MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
PÓLO DE APOIO PRESENCIAL DE CONSTANTINA
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA
O SER PROFESSOR
LEONARA PIRAN FRIGERI
CONSTANTINA-RS
JUNHO DE 2014
INTRODUÇÃO
O presente artigo discorre sobre “ser
professor” e a identidade profissional As
reformas educacionais dos últimos anos buscaram qualificar o ensino brasileiro.
Nesta perspectiva de educação qualificada que todos desejam e anseiam o
educador é o principal personagem envolvido no contexto. O momento exige um
novo jeito de ensinar, devido principalmente pela rapidez com que se
desenvolvem os avanços tecnológicos. O professor precisa desenvolver com
competência certas habilidades para auxiliar os alunos na análise, síntese e
interpretação de diversos dados. Assim, a ação do educador deve estar voltada à
compreensão de homem, de mundo e de sociedade a ser organizada, possibilitando
o pleno desenvolvimento do ser humano.
Após
é abordado sobre a organização escolar bem como sobre a gestão que poderão ser
meios para atingir as finalidades do ensino, para isso é necessário ter clareza
de que o eixo da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e
aprendizagem que, media os procedimentos pedagógicos e didáticos, trazendo
melhores resultados na aprendizagem.
Para
finalizar é discorrido sobre as Relações Interpessoais que acontecem dentro da
sala de aula e na escola, pois a interação professor/alunos é um dos aspectos
fundamentais, pois visa alcançar os objetivos do processo de ensino.
Entretanto, esse não é o único fator que determina a organização do ensino, por
esta razão precisa ser conjugada a outros fatores como a forma como se
desenvolve a aula, se atividade individual, coletiva, em grupos e outras.
1. DESENVOLVIMENTO
O presente trabalho está dividido em seis
capítulos. No primeiro capítulo é discorrido sobre a criança
e a aprendizagem onde são expostos
itens relevantes sobre a prática docente realizada. No segundo capítulo é
realizada considerações sobre o Projeto Político Pedagógico da escola,
identificando aspectos que se aproximam da prática pedagógica realizada na
escola. No terceiro capítulo é observado a relação do PPP com a Aprendizagem dos
educandos. No quarto capítulo é discorrido sobre o “Ser
Professor” e os aspectos relevantes sobre a Identidade Profissional. Já no
capítulo quinto é destacado as relações com a Gestão e a Comunidade Escolar.
Para finalizar, no sexto capítulo discorre-se sobre as relações Interpessoais:
Professor x Aluno, Aluno x Aluno, Escola x Família.
1.1 A Criança e a Aprendizagem
A
educação, cada vez mais, volta-se para a capacidade do indivíduo em fazer
escolhas e para a quebra dos mecanismos de alienação social, que o impedem de
optar pelo que é melhor para si e para o grupo onde vive. Desta forma, a escola
está sendo solicitada a contribuir na formação de um indivíduo com várias
competências, ajudando-o a compreender a sua realidade e a refletir sobre ela.
Durante
o período da prática docente para atender a diversidade existente na sala de
aula buscou-se acompanhar os alunos que apresentam individualmente nas suas
carteiras, questionando-os, orientandos para que as atividades ficassem
corretas e compreendessem o que estavam fazendo. Buscou-se também realizar
bastante leitura das famílias silábicas que já foram apresentadas a eles para
que consigam ler as palavras que já tem essas sílabas. Percebeu-se também que a
turma no geral está fraca em leitura e por isso nessa semana procuramos fazer
leitura diária das palavras que já conhecem, de pequenos textos, de forma
coletiva e individual também.
Quanto
aos alunos que demonstraram ter mais facilidade e conhecimentos, para que esses
alunos não sejam prejudicados, por concluírem as atividades antes de todos,
sempre que possível colocou-se eles como ajudantes para que auxiliem os colegas
e com isso, reconstruam seus próprios saberes. Além de levar atividades extras
para que realizem enquanto os outros fazem as atividades, como livros para
lerem, cálculos e histórias matemáticas, cruzadinhas. Buscou-se fazer com que
os alunos reflitam e estabeleçam relações das atividades com o cotidiano deles,
trabalhando sempre com material concreto sempre que possível.
Para Vygotsky (1998), o funcionamento psicológico estrutura-se a partir
das relações sociais estabelecidas entre os indivíduos e o mundo exterior, pois
entende o desenvolvimento como fruto de uma grande influência das grandes
experiências do indivíduo. Cada um dá significado particular a essas vivências,
assim a construção do pensamento é um processo cultural e não formação natural
e universal da espécie humana e ocorre através do uso de signos e emprego de
instrumentos elaborados através da história humana num contexto social
determinado. Segundo Vygotsky, (apud OLIVEIRA, 1999, p. 56):
A aprendizagem e o desenvolvimento acontecem de
maneira interligada, ou seja, só nos desenvolvemos se / e quando aprendemos.
Desde o momento em que a criança nasce “o aprendizado está relacionado ao
desenvolvimento e é aspecto necessário universal do processo de desenvolvimento
das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”.
As emoções, segundo ele, têm papel preponderante no desenvolvimento da
pessoa. Em geral são manifestações que expressam um universo importante e
perceptível, mas que é pouco estimulado pelos modelos tradicionais de ensino.
Segundo Wallon (apud LUNARDI, 2002, p.2):
As transformações fisiológicas de uma criança revelam
traços importantes de caráter e personalidade. A emoção é orgânica que pode
alterar a respiração, os batimentos cardíacos e também o tônus muscular, tem
momentos de tensão e distensão que ajudam o ser humano a se conhecer. A raiva,
a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos têm função de
relevância na relação da criança com o meio.
De acordo com os estudos realizados por Wallon, crianças entre seis a
nove anos mostram que o desenvolvimento da inteligência depende de como cada
uma delas faz as diferenciações com a realidade externa. Primeiramente, porque
suas ideias são lineares e se misturam ocasionando um conflito permanente entre
dois mundos. O interior povoado de sonhos e fantasias, e o real cheio de
símbolos, códigos de valores sociais e culturais. É na solução desses conflitos
que a inteligência evolui. Wallon diz que o sincretismo (mistura de ideias num
mesmo plano), comum nessa fase é fator determinante para o desenvolvimento
intelectual. Para Antunes (2001, p. 13):
Essa tendência estimuladora da escola pode ser vista
como um novo paradigma de compreensão do ser humano que abandona sua avaliação
através de sistemas limitados e percebe com acentuada amplitude linguística,
lógica matemática, criativa, sonora, sinestésica, naturalista e principalmente
emocional.
Sendo assim o professor atual precisa se atualizar constantemente,
conhecer a turma e observar as habilidades e competências da turma bem como as
dificuldades de cada aluno para que o planejamento e a prática pedagógica
corresponda com a realidade e dessa forma consiga estabelecer estratégias de
ensino para que os alunos superem as deficiências percebidas respeitado a
diversidade encontrada em sala de aula.
1.2 Considerações sobre o Projeto Político Pedagógico da Escola
Pode-se
entender o planejamento como uma práxis, um processo de reflexão, de
identificação das intenções da escola e de ações a serem desenvolvidas para
intervir na realidade escolar. Para dialogar sobre a construção do projeto
político-pedagógico escolar, é importante compreender o significado do
planejamento como ação essencialmente humana no processo de trabalho, a
importância e os limites do planejamento na concretização de uma determinada
concepção de educação escolar. Neste sentido é preciso ter clareza de que não
basta planejar para acontecer: “há toda uma luta ideológica, política,
econômica, social para ser enfrentada, seja consigo mesmo, com seus colegas de
trabalho, com os educandos, com as famílias e com as instituições em geral”
(VASCONCELOS, 1995).
Freire
(1996, p.44), destaca a importância da reflexão crítica sobre a prática. Afirma
que é “pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar
a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica,
tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática”.
O
trabalho desenvolvido na escola é norteado pelas ações que constam no PPP e
pelo Regimento Escolar. As ações que a escola desenvolve constam no PPP, ou
seja, ele é executado na escola, por isso não se percebe distanciamento entre
as ações previstas e o que acontece na escola, pelo contrário. A escola precisa
sim, fortalecer a participação da comunidade escolar, mas não porque não
oportuniza, mas porque a comunidade não participa, seja porque não quer, seja
porque não acha importante, então a gestão democrática é exercida na escola, a
comunidade é que não está acostumada a exercer seu papel de participante
atuante, deixa tudo para a escola. Sendo assim, a escola deve continuar
oportunizando até criar esse hábito e consciência de participação. A escola
conhece a clientela escolar e a sua realidade, isso pode ser percebido no
Projeto Político Pedagógico da escola:
Através da participação dos pais, alunos, funcionários
e professores da escola, foi possível conhecer a realidade que estão inseridos
os alunos, sujeitos do processo ensino- aprendizagem, podendo ser caracterizada
da seguinte forma: reunião com os alunos, pais, professores, funcionários e
supervisão da SMEC, através de questionamento e reflexão, para uma tomada de
consciência sobre a importância da participação dos mesmos, na construção da
escola que queremos [...] Trabalhamos com crianças de nível sócio-econômico
extremamente baixo e médio. A escola está situada na sede do município. Apresentando
um bom estado físico tanto no prédio como no pátio. A escola tem uma biblioteca
com bom acervo de livros [...] Nossa escola procura trabalhar em parceria,
completando-se. Pois os alunos são diferentes no que se refere a interesses,
participação, atuação e criatividade e demais aspectos. A escola desenvolve um
trabalho, em relação a isso, respeitando a individualidade e diferenças de cada
um (PPP, 2008, p.23).
1.3 Relação do PPP com a Aprendizagem
O
Projeto Político Pedagógico da escola, expressa algumas possibilidades que vem
sanear às necessidades observadas em sala de aula e define ações concretas a
serem realizadas, apresentando orientações para a ação pedagógica na escola.
Como já dizia Paulo Freire (1992) “Na história se faz o que se pode e não o que
se gostaria de fazer. Uma das grandes tarefas políticas que se deve observar é
a perseguição constante tornar possível amanhã o impossível hoje”, dessa forma
a escola apresenta alternativas metodológicas que podem vir auxiliar o processo
de ensino aprendizagem de forma dinâmica e diferenciada.
-Promover cursos
de aperfeiçoamento e atualização aos professores.
-Prover a escola
de todos os materiais de ensino, consumo, materiais didáticos, pedagógicos e de
higiene e conservação do prédio.
-Prover a escola
de merenda escolar de qualidade.
-Realizar
acompanhamento periódico do processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
-Propiciar
assistência odontológica, fonoaudióloga, psicológica, médica e atendimento
pedagógico especializado, aos alunos da Escola Cleiton Costa que necessitam
deste atendimento.
-Apoiar e
incentivar a participação dos pais nas reuniões e atividades desenvolvidas na
escola.
-Proporcionar
condições ao ensino da educação infantil e ensino fundamental para o efetivo
desempenho das atividades com materiais, serviços e recursos humanos.
-Realizar junto
à comunidade um resgate do acervo histórico do município.
-Manter um
Conselho Escolar atuante e participativo, promovendo assim uma gestão escolar
democrática.
-A participação
do Conselho Escolar na organização e no planejamento do calendário escolar, no
projeto pedagógico da escola, na avaliação dos resultados finais da
instituição.
-Realização de
Amostras de oficinas pedagógicas.
-Realização de
Visitas de estudo e lazer.
-Parcerias com
as secretarias: Educação, Saúde, Agricultura, Assistência Social.
P-arcerias com
EMATER e outras entidades ou empresas que venham a beneficiar a qualidade
educacional escolar.
-Acompanhar e avaliar a prática pedagógica dos
professores na escola.
-Proporcionar
espaços de estudos pedagógicos aos professores e funcionários da escola.
-Construir Horta
na escola.
-Promover
palestra aos pais e comunidades escolar com temas previamente selecionado pelos
mesmos.
-Propor atividade
em contraturno escolar para alunos com baixo rendimento na aprendizagem.
-Oferecer
atividades em contraturno escolar em sala multifuncional, para alunos com
necessidades especiais (PPP, 2008, p.26-29).
Sendo
assim, a escola procura promover o processo de ensino aprendizagem de forma
dinâmica, saindo da sala de aula e vivenciando o ambiente onde os alunos vivem.
Dessa forma amplia-se o conhecimento, aproximando a teoria da prática para que
os educandos consigam estabelecer as devidas relações, tão necessárias para a
construção do conhecimento, pois é através da ação-reflexão-ação que o saber é
construído e reconstruído constantemente.
A
escola tem a avaliação classificatória, porém não tem como pressuposto a
punição ou premiação. Ela prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de
aprendizagem diferentes. Mesmo sendo classificatória ela é compreendida como um
processo que observa o aluno como um todo.
Para
que isso aconteça é desenvolvido um processo de avaliação contínuo, valorizando
a construção das diversas competências e habilidades por área de conhecimento,
como um meio de diagnosticar o que ainda não foi apreendido e vivenciado por
educando e educador. Através dos resultados obtidos, busca-se redimensionar o
planejamento para facilitar novas descobertas e a reconstrução dos
conhecimentos, favorecendo, desta forma, a auto-avaliação.
Na
escola, tanto a Educação Infantil como o Ensino Fundamental, tem como
finalidade o desenvolvimento integral de crianças nos aspectos físicos,
psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da
comunidade. Procura educar para a cidadania e criando condições que viabilizam
a dimensão e socialização como princípios da comunidade escolar. As relações
humanas são construídas através do diálogo, possibilitando a construção da
ética e do respeito entre professor, pais e alunos.
A
família é à base da sociedade. É nela que nascem os integrantes desta
sociedade. Os valores morais, culturais, sociais e educacionais são
estruturados neste primeiro grupo social. O homem constrói a sua história a
partir de sua vivência, da experiência e da busca de conhecimentos que iniciou
na família. A escola conta com uma comunidade de pais pouco atuantes, porém
trabalha para melhorar esta situação, pois acredita que:
Tudo o que puder
fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e dentro da
escola, participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão. Tudo o
que, puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso
que se põe diante dos que acreditam num país verdadeiramente democrático (MEC,
2006, p. 07).
Sendo
assim, busca trazer a família para a escola oferecendo reuniões, palestras,
encontros, homenagens. Mas é inegável que o momento atual exige dos homens,
novos pensamentos e atitudes. Percebem-se em todos os aspectos (profissional,
familiar, religioso, social) as influências e as consequências das mudanças e
transformações ocorridas ao longo do processo de formação da humanidade e, por
isso também, que a família deve acompanhar a vida escolar do filho e o trabalho
que é realizado na escola bem como sua proposta educacional.
A
escola por trabalhar com alunos de nível socioeconômico baixo fornece material
escolar e didático necessário, merenda e transporte escolar a todos os alunos
sem custo nenhum, além de proporcionar passeios e atividades também sem custo
nenhum aos alunos.
1.4 “Ser Professor” e a Identidade
Profissional
As
reformas educacionais dos últimos anos buscaram qualificar o ensino brasileiro.
Nesta perspectiva de educação qualificada que todos desejam e anseiam o
educador é o principal personagem envolvido no contexto. O momento exige um
novo jeito de ensinar, devido principalmente pela rapidez com que se
desenvolvem os avanços tecnológicos. O professor precisa desenvolver com
competência certas habilidades para auxiliar os alunos na análise, síntese e
interpretação de diversos dados. Assim, a ação do educador deve estar voltada à
compreensão de homem, de mundo e de sociedade a ser organizada, possibilitando
o pleno desenvolvimento do ser humano (TROIAN e BERLATTO, 2007).
Nesse
contexto, o professor é muito mais um mediador do conhecimento, diante do aluno
que é sujeito da sua própria formação. O aluno precisa construir e reconstruir
conhecimento a partir do que faz. Para isso o professor também precisa ser
curioso, buscar sentido para o que fazer dos seus alunos. Ele deixará de ser um
“lecionador” para ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem (TROIAN
e BERLATTO, 2007).
Freire
(1996, p.42-43), nos chama atenção para reflexão crítica sobre nossa prática
como educadores formadores:
A
prática docente crítica envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer
e pensar sobre o fazer. Por isso, é fundamental, na prática da formação docente
que o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo, não é
presente dos deuses, nem se acha nos guias de professores, iluminados
intelectuais escrevem, mas pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo
tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor
formador.
Assim,
o professor é o agente da transformação que deve estar em um contínuo processo
de atualização para acompanhar as mudanças que acontecem na sociedade, com a
tecnologia e as tendências pedagógicas. Ele também deve ter uma postura
política para poder repensar sua prática pedagógica tornando a relação ensino e
aprendizagem mais dinâmica e significativa. Segundo Chalita (2005, p.139):
Filhos são
diferentes, alunos são diferentes, amigos são diferentes [...]. Todos obedecem
a um ritmo próprio. Cabe a nós respeitar a maravilhosa trama dos teares
diversos. Tramas que produzem indumentárias vivamente coloridas e originais,
sempre a partir da mistura de cores e tecidos. No dia-a-dia, a nós não
inviabiliza o eu e nem o tu.
Nesse
sentido, educadores, pais e todos os que acreditam na importância da educação,
para a formação de gerações mais conscientes e críticas devem demonstrar
através do exemplo e das ações que, independentemente das diferenças, todos
temos necessidades físicas e psicológicas semelhantes.
1.5 Relações com a Gestão e a
Comunidade Escolar
A
organização e a gestão constituem o conjunto das condições e dos meios
utilizados para assegurar o bom funcionamento da instituição escolar, de
maneira a alcançar os objetivos educacionais esperados (LIBÂNEO, OLIVEIRA e
TOSCHI, 2003).
Portanto,
a organização e a gestão são meios para atingir as finalidades do ensino, para
isso é necessário ter clareza de que o eixo da instituição escolar é a
qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, media os procedimentos
pedagógicos e didáticos, trazendo melhores resultados na aprendizagem.
A
instituição educacional terá que ser bem organizada e bem administrada para
melhorar a qualidade da aprendizagem escolar dos alunos. O que as famílias, a
comunidade e os próprios alunos esperam da escola, é que aprendam bem, ou
melhor, que os conhecimentos, as habilidades e os valores sejam desenvolvidos e
adquiridos para a vida, ou seja, uma escola em que os alunos estejam motivados para
estar nas aulas e se envolver com afinco nas atividades.
A
organização do trabalho coletivo na escola tem a função de procurar gerar
aprendizagens, procurando formas para elaborar uma avaliação de maneira que
possa ajudar o professor no desenvolvimento dessa aprendizagem na sala de aula.
O professor através da avaliação possui os elementos indispensáveis para
repensar a sua prática, bem como analisar a metodologia de trabalho utilizada
para poder planejar mudanças frente à realidade em que se encontra o grupo.
1.6 Relações Interpessoais:
Professor x Aluno, Aluno x Aluno, Escola x Família
As
relações entre professores e alunos, a maneira de se comunicar, os aspectos
afetivos e emocionais, a dinâmica das manifestações na sala de aula fazem parte
das condições de organização do trabalho docente (LIBÂNEO, 1994).
A
interação professor/alunos é um dos aspectos fundamentais, pois visa alcançar
os objetivos do processo de ensino. Entretanto, esse não é o único fator que
determina a organização do ensino, por esta razão precisa ser conjugada a
outros fatores como a forma como se desenvolve a aula, se atividade individual,
coletiva, em grupos e outras.
Nessa
relação podemos destacar os aspectos cognitivos e o aspecto sócio-emocional, no
que diz respeito às relações pessoais entre professor e aluno. Quanto aos
aspectos cognitivos, pode-se perceber que os educadores não são apenas
transmissores de conhecimento, mas também fazem perguntas e ouvem seus alunos.
A atenção ao ouvi-los faz com que o cuidado em desenvolver a expressão oral, a
exposição de opiniões, as respostas para as perguntas sejam indícios de que a
interação professor/aluno aconteça e seja o meio que esses educadores encontram
para desenvolver o trabalho pedagógico com resultados positivos em sala de aula.
Segundo Libâneo (1994, p. 250):
Para atingir
satisfatoriamente uma boa interação no aspecto cognitivo é preciso levar em
conta: manejo dos recursos de linguagem (variar o tom de voz, falar com
simplicidade sobre temas complexos); conhecer bem o nível de conhecimento dos
alunos; ter um bom plano de aula e objetivos claros; explicar aos alunos o que
se espera deles em relação à assimilação da matéria.
Neste
sentido os educadores observados nesta escola demonstraram ser afetivos e ao
mesmo tempo sabem conduzir os alunos à aprendizagem com autoridade e autonomia.
A autoridade mencionada diz respeito ao domínio dos conteúdos, os métodos e
procedimentos. A maneira em lidar com a classe e com as diferenças individuais,
e a capacidade em controlar e avaliar o aluno em seu trabalho docente.
Costuma-se
falar em controle da disciplina. Tal afirmação está ligada diretamente ao
estilo da prática de como o professor desempenha sua atividade docente. Nesse
sentido, quanto maior for a autoridade do professor, mais os alunos darão valor
as suas exigências. Percebe-se nessa instituição que a motivação dos alunos
está relacionada aos conteúdos que são significativos a eles e ao mesmo tempo
compreensíveis.
Como
já foi dito, apesar do importante papel que a família desempenha, a escola
surge como um elemento relevante para o desenvolvimento desse educando, pois ao
entrar na escola estabelece relações de liderança e, além disso, o âmbito
escolar constitui um sistema social, com normas e nas quais a criança vai se
adaptando. Segundo Libâneo (1994, p. 251) “O professor representa a sociedade,
exercendo um papel de mediação entre o indivíduo e a sociedade”.
Como
a educação realiza-se num processo de inter-relacionamento social, é o
professor o elemento fundamental dessas relações, ele influi no crescimento das
crianças e dos adolescentes de maneira sistemática e contínua e também
representa o elemento de ligação entre a criança, a família e a comunidade.
A
escola e com isso o professor, tem a função essencialmente social, que ultrapassa
em muito os estreitos limites das paredes da sala de aula. A influência do
professor será a de uma participação plena no processo de crescimento e
desenvolvimento de seus alunos, em que, dando e recebendo, ambos se beneficiam
e se realizam como pessoas (SCHMITZ, 1993).
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Diante
do contexto histórico em que vivemos, a formação do educador é considerada de
relevância para uma atuação de competência no dia-a-dia da sala de aula. Tendo
em vista, que a realidade cultural e social exige de nós professores muito
preparo e qualificação profissional.
Para
a atuação nesse cenário atual do ensino, apenas a participação efetiva,
experiências adquiridas e os saberes construídos no cotidiano, não bastam, há a
necessidade de um embasamento teórico amplo, que fundamente nossa prática para
a formação integral do aluno e com isso ele possa ser sujeito de sua
aprendizagem dentro da sociedade. É indispensável um conhecimento profundo,
dedicação e competência para desenvolver a educação com a qualidade.
Cada
vez mais, fica claro que o professor é o principal personagem com o poder de
melhorar a educação. Para isso, ele deve ser motivador e mediador, buscando
condições de criar e inovar sua prática pedagógica, desenvolvendo assim, uma
educação significativa e de qualidade para o aluno.
A
prática recebida enquanto acadêmica nos impulsiona a lutar para a transformação
da realidade, mediando, despertando em nossos alunos a curiosidade, a
criatividade e o senso crítico para poderem analisar o que é melhor para o
mundo que os cerca e a serem agentes de transformação, visando à construção de
uma sociedade igual para todos. Permanece um desafio na busca contínua e no
aprofundamento de conhecimentos relacionados a nossa profissão de educadores.
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