferente do texto escrito a mão, levando a pessoa a perceber uma forma diferente de ler e de interpretar o que escreve. Segundo Silva (2001):

O professor não é somente ator na rede de interações. Mas, sobretudo, autor. Ele provoca e disponibiliza a rede de interações tomando por base os fundamentos da interatividade.  É nessa materialidade comunicacional que ele expressa sua autoria. Aliás, manter essa ambiência, já constitui sua autoria (SILVA, 2001: 174).

Para que a utilização da tecnologia no processo educacional seja efetiva ela precisa estar desvinculada dos objetivos da educação tradicional, no que se refere à transmissão do conhecimento. Segundo Freire (1995), precisa-se contribuir para criar uma escola que seja aventura, que marque o aluno e que não tenha medo do risco e por isso recusa o imobilismo. Uma escola que possibilite pensar, atuar, falar, amar, adivinhar. É importante o entendimento de como os estudantes, na sua relação com o computador, interagem e adquirem conhecimentos e de que forma os professores podem trabalhar na direção do processo educacional.
Como o conhecimento não se passa, ele se cria, é construído e reconstruído todos os dias.  Aprender se dá ao contextualizar o que é significativo. Para Moran (2005):

Educar é estar mais atento as possibilidades do que  aos limites. Estimular o desejo de aprender, de ampliar as formas de perceber, de sentir, de compreender, de comunicar-se. Apoiar o estado de prontidão para aprender dentro e fora da escola, em todos os espaços do nosso cotidiano, em todas as dimensões da vida. Estar atentos a tudo, relacionando tudo, integrando tudo. Conectar sempre o ensino com a pessoa do aluno, com a vida do aluno, com a sua experiência (MORAN, 2005: 88).

A educação deve procurar chegar ao aluno por todos os caminhos possíveis: pela experimentação, imagem, som, representação, dramatizações, simulações, pela multimídia. O ensino e aprendizagem é um processo do qual educador e educando compartilham. Parafraseando Freire (1987), poderíamos dizer: ninguém educa ninguém, ninguém é educado por ninguém; os homens se educam juntos, em comunhão. A Internet poder se tornar um dos caminhos desse processo. Segundo Moran (2005):
Ensinar e aprender depende do educador e do educando, é um processo compartilhado.  O educador coordena, sensibiliza, organiza o processo, que vai sendo construído em conjunto com as habilidades e tecnologias possíveis a cada grupo, de forma participativa. É um processo baseado na confiança, na comunicação autêntica, na interação, na troca, no estímulo, com normas e limites, mas sempre enfatizando o incentivo (MORAN, 2005: 89).

A internet para Moran (2005), é um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas que serve para rever, estender e transformar as muitas formas atuais de ensinar e aprender. Os recursos da informática, quando usados de maneira adequada, pode se constituir em agente de mudanças para o processo de ensino-aprendizagem e, portanto, de melhoria da educação.

7.3 Por Que O Computador Na Educação?

Para Valente (1998), o computador oferece a possibilidade de provocar alterações no paradigma educacional. O uso do computador é válido na educação quando melhora a qualidade da interação professor-computador-aluno e esta vem sendo a principal justificativa para utilizar os recursos informáticos na educação. Uma qualidade com equidade que garanta a qualidade do processo de aprendizagem nos pontos de chegada, visando a igualdade de oportunidades e de tratamentos.
Valente (1998); Carraher (1996) e Santarosa (1995) em seus estudos, destacaram que o computador deve ser utilizado como catalisador de mudanças do modelo educacional, dando ênfase a uma educação que favoreça a aprendizagem, ao invés do ensino, que coloque o controle desse processo sob a responsabilidade do aluno e que auxilie o professor a compreender que a educação é um processo para construir conhecimento pelo aluno, como resultado de seu próprio envolvimento intelectual e não uma mera transferência de conteúdos.
Segundo Carraher (1996), o computador pode desenvolver a compreensão de conceitos matemáticos, gerenciar atividades intelectuais, promover um contexto simbólico capaz de desenvolver o raciocínio sobre ideias matemáticas abstratas e possibilitar situações para resolução de problemas.
Segundo Fagundes (1993), alfabetizar tecnologicamente é ajudar a pessoa a aprender a descrever, usar, refletir e explicar como funcionam esses recursos. É pesquisar e transformar os recursos informáticos que possui em novos sistemas com esses mesmos recursos. Ao acessar a Internet e usar uma rede local e que, ao mesmo tempo, integra um sistema de informações e saberes globais, a pessoa poderá experienciar e entender melhor essas dimensões.
8. OBSTÁCULOS EPISTEMOLÓGICOS

Baseado nas ideias de obstáculos epistemológicos explicitados por Bachelard, em seu livro “A formação do Espírito Científico”, na realização dessa pesquisa poder-se-á encontrar alguns obstáculos epistemológicos, isto é, possíveis entraves que podem interferir na construção do espírito científico, causando não só a estagnação da construção do pensamento científico e contribuindo para o seu retrocesso.   
O primeiro obstáculo que poderá ser encontrado trata-se do obstáculo da primeira experiência, que pode ser proveniente de opinião já formada sobre o objeto de estudo, que parte da visão empírica do pesquisador sobre o seu objeto de estudo. Bachelard (1938 apud Abreu, 2005, p.29) estabelece,

Na formação do espírito científico, o primeiro obstáculo é a experiência primeira, a experiência colocada antes e acima da crítica — crítica esta que é, necessariamente, elemento integrante do espírito científico. Já que a crítica não pôde intervir de modo explícito, a experiência primeira não constitui, de forma alguma, uma base segura.


Assim, se deve manter certo distanciamento entre o objeto de estudo e seu pesquisador, tomar nota sobre como abordar os alunos que participaram da pesquisa, das instituições envolvidas na pesquisa, de forma a ter um acesso às observações levantadas e teorias compreendidas, através de um racionalismo embasado em pesquisas e não em suposições por parte do pesquisador e dos pesquisados, devendo-se tomar cuidado com o obstáculo epistemológico denominado o “conhecimento geral como obstáculo ao conhecimento científico”. Bachelard (1938 apud Abreu, 2005, p.69) afirma que

Vamos procurar mostrar que a ciência do geral sempre é uma suspensão da experiência, um fracasso do empirismo inventivo. Conhecer o fenômeno geral, valer-se dele para tudo compreender, não será, semelhante a outra decadência, "gozar, como a multidão, do mito inerente a toda banalidade"? (Mallarmé, Divagations, p. 21). Há de fato um perigoso prazer intelectual na generalização apressada e fácil.

O obstáculo epistemológico “verbal”, também poderá ser encontrado. Ele é a explicação é constituída apenas com o uso de uma única palavra ou uma única imagem, acreditando que avança-se o pensamento ao associar uma palavra concreta a uma abstrata. Bachelard (1938 apud Abreu, 2005), considera que metáforas e analogias podem ser usadas, mas não como foco principal, pois podem se converter em esquemas gerais e seduzirem a razão.
Outro obstáculo epistemológico que poderá aparecer é o “conhecimento unitário e pragmático”, pois o pragmatismo por ser um pensamento multilado, que leva a generalizações exageradas.
Também poderá ser deparado com o obstáculo epistemológico “substancialista”, que para Bachelard (1938 apud Abreu, 2005, p.121) “o espírito científico não pode satisfazer-se ligando pura e simplesmente os elementos descritivos de um fenômeno com uma substancia sem esforço algum de hierarquia, sem determinação precisa e detalhada das relações com os demais objetos.” É preciso evitar o espírito não científico de querer dar conta de todos os aspectos da experiência concreta, gerando uma explicação monótona e acumulando uso de adjetivos.
Por fim, deve-se ficar atento ao obstáculo epistemológio “realista”, que causa um distanciamento entre o pensamento científico e o realista, pois o pensamento realista toma o objeto como particular, um bem pessoal.
Conforme Bachelard (1938 apud Abreu, 2005, p.16), “para um espírito científico todo conhecimento é uma resposta a uma pergunta. Se não há uma pergunta não pode haver conhecimento científico”. Então, toda investigação começa pela construção do problema, cujo objeto de estudo pode originar de fontes distintas: experiências vividas, sentido comum ou de um conhecimento acadêmico prévio, desde que provoquem dúvidas, estranhamentos.


9. CONCLUSÃO

A sociedade do conhecimento cada vez mais requer pessoas criativas e com senso crítico construtivo, seres pensantes, com capacidade de aprender sobre aprender, realizar trabalhos coletivos e conhecer suas próprias potencialidades. Este aluno e cidadão precisará ter uma visão geral sobre os diferentes problemas ecológicos e sociais que preocupam a sociedade de hoje, bem como conhecimento em domínios específicos. Isto requer que a pessoa esteja atenta às mudanças sociais e tenha a capacidade de melhorar constantemente além de depurar suas ideias e ações.
O trabalho com as TICs amplia a liberdade dos professores para adaptar esses recursos dentro das necessidades da turma, dos projetos desenvolvidos, além de utilizar nos trabalhos escolares. Trabalhar de forma integrada poderá permitir que se dê um salto de qualidade no ensino, gerando evolução de estruturas mentais e comunicacionais, uma vez que padrões culturais, sociais e psicológicos vão sendo agregados gradativamente, podendo substituir velhos padrões de conduta dentro de situações novas de aprendizagem.
Um computador ligado à Internet representa, dentre outras possibilidades, o acesso a informações, um instrumento de comunicação, um recurso de ensino reunido no que é hoje uma importante mídia. Ao trabalharem com a internet, a necessidade de ajuda mútua e a maneira coletiva proporciona o desenvolvimento da autonomia, espírito crítico e atitude de trabalho coletivo. A interação pode potencializar a aprendizagem. A internet, por ter estrutura hipertextual, amplia o nível dialógico, permitindo interlocução entre vários sujeitos ao mesmo tempo. Essa interlocução múltipla, imbricada, que inclui sujeitos, tecnologias e saberes, impulsiona o movimento recursivo, promovendo, logicamente, interatividade.
REFERÊNCIAS
 


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[1] TICs: Tecnologia de Informática e Comunicação. Englobam tecnologias analógicas (rádio, TV.) e tecnologias digitais (informática, internet, computador). Este estudo enfoca as tecnologias digitais.

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