4/22/2015

Artigo: O SER PROFESSOR

 


MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
PÓLO DE APOIO PRESENCIAL DE CONSTANTINA
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA











O SER PROFESSOR





LEONARA PIRAN FRIGERI









CONSTANTINA-RS

JUNHO DE 2014
INTRODUÇÃO


O presente artigo discorre sobre “ser professor” e a identidade profissional As reformas educacionais dos últimos anos buscaram qualificar o ensino brasileiro. Nesta perspectiva de educação qualificada que todos desejam e anseiam o educador é o principal personagem envolvido no contexto. O momento exige um novo jeito de ensinar, devido principalmente pela rapidez com que se desenvolvem os avanços tecnológicos. O professor precisa desenvolver com competência certas habilidades para auxiliar os alunos na análise, síntese e interpretação de diversos dados. Assim, a ação do educador deve estar voltada à compreensão de homem, de mundo e de sociedade a ser organizada, possibilitando o pleno desenvolvimento do ser humano.
Após é abordado sobre a organização escolar bem como sobre a gestão que poderão ser meios para atingir as finalidades do ensino, para isso é necessário ter clareza de que o eixo da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, media os procedimentos pedagógicos e didáticos, trazendo melhores resultados na aprendizagem.
Para finalizar é discorrido sobre as Relações Interpessoais que acontecem dentro da sala de aula e na escola, pois a interação professor/alunos é um dos aspectos fundamentais, pois visa alcançar os objetivos do processo de ensino. Entretanto, esse não é o único fator que determina a organização do ensino, por esta razão precisa ser conjugada a outros fatores como a forma como se desenvolve a aula, se atividade individual, coletiva, em grupos e outras.

1. DESENVOLVIMENTO

O presente trabalho está dividido em seis capítulos. No primeiro capítulo é discorrido sobre a criança e a aprendizagem onde são expostos itens relevantes sobre a prática docente realizada. No segundo capítulo é realizada considerações sobre o Projeto Político Pedagógico da escola, identificando aspectos que se aproximam da prática pedagógica realizada na escola. No terceiro capítulo é observado a relação do PPP com a Aprendizagem dos educandos. No quarto capítulo é discorrido sobre o “Ser Professor” e os aspectos relevantes sobre a Identidade Profissional. Já no capítulo quinto é destacado as relações com a Gestão e a Comunidade Escolar. Para finalizar, no sexto capítulo discorre-se sobre as relações Interpessoais: Professor x Aluno, Aluno x Aluno, Escola x Família.

1.1 A Criança e a Aprendizagem

A educação, cada vez mais, volta-se para a capacidade do indivíduo em fazer escolhas e para a quebra dos mecanismos de alienação social, que o impedem de optar pelo que é melhor para si e para o grupo onde vive. Desta forma, a escola está sendo solicitada a contribuir na formação de um indivíduo com várias competências, ajudando-o a compreender a sua realidade e a refletir sobre ela.
Durante o período da prática docente para atender a diversidade existente na sala de aula buscou-se acompanhar os alunos que apresentam individualmente nas suas carteiras, questionando-os, orientandos para que as atividades ficassem corretas e compreendessem o que estavam fazendo. Buscou-se também realizar bastante leitura das famílias silábicas que já foram apresentadas a eles para que consigam ler as palavras que já tem essas sílabas. Percebeu-se também que a turma no geral está fraca em leitura e por isso nessa semana procuramos fazer leitura diária das palavras que já conhecem, de pequenos textos, de forma coletiva e individual também.
Quanto aos alunos que demonstraram ter mais facilidade e conhecimentos, para que esses alunos não sejam prejudicados, por concluírem as atividades antes de todos, sempre que possível colocou-se eles como ajudantes para que auxiliem os colegas e com isso, reconstruam seus próprios saberes. Além de levar atividades extras para que realizem enquanto os outros fazem as atividades, como livros para lerem, cálculos e histórias matemáticas, cruzadinhas. Buscou-se fazer com que os alunos reflitam e estabeleçam relações das atividades com o cotidiano deles, trabalhando sempre com material concreto sempre que possível.
Para Vygotsky (1998), o funcionamento psicológico estrutura-se a partir das relações sociais estabelecidas entre os indivíduos e o mundo exterior, pois entende o desenvolvimento como fruto de uma grande influência das grandes experiências do indivíduo. Cada um dá significado particular a essas vivências, assim a construção do pensamento é um processo cultural e não formação natural e universal da espécie humana e ocorre através do uso de signos e emprego de instrumentos elaborados através da história humana num contexto social determinado. Segundo Vygotsky, (apud OLIVEIRA, 1999, p. 56):

A aprendizagem e o desenvolvimento acontecem de maneira interligada, ou seja, só nos desenvolvemos se / e quando aprendemos. Desde o momento em que a criança nasce “o aprendizado está relacionado ao desenvolvimento e é aspecto necessário universal do processo de desenvolvimento das funções psicológicas culturalmente organizadas e especificamente humanas”.

As emoções, segundo ele, têm papel preponderante no desenvolvimento da pessoa. Em geral são manifestações que expressam um universo importante e perceptível, mas que é pouco estimulado pelos modelos tradicionais de ensino. Segundo Wallon (apud LUNARDI, 2002, p.2):

As transformações fisiológicas de uma criança revelam traços importantes de caráter e personalidade. A emoção é orgânica que pode alterar a respiração, os batimentos cardíacos e também o tônus muscular, tem momentos de tensão e distensão que ajudam o ser humano a se conhecer. A raiva, a alegria, o medo, a tristeza e os sentimentos mais profundos têm função de relevância na relação da criança com o meio.

De acordo com os estudos realizados por Wallon, crianças entre seis a nove anos mostram que o desenvolvimento da inteligência depende de como cada uma delas faz as diferenciações com a realidade externa. Primeiramente, porque suas ideias são lineares e se misturam ocasionando um conflito permanente entre dois mundos. O interior povoado de sonhos e fantasias, e o real cheio de símbolos, códigos de valores sociais e culturais. É na solução desses conflitos que a inteligência evolui. Wallon diz que o sincretismo (mistura de ideias num mesmo plano), comum nessa fase é fator determinante para o desenvolvimento intelectual. Para Antunes (2001, p. 13):

Essa tendência estimuladora da escola pode ser vista como um novo paradigma de compreensão do ser humano que abandona sua avaliação através de sistemas limitados e percebe com acentuada amplitude linguística, lógica matemática, criativa, sonora, sinestésica, naturalista e principalmente emocional.  

Sendo assim o professor atual precisa se atualizar constantemente, conhecer a turma e observar as habilidades e competências da turma bem como as dificuldades de cada aluno para que o planejamento e a prática pedagógica corresponda com a realidade e dessa forma consiga estabelecer estratégias de ensino para que os alunos superem as deficiências percebidas respeitado a diversidade encontrada em sala de aula.
1.2 Considerações sobre o Projeto Político Pedagógico da Escola

Pode-se entender o planejamento como uma práxis, um processo de reflexão, de identificação das intenções da escola e de ações a serem desenvolvidas para intervir na realidade escolar. Para dialogar sobre a construção do projeto político-pedagógico escolar, é importante compreender o significado do planejamento como ação essencialmente humana no processo de trabalho, a importância e os limites do planejamento na concretização de uma determinada concepção de educação escolar. Neste sentido é preciso ter clareza de que não basta planejar para acontecer: “há toda uma luta ideológica, política, econômica, social para ser enfrentada, seja consigo mesmo, com seus colegas de trabalho, com os educandos, com as famílias e com as instituições em geral” (VASCONCELOS, 1995).
Freire (1996, p.44), destaca a importância da reflexão crítica sobre a prática. Afirma que é “pensando criticamente a prática de hoje ou de ontem que se pode melhorar a próxima prática. O próprio discurso teórico, necessário à reflexão crítica, tem de ser de tal modo concreto que quase se confunda com a prática”.
O trabalho desenvolvido na escola é norteado pelas ações que constam no PPP e pelo Regimento Escolar. As ações que a escola desenvolve constam no PPP, ou seja, ele é executado na escola, por isso não se percebe distanciamento entre as ações previstas e o que acontece na escola, pelo contrário. A escola precisa sim, fortalecer a participação da comunidade escolar, mas não porque não oportuniza, mas porque a comunidade não participa, seja porque não quer, seja porque não acha importante, então a gestão democrática é exercida na escola, a comunidade é que não está acostumada a exercer seu papel de participante atuante, deixa tudo para a escola. Sendo assim, a escola deve continuar oportunizando até criar esse hábito e consciência de participação. A escola conhece a clientela escolar e a sua realidade, isso pode ser percebido no Projeto Político Pedagógico da escola:

Através da participação dos pais, alunos, funcionários e professores da escola, foi possível conhecer a realidade que estão inseridos os alunos, sujeitos do processo ensino- aprendizagem, podendo ser caracterizada da seguinte forma: reunião com os alunos, pais, professores, funcionários e supervisão da SMEC, através de questionamento e reflexão, para uma tomada de consciência sobre a importância da participação dos mesmos, na construção da escola que queremos [...] Trabalhamos com crianças de nível sócio-econômico extremamente baixo e médio. A escola está situada na sede do município. Apresentando um bom estado físico tanto no prédio como no pátio. A escola tem uma biblioteca com bom acervo de livros [...] Nossa escola procura trabalhar em parceria, completando-se. Pois os alunos são diferentes no que se refere a interesses, participação, atuação e criatividade e demais aspectos. A escola desenvolve um trabalho, em relação a isso, respeitando a individualidade e diferenças de cada um (PPP, 2008, p.23).

1.3 Relação do PPP com a Aprendizagem



O Projeto Político Pedagógico da escola, expressa algumas possibilidades que vem sanear às necessidades observadas em sala de aula e define ações concretas a serem realizadas, apresentando orientações para a ação pedagógica na escola. Como já dizia Paulo Freire (1992) “Na história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. Uma das grandes tarefas políticas que se deve observar é a perseguição constante tornar possível amanhã o impossível hoje”, dessa forma a escola apresenta alternativas metodológicas que podem vir auxiliar o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica e diferenciada.

-Promover cursos de aperfeiçoamento e atualização aos professores.
-Prover a escola de todos os materiais de ensino, consumo, materiais didáticos, pedagógicos e de higiene e conservação do prédio.
-Prover a escola de merenda escolar de qualidade.
-Realizar acompanhamento periódico do processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
-Propiciar assistência odontológica, fonoaudióloga, psicológica, médica e atendimento pedagógico especializado, aos alunos da Escola Cleiton Costa que necessitam deste atendimento.
-Apoiar e incentivar a participação dos pais nas reuniões e atividades desenvolvidas na escola.
-Proporcionar condições ao ensino da educação infantil e ensino fundamental para o efetivo desempenho das atividades com materiais, serviços e recursos humanos.
-Realizar junto à comunidade um resgate do acervo histórico do município.
-Manter um Conselho Escolar atuante e participativo, promovendo assim uma gestão escolar democrática.
-A participação do Conselho Escolar na organização e no planejamento do calendário escolar, no projeto pedagógico da escola, na avaliação dos resultados finais da instituição.
-Realização de Amostras de oficinas pedagógicas.
-Realização de Visitas de estudo e lazer.
-Parcerias com as secretarias: Educação, Saúde, Agricultura, Assistência Social.
P-arcerias com EMATER e outras entidades ou empresas que venham a beneficiar a qualidade educacional escolar.
-Acompanhar e avaliar a prática pedagógica dos professores na escola.
-Proporcionar espaços de estudos pedagógicos aos professores e funcionários da escola.
-Construir Horta na escola.
-Promover palestra aos pais e comunidades escolar com temas previamente selecionado pelos mesmos.
-Propor atividade em contraturno escolar para alunos com baixo rendimento na aprendizagem.
-Oferecer atividades em contraturno escolar em sala multifuncional, para alunos com necessidades especiais (PPP, 2008, p.26-29).

Sendo assim, a escola procura promover o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica, saindo da sala de aula e vivenciando o ambiente onde os alunos vivem. Dessa forma amplia-se o conhecimento, aproximando a teoria da prática para que os educandos consigam estabelecer as devidas relações, tão necessárias para a construção do conhecimento, pois é através da ação-reflexão-ação que o saber é construído e reconstruído constantemente.
A escola tem a avaliação classificatória, porém não tem como pressuposto a punição ou premiação. Ela prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Mesmo sendo classificatória ela é compreendida como um processo que observa o aluno como um todo.
Para que isso aconteça é desenvolvido um processo de avaliação contínuo, valorizando a construção das diversas competências e habilidades por área de conhecimento, como um meio de diagnosticar o que ainda não foi apreendido e vivenciado por educando e educador. Através dos resultados obtidos, busca-se redimensionar o planejamento para facilitar novas descobertas e a reconstrução dos conhecimentos, favorecendo, desta forma, a auto-avaliação.
Na escola, tanto a Educação Infantil como o Ensino Fundamental, tem como finalidade o desenvolvimento integral de crianças nos aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Procura educar para a cidadania e criando condições que viabilizam a dimensão e socialização como princípios da comunidade escolar. As relações humanas são construídas através do diálogo, possibilitando a construção da ética e do respeito entre professor, pais e alunos.
A família é à base da sociedade. É nela que nascem os integrantes desta sociedade. Os valores morais, culturais, sociais e educacionais são estruturados neste primeiro grupo social. O homem constrói a sua história a partir de sua vivência, da experiência e da busca de conhecimentos que iniciou na família. A escola conta com uma comunidade de pais pouco atuantes, porém trabalha para melhorar esta situação, pois acredita que:

Tudo o que puder fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e dentro da escola, participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão. Tudo o que, puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso que se põe diante dos que acreditam num país verdadeiramente democrático (MEC, 2006, p. 07).

Sendo assim, busca trazer a família para a escola oferecendo reuniões, palestras, encontros, homenagens. Mas é inegável que o momento atual exige dos homens, novos pensamentos e atitudes. Percebem-se em todos os aspectos (profissional, familiar, religioso, social) as influências e as consequências das mudanças e transformações ocorridas ao longo do processo de formação da humanidade e, por isso também, que a família deve acompanhar a vida escolar do filho e o trabalho que é realizado na escola bem como sua proposta educacional.
A escola por trabalhar com alunos de nível socioeconômico baixo fornece material escolar e didático necessário, merenda e transporte escolar a todos os alunos sem custo nenhum, além de proporcionar passeios e atividades também sem custo nenhum aos alunos.

1.4 “Ser Professor” e a Identidade Profissional

As reformas educacionais dos últimos anos buscaram qualificar o ensino brasileiro. Nesta perspectiva de educação qualificada que todos desejam e anseiam o educador é o principal personagem envolvido no contexto. O momento exige um novo jeito de ensinar, devido principalmente pela rapidez com que se desenvolvem os avanços tecnológicos. O professor precisa desenvolver com competência certas habilidades para auxiliar os alunos na análise, síntese e interpretação de diversos dados. Assim, a ação do educador deve estar voltada à compreensão de homem, de mundo e de sociedade a ser organizada, possibilitando o pleno desenvolvimento do ser humano (TROIAN e BERLATTO, 2007).
Nesse contexto, o professor é muito mais um mediador do conhecimento, diante do aluno que é sujeito da sua própria formação. O aluno precisa construir e reconstruir conhecimento a partir do que faz. Para isso o professor também precisa ser curioso, buscar sentido para o que fazer dos seus alunos. Ele deixará de ser um “lecionador” para ser um organizador do conhecimento e da aprendizagem (TROIAN e BERLATTO, 2007).
Freire (1996, p.42-43), nos chama atenção para reflexão crítica sobre nossa prática como educadores formadores:

A prática docente crítica envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e pensar sobre o fazer. Por isso, é fundamental, na prática da formação docente que o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo, não é presente dos deuses, nem se acha nos guias de professores, iluminados intelectuais escrevem, mas pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador.

Assim, o professor é o agente da transformação que deve estar em um contínuo processo de atualização para acompanhar as mudanças que acontecem na sociedade, com a tecnologia e as tendências pedagógicas. Ele também deve ter uma postura política para poder repensar sua prática pedagógica tornando a relação ensino e aprendizagem mais dinâmica e significativa. Segundo Chalita (2005, p.139):

Filhos são diferentes, alunos são diferentes, amigos são diferentes [...]. Todos obedecem a um ritmo próprio. Cabe a nós respeitar a maravilhosa trama dos teares diversos. Tramas que produzem indumentárias vivamente coloridas e originais, sempre a partir da mistura de cores e tecidos. No dia-a-dia, a nós não inviabiliza o eu e nem o tu.

Nesse sentido, educadores, pais e todos os que acreditam na importância da educação, para a formação de gerações mais conscientes e críticas devem demonstrar através do exemplo e das ações que, independentemente das diferenças, todos temos necessidades físicas e psicológicas semelhantes.

1.5 Relações com a Gestão e a Comunidade Escolar

A organização e a gestão constituem o conjunto das condições e dos meios utilizados para assegurar o bom funcionamento da instituição escolar, de maneira a alcançar os objetivos educacionais esperados (LIBÂNEO, OLIVEIRA e TOSCHI, 2003).
Portanto, a organização e a gestão são meios para atingir as finalidades do ensino, para isso é necessário ter clareza de que o eixo da instituição escolar é a qualidade dos processos de ensino e aprendizagem que, media os procedimentos pedagógicos e didáticos, trazendo melhores resultados na aprendizagem.
A instituição educacional terá que ser bem organizada e bem administrada para melhorar a qualidade da aprendizagem escolar dos alunos. O que as famílias, a comunidade e os próprios alunos esperam da escola, é que aprendam bem, ou melhor, que os conhecimentos, as habilidades e os valores sejam desenvolvidos e adquiridos para a vida, ou seja, uma escola em que os alunos estejam motivados para estar nas aulas e se envolver com afinco nas atividades.
A organização do trabalho coletivo na escola tem a função de procurar gerar aprendizagens, procurando formas para elaborar uma avaliação de maneira que possa ajudar o professor no desenvolvimento dessa aprendizagem na sala de aula. O professor através da avaliação possui os elementos indispensáveis para repensar a sua prática, bem como analisar a metodologia de trabalho utilizada para poder planejar mudanças frente à realidade em que se encontra o grupo.

1.6 Relações Interpessoais: Professor x Aluno, Aluno x Aluno, Escola x Família

As relações entre professores e alunos, a maneira de se comunicar, os aspectos afetivos e emocionais, a dinâmica das manifestações na sala de aula fazem parte das condições de organização do trabalho docente (LIBÂNEO, 1994).
A interação professor/alunos é um dos aspectos fundamentais, pois visa alcançar os objetivos do processo de ensino. Entretanto, esse não é o único fator que determina a organização do ensino, por esta razão precisa ser conjugada a outros fatores como a forma como se desenvolve a aula, se atividade individual, coletiva, em grupos e outras.
Nessa relação podemos destacar os aspectos cognitivos e o aspecto sócio-emocional, no que diz respeito às relações pessoais entre professor e aluno. Quanto aos aspectos cognitivos, pode-se perceber que os educadores não são apenas transmissores de conhecimento, mas também fazem perguntas e ouvem seus alunos. A atenção ao ouvi-los faz com que o cuidado em desenvolver a expressão oral, a exposição de opiniões, as respostas para as perguntas sejam indícios de que a interação professor/aluno aconteça e seja o meio que esses educadores encontram para desenvolver o trabalho pedagógico com resultados positivos em sala de aula. Segundo Libâneo (1994, p. 250):

Para atingir satisfatoriamente uma boa interação no aspecto cognitivo é preciso levar em conta: manejo dos recursos de linguagem (variar o tom de voz, falar com simplicidade sobre temas complexos); conhecer bem o nível de conhecimento dos alunos; ter um bom plano de aula e objetivos claros; explicar aos alunos o que se espera deles em relação à assimilação da matéria.

Neste sentido os educadores observados nesta escola demonstraram ser afetivos e ao mesmo tempo sabem conduzir os alunos à aprendizagem com autoridade e autonomia. A autoridade mencionada diz respeito ao domínio dos conteúdos, os métodos e procedimentos. A maneira em lidar com a classe e com as diferenças individuais, e a capacidade em controlar e avaliar o aluno em seu trabalho docente.
Costuma-se falar em controle da disciplina. Tal afirmação está ligada diretamente ao estilo da prática de como o professor desempenha sua atividade docente. Nesse sentido, quanto maior for a autoridade do professor, mais os alunos darão valor as suas exigências. Percebe-se nessa instituição que a motivação dos alunos está relacionada aos conteúdos que são significativos a eles e ao mesmo tempo compreensíveis.
Como já foi dito, apesar do importante papel que a família desempenha, a escola surge como um elemento relevante para o desenvolvimento desse educando, pois ao entrar na escola estabelece relações de liderança e, além disso, o âmbito escolar constitui um sistema social, com normas e nas quais a criança vai se adaptando. Segundo Libâneo (1994, p. 251) “O professor representa a sociedade, exercendo um papel de mediação entre o indivíduo e a sociedade”.
Como a educação realiza-se num processo de inter-relacionamento social, é o professor o elemento fundamental dessas relações, ele influi no crescimento das crianças e dos adolescentes de maneira sistemática e contínua e também representa o elemento de ligação entre a criança, a família e a comunidade.
A escola e com isso o professor, tem a função essencialmente social, que ultrapassa em muito os estreitos limites das paredes da sala de aula. A influência do professor será a de uma participação plena no processo de crescimento e desenvolvimento de seus alunos, em que, dando e recebendo, ambos se beneficiam e se realizam como pessoas (SCHMITZ, 1993).




CONSIDERAÇÕES FINAIS


Diante do contexto histórico em que vivemos, a formação do educador é considerada de relevância para uma atuação de competência no dia-a-dia da sala de aula. Tendo em vista, que a realidade cultural e social exige de nós professores muito preparo e qualificação profissional.
Para a atuação nesse cenário atual do ensino, apenas a participação efetiva, experiências adquiridas e os saberes construídos no cotidiano, não bastam, há a necessidade de um embasamento teórico amplo, que fundamente nossa prática para a formação integral do aluno e com isso ele possa ser sujeito de sua aprendizagem dentro da sociedade. É indispensável um conhecimento profundo, dedicação e competência para desenvolver a educação com a qualidade.
Cada vez mais, fica claro que o professor é o principal personagem com o poder de melhorar a educação. Para isso, ele deve ser motivador e mediador, buscando condições de criar e inovar sua prática pedagógica, desenvolvendo assim, uma educação significativa e de qualidade para o aluno.
A prática recebida enquanto acadêmica nos impulsiona a lutar para a transformação da realidade, mediando, despertando em nossos alunos a curiosidade, a criatividade e o senso crítico para poderem analisar o que é melhor para o mundo que os cerca e a serem agentes de transformação, visando à construção de uma sociedade igual para todos. Permanece um desafio na busca contínua e no aprofundamento de conhecimentos relacionados a nossa profissão de educadores.


REFERÊNCIAS


ANTUNES, Celso. Como desenvolver conteúdos, explorando as inteligências múltiplas. Petrópolis, RJ: Vozes, 2001.



CHALITA, Gabriel. Pedagogia do amor: a contribuição das histórias universais para a formação de valores das novas gerações. São Paulo: Editora Gente, 2005.

FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.

____. Educação e participação comunitária. In: CASTELLS, M. et all. Novas Perspectivas Críticas em Educação. Porto alegre: Artes Médicas, 1996.

____. Educação como Prática de Liberdade. 21.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.

LIBÂNEO, José Carlos. Didática. São Paulo: Cortez, 1994.

____; Jose Carlos, OLIVEIRA; João Ferreira de e TOSHI, Mirza Seabra. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2003.

LUNARDI, Elisiane Machado. Uma abordagem histórica da educação. Dissertação de mestrado. Santa Maria: UFS, 2002.

MEC - Ministério da Educação. Caderno 6 – Conselho Escolar como espaço de formação humana: círculo de cultura e qualidade da educação. Secretaria de Educação Básica. Brasília, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/cad%206.pdf. Acesso em: 10 de julho de 2013.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky, aprendizado e desenvolvimento: um processo sócio-histórico. 4 ed. São Paulo: Scipione, 1999.

PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa de Engenho Velho, 2008.

SCHMITZ, Egídio Francisco. Fundamentos da Didática. São Leopoldo, RS: Editora UNISINOS, 1993.

TROIAN, Jussara e BERLATTO, Inês Bongiorno. 2007. Jornal Amigos do Saber. amigosdosaber@brturbo. com.br.

VASCONCELOS, Celso dos S. Planejamento: plano de ensino-aprendizagem e Projeto Educativo. São Paulo, Libertad, 1995.


VYGOTSKY, Lev Semenovich. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998.

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