LEONARA PIRAN FRIGERI[i]
EIXO: TECNOLOGIA, MÍDIAS E EDUCAÇÃO
RESUMO
Este
artigo versa sobre a utilização das TICs[ii]
no processo de ensino-aprendizagem. A
fundamentação teórica abordou o vídeo e a internet na educação, sua articulação
com o processo de ensino-aprendizagem. Com o avanço das mídias torna-se
indispensável o seu uso como recurso didático na educação. Nesse cenário a
figura do professor aparece como agente muito importante desse processo,
necessitando estar aberto a mudanças, ser auxiliado por alguém que tenha
conhecimentos técnicos e pela equipe diretiva da escola, além de se manter
atualizado. Ficou evidenciado que
as TICs podem contribuir de muitas maneiras significativas no processo de
ensino-aprendizagem e para a formação de melhores cidadãos, capazes de atuar
conscientemente na sociedade do conhecimento em constante transformação.
Palavras-chave: Vídeo. Internet. Contribuição no
ensino-aprendizagem.
ABSTRACT
This paper focuses on the use of TIC in the
teaching-learning process. The theoretical foundation approached the video and
the internet in education, its articulation with the teaching-learning process.
With the advancement of media becomes essential to its use as an educational
resource in education. In this scenario the figure of the teacher appears as
very important in this process, need to be open to change, be assisted by someone
who has expertise and by the school's policy team, in addition to stay updated.
Evidenced that TICs can contribute to many significant ways in the
teaching-learning process and to the formation of better citizens, able to act
consciously in the knowledge society in constant transformation.
Keywords:
Video. Internet. Contribution in the teaching-learning process.
INTRODUÇÃO
Pesquisas apontam que as escolas são locais importantes para
promover o acesso da população às TICs. A utilização desses recursos na escola
tem provocado uma mudança na sua estruturação e até mesmo no ofício de ensinar.
Em tempos atrás, a utilização do vídeo e da internet era recebida, muitas
vezes, com receios. A preocupação estava em vincular esses recursos aos
objetivos pedagógicos da escola e, algumas vezes, essas tecnologias eram vistas
como a salvação para os problemas da educação. Por isso, o presente artigo
versa sobre o uso do vídeo e da internet no 4º ano do Ensino Fundamental, na
Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, no
município de Engenho Velho-RS, onde se pretende analisar o seu uso e a sua
contribuição no processo de ensino-aprendizagem dos educandos.
O objetivo é investigar a contribuição pedagógica do vídeo e
da internet na educação, como instrumento auxiliar no processo de
ensino-aprendizagem dos alunos, a fim de compreender a dinâmica dessas
tecnologias e sua relação com o processo de ensino-aprendizagem, para que o
educador assuma seu papel enquanto agente cultural e transformador de seu
tempo.
Deu-se preferência, neste trabalho, a pesquisa-ação. Para a
coleta de informações, se fez uso da observação, de questionários, da análise
documental e da análise da aplicação. A pesquisa aconteceu no período de abril
a junho de 2014. A observação procurou identificar como ocorre o uso do vídeo e
da internet no 4º ano, no desenvolvimento das disciplinas e dos conteúdos
curriculares. Os questionários foram utilizados para registrar informações
como: expectativas, anseios e formas de utilização das respectivas mídias.
O questionário se constituiu num recurso importante, o qual
foi aplicado em dois momentos. Um questionário foi aplicado no primeiro dia de
observação a professores e alunos, a fim de obter as informações quanto às
necessidades, expectativas e ao conhecimento no que se refere a utilização das
mídias em questão: o vídeo e a internet. O segundo questionário foi aplicado no
último dia de pesquisa a professores e alunos, no intuito de recolher
informações quanto ao atendimento das expectativas, das vantagens e
desvantagens do uso do vídeo e da internet no processo educativo.
A análise documental, por sua vez, revelou-se como fonte
imprescindível para reflexão, análise e à fundamentação deste trabalho. No
âmbito da pesquisa teórica, buscaram-se informações nas produções
bibliográficas na área da Educação e Informática, a artigos e teses, divulgados
nas últimas décadas, além de consultas a sites da internet.
1 O USO DAS TICs NO PROCESSO
ENSINO-APRENDIZAGEM
Os recursos tecnológicos podem ser vistos como uma janela
para o mundo. O grande desafio a ser enfrentado pela escola é o uso apropriado
das mídias ou dos recursos tecnológicos. Talvez, o que alguns professores ainda
não tenham percebido é que, independente da sua vontade, as TICs cada vez mais
vem ocupando espaços nas relações sociais. A todo o momento as pessoas se
deparam com recursos tecnológicos, quer seja na farmácia, no celular, no caixa
de banco, na máquina de refrigerantes e até no relógio de pulso, ou seja, eles
estão em quase todo lugar.
É necessário vencer as dificuldades e tirar proveito dos
recursos tecnológicos e midiáticos, aproveitando os seus benefícios a fim de
ajudarem no trabalho pedagógico do professor e na aprendizagem do aluno. Sendo
assim, é muito importante conhecê-los para fazer boa utilização e produzir
saber, um saber mais eficaz, de maior qualidade empírica, abstrata e com maior
harmonia estética. Para Valente e Prado (2003):
Embora as sofisticações tecnológicas sejam ainda
maiores, existem dois aspectos que devem ser observados na implantação destas
tecnologias na educação. Primeiro, o domínio do técnico e do pedagógico não
deve acontecer de modo estanque, um separado do outro [...] O melhor é quando
os conhecimentos técnicos e pedagógicos crescem juntos, simultaneamente, um
demandando novas idéias do outro [...] O segundo aspecto diz respeito à
especificidade de cada tecnologia com
relação às aplicações pedagógicas. O educador deve conhecer o que cada uma
destas facilidades tecnológicas tem a oferecer e como pode ser explorada em
diferentes situações educacionais. Em uma determinada situação, a TV pode ser
mais apropriada do que o computador. Mesmo com relação ao computador, existem
diferentes aplicações que podem ser exploradas, dependendo do que está sendo estudado
ou dos objetivos que o professor pretende atingir (VALENTE e PRADO, 2003, p.
22).
A utilização da TICs não define a qualidade de um trabalho
pedagógico. A sua utilização visa a auxiliar o processo ensino-aprendizagem,
considerando toda realidade escolar na qual se encontra inserido. As
tecnologias educacionais vistas sob esse olhar poderão ajudar a escola a
desenvolver a integração curricular, o rompimento de barreiras entre as
disciplinas e entre as culturas, propiciando a execução de um trabalho
globalizado.
1.2 O vídeo em sala de aula
O vídeo, há mais de uma década, chegou à sala de aula. Ele
auxilia o educador, prende a atenção dos alunos, mas não transforma a prática
pedagógica do professor. Aproxima a sala de aula da realidade dos alunos, usando
as linguagens de aprendizagem e comunicação que a sociedade utiliza, também
pode ser usado para introduzir diferentes assuntos no processo educacional.
O vídeo e a televisão estão ligados diretamente, assim como
são relacionados a um contexto de entretenimento e lazer e isso quase sempre
passa despercebido pela sala de aula. A sua utilização, na visão da maioria dos
alunos, significa um momento para descansar e não para ter aula e essa
concepção muda a postura e as expectativas dos envolvidos em relação a sua
utilização. Sendo assim, o professor deve tirar proveito dessa sensação boa
para chamar a atenção do educando para os assuntos da sala de aula. Porém, é
necessário o professor ficar atento para estabelecer relações entre o vídeo e a
aula. Para Moran:
O vídeo parte do concreto, do visível, do imediato, do
próximo, que toca todos os sentidos. Mexe com o corpo, com a pele - nos toca e
"tocamos" outros, que estão ao nosso alcance, através dos recortes
visuais, do close, do som estéreo envolvente. Pelo vídeo sentimos,
experienciarnos sensorialmente o outro, o mundo, nós mesmos (MORAN, 1995, p.28).
As imagens apresentadas estão associadas às histórias, falas
ou narrações. A fala procura aproximar o vídeo do dia-a-dia das pessoas, como
elas se comunicam diariamente. As conversas quase sempre expressam a fala
coloquial, enquanto o narrador, normalmente em off, se responsabiliza por fazer
a relação das cenas dentro da norma culta, dando significação e organizando o
todo. A narração falada dá suporte a todo o processo de significação.
Os efeitos sonoros e a música servem de ilustração, fazem
com que as pessoas lembrem e relacionem as imagens à personagens, como por
exemplo, nas novelas, criando expectativas, antecipando reações e informações.
A linguagem escrita também aparece no vídeo. Os textos
aparecem nas palavras que se visualiza na tela, nas legendas de filmes, na
tradução para deficientes auditivos, na tradução de entrevistas com estrangeiros.
Na tela, a escrita apresentada serve para dar ainda mais significação à
narrativa falada. Ainda para Moran:
O vídeo é sensorial, visual, linguagem falada,
linguagem musical e escrita. Linguagens que interagem superpostas,
interligadas, somadas, não-separadas. Daí a sua força. Somos atingidos por
todos os sentidos e de todas as maneiras. O vídeo nos seduz, informa, entretém,
projeta em outras realidades (no imaginário), outros tempos e espaços. O vídeo
combina a comunicação sensorial-cinestésica com a audiovisual, a intuição com a
lógica, a emoção com a razão. Combina, mas começa pelo sensorial, pelo emocional e
pelo intuitivo, para atingir posteriormente o racional (MORAN, 1995, p. 28).
O vídeo e a TV conseguem se comunicar com quase todas as
pessoas, independentes da faixa etária em que se encontram. Utilizam ritmos
cada vez mais apaixonantes, como nos videoclipes. A narração não acontece de
forma casual e sim para fazer ligações entre as cenas, as quais, às vezes,
utilizam um pedaço de imagem ou uma história ao lado da outra. A sua retórica
busca maneiras de atingir a sensibilidade das pessoas. A narração utiliza a linguagem
concreta, plástica, de pequenas cenas, com poucas informações, com ritmos
diversificados e contrastados, multiplicando as maneiras de ver personagens,
cenários, ângulos, imagens, sons, efeitos.
A linguagem audiovisual desenvolve múltiplas atitudes
perceptivas, induzindo a todo instante as pessoas a usarem a imaginação e
reinvestindo na afetividade como um papel de mediação primordial no mundo, a
passo que a linguagem escrita desenvolve mais o rigor, a organização e a
análise lógica (MORAN, 1995).
1.3
O Processo Educativo e as Tecnologias Digitais
Os conteúdos virtuais permitem que tanto professores quanto
alunos, consigam descobrir fenômenos e conceitos, muitas vezes inviáveis ou
inexistentes nas escolas, por questões financeiras ou de segurança. Com a
velocidade em que as tecnologias surgem na vida das pessoas, a produção de novos
saberes e as crescentes aplicabilidades desses recursos acabam requerendo a
prática de novas metodologias de ensino, impulsionando a modernização da
educação e exigindo com isso, uma permanente formação de toda comunidade
escolar envolvida no processo educativo.
Valente (2005, p.23) afirma que “a experiência do professor
é fundamental. [...] o professor precisa conhecer as diferentes modalidades de
uso da informática na educação [...] entender o que os recursos oferecem para a
construção do conhecimento”. A estreita passagem do anterior para o novo
continua sendo função dos professores. Deposita-se nas mãos dos envolvidos com
a prática escolar, a responsabilidade pela mudança, ficando como sua tarefa,
recriar saberes. Por tanto, é essencial o comprometimento dos professores neste
trabalho, e a constituição dos significados sobre as TICs, do ponto de vista
pedagógico e escolar, só poderá dar frutos com o envolvimento destes
profissionais. Destaca-se como aspecto negativo, a incorporação das TICs na
escola, vista apenas como mais um recurso para atingir as metas da qualidade
educacional, ignorando mudanças, inclusive no perfil profissional dos
professores.
1.3.1
A Internet na Educação
A internet pode ser compreendida como uma mídia atraente,
acessível, dinâmica, atualizada, capaz de permitir o ingresso e o acesso quase ilimitado
à informações. Uma mídia inesgotável de múltipla aprendizagem que permite
desenvolver pesquisas, comparar dados, aprender a ler, buscar informações,
assim como organizá-las, analisá-las ou criticá-las. Mas, também, como acontece
com qualquer outra ferramenta, é necessário que o professor auxilie as crianças
a respeito de como fazer um melhor uso dessa ferramenta para as atividades
educacionais bem como na elaboração de trabalhos, na busca das informações e
construção do conhecimento.
Para Silva (2003, p.55), “o professor [...] constrói uma
rede e não uma rota. Ele define um conjunto de territórios a explorar, enquanto
a aprendizagem se dá na exploração - ter a experiência - realizada pelos
aprendizes e não a partir da sua récita”. Dessa maneira, o professor não é
detentor do saber na escola, nem um mero transmissor ou repassador de conteúdos
e, sim, o provocador de situações-problema, criando situações para que ocorra a
participação e o comprometimento dos alunos, estimulando-os à criação
colaborativa.
As tecnologias e as mídias podem ser observadas como uma
oportunidade de formação tanto para a realização do trabalho discente, quanto
para a realização do trabalho docente, por isso, não podem ser ignoradas. Segundo
Silva (2001):
O professor não é somente ator na rede de interações.
Mas, sobretudo, autor. Ele provoca e disponibiliza a rede de interações tomando por base os fundamentos da
interatividade. É nessa materialidade comunicacional
que ele expressa sua autoria. Aliás, manter essa ambiência, já constitui sua
autoria (SILVA, 2001, p.174).
Para que a utilização das mídias na escola seja realizada de
forma efetiva e eficaz, ela precisa estar desvinculada dos objetivos da
educação tradicional, em se tratando ao repasse do conhecimento. Assim como diz
Freire (1995), precisa contribuir para a construção de uma escola que seja
aventura, que marque o aluno de forma positiva, que não tenha medo do risco e,
por isso, recusa o imobilismo. Uma escola com uma educação que propicie o
pensar, o atuar, o falar, o amar, o adivinhar.
Com a internet o aluno tem a possibilidade de pesquisar de
forma individual seguindo seu próprio ritmo, além de possibilitar a pesquisa
coletiva, desenvolvendo dessa forma a aprendizagem colaborativa. Ela também
permite a descoberta de formas novas e diferenciadas de comunicação, destaca-se
aqui a escrita, pois permite uma escrita mais aberta, de forma hipertextual,
conectada, multilinguística, aproximando texto e imagem. Para Moran (2005):
Educar é estar mais atento as possibilidades do que aos limites.
Estimular o desejo de aprender, de ampliar as formas de perceber, de sentir, de
compreender, de comunicar-se. Apoiar o estado de prontidão para aprender dentro e fora da escola, em todos os espaços
do nosso cotidiano, em todas as dimensões da vida. Estar atentos a tudo,
relacionando tudo, integrando tudo. Conectar sempre o ensino com a pessoa do
aluno, com a vida do aluno, com a sua experiência (MORAN, 2005, p.88).
A educação deve procurar chegar ao aluno por todos os
caminhos viáveis seja pelas imagens, representações, experimentações, sons,
dramatizações, simulações ou pela multimídia. O processo ensino-aprendizagem é
um acontecimento do qual educador e educando compartilham juntos. Moran (2005)
ressalta que:
Ensinar e aprender depende do educador e do educando,
é um processo compartilhado. O educador coordena, sensibiliza,
organiza o processo, que vai sendo construído em conjunto
com as habilidades e tecnologias possíveis a cada grupo, de forma
participativa. É um processo baseado na confiança, na comunicação autêntica, na
interação, na troca no estímulo, com normas e
limites, mas sempre enfatizando o incentivo (MORAN, 2005, p.89).
A internet, segundo Moran (2005), é um meio de comunicação,
ainda incipiente, mas que serve para rever, estender e transformar as muitas
formas atuais de aprender e ensinar. As mídias quando usadas de maneira
adequada, podem se constituir num fator de transformação para o processo de
ensino-aprendizagem e, portanto, para a melhoria da educação.
Numa visão construtivista o ensino utilizando o computador e
as mídias permitem as trocas entre as crianças, que são os sujeitos da
aprendizagem, e o software, e estes poderão conter recursos de aprendizagem
previstos anteriormente, através dos quais fiquem claras as possibilidades de
assimilar e acomodar conteúdos. Sendo assim, alunos e professores acabam se
tornando pesquisadores; o professor procura descobrir os recursos que as mídias
e o computador propiciam ao aluno e estes buscam resolver suas dúvidas e,
quando o fizer, o conhecimento é construído de forma concreta, física e mental
ao mesmo tempo.
2.
RESULTADOS E DISCUSSÕES
2.1.
Exploração Inicial
Inicialmente realizou-se
uma pesquisa exploratória na escola para definir qual turma seria escolhida
para o desenvolvimento da pesquisa-ação. Sendo assim, foram visitadas as turmas
do 4º e 5º ano do Ensino Fundamental da Escola Municipal de Educação Infantil e
Ensino Fundamental Cleiton Costa, no município de Engenho Velho/RS, selecionou-se
a turma do 4º ano devido a turma ser mais receptiva e comprometida. A amostra
constitui-se de 25 alunos, com faixa etária dos 9 aos 12 anos de idade e 2
docentes, com 30 e 49 anos de idade.
Fez-se dois dias de
observação na turma, no intuito de sondar o conhecimento a respeito de vídeo e
da internet, para descobrir às expectativas e os anseios relacionados à sua
utilização no processo de ensino-aprendizagem e, também, para verificar o
acesso e a utilização dos alunos e professores quanto a essas mídias, para isso
foi aplicado um questionário, sendo que, todos os participantes o responderam.
A seguir, serão
apresentadas sucintamente, as informações obtidas através dos questionários
aplicados aos alunos e professores. Questionando os alunos sobre o que
esperavam aprender utilizando o vídeo e a internet, obteve-se: 19-Assuntos
relacionados a aula; 23-Assuntos que auxiliem a compreensão do conteúdo visto
em sala de aula alunos e 01-Assuntos não relacionados a aula. A partir das opiniões que os alunos tem
e expressaram, percebeu-se que eles anseiam que as aulas com o vídeo e a
internet desenvolvam estratégias de aprendizagem e colaborem na assimilação dos
conteúdos trabalhados em sala de aula.
Do ponto de vista
educacional, as mídias não são tão importantes quanto às possibilidades que
oferecem de contribuir com a educação. Contudo, poderá ser a capacidade do
professor em selecioná-las e explorá-las adequadamente a sua realidade que dará
a devida dimensão ao seu uso educativo, não só porque colabora com as tarefas
de ensino, mas porque poderá contribuir e ampliar a aprendizagem dos alunos. A
função do professor, e talvez a principal, é ajudar o aluno
a interpretar as informações, relacioná-las e contextualizá-las.
Alguns alunos enxergam as
mídias como recursos didáticos, como tais, são portadoras de ideias, emoções,
atitudes, habilidades e, portanto traduzem-se em objetivos, conteúdos e métodos
de ensino (Libaneo, 1998). O ato de aprender depende também do aluno, de
que ele esteja aberto para incorporar a significação que a informação tem para
ele, para incorporá-la vivencialmente e emocionalmente. Enquanto a informação
não fizer parte do seu contexto pessoal, intelectual e emocional, não se
tornará significativa.
Ao questionar os
professores sobre a utilização do vídeo e da internet responderam que utilizam
para: 02-Para fazer pesquisas; 02-Para trabalhar jogos; 02-Para passar filmes; 0-Para
passar mensagens. Ao serem questionados sobre o interesse em constar o
uso do vídeo e da internet no seu trabalho pedagógico, foram unânimes em dizer
que: 02-Sim, porque podem auxiliar na transmissão de conteúdos e assuntos
tratados em sala de aula; 02-Sim, porque podem contribuir com a aprendizagem
dos alunos; 02-Sim, porque apresentam uma linguagem diferente e que os alunos
podem compreendem melhor; 0-Não, porque não ajuda na aprendizagem dos alunos; 0-Não,
porque repassam muitas informações e os alunos não assimilam e 0-Não, porque
não gosto de utilizar.
Para saber, dos alunos que
já fazem uso, para que e no que eles utilizam o vídeo e a internet, foi
perguntado: O que você conhece de vídeo e de internet? Sendo obtido: 23-Conheço vídeo e
internet e sei utilizá-los; 02-Conheço vídeo e internet e não sei utilizá-los e
0-Não conheço vídeo e internet e não sei utilizá-los.
Também os professores foram
questionados sobre o conhecimento que tinham sobre vídeo e internet e
responderam: 02-Já usei vídeo e internet e sei utilizá-los; 0-Conheço vídeo e
internet, mas não sei utilizá-los e 0-Não conheço vídeo e internet e não sei
utilizá-los. Desejam utilizar para: 0-Usar para diversão e entretenimento; 02-Usar
para trabalhos pedagógicos; 02-Usar para oferecer outras alternativas de
aprendizagem para os educandos e 0-Não usar. Percebe-se então que qualquer mudança na educação conta com o apoio
dos professores, pois a formação docente passa por processos de investigação
articulados as práticas educativas (NÓVOA, 1992).
O domínio do conteúdo
técnico por parte do professor como uma das partes que constituem sua prática
educativa poderá ser significativa para promover uma aprendizagem crítica,
criativa e transformadora. Na maioria das vezes, as escolas delimitam o uso das
mídias a práticas restritas e específicas, por ignorar melhores opções. É
importante educar para a autonomia, para a cooperação, para trocar ideias,
participar de projetos, entre outros, e para que cada um encontre o seu ritmo
de aprendizagem.
Foi perguntado aos alunos como
usam vídeo e internet e aonde. Segundo as respostas obtidas: 21-Uso para
diversão e entretenimento; 18-Uso para trabalhos escolares; 10-Assistir filmes;
19-Jogar jogos na internet; 15-Realizar pesquisas, 17-Conversas on line e
conhecer pessoas e 0-Não uso. Sendo que utilizam: 13-Em casa; 25-Na escola; 16-No
telecentro comunitário e 0-Em outros lugares.
Por fim, questionou-se se fossem
eles os professores da turma o que trabalhariam com seus alunos relacionados a
vídeo: 0-Passaria filmes; 23-Passaria filmes educativos; 19-Usaria para fazer
pesquisas; 21-Usaria para acessar jogos educativos; 20-Passaria músicas; 0-Usaria
para acessar conversas e conhecer pessoas; 16-Passaria mensagens e 0-Outros.
Questionou-se
os professores quanto a dar oportunidade aos alunos para explorar
individualmente o vídeo e a internet, responderam: 02-Sim, porque é importante
que aprendam selecionar conteúdos e assuntos; 02-Sim, porque possibilita que o
aluno construa uma visão mais ampliada dos assuntos; 02-Sim, porque é
importante que ele aprenda a descobrir as coisa por eles próprios; 0-Não,
porque se dispersam e acabam se distanciando dos objetivos propostos e 0-Não,
porque perdem tempo olhando coisas e conteúdos que não tem relação com o que
está estudando.
Ensinar utilizando mídias exige uma atenção maior do professor. A
internet oferece tantas possibilidades de busca, que a navegação se torna muito
mais atrativa do que o imprescindível trabalho de interpretação. Os alunos
tendem a dispersar-se frente às muitas conexões possíveis, de endereços dentro
de outros endereços, de imagens e textos que se sucedem ininterruptamente.
2.1.2
Conclusões da Exploração Inicial
Ao concluir essa primeira
fase de observações, pode-se perceber que tanto alunos quanto os professores,
estão abertos a utilização das TICs no processo de ensino-aprendizagem o que
propicia um bom ambiente para a produção de conhecimentos. No que se refere ao
Projeto Político Pedagógico da escola, percebe-se que o mesmo foi construído de
forma democrática promovendo a valorização do conhecimento empírico dos alunos
cuja preocupação está voltada para a aprendizagem dos mesmos.
Quanto ao plano de estudo
da turma, está previsto a utilização de mídias como a impressa, TV e vídeo,
computador e internet.
2.2
Exploração Final
Para concluir essa pesquisa
sobre a utilização do vídeo e da internet no processo de ensino-aprendizagem
aplicou-se um questionário objetivando analisar como foi o uso desses recursos
no período da pesquisa. Foi aplicado aos alunos e professores envolvidos no dia
19 e 23 de junho de 2014, ou seja, no último dia de pesquisa com a turma. A
seguir será apresentado de forma sucinta, as informações coletadas através dos
questionários aplicados aos alunos e professores nesta etapa final.
Perguntando aos alunos e
professores como foi utilizar o vídeo e a internet nas aulas se buscou avaliar
a experiência realizada com o uso dessas mídias. A grande maioria dos
alunos apontou como positiva essa experiência: 22-Foi bom e proveitoso; 21-Me
ajudou na compreensão dos conteúdos; 0-Não achei proveitoso e 0-Não gostei
porque me distraí.
Percebe-se através das
respostas que a experiência com o vídeo e a internet, para os alunos,
representou a possibilidade de aprendizagem e o uso como recurso pedagógico
para as atividades escolares, com isso agregaram conhecimento a eles.
Os 2 professores que
participaram desse processo de pesquisa, ao serem questionados sobre a
utilização do vídeo e da internet, responderam: 02-Foi bom e proveitoso porque
os alunos podem trabalhar a criatividade, iniciativa, atenção, responsabilidade;
02-Ajudou os alunos na compreensão dos conteúdos e 0-Não achei proveitoso. Tanto
os 02 professores quanto os 25 alunos responderam
que utilizaram o vídeo e a internet como ferramenta de apoio para as atividades
escolares.
Sobre
as vantagens de usar o vídeo e a internet nas atividades escolares, segundo as
respostas dos alunos, obteve-se: 23-Auxilia a compreensão dos conteúdos
trabalhados em sala de aula; 24-Desperta a criatividade e a imaginação
auxiliando na produção de novas atividades e 22-Prende a atenção por ser
ferramentas que tem recursos de multimídia.
Para os docentes as reações
favoráveis quanto à utilização do vídeo e da internet na área educacional
foram: 02-Auxilia a compreensão dos conteúdos trabalhados em sala de aula; 02-Desperta
a criatividade e a imaginação auxiliando na produção de novas atividades e 02-Prende
a atenção por ser ferramentas que tem recursos de multimídia.
Romper com a resistência
dos professores é uma tarefa a ser superada devendo ser iniciada na formação de
professores, desenvolvendo habilidades cognitivas e operativas para a
utilização das mídias e também a formação de atitudes favoráveis a sua
utilização. No Brasil, a relação entre educação e desenvolvimento tecnológico
vem de uma visão tecnicista, que gerou resistência de natureza política e
tecnológica. Existem também outros aspectos importantes como: questões
culturais, sociais, temor diante dos equipamentos tecnológicos, medo da
despersonalização, da substituição pelo computador, ameaça ao emprego e
formação que não inclui a tecnologia (LIBANEO, 1998).
As mudanças na educação dependem também de administradores, diretores e
coordenadores mais abertos e receptivos, que entendam todas as dimensões
relacionadas ao processo de ensino-aprendizagem, além das empresariais ligadas
ao lucro; que apoiem os professores inovadores, equilibrando o gerenciamento
administrativo, tecnológico e o humano, contribuindo para que haja um ambiente
de maior inovação, intercâmbio e comunicação.
Para alguns professores, os
recursos tecnológicos e midiáticos merecem lugar de destaque na escola,
entretanto esse tipo de argumento é utilizado para tornar a escola mais
motivadora e interessante. Porém, a escola deve ser interessante não por
possuir estes recursos, mas pelo que acontece nela em termos de aprendizagem e
de desenvolvimento intelectual, afetivo, cultural e social, VALENTE (1998).
Acredita-se que as mídias
por si só não são a solução nem a única condutora desse processo. Colher os
benefícios que elas oferecem necessita, primeiramente, do treinamento e da
mudança de comportamento dos professores, bem como projetos curriculares
inovadores. Os professores são levados a deixar de controlar a informação e
deter exclusivamente o conhecimento.
Em
se tratando das desvantagens do uso do vídeo e da internet nas aulas, os alunos
disseram que não percebem desvantagens em utilizá-los. Já os 02 professores
apontaram: 0-Passam muitas informações; 02-Dificuldade em se concentrar nas
informações passadas; 02-Dificuldade em controlar o que o aluno acessa na
internet e 0-Não tem desvantagem.
Para finalizar, em relação
a utilização do vídeo e da internet, os dois docentes afirmaram que suas
expectativas foram atendidas. Para Libaneo o comprometimento do professor é o
diferencial para desempenhar bem seu papel na escola:
A ênfase no saber ser, sem dúvida fundamental para se definir uma
postura crítica do educador frente ao conhecimento e aos instrumentos de ação,
não pode dissolver as outras duas dimensões da prática docente, o saber e o
saber fazer, pois a incompetência no domínio do conteúdo e no uso de recursos
de trabalho compromete a imagem do professor educador. Tornar nossa prática
ineficiente põe em risco os próprios fins políticos dessa prática (LIBANEO, 1998, p.52).
Demo (1998) reforça a ideia
do envolvimento dos docentes na assimilação de um saber sólido para a
utilização dos recursos tecnológicos, pois quem que não aprende bem, não
consegue fazer o outro aprender bem.
Um aspecto a ser destacado
na utilização das mídias na educação, é o fato de existir dois tipos de
usuários envolvidos: professor e aluno, ambos fazem uso quase simultâneo destes
recursos e isso envolve um conhecimento mais aprofundado do professor em como
funciona a mídia. A falta desse conhecimento gera insegurança diante de algumas
situações que ocorrem diante da máquina.
Em
se tratando das expectativas dos alunos em relação às aulas com vídeo e internet, as expectativas
foram atendidas para 24 alunos e não para 01 aluno.
2.2.1
Conclusões da Exploração Final
Ao concluir esta pesquisa,
constatou-se a satisfação dos alunos e dos professores em ter usufruído do
vídeo e da internet no processo de ensino-aprendizagem. O trabalho desenvolvido
rendeu múltiplas aprendizagens como: melhora da escrita e expressão oral,
melhor produção textual, desenvolvimento de espírito cooperativo, solidário e
da criatividade.
Percebe-se que grande parte
do êxito alcançado se deve ao comprometimento e ao diálogo, que pode ter sido o
diferencial nesse processo envolvendo a utilização do vídeo e da internet. Seu
uso só foi válido porque agregou conhecimentos e oportunizou formas
diferenciadas de ensino-aprendizagem, onde se atingiu objetivos por caminhos
diferentes do tradicional utilizados em sala de aula.
Uma das possibilidades
verificadas foi o trabalho interdisciplinar, que promoveu a integração dos
conteúdos de várias disciplinas promovendo o trabalho solidário, quando os alunos
se ajudavam entre si e trocavam ideias sobre as tarefas. Este procedimento
permitiu a reflexão e a intervenção no sistema de ensino. Portanto, a
perspectiva assumida para a formação é a de formação-ação proposta por Nóvoa
(2001), para quem a formação está e acontece na
ação, e seu processo de reflexão ocorre antes, durante e após a ação. Os
trabalhos realizados em equipe envolvem a construção do espírito de cooperação.
Este esforço de pensar em
grupo implica na existência de espaços de partilha além das fronteiras
escolares. Ressalta-se que o conhecimento das mídias, torna-se importante porque
permite maior exploração dos recursos, pois o professor que não tem um
conhecimento mais aprofundado sente-se limitado. Sendo assim, a formação
profissional do educador deveria proporcionar oportunidades de aprendizagens
quanto às mídias para que esses recursos pudessem ser incorporados nas escolas
sem reservas e inseguranças.
CONCLUSÃO
Após a realização deste trabalho é importante observar que, quando se
fala em mudanças pedagógicas há a necessidade dos professores fazerem coisas
diferentes das que fazem, mudarem a mentalidade e a maneira de trabalhar em
sala de aula. É importante ressaltar que, para os professores mudarem sua
prática pedagógica talvez necessite não só de compensações, mas também de
condições. A escola também é constituída de outros agentes educacionais
importantes como diretores, coordenadores e demais membros da comunidade
escolar que poderiam estar engajados e apoiar as mudanças pedagógicas
conduzidas pelos professores. Sem apoio de toda a hierarquia do sistema
escolar, os professores, como agentes de mudança, não irão conseguir mudar
muita coisa. Como lembra Moraes (1996, p.07), “é preciso construir uma
consciência coletiva [...] como parte de um conjunto de mudanças que poderão
ser gradualmente absorvidas pela comunidade educacional”.
Um computador ligado à internet representa, dentre outras possibilidades,
o acesso a informações, um instrumento de comunicação, um recurso de ensino
reunido no que é hoje uma importante mídia. Para Ponte, Oliveira e Varandas (2001, p.06), “A utilização da Internet pode
remeter para uma simples lógica de consumo (da informação nela disponível) como
envolver uma lógica de produção (de informação, de materiais, de documentos que
podem ser transformados por toda uma comunidade de utilizadores)”.
A partir dos dados e informações coletadas,
observa-se que o aluno deve aprender a pesquisar, e que deve ser competência do
docente conduzi-lo ao melhor aproveitamento das informações que dispõe na internet
e isto deve ser feito em sala de aula (Valente, 2005). Para que assim ele
aprenda a ponderar o que está disponível na rede. Pode-se transformar
uma parte das aulas em processos contínuos de informação, comunicação e
pesquisa, por meio dos quais se vai construindo o conhecimento e equilibrando o
individual e o grupal, entre o professor e os alunos. O professor lança um
desafio, tendo em vista os objetivos a serem alcançados, e incentiva os
primeiros passos para sensibilizar o aluno para o valor do que vai ser feito,
para a importância da participação do aluno nesse processo e aí passa então
para o papel de gerenciador do processo de aprendizagem, coordenando o
andamento, estabelecendo o ritmo adequado, sendo o gestor das diferenças e das
convergências.
São
inúmeras as estratégias pedagógicas que podem ser desenvolvidas utilizando-se
softwares educativos, internet,
aplicativos, ambientes síncronos (chats,
videoconferência) e assíncronos (listas, grupos de discussão, correio
eletrônico), televisão, rádio, vídeo, jornal, etc. As conexões estabelecidas e
intercâmbios levam os sujeitos a ficarem fascinados com esse mundo que se
descortina. Contudo para realizar essas tarefas, tem que ter oportunidade de
acesso e orientação. Se os docentes não possuem formação adequada para
trabalhar com tecnologias e mídias, é possível que tenham dificuldades em utilizá-las
bem como orientar os alunos na realização das mesmas.
REFERÊNCIAS
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FREIRE,
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professor, adeus professora: novas exigências educacionais e profissão
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Educação: a questão da capacitação dos professores. Brasília: Mimeo, 1996.
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vídeo em sala de aula. Comunicação e
Educação, São Paulo, jan./abr. 1995, p.
27 a 35.
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tecnologia. 2005. Disponível em: http://www.eca.usp.br/prof/moran/inov.htm. Acesso em: 07 de Maio de 2012.
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Médicas, 1994.
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Interativa. 2. ed. Rio de Janeiro: Quartet, 2001.
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Salto para o Futuro. Brasília: Ministério da Educação, SEED, 2005, p. 22-31.
[i]
Aluna da Universidade Aberta do Brasil -
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Sul-Rio-Grandense - Curso
de Especialização Mídias na Educação – Pólo de Constantina. Rua André Martinelli, 13 – Centro, Engenho
Velho-RS, 99698-000. E-mail: piranfrigeri@bol.com.br
[ii]
TICs: Tecnologia de Informação e Comunicação. Englobam tecnologias analógicas
(rádio, vídeo, TV) e tecnologias digitais (internet, computador).


