UNIVERSIDADE
ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA
REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE
LEONARA PIRAN FRIGERI
CONSTANTINA, 2014
UNIVERSIDADE
ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA
CONCEITUAÇÃO DA TRAJETÓRIA DO CURSO (CTC)
Trabalho
apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância da Universidade
Federal de Pelotas – Programa Universidade Aberta do Brasil, como requisito para
a Conclusão da Licenciatura em Pedagogia, sob orientação da Profª Msc. Cláudia
Cardoso Goularte.
Leonara Piran Frigeri
CONSTANTINA, 2014
RESUMO
Este trabalho faz
a contextualização da escola parceira onde foi realizado as práticas docentes,
analisando a organização, as abordagens epistemológicas e pedagógicas dos
docentes, a proposta pedagógica e relacionar com a teoria vista durante o
curso. Divide-se em dois capítulos. O primeiro capítulo versa sobre a Escola
abordando a comunidade escolar, o conselho escolar, a formação, a equipe
diretiva, o ensino, a aprendizagem, a matriz curricular, o poder público, os
espaços físicos, o currículo, o Projeto Político Pedagógico, os processos
ensino-aprendizagem e a avaliação. Já o segundo capítulo aborda a Ação Docente
efetivada no estágio discorrendo sobre a organização dos planos de estudo, a
intervenção e mediação pedagógica, as linguagens, o conhecimento do objeto de
conhecimento, a investigação dos fatores que interferem na aprendizagem, a
concepção de aprendizagem, a avaliação do processo de aprendizagem, o
conhecimento da realidade do aluno, a organização do espaço-tempo escolar e a
diversidade.
Palavras-chave: Escola
Parceira. Ação docente.
Ensino. Aprendizagem.
SUMÁRIO
1. APRESENTAÇÃO........................................................................................................ 05
2. ESCOLA
PARCEIRA: DOS ESPAÇOS AO SEU PROJETO................................. 07
2.2 FILOSOFIA DA
ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA........................................................... 07
2.2.1 OBJETIVOS
DO ESTABELECIMENTO............................................................. 07
2.2.2 MISSÃO DO
ESTABELECIMENTO.................................................................... 08
2.2.3 VALORES DO
ESTABELECIMENTO................................................................ 08
2.3 OBJETIVOS DO
ENSINO FUNDAMENTAL........................................................ 08
2.4 OBJETIVOS DA
EDUCAÇÃO INFANTIL............................................................. 09
2.5 ORGANIZAÇÃO
DA ESCOLA................................................................................ 09
2.5.1 ROTINAS DA
ESCOLA.......................................................................................... 10
2.6
CONTEXTUALIZAÇÃO DA ESCOLA PARCEIRA............................................. 10
2.7 PRINCIPAIS
DESAFIOS........................................................................................... 12
2.8 UTILIZAÇÃO
DOS ESPAÇOS DA ESCOLA PARCEIRA.................................. 13
2.9 A ESCOLA SOB
A PERCEPÇÃO DOS SUJEITOS............................................... 16
2.9.1 IDENTIDADE
ESCOLAR...................................................................................... 18
2.9.2.
FRAGILIDADES DA ESCOLA............................................................................ 19
2.10
POTENCIALIDADES DA ESCOLA...................................................................... 21
2.11 A ESCOLA E
SUA IDENTIDADE.......................................................................... 22
2.11.1 FORMAS
METODOLÓGICAS DE CONDUÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM............................................................................................ 23
2.11.2 AVALIAÇÃO
DA ESCOLA................................................................................. 25
2.11.3 A ESCOLA
E A FORMAÇÃO INTELECTUAL, SOCIAL E EMOCIONAL 26
2.11.4 A ESCOLA
E A FAMÍLIA.................................................................................... 26
3. A AÇÃO
DOCENTE..................................................................................................... 29
3.1 O
EDUCADOR............................................................................................................ 29
3.2 O
CURRÍCULO.......................................................................................................... 30
3.3 METODOLOGIA
DE PROJETOS........................................................................... 34
3.4 ORGANIZAÇÃO
DO TEMPO E DO ESPAÇO NO PROCESSO DE ENSINO
APRENDIZAGEM............................................................................................................ 37
3.5 A AVALIAÇÃO........................................................................................................... 39
4. CONSIDERAÇÕES
E PROSPECÇÃO...................................................................... 43
5. REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS........................................................................ 46
1.
APRESENTAÇÃO
O objetivo do Curso de Pedagogia é
formar Pedagogos voltados para a construção de uma cidadania consciente e ativa
com bases culturais e científico-tecnológicas que o possibilite identificar e
posicionar-se frente às mudanças sociais, de forma a incorporar e intervir na
vida produtiva e sociopolítica, respeitando a diversidade pessoal, social e
cultural da contemporaneidade.
O papel desempenhado pelo educador
no processo ensino-aprendizagem é fundamental, partindo de uma concepção
metodológica básica: prática-teoria-prática. Teorizar sobre a prática
significativa, ir além das experiências imediatas, refletindo, discutindo,
buscando e conhecendo melhor o tema problematizado, estudar criativamente.
Freire (1996, p.42-43) chama a atenção para a reflexão crítica sobre a prática
como educadores formadores.
A
prática docente crítica, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer
e o pensar sobre o fazer. Por isso, é fundamental que, na prática da formação
docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é
presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados
intelectuais escrevem, mas pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo
tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador.
Reconhecer que a finalidade maior
do ato educativo não é somente a transmissão metódica e ordenada do saber
sistemático pela humanidade, mas, fundamentalmente, estabelecer novas formas de
produzir conhecimento, suscita a necessidade de entender o fazer pedagógico
como um processo, que tem como ponto de partida e chegada à prática social.
O presente trabalho constitui-se
num relatório de Conceituação da Trajetória do Curso (CTC). O objetivo geral é
contextualizar a escola parceira onde foi realizado as práticas docentes,
analisando a organização, as abordagens epistemológicas e pedagógicas dos
docentes, a proposta pedagógica e relacionar com a teoria vista durante o
curso.
Este Relatório divide-se em dois
capítulos. O primeiro capítulo trata da Escola abordando a comunidade escolar,
o conselho escolar, a formação, a equipe diretiva, o ensino, a aprendizagem, a
matriz curricular, o poder público, os espaços físicos, o currículo, o Projeto
Político Pedagógico, os processos ensino-aprendizagem e a avaliação.
O segundo capítulo aborda a Ação
Docente efetivada no estágio discorrendo sobre a organização dos planos de
estudo, a intervenção e mediação pedagógica, as linguagens, o conhecimento do
objeto de conhecimento, a investigação dos fatores que interferem na
aprendizagem, a concepção de aprendizagem, a avaliação do processo de
aprendizagem, o conhecimento da realidade do aluno, a organização do
espaço-tempo escolar e a diversidade.
Por fim, foram relacionadas algumas
considerações que corresponderam entre os limites e as possibilidades, que
proposta de ação pedagógica é possível construir para que seja construída uma
Escola transformadora e uma sociedade melhor, além de formar sujeitos que
possam transformar suas realidades.
2.1
Histórico da Escola
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, foi criada através do Decreto
Municipal número 032/2007, de 17 de dezembro de 2007, pelo Prefeito Municipal
Bianor Santin. Onde o mesmo decretou a transformação da Escola Municipal de
Ensino Fundamental Epitácio Pessoa, localizada na Rua Antônio Trombetta, número
58, em Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton
Costa, localizada na Rua André Martinelli, número 13, no Município de Engenho
Velho, que entrou em funcionamento no mês de março de 2008, com ótima estrutura
atendendo os alunos da Rede Pública Municipal nos primeiros anos do Ensino Fundamental
e na Educação Infantil.
2.2
Filosofia da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton
Costa
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como filosofia “A integração do
aluno na comunidade na qual faz parte, tornando-o um ser participativo,
responsável, pensante e autônomo em suas decisões” (PLANO DE CURSO DO ENSINO
FUNDAMENTAL-ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON
COSTA, 2014, p.4).
2.2.1 Objetivos do Estabelecimento
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como objetivos:
Promover
situações para que a Comunidade Escolar possa trocar conhecimentos e construir
um processo de ensino aprendizagem que lhes possibilite o acesso a informações
e atividades complementares e que lhes permita tornar estes cidadãos críticos,
politizados, capazes de exercer conscientemente sua cidadania, buscando através
de uma ação coletiva a garantia de uma vida mais digna e mais justa (PLANO DE
CURSO DO ENSINO FUNDAMENTAL- ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO
FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2014, p.4).
2.2.2 Missão do Estabelecimento
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como missão "oferecer um
ensino de qualidade, garantindo a participação ativa da comunidade escolar,
contribuindo para a formação integral dos alunos, para que eles possam agir
construtivamente na transformação de seu meio" (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO-ESCOLA
MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2008, p.21).
2.2.3 Valores do Estabelecimento
São valores que a escola preza e
trabalha com a comunidade escolar:
Respeito:
respeitamos a dignidade e os direitos de todas as pessoas em nossa escola.
Participação:
trabalhamos em equipe, com forte senso de comprometimento e solidariedade.
Igualdade:
tratamos com equidade nossos alunos e colaboradores respeitando as necessidades
e a capacidade de cada um.
Valorização:
incentivamos, valorizamos e reconhecemos as contribuições individuais e
coletivas de nossos alunos e colaboradores.
Ética:
trabalhamos com elevado senso de comprometimento e colaboração no alcance dos
objetivos institucionais.
Solidariedade:
valorização o espírito coletivo, comprometimento e colaboração no alcance dos
objetivos institucionais.
Criatividade:
apoiamos a criatividade e a inovação individuais, valorizando as ações
empreendedoras, criativas e flexíveis (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO- ESCOLA
MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2008, p.
22).
2.3
Objetivos do Ensino Fundamental
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como objetivos do Ensino
Fundamental:
O
Ensino Fundamental, com duração de nove anos, obrigatório e gratuito na escola
pública, tem por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
a)
o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno
domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
b)
a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia,
das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
c)
o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de
conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
d)
o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e
de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (PLANO DE CURSO DO
ENSINO FUNDAMENTAL-ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL
CLEITON COSTA, 2014, p.4).
2.4
Objetivos da Educação Infantil
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como objetivos na Educação
Infantil:
I - proporcionar condições adequadas para promover o
bem-estar da criança, seu desenvolvimento físico, motor, emocional, afetivo,
cognitivo/linguístico, moral e social, entendendo que ela é um ser completo,
total e indivisível;
II - contribuir para a formação global e harmônica
da criança, propiciando-lhe experiências concretas que levem ao seu
desenvolvimento integral;
III - tornar - se espaço lúdico, um tempo fantasioso
e acolhedor para a criança, em ambiente estimulante;
IV - colaborar para a aquisição de um conjunto de
conceitos básicos, habilidades, atitudes e hábitos que se transformem em
comportamentos indispensáveis para o pleno desenvolvimento infantil e
crescimento saudável (PLANO DE CURSO DA EDUCAÇÃO INFANTIL- ESCOLA MUNICIPAL DE
EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2014, p.4).
2.5
Organização da Escola
A Escola Municipal de Educação
Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa está localizada na Rua André
Martinelli, número 13, no município de Engenho Velho/RS. Estão matriculados
cento e vinte e seis (126) alunos, sendo nove (9) alunos do pré-escolar A (4
anos), vinte e três (23) do pré-escolar B (5 anos); dezessete (17) alunos do 1º
ano, dezesseis (16) do 2º ano, vinte e um (21) do 3º ano; dezenove (19) do 4º
ano e vinte e um (21) alunos do 5º ano.
2.5.1 Rotinas da Escola
As aulas funcionam pelo turno da
manhã e da tarde, no turno da manhã, iniciando às 7:45 horas e finalizando às
11:45 horas e no turno da tarde iniciando às 13:00 horas e terminando às 17:00
horas. No turno da manhã o recreio é das 10:00 às 10:15 e no turno da tarde das
15:15 às 15:30 horas. Na segunda-feira é desenvolvido parte do projeto globalizador
do ano de 2013 "Mais Valores na Escola", onde são desenvolvidas com
as crianças as disciplinas diversificadas com professores de área e, nesse
tempo, os professores titulares das turmas, tem sua hora atividade na escola.
As disciplinas diversificadas são Música, Expressão Corporal, Arte, Kaingang,
Educação Física e Informática. Nos demais dias da semana os alunos tem aula
normal com seus professores titulares.
As aulas de Música, Arte (Educação
Artística) e Educação Física, são ministradas por professores habilitados na
área onde são os conteúdos curriculares de cada disciplina.
As aulas de Kaingang são
ministradas por um indígena que ensina a leitura a escrita da língua Kaingang
aos alunos indígenas.
As aulas de Informática são
ministradas pela Agente de Educação que trabalha com as crianças no laboratório
de informática, onde é ensinado aos alunos a utilização do computador,
digitação de textos, jogos, editor de desenho, pesquisas na internet, etc. sendo
que para a maioria dos alunos é a única oportunidade de manusear um computador.
As aulas de Expressão Corporal são
ministradas por uma professora habilitada em Magistério e é Psicóloga, além de
ter formação em dança. É trabalhado com as crianças a dança em geral buscando
trabalhar os aspectos da atenção, concentração, criatividade e desinibição.
As aulas da segunda-feira, como são
chamadas pelas crianças, são as mais esperadas pela grande maioria dos alunos,
pois são atividades diferentes e práticas.
2.6
Contextualização da Escola Parceira
O prédio da escola tem ótima infraestrutura,
possui uma área de 6.300 m² ,
com área construída de 883,89
m² , com um prédio de dois pisos, tendo uma clientela
escolar mesclada entre índios e não índios, sendo cerca de 75% indígena, devido
o município ter 53% de sua área tomada por uma Reserva Indígena, mais
especificamente a Reserva Indígena da Serrinha que abrande o município de
Engenho Velho, Constantina, Ronda Alta e Três Palmeiras.
No que diz respeito aos recursos
humanos, a escola conta com a seguinte estrutura: 1 diretor (40 horas), 1 coordenadora
pedagógica (20 horas), 7 professoras (20 horas), 1 professor que atende na Sala
de Recursos Multifuncional no turno inverso (20 horas), 1 professor que
trabalha com a Correção de Fluxo no turno inverso (20 horas) 1 agente de
educação (40 horas), 1 merendeira (40
horas), 3 serventes (40 horas), 1 professora de Educação Física (12 horas), 1 professora
de Língua Kaingang (12 horas), 1 professor de Música (8 horas), 1 professora de
Expressão Corporal (8 horas), 1 professora de Arte (12 horas), 1 dentista (20
horas) e 1 nutricionista que acompanha a merenda escolar e trabalha com os
alunos quando necessário. Alunos matriculados na Educação Infantil em 2014 é de
32 e alunos no Ensino Fundamental de 1º a 5º ano são 91.
Quanto à formação dos docentes da
Escola: Diretor tem Licenciatura em Pedagogia com especialização em Práticas
Pedagógicas Interdisciplinares. Os Professores de Educação Infantil possuem
Habilitação em Pedagogia Habilitação Séries Iniciais e Educação Infantil. Os
professores de séries iniciais todos possuem Habilitação ao Magistério, 3 com
Pedagogia e 1 cursando, 2 com Licenciatura em Áreas afins da Educação.
O prédio escolar tem 8 anos de
existência e encontra-se em ótimo estado de conservação. No pavimento superior
tem: 5 salas de aula para o ensino fundamental, 2 banheiros com 4 sanitários
cada um para atendimento dos alunos, 1 biblioteca, 1 sala de direção, 1 sala de
professores, 1 sala para a coordenação pedagógica, 2 banheiros para
professores, 1 sala de aula para a educação infantil com 2 banheiros de uso
deles, 1 sala de brinquedoteca, 1 cozinha, 1 refeitório, 1 depósito de merenda
escolar e 1 área de serviço. As salas de aulas possuem espaço adequado à quantidade
de alunos, são bem iluminadas, possuem ventiladores e ar condicionado, janelas
basculantes, carteiras em bom estado e armário.
No pavimento inferior tem: 1
laboratório de informática (PROINFO urbano) com acesso a internet, 1
laboratório de informática onde funciona o Telecentro Municipal, 1 Sala de
Recursos Multifuncional, 1 consultório dentário, 1 banheiro acessível, 1
cozinha e um espaço coberto onde realiza-se as aulas de Expressão Corporal, às
vezes Educação Física, reuniões, etc.
Tem uma quadra descoberta pequena
para a prática de esportes, sendo que, está sendo construída uma quadra coberta
para esta escola, via PAR pelo FNDE. Uma dificuldade é em relação ao pátio da
escola que é pequeno. Este ano foi montada uma pracinha para o atendimento das crianças
da Educação Infantil com espaço para eles brincarem. A escola utiliza o
calçadão em frente a escola na hora do recreio e para brincadeiras com os
alunos.
Quanto ao mobiliário da escola é
praticamente tudo novo e as salas de aula são todas climatizadas. No que tange
ao material escolar, os alunos que necessitam ganham todo o material que
utilizam. A escola tem um acervo muito bom de material didático pedagógico, o
que falta é a utilização dos mesmos pelos professores, que poderiam explorá-los
mais os utilizando com os alunos. Essa não utilização talvez ocorra por
acomodação dos professores, uma vez que dispõe de tempo para planejamento
semanal, sendo assim, teoricamente teriam tempo para explorar os materiais
didáticos pedagógicos, jogos ou livros de literatura infantil que a escola
dispõe para uso do professor, bem como a internet para a pesquisa de novas
práticas pedagógicas.
2.7
Principais Desafios
A escola possui o Projeto
Pedagógico para Educação Infantil e Séries Iniciais, construído com a orientação
da Secretaria Municipal de Educação, no qual estão envolvidos no processo de
construção: Direção, Professores, Funcionários e comunidade escolar.
São realizadas reuniões pedagógicas
semanais ou quinzenais com os professores, nessas reuniões são discutidos
assuntos sobre o andamento do ano letivo, temas ou trabalhos pedagógicos e
projetos a serem desenvolvidos na escola.
As reuniões pedagógicas acontecem
semanalmente com a equipe diretiva e, quando há necessidade, há a participação
da Secretaria Municipal de Educação. Nessas reuniões são repassados os avisos
das programações futuras, bem como é repassados avisos e feito combinações
necessários sobre o andamento escolar quanto a alunos e professores.
No final do ano passado, foi
realizado com as escolas municipais e a Secretaria Municipal de Educação, a
elaboração do calendário escolar deste ano. Sendo assim, foi definido um tema
gerador para 2014 e definido um projeto a ser desenvolvido em cada mês dentro
desse tema gerador. Então, no final de cada mês, é reunida toda a escola e
planejado as ações que serão desenvolvidas para o desenvolvimento do próximo projeto,
bem como as ações práticas a serem desenvolvidas na escola.
A participação da família na escola
vem melhorando gradativamente, pois quase sempre que solicitada comparece e
participa para discutir os assuntos relacionados aos seus filhos, embora ainda precise
se realizar um trabalho para que essa participação seja cada vez maior. É de
grande importância que escola trabalhe cooperativamente, promovendo o
envolvimento de todos, só assim o trabalho é produtivo e apresenta resultados
positivos. A comunidade escolar é composta de pessoas de baixa e média renda.
Os alunos na maioria são oriundos da Zona Rural, de localidades como Linha Bela
Vista, Linha Polita, Linha Santa Maria, Linha Luzatto, Linha Cachoeirinha,
entre outras e da Zona Urbana. São filhos de agricultores, operários,
funcionários públicos, desempregados, trabalhadores autônomos, professores,
comerciantes, etc.
Os alunos que vêm do interior
recebem transporte escolar gratuito para se deslocarem até a escola, o qual é
fornecido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, que também fornece o
material escolar e a merenda para toda a escola.
O Currículo é organizado de forma
coletiva e cognitiva entre todos, buscando deixar qualquer tipo de
descriminação fora do segmento da escola, respeitando as diferenças,
enfatizando sempre a Educação Inclusiva. Fixando metas, diretrizes e planos. A
avaliação na escola é feita num todo, diariamente e através de parecer
descritivo do professor.
A escola preocupa-se muito com o
rendimento e aproveitamento dos alunos. Para tanto, periodicamente realiza
reuniões de estudo e, neste ano, conselho de classe, participa de cursos e
seminários e proporciona espaço para a participação dos alunos, pais e
comunidade escolar.
Partindo do princípio que a
educação deve formar indivíduos mais humanos, conscientes, responsáveis, justos
e participativos, a escola preza por uma educação renovada, democrática, motivada
e comprometida, a fim de desenvolver habilidades de pensamento, despertando o
espírito crítico, dando subsídios para que o aluno possa crescer como ser
humano, ocupando seu espaço social para a construção de uma sociedade justa e
igualitária. Sendo assim, a escola desenvolve atividades práticas como
campanhas de preservação do meio ambiente, pedágio ecológico, campanha de
separação e recolhimento de lixo, palestras, passeios de estudo, etc.
2.8
Utilização dos espaços da Escola Parceira
Na parte superior do prédio da
Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa
encontra-se a sala da Direção, Coordenação Pedagógica, dos Professores,
cozinha, refeitório, depósito da merenda escolar, área de serviço,
brinquedoteca, sala de educação infantil, biblioteca, salas de aula, banheiros
dos alunos e banheiros dos professores. A sala de Direção é ocupada pela
diretora Sandra O. Martinelli que realiza os trabalhos diretivos e burocráticos
da escola, bem como o atendimento a pais, professores, funcionários e alunos. É
a pessoa que diretamente articula e dialoga com todos os setores da escola. A
sala da Coordenação Pedagógica é ocupada pela professora Caticiane B. Serafini
que auxilia o diretor no atendimento pedagógico da escola e é ocupada também,
pela Agente de Educação, Pricila Carpenedo, que tira cópias de materiais para
os professores e alunos, faz o atendimento telefônico da escola e da secretaria.
A coordenadora pedagógica faz o atendimento pedagógico aos professores e quando
necessários, aos alunos. Repassa materiais didáticos, organiza e planeja as
atividades pedagógicas da escola, colabora com a direção formando a equipe
diretiva da mesma.
A sala dos professores é o local
onde se encontram todos os professores nos períodos antes da aula, no recreio e
na saída, bem como nos períodos vagos. Nesse espaço ocorre o diálogo, o repasse
de avisos da escola, eventuais reclamações dos e sobre os professores, reuniões
pedagógicas da direção ou Secretaria Municipal de Educação com os professores
da escola. Também é utilizada pelos professores para planejar aulas, realizar
pesquisas na internet, pois tem computadores no local.
A biblioteca é um espaço utilizado
pelos alunos da escola para momentos de leitura ou para assistir vídeos e
filmes, pois tem TV e DVD no local. O atendimento na biblioteca, no período de
biblioteca que as turmas tem durante a semana é de responsabilidade do
professor da turma. A biblioteca não é muito utilizada pelos professores, pois
os livros didáticos e materiais pedagógicos ficam depositados na sala dos
professores. Esse espaço poderia ser mais explorado levando os alunos a usar
esse ambiente para realizar pesquisas, fazer leitura e releitura das obras
literárias ali presentes, usar técnicas diferentes de contação de histórias a
fim de despertar o gosto pela leitura e pelo manuseio dos livros.
As salas de aula são ocupadas pelas
suas turmas, nos seus horários e turnos, conforme o horário escolar. De manhã
uma turma e de tarde outra. Alunos da Educação Infantil ao 2º ano estudam no
turno da tarde. Alunos do 3º ano ao 5º ano no turno da manhã.
A sala de Educação Infantil é
ocupada pela turma da Pré-Escola de 4 anos, sendo que a Pré-Escola de 5 anos
tem atendimento em duas salas de aula próximas aos banheiros. Sendo que de
manhã esta sala fica desocupada, porém foi uma solicitação dos pais que a
Educação Infantil funcionasse pela parte da tarde e também porque os alunos
maiores não tinham cuidado com os pequeninos o que acabava provocando queda e
empurrões nos pequenos, os quais acabavam se machucando.
A brinquedoteca, que fica ao lado
da sala de Educação Infantil é ocupada por todas as turmas com o seu professor,
em horário organizado, aonde são desenvolvidas atividades lúdicas com jogos
didáticos e pedagógicos. O lúdico é imprescindível para a Educação Infantil e
para os anos iniciais do Ensino Fundamental, devido a faixa etária em que esses
alunos se encontram, mas é necessário que a utilização da ludicidade e dos
jogos tenham sentido e tenham objetivos a serem atingidos, ou seja, que venham
contribuir para o desenvolvimento integral dos alunos.
A cozinha é utilizada pela
merendeira e pelas serventes da escola, as quais fazem a merenda escolar e
servem a mesma no refeitório, sendo que o qual é utilizado por todos os alunos.
Eventualmente, se o professor quiser, utiliza a cozinha para desenvolver
atividades pedagógicas com os alunos como fazer bolo, suco, etc. Esses
funcionários utilizam, o depósito da merenda, para armazenar o estoque de
merenda que é mandada para a escola pela Secretaria Municipal de Educação e, a
área de serviço para fazer a lavagem de panos e toalhas utilizadas na cozinha e
na limpeza da escola.
Na parte inferior da escola,
encontra-se o laboratório de informática da escola, o laboratório do Telecentro
Municipal, a sala de Recursos Multifuncional, o consultório dentário, cozinha,
banheiros e uma área coberta.
O laboratório de informática tem acesso
a internet, é utilizado no período de informática pelas turmas da escola e fica
à disposição dos professores nos horários vagos para pesquisas com os alunos ou
outras atividades que queiram realizar com essas tecnologias. Também é
utilizado para passar filme quando estão reunidos todos os alunos do mesmo
turno. Quem atende o laboratório de Informática é uma Agente de Educação. A
formação exigida para exercer este cargo é ensino fundamental e sua função é
executar funções gerais ligadas ao ensino, auxiliar em secretarias de escolas,
secretaria municipal de educação, bibliotecas, auxiliar na preparação do
material destinado as atividades dos professores, extrair e distribuir cópias
de materiais de interesse das repartições.
A sala de Recursos Multifuncional
entrou em funcionamento no passado, com atendimento aos alunos que necessitam
de tal serviço em turno inverso. A profissional que atende neste espaço é
habilitada em Pedagogia e especialização em Piscopedagogia. Esse atendimento
está sendo muito importante para os alunos que frequentam esse espaço, pois se
observa uma melhoria no aprendizado desses alunos na sala de aula. Atualmente,
como são poucos os alunos que necessitam desse atendimento, abriu-se vagas para
o atendimento das crianças que estão com déficit de aprendizagem para que
tenham um atendimento individualizado e consigam sanar as dificuldades mais
acentuadas observadas em sala de aula. Sendo assim a professora titular repassa
para a outra as dificuldades dos alunos e essa busca trabalhá-las.
O consultório dentário é ocupado
pela dentista que atende aos alunos da escola em horário pré-estabelecido e
conforme a necessidade das crianças. A profissional também desenvolve o projeto
do SESC Sorrindo para o Futuro e realiza um trabalho de prevenção a saúde bucal
com os alunos.
A cozinha é de uso dos
profissionais que utilizam a parte inferior da escola, bem como o banheiro, que
também são utilizados pelas pessoas que ali frequentam.
A área coberta que ali existe é
utilizada, nas segundas-feiras nas aulas de Expressão Corporal, para reunião
com os pais, formatura da pré-escola, na comemoração das datas comemorativas, é
também emprestada para algumas entidades, como o Grupo da Terceira Idade, que
faz ginástica e encontros neste local, além do Programa Infância Melhor, grupo
de danças Bel Ballare, etc.
Por fim, a quadra escolar é
utilizada para a prática de exercícios físicos e para o desenvolvimento das
aulas de Educação Física.
2.9
A Escola sob a Percepção dos Sujeitos
Atualmente, com a velocidade das
transformações tecnológicas e administrativas, percebe-se a necessidade de
ampliar conhecimentos e, sobretudo, a capacidade de aprender cada vez mais.
Estamos na era do conhecimento, por isso a educação nos tempos atuais é questão
de debates e discussões no mundo todo. Isso não acontece somente nos países de
terceiro mundo, mas também naqueles países onde a economia é mais estabilizada.
Porque mais uma vez, a educação caminha para cumprir as exigências do mercado
atual, ou seja, o consumismo e a competitividade da sociedade com base na
economia globalizada mundialmente atuante.
Assim, toda a sociedade se julga no
direito de avaliar a educação, mas na verdade, o que ocorre na maioria das
vezes, é a impregnação de que a responsabilidade por todo processo educativo de
uma sociedade é da escola. Sabe-se que essa instituição isolada não causa
impacto tão grande, quanto se todos os segmentos sociais estivessem envolvidos
nesse processo. O que ocorre de contraditório entre a escola e a sociedade
quando não engajadas pelo mesmo objetivo é que, enquanto a escola e professores
lutam para formar cidadãos com caráter emancipatório, autônomo, sendo sujeitos
atuantes no meio social em que vivem, a sociedade parece lutar para algo
meramente contrário; isto é, os meios de comunicações com seu poder de massa,
alienam pessoas, criam ilusões e mundos diferentes da realidade, acabando estes
por pensar da maneira que a classe dominante deseja.
Desta forma, é difícil de atingir
uma educação integral, onde escola e sociedade lutam por objetivos opostos.
Mesmo havendo pouco interesse da sociedade em relação à educação, a escola e
professores devem lutar e buscar pela qualidade da Educação. Acredita-se que
esta qualidade passa, primeiramente, pela revisão da formação do professor, a
qual deve ter mais ênfase em fatores do caráter ético, moral, político,
histórico e filosófico. "Se a negatividade vem da falta de consciência
política ideológica, a solução será a reeducação política, a formação da
consciência de classe ou de categoria, de partido” (ARROYO, 2000, p. 203).
Ensinar exige comprometimento; não
é possível ser educador sem revelar a maneira de ser e de pensar politicamente.
Para Freire (1996, p.110), “Minha presença de professor, que não pode passar
despercebido dos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política.
Enquanto presença não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções”.
Atualmente é urgente pensar em uma
tomada de consciência dos educadores, professores e especialistas da educação,
formando uma consciência crítica, procurando dar outro rumo para a educação,
conjuntamente com o país, procurando mudar essa tendência para qual se
encaminha a sociedade. Conseguindo transformar essa realidade e construir um
país melhor para viver, mais igualitário e menos assistencialista.
Por isso, a preparação do
profissional da educação para o exercício de seu ofício, deve ser amplamente
crítica, reflexiva e continuada, ou seja, o professor deve ser um eterno
pesquisador. Para não vir a ser massa de manobra, reproduzindo os interesses da
sociedade capitalista na escola. A escola deveria ser mediadora da educação,
que tem papel de ensinar, mas que está fazendo o contrário, fazendo papel de
pai e mãe. Para o Sujeito A[1],
“Muitas vezes o pai manda a criança doente para a escola propositalmente,
fugindo da sua obrigação e a escola acaba fazendo mais que a sua atribuição,
pois não deixa o aluno perecer em sala de aula”. Essa afirmação é reforçada
para o Sujeito B[2]
que afirma "A escola é pra ensinar o currículo e complementar a
educação". Sendo também reafirmada pelo Sujeito C[3]
"A escola tem função social, possibilitar o acesso ao conhecimento,
garantir a inclusão, construção ou emancipação intelectual, atingir grau de
instrução".
A parceria família e escola é
essencial para o desenvolvimento de pessoas mais preparadas para a sociedade
atual, portanto, o papel que a escola possui na construção dessa parceria é
fundamental, devendo considerar a necessidade da família, levando-as a
vivenciar situações que lhes possibilitem se sentirem participantes ativos
nessa parceria. Vale ainda ressaltar que escola e família precisam se unir e
juntas procurar entender o que é Família, o que é Escola, como eram vistas
estas anteriormente e como são vistas hoje, e ainda o que é desenvolvimento
humano e aprendizagem, como a criança aprende etc., pois como diz Arroyo
"os aprendizes se ajudam uns aos outros a aprender, trocando saberes,
vivências, significados, culturas. Trocando questionamentos seus, de seu tempo
cultural, trocando incertezas, perguntas, mais do que respostas, talvez, mas
trocando" (ARROYO, 2000, p.166).
2.9.1 Identidade Escolar
Toda escola deve ter definida para
si uma identidade, uma qualidade que a faz ser única para todos que nela passam
uma parte de suas vidas. Esse vínculo cognitivo e afetivo deve ser construído a
partir das vivências propiciadas a toda a comunidade escolar. E essa
preocupação deve estar presente na elaboração do Projeto Político Pedagógico, o
qual deve contribuir para criar ou fortalecer a identidade da escola. Quanto a
esse aspecto, a comunidade escolar deve levantar as características atuais da
escola, suas limitações e possibilidades, os seus elementos identificadores, a
imagem que se quer construir quanto a seu papel na comunidade em que está
inserida.
A escola é identificada pelos
sujeitos como "uma escola de qualidade, com professores comprometidos e
que dão o melhor de si" (Sujeito D[4]).
"Uma escola muito boa, que acolhe bem nossos filhos, que se preocupa em
dar o melhor. Unida e comprometida" (Sujeito E[5]).
"Minha escola é muito boa, porque conheço algumas escolas, lá onde mora
meu pai, que não é tão boa assim" (Sujeito F[6]).
Ao falar em
identidade escolar está-se referindo a características que especificam uma
determinada escola. No entanto, a identidade da escola não é estática. Pelo
contrário, ela está em permanente elaboração, num contexto social de interação
de indivíduos e grupos.
A identidade da
escola vai sendo construída no meio social de que ela faz parte, com todos os
segmentos que a compõem, levando-se em conta necessidades, dificuldades e
valores ali praticados. Essa identidade se afirma na articulação com as outras
instituições sociais como a família, a comunidade, as associações, as empresas,
enfim todos que estão no entorno escolar.
A identidade
escolar muda e isso significa que a escola leva em consideração as
transformações sociais que a cercam desafiando os educadores que nela
trabalham, especialmente os gestores, que sentirão necessidade de pensar e
repensar soluções em busca de sanar as dificuldades que surgirem. Cada escola é única e
singular e, assim sendo, cada uma possui sua própria identidade construída a
partir de traços característicos da comunidade onde está inserida. Cada escola
é, também, parte de uma rede de ensino à qual pertence. Desta forma cada escola
necessita refletir sobre suas próprias características, o contexto onde está
localizada, o tipo de clientela que atende, o tipo de profissionais que fazem
parte da comunidade, as manifestações culturais mais relevantes, o espaço
geográfico onde está situada.
2.9.2. Fragilidades da Escola
A escola, bem como a educação, nem
sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer o
percurso, depara-se com problemas que deixam a comunidade escolar paralisada
diante do processo de ensino-aprendizagem, deparando com situações novas e
problemáticas. É importante que todos os envolvidos no processo educativo
estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas, se
persistem há algum tempo ou se existirão para sempre.
Algumas dificuldades que foram
apontadas na escola, como afirma o Sujeito G[7]
“é a baixa de frequência escolar de alunos indígenas, devido a sua cultura de
não permanecer sempre no mesmo local e também pela necessidade de vender
balaios”. A escola atende alunos indígenas, na sua maioria, e alunos não
indígenas e essa mescla causou uma desacomodação desde o princípio, porém até
hoje, não se encontrou uma maneira eficaz para tratar com essa situação que
incomoda, ou desacomoda, toda a comunidade escolar.
Essa convivência intercultural, não
é vista pelos indígenas como uma dificuldade, pois em nenhum momento eles
expressaram que não gostam dessa situação. A reivindicação feita por essa
comunidade foi atendida pela escola, que era quanto aos alunos terem aulas de
kaingang, uma vez que querem preservar sua língua materna. Tanto é, que preferem
estudar nessa escola onde tem essa mistura, a estudar dentro da reserva
indígena, na escola só indígena. Isso pode ser observado no número de alunos
matriculados em ambas as escolas, pois a maioria estão matriculados nesta
escola.
Incomoda alunos porque os não
índios afirmam que precisam "ir devagar" porque os colegas não
acompanham. Os professores relatam a mesma coisa quando dizem "preciso ir
mais devagar porque muitos não acompanham, vem pra escola com problemas sérios
de aprendizagem. Há muito entra e sai de alunos, com isso os que não são índios
saem perdendo porque tem que esperar os outros e ficar revendo coisas que já
sabem". Os funcionários também afirmam que é difícil trabalhar com os
indígenas porque "eles são diferentes".
A presença indígena na sala de aula
é uma realidade para sempre, pois 53% do município é área indígena e a
população precisará encontrar uma forma de conviver com isso, bem como a
escola. Faz-se necessário pensar em políticas públicas integradas com outros
setores como Assistência Social, Saúde, Agricultura e Departamento Indígena,
que vão de encontro com essa realidade e que contribua com a educação também.
Por isso é muito importante fazer um trabalho amplo e eficaz junto às famílias
para que participem da escola. “Abrir as portas à participação de familiares e
comunidade ajuda os alunos a ter sucesso na vida escolar e colabora para
diminuir a evasão e a violência” (GENTILE, 2006, p.32).
Saber relacionar-se com as famílias
é ainda uma competência profissional, uma vez que o professor acolhe não só as
crianças, mas também suas famílias. O papel da instituição é ajudar, é
interceder a favor da criança, é favorecer que o vínculo entre ela e sua
família seja cada vez mais fortalecido, é sempre procurar valorizar os avanços
e conquistas e compartilhar com as famílias os diferentes momentos da vida das
crianças na escola.
A
escola percebe que há diferença entre os indígenas e não indígenas. Entre os
indígenas percebe-se a pobreza, falta de carinho, falta de comprometimento por
parte de alguns alunos e pais. Isso pode ser percebido na aquisição de
materiais, nos passeios realizados, onde os alunos indígenas não desfrutam de
recursos financeiros para pagar entradas ou ingressos de visitação, sendo que
se a escola não disponibilizar a eles, eles não participam dessas atividades.
Também se percebe a carência afetiva, porque eles ficam ao redor dos
professores o maior tempo que puderem e os menores gostam de sentar no colo das
professoras e que essas os acarinhem seguidamente. Percebe-se essa carência em
alguns pais que vem a escola só para conversar com a diretora ou com a
professora, a fim de que lhes deem atenção.
Outro
aspecto destacado são os alunos oriundos de outras escolas, com problemas
sérios de aprendizagem ou que nunca estiveram em sala de aula mesmo estando na
idade escolar, para sanar essas dificuldades são encaminhados a Sala de
Recursos Multifuncional para atendimento com a psicopedagoga a fim de
contribuir com as crianças.
Na
realidade a escola e família têm os mesmos objetivos: fazer a criança se
desenvolver em todos os aspectos, ter sucesso na aprendizagem e na vida
pessoal. Então as instituições que conseguirem transformar os pais ou
responsáveis em parceiros diminuirão os índices de evasão, infrequência e de
violência e, com certeza, melhorarão o rendimento dos alunos de forma
significativa.
2.10
Potencialidades da Escola
Mais do que transmitir conteúdo
pedagógico aos alunos, as escolas devem tentar identificar suas
potencialidades para usá-las em seu favor em prol da melhoria educacional. Além
das potencialidades físicas, a escola deverá procurar descobrir nos alunos
quais são suas habilidades para desenvolvê-las, pois segundo a teoria de
inteligências múltiplas, Gardner
(2001, p.263) afirma a
respeito das capacidades intelectuais e destaca a possibilidade de
adequá-las as habilidades de cada um.
Pensando no papel da escola, em
gerar condições que facilitem o desenvolvimento individual do aluno, a escola
optou por uma grade curricular diversificada e novas estratégias de ensino que
permitam trabalhar diversas questões que envolvem a criatividade como dança,
música, expressão corporal, etc. buscando conseguir impulsionar os diferentes
alunos através do autoconhecimento para que possam perceber o seu verdadeiro
potencial e sentir-se fortalecidos para vencer novos desafios, abrangendo todos
os alunos da escola indígenas e não indígenas.
As
potencialidades apontadas pelo Sujeito H[8] foi "à merenda, a receptividade e
a dedicação por parte de todos os professores e funcionários". O Sujeito I[9], no que toca as potencialidades,
destaca "a infraestrutura, os espaços, os cursos de formação, os
profissionais a maioria tem curso universitário e os que não têm estão
cursando. Atendimentos especializados como a Sala de Recursos Multifuncional e
o consultório dentário, só da escola e o projeto das aulas diferenciadas que
desenvolvem as aptidões e destaca as habilidades dos alunos". O Sujeito
J[10]
destacou "a estrutura física, a merenda, o material pedagógico". O Sujeito K[11]
destacou "a escola tem de bom o laboratório de informática, os
professores, as aulas de segunda-feira, a estrutura da escola e a
brinquedoteca".
A infraestrutura da escola é um
ponto positivo, pois a escola é muito bem equipada, mobiliada e dispõe de recursos
pedagógicos bons e tecnológicos de qualidade. A merenda de qualidade onde
alunos comem na hora do recreio e outros até almoçam para ficar no turno
inverso. Poucas escolas dispõe de consultório dentário próprio, o que acaba
sendo um diferencial que esta escola tem. O projeto das segundas-feiras é bem
visto por todos também, porque os alunos esperam e anseiam durante a semana por
essas aulas diferenciadas.
2.11
A Escola e Sua Identidade
A educação tem o poder de mexer com
ânimo e com engajamento da comunidade escolar, podendo transformar cada um que
passa pela escola em autor e responsável pelo crescimento da mesma e pela boa
operacionalização das atividades que acontecem naquele espaço. A escola passa a
ser o lugar onde ocorre a organização da esperança em prol de uma vida melhor,
econômica, social e culturalmente.
É inegável que o momento atual
exige dos homens novos pensamentos e atitudes. Percebe-se em todos os aspectos
(profissional, familiar, religioso, social) as influências e as consequências das
mudanças e transformações ocorridas ao longo do processo de formação da
humanidade. Percebe-se a necessidade de formar cidadãos críticos e atuantes na
sociedade, que busquem colaborar com a comunidade e com a escola. Pessoas que
saibam trabalhar de forma cooperativa e colaborativa, onde se sintam
responsáveis pela melhoria do mundo onde vivem.
Acredita-se que a grande maioria
das pessoas aspira sempre por uma vida melhor, mais harmoniosa, com menos
violência, mais compreensão e amor entre os homens. Enfim, quantidade e
qualidade de bem-estar são desejos constantes a permear a vida de todos e,
muito disso, se consegue através de uma boa educação.
A escola busca contemplar as
inovações necessárias a real formação do cidadão se respaldando em princípios e
valores que propiciem à humanização e a cidadania, como a solidariedade, a
justiça, a cooperação, o saber, o senso crítico, entre outros. Aspira que toda
a comunidade escolar (pais, alunos, funcionários, professores, direção e
comunidade escolar) sejam parceiros nesta busca para educar para a cidadania e
a cooperação.
2.11.1 Formas Metodológicas de condução do Processo
de Ensino Aprendizagem
O Projeto Político Pedagógico da
escola, expressa algumas possibilidades que vem sanar às necessidades
levantadas pela comunidade escolar e define ações concretas a serem realizadas,
apresentando orientações para a ação pedagógica na escola. Como já dizia Paulo
Freire, “Na história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. Uma
das grandes tarefas políticas que se deve observar é a perseguição constante
tornar possível amanhã o impossível hoje” (1992, p. 171), dessa forma a escola apresenta alternativas
metodológicas que podem vir auxiliar o processo de ensino aprendizagem de forma
dinâmica e diferenciada.
-Promover
cursos de aperfeiçoamento e atualização aos professores
-Prover
a escola de todos os materiais de ensino, consumo, materiais didáticos,
pedagógicos e de higiene e conservação do prédio.
-Prover
a escola de merenda escolar de qualidade.
-Realizar
acompanhamento periódico do processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
-Promover
aulas de informática a todos os alunos da Escola Municipal de Educação Infantil
e Ensino Fundamental Cleiton Costa.
-Realizar junto aos alunos e a comunidade escolar a
criação de coral infantil e grupo de dança da própria escola.
-Propiciar
assistência odontológica, fonoaudióloga, psicológica, médica e atendimento
pedagógico especializado, aos alunos da Escola Cleiton Costa que necessitam
deste atendimento.
-Apoiar
e incentivar a participação dos pais nas reuniões e atividades desenvolvidas na
escola.
-Proporcionar
condições ao ensino da educação infantil e ensino fundamental para o efetivo
desempenho das atividades com materiais, serviços e recursos humanos.
-Proporcionar
condições ao ensino da educação infantil e ensino fundamental para o efetivo
desempenho das atividades com materiais, serviços e recursos humanos para
alunos com necessidades especiais.
-Realizar
junto à comunidade um resgate do acervo histórico do município.
-Manter
um Conselho Escolar atuante e participativo, promovendo assim uma gestão
escolar democrática.
-A
participação do Conselho Escolar na organização e no planejamento do calendário
escolar, no projeto pedagógico da escola, na avaliação dos resultados finais da
instituição.
-Apoiar
e incentivar as entidades sociais, esportivas, culturais e religiosas,
proporcionando a integração dos diversos segmentos da comunidade.
-Realização
de Amostras de oficinas pedagógicas.
-Realização
de Visitas de estudo e lazer.
-Desenvolver
projetos de confraternização de datas comemorativas na escola.
-Confraternizar,
com entrega de presentes no dia do estudante e da criança para todos os alunos
da escola.
-Confraternizar,
com entrega de presentes no dia do professor para todos os docentes e
funcionários da escola.
-Confraternizar
com entrega de lembranças no dia das mães e pais com toda a comunidade escolar.
-Realizar
janta anual de confraternização entre todos os segmentos da escola.
-Integração,
parcerias com professores e alunos da escola Estadual.
-Parcerias
com as secretarias: Educação, Saúde, Agricultura, Assistência Social.
P-arceria com EMATER e outras entidades ou empresas
que venham a beneficiar a qualidade educacional escolar.
-Manter
o Transporte escolar na educação infantil e no ensino fundamental.
-Oferecer
o transporte aos alunos, portadores de necessidades especiais, quando for
necessário.
-Acompanhar e avaliar a prática pedagógica dos
professores na escola.
-Acompanhar
e avaliar as práticas dos funcionários da escola.
-Implantação
de um plano de Carreira para os professores e funcionários de escola.
-Estudos
aprofundados dos Planos de Estudos e Projeto Político Pedagógico da escola por
todos os segmentos da mesma.
-Proporcionar
espaços de estudos pedagógicos aos professores e funcionários da escola.
-Aquisição
de materiais pedagógicos para fonte de pesquisa (jornais, revistas, livros e
recursos audiovisuais (CD e DVD) e outros).
-Aquisição
de uma maquina xerográfica para a escola.
-Aquisição
de recursos audiovisuais (notebook, data show, telão e caixa de som
amplificada) para a escola.
-Aquisição
de uma máquina de fotografia digital.
-Buscar
parcerias com a comunidade escolar para manter a arborização e jardinagem da
escola.
-Construir
Horta na escola.
-Desenvolver
campanhas de saúde preventiva como: Saúde bucal e nutrição.
-Participação
de toda a comunidade nas festividades alusivas da escola.
-Participação
da escola nas atividades alusivas desenvolvidas pela secretaria de Educação e
cultura de nosso município.
-Trabalho desenvolvido através de projetos com apoio
da Secretaria de Educação.
-Divulgar
as experiências concretas de transformação que a escola está realizando na
prática do dia a dia.
-Exercitar-se
na autonomia e interdependência dos serviços com a participação efetiva do
Conselho Escolar e CPM da escola.
-Exigir
qualificação dos recursos humanos (professores e funcionários), encaminhando-os
a cursos de habilitação e atualização em suas áreas de atuação.
-Promover
um Seminário de Educação anual para os professores da rede municipal e estadual
de educação.
-Promover
um curso de aperfeiçoamento ao funcionário, conselho Escolar e CPM da escola.
-Promover
palestra aos pais e comunidades escolar com temas previamente selecionado pelos
mesmos.
-Propor
atividade em contraturno escolar para alunos com baixo rendimento na
aprendizagem.
-Oferecer
atividades em contraturno escolar em sala multifuncional, para alunos com
necessidades especiais (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO- ESCOLA MUNICIPAL DE
EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2008, p.26-29).
Sendo assim, a escola procura
promover o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica, saindo da sala de
aula e vivenciando o ambiente onde os alunos vivem. Dessa forma amplia-se o
conhecimento, aproximando a teoria da prática para que os educandos consigam
estabelecer as devidas relações, tão necessárias para a construção do
conhecimento, pois é através da ação-reflexão-ação que o saber é construído e
reconstruído constantemente.
2.11.2 Avaliação da Escola
A escola tem a avaliação
classificatória, porém não tem como pressuposto a punição ou premiação. Ela
prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes.
Mesmo sendo classificatória ela é compreendida como um processo que observa o
aluno como um todo.
Para que isso aconteça é
desenvolvido um processo de avaliação contínuo, valorizando a construção das
diversas competências e habilidades por área de conhecimento, como um meio de
diagnosticar o que ainda não foi apreendido e vivenciado por educando e
educador. Através dos resultados obtidos, busca-se redimensionar o planejamento
para facilitar novas descobertas e a reconstrução dos conhecimentos,
favorecendo, desta forma, a auto-avaliação.
Para isso acontecer, a escola
procura comprometer os professores, mantendo-os entusiasmados, politizados,
críticos, sensíveis às transformações sociais, mediadores da aprendizagem,
estimulando os alunos a serem protagonistas da história, capazes de
transformá-la com autenticidade e coerência, conscientes das suas
responsabilidades no processo ensino aprendizagem, através de uma relação
dialógica, que favoreça a integração entre os vários setores da escola e a
realização de projetos interdisciplinares.
2.11.3 A Escola e a formação Intelectual, Social e
Emocional
Na escola, tanto a Educação
Infantil como o Ensino Fundamental, tem como finalidade o desenvolvimento
integral de crianças nos aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando
a ação da família e da comunidade.
Procura educar para a cidadania e criando condições que viabilizam a dimensão e
socialização como princípios da comunidade escolar. As relações humanas são
construídas através do diálogo, possibilitando a construção da ética e do
respeito entre professor, pais e alunos.
A escola procura trabalhar embasado
nos três princípios: Educar, Brincar e cuidar, proporcionando situações que
desenvolvam a crianças em todos os aspectos: cognitivos, psíquicos, emocionais
e afetivos.
2.11.4 A escola e a família
A família é à base da sociedade. É
nela que nascem os integrantes desta sociedade. Os valores morais, culturais,
sociais e educacionais são estruturados neste primeiro grupo social. O homem
constrói a sua história a partir de sua vivência, da experiência e da busca de
conhecimentos que iniciou na família.
A escola conta com uma comunidade
de pais pouco atuantes, porém trabalha para melhorar esta situação, pois
acredita que:
Tudo
o que puder fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e
dentro da escola, participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão.
Tudo o que, puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho
imenso que se põe diante dos que acreditam num país verdadeiramente democrático
(MEC, 2006, p. 07).
Sendo assim, buscam trazer a
família para a escola oferecendo reuniões, palestras, encontros, homenagens.
Mas é inegável que o momento atual exige dos homens, novos pensamentos e
atitudes. Percebem-se em todos os aspectos (profissional, familiar, religioso,
social) as influências e as consequências das mudanças e transformações
ocorridas ao longo do processo de formação da humanidade e, por isso também,
que a família deve acompanhar a vida escolar do filho e o trabalho que é
realizado na escola bem como sua proposta educacional.
A
escola trabalha com criança de nível sócio-econômico extremamente baixo e
médio. A escola desenvolve um trabalho, em relação a isso, respeitando a
individualidade e diferenças de cada um. A escola também oferece às crianças um
lanche, seguindo um cardápio elaborado por uma nutricionista que desenvolve
atividades na escola. Os produtos para a preparação são de ótima qualidade,
naturais e variados com vistoria do Conselho de Alimentação; suprindo a falta
que muitas crianças têm na família.
“Na
história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. Uma das grandes
tarefas políticas que se deve observar é a perseguição constante de tornar
possível amanhã o impossível hoje” (Freire, 1992). Sendo assim, de posse das
falas dos sujeitos, seria interessante proporcionar um momento de reflexão com
os professores sobre a educação indígena para procurar entender como o aluno
indígena aprende, buscando conhecer a sua cultura mais profundamente. Com isso,
busca-se refletir sobre os assuntos trabalhados em sala de aula e a metodologia
de trabalho do professor com os alunos, bem como a forma de avaliação
utilizada. Num segundo momento, seria importante buscar um contato com o poder
público municipal, para dialogar sobre a realidade educacional da escola,
procurando levantar soluções a nível municipal, pois se tem uma realidade que
será permanente e por isso uma política educacional diferenciada precisa ser
pensada.
Uma
alternativa a ser pensada é a educação integral dessas crianças, que na sua
grande maioria, são extremamente carentes e vivem em situação de risco e
vulnerabilidade social. Então a educação integral tiraria essas crianças desse
ambiente, procurando desenvolver atividades pedagógicas num turno e atividades
diversificadas no outro turno, inclusive com reforço escolar, para fortalecer o
processo de ensino-aprendizagem e retirar as crianças desse ambiente de
vulnerabilidade por um tempo maior do dia. Com isso também, as crianças
estariam por um tempo maior envolvidas e cercadas de recursos
didático-pedagógicos e do mundo letrado que não existe em suas casas.
Também
se faz necessário um trabalho integrado com os setores da Saúde e Assistência Social para que sejam desenvolvidos
programas de prevenção e melhoria da qualidade de vida dessas famílias
carentes. O atendimento psicológico às crianças é um serviço que precisa ser
disponibilizado a escola também, para que o trabalho desenvolvido na Sala de
Recursos Multifuncional dê mais resultado.
Por
fim, o planejamento coletivo e o trabalho integrado com os diversos setores
públicos poderão render frutos que serão colhidos futuramente, já que os frutos
da educação não são imediatos e a realidade educacional possa ser melhorada.
3.
A AÇÃO DOCENTE
3.1
O Educador
As reformas educacionais dos
últimos anos buscaram a qualidade do ensino brasileiro. Nessa perspectiva de
educação qualificada, a qual todos desejam e anseiam, o educador foi um dos
sujeitos do processo que também foi atingido.
Devido a essas mudanças
socioeconômicas e, por que não, educacionais, surgiram novas exigências,
fazendo com que o educador viva tempos contraditórios. Seu trabalho ampliou-se,
assim como as dificuldades de sua carreira, fazendo-o buscar melhor formação
profissional para competir no mercado de trabalho. Formação prerrogativa de si
mesmo no momento em que procura descobrir sua vocação e aptidões, entrando em
um curso de magistério ou em um curso de nível superior, como a Pedagogia.
Os profissionais da educação
constituem um dos segmentos profissionais com maiores dificuldades para definir
ou identificar os pressupostos básicos, a partir dos quais entendem e
justificam o exercício de sua profissão. Espera-se que o educador possua uma capacitação
que abranja o domínio de conhecimentos científicos e empíricos, saberes
curriculares, reflexão crítica da sua práxis pedagógica, constante atualização,
bem como sua própria experiência pedagógica. Talvez nenhuma profissão é mais
desgastante que a do educador, pois ele precisa trabalhar e respeitar a
diversidade cultural e de conhecimentos de cada aluno que se encontra na sua
sala de aula e mesmo assim, é necessário admitir que muitos profissionais da
área da educação não estudam e nem se atualizam adequadamente.
O educador é um profissional que
necessita estar sempre em constante atualização sobre tudo o que diz respeito à
educação, especialmente sobre as áreas do conhecimento. Para tanto, a formação
precisa ser ampla e o educador tem de colocar-se, também na condição de
aprendiz, sempre avaliando sua teoria, sua prática pedagógica e dialogando com
os demais colegas educadores, com os familiares das crianças e com toda a
comunidade, na qual a escola está inserida, a fim de subsidiar seus trabalhos
em sala de aula. Esse diálogo, com os diferentes segmentos da comunidade
escolar, precisa ser construído gradativamente para que se estabeleça e se
firme essa relação tão importante para a construção de uma escola de qualidade.
Uma proposta curricular de qualidade
origina-se de ações planejadas e compartilhadas com os demais educadores da
instituição, a fim de edificar projetos educativos que englobam família e
criança. Os educadores têm que ser responsáveis e comprometidos com a educação,
atendendo as expectativas dos pais e dos alunos e também atendendo questões
referentes as aprendizagens das crianças.
Um educador que esteja engajado
numa prática transformadora, procurará desmistificar e questionar, com seu
aluno, a cultura dominante, valorizando a cultura e a linguagem deste, criando
condições para que cada um deles analise seu contexto e produza cultura. Estas
considerações parecem, de certo modo, relacionar-se com a perspectiva recente
de discussões sobre a formação de professores, que tem considerado o saber
prático e a reflexão na prática e sobre a prática como aspectos fundamentais.
Para Libâneo (2001, p. 85):
especificadamente
quanto às práticas de formação de professores, a tendência investigativa mais
recente e mais forte é a que concebe o ensino como atividade reflexiva.
Trata-se de um conceito que perpassa não apenas a formação de professores como
também o currículo, a metodologia de docência.
Zeichner (apud LIBÂNEO, 2001, p.
85) complementa: “o movimento da prática reflexiva atribui ao professor um
papel ativo na formulação dos objetivos e meios de trabalho”. Isso demonstra a
necessidade de uma teoria, não com direcionamento à prática, mas com apoio à
reflexão sobre ela.
Com a contribuição da abordagem
sócio-histórica de Vygotsky, pode-se deduzir a grande importância da ação
mediadora dos agentes formadores nos cursos de formação de professores, na
articulação entre os saberes da vida cotidiana e o conhecimento sistematizado.
Por isso, o processo de formação não pode deixar de considerar os objetivos da
educação, o contexto social, o cotidiano escolar, como também as
características afetivas e cognitivas dos sujeitos envolvidos, como os valores,
crenças, pensamentos, sentimentos, etc.
3.2
O Currículo
Uma das tendências mais enfatizadas
nas teorias educacionais nos últimos tempos é a atenção voltada ao currículo
escolar. Ele passou a ser objeto essencial de estudo dos cursos de formação de
professores. Busca analisar as escolas nos contextos históricos, sociais e
políticos da sociedade dominante, opondo-se ao positivismo.
Segundo Kliembard (apud MOREIRA e
SILVA, 2000, p. 11), “duas tendências podem ser observadas nos primeiros
estudos e propostas: uma voltada à elaboração de um currículo que valorizasse o
interesse do aluno e outra para a construção científica de um currículo que
desenvolve os aspectos da personalidade adulta”.
Por currículo entendemos nas
palavras de Veiga e Cardoso (1995, p. 82), “um conjunto das atividades da
escola que afetam direta ou indiretamente, o processo de transmissão-assimilação
e produção do conhecimento. Um instrumento de confronto de saberes
sistematizados, indispensáveis à compreensão crítica da realidade”.
Segundo Moreira e Silva (2000, p.
07), “o currículo é considerado um artefato social e cultural”. Isso porque o
currículo não é uma produção neutra e desinteressada do conhecimento social,
mas um contexto social e histórico consequente das relações de poder e dos
olhares sociais e individuais. É um processo em constante transformação,
constituído de conhecimento socialmente válidos. Giroux (apud MCLAREN, 1997)
complementa dizendo que o currículo pode ser entendido como uma teoria de
interesse, isto é, que o currículo reflete os interesses dos que o rodeiam
como, por exemplo, as relações sociais e as visões do passado e presente que
representa, e também como uma teoria de experiência, ou seja, um currículo
narrativo da história que produz e organiza as experiências do aluno.
A presença do currículo nas escolas
objetiva uma preparação dos educandos à atividade social, à criticidade, à
democracia e à solidariedade. Santomé (1995) acredita que para tanto é
necessário uma seleção adequada dos conteúdos curriculares, dos recursos, das
experiências diárias de ensino-aprendizagem e das avaliações, para que estes
possibilitem a edificação da cognição, normas e valores, indispensáveis à
formação de cidadãos conscientes e participativos.
O currículo e, consequentemente a
educação, são maneiras regulamentadas de transmitir as culturas sociais. Também
estão diretamente ligados às culturas, principalmente às populares, pois é na
escola que ocorrem as maiores demonstrações culturais trazidas pelos alunos e
suas etnias, crenças, etc. Daí a necessidade de um currículo que possa agregar
as culturas trazidas à escola.
Sendo assim, a escola procura
promover o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica, saindo da sala de
aula e vivenciando o ambiente onde os alunos vivem. Dessa forma amplia-se o
conhecimento, aproximando a teoria da prática para que os educandos consigam
estabelecer as devidas relações, tão necessárias para a construção do
conhecimento, pois é através da ação-reflexão-ação que o saber é construído e
reconstruído constantemente.
Na escola, tanto a Educação
Infantil como o Ensino Fundamental, tem como finalidade o desenvolvimento
integral de crianças nos aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social,
complementando a ação da família e da comunidade. Procura educar para a cidadania
e criando condições que viabilizam a dimensão e socialização como princípios da
comunidade escolar. As relações humanas são construídas através do diálogo,
possibilitando a construção da ética e do respeito entre professor, pais e
alunos.
Santomé (1995) destaca que em
nossas salas de aula, os conteúdos não tem nenhuma relação com a vida e os
interesses dos alunos, que se tornam apenas meros gravadores, seres estáticos
em suas carteiras. Sendo assim, a recompensa extrínseca, por meio de notas e
conceitos, torna-se mais importante do que a utilidade e a posse real dos que
precisam aprender. Não é possível esquecer que os educadores provêm de uma
socialização profissional que ignora o objeto de sua incumbência à seleção
clara dos conteúdos culturais que valoriza os objetivos e metodologias, as
quais permite serem elaboradas pelos livros didáticos, principalmente. Assim,
os conteúdos são assimilados sem efeito e sem o devido entendimento de sua
essência, pois geralmente, os livros os apresentam como os únicos possíveis.
Na realidade, os currículos
deveriam determinar maneiras de compreender e sugerir processos educativos e
conteúdos culturais que despertem o interesse dos indivíduos, proporcionando-os
uma construção crítica e reflexiva de mundo, partindo da própria cultura.
Contudo, a presença das culturas nas propostas curriculares são, sem dúvida
nenhuma, ignoradas, silenciadas e degeneradas, acabando com qualquer
oportunidade de reação de grupos sociais minoritários, dessa forma, deve-se
unir o ensino escolar ao contexto e interesses dos alunos e as visões que eles
têm da realidade.
Santos e Oliveira (apud MOREIRA,
1998, p. 15) destacam que “o campo do Currículo se volta predominantemente para
questões relacionadas à seleção e à organização do conhecimento escolar,
enquanto a Didática prioriza o ensino como seu objetivo de estudo”. A
proximidade entre eles é necessária devido ao fato de que o conhecimento
escolar não é estudado sem referência às situações em que é ensinado. De acordo
com alguns autores, o espaço curricular engloba estudos pedagógicos e diálogos
sobre o ensino e, por dedução, a didática. Para outros, esta última, quando
analisa o ensino, no qual está contido os conteúdos, insere o currículo.
Tudo isso repercute diretamente na
relação entre didática e currículo. Embora o primeiro esteja mais envolvido com
o ensino e o segundo com os conteúdos, ambos estão em campos próximos, porque
fazem parte do processo ensino-aprendizagem. Na verdade, não se deve ignorar as
divergências entre currículo e didática, mas procurar seus pontos em comum para
ampliar as discussões e práticas em sala de aula, unindo-os à teoria.
Para Libâneo, Oliveira e Toschi
(2003), há, no mínimo, três tipos de manifestações de currículo, o formal, o
real e o oculto. O currículo formal, também chamado de oficial, é aquele fixado
pelos sistemas de ensino através de diretrizes curriculares, objetivos e
conteúdos para as áreas de conhecimento ou disciplinas de estudo. Os Parâmetros
Curriculares Nacionais e as propostas curriculares dos estados e municípios,
são exemplos de currículo formal.
Este currículo tem um caráter
histórico que auxilia na organização dos objetivos e na disposição curricular.
A história do currículo é fundamental para questionar o currículo atual das
escolas num foco especial, a disciplinaridade. Moreira e Silva (2000, p. 32)
relatam que,
apesar
de todas as transformações importantes ocorridas na natureza e na extensão da
produção do conhecimento, o currículo continua centrado em disciplinas
tradicionais. [...] Seria central a esse movimento reconhecer a
disciplinaridade da presente estrutura curricular [...] como a inscrição e
recontextualização desses campos em um contexto em que processos de regulação
moral e controle tornam-se mais centrais.
O currículo real, por sua vez, é
aquele que se constitui na sala de aula, decorrente do Projeto Pedagógico da
escola e dos planos de ensino. Essa manifestação de currículo se faz através
das ideias e práticas dos educadores e das percepções e usos que fazem do
currículo formal. O educador e a escola precisam ter a sensibilidade necessária
para perceber que aquilo que ensinam, realmente é aprendido, compreendido e
retido pelos alunos.
Por último, o currículo oculto
apresenta-se como consequência não intencional do processo educativo, não
esclarecidos no currículo oficial. O currículo é uma forma particular de vida e
serve para preparar os indivíduos a posicionarem-se como dominantes ou
dominados na sociedade. Ele beneficia alguns conhecimentos em detrimento de
outros, além de praticar a discriminação. Mais do que isso, o currículo oculto
envolve maneiras de ensino-aprendizagem salientadas no ambiente escolar
utilizados por professores como uma seleção de estudantes.
As diversas manifestações do
currículo buscam demonstrar que o que os alunos aprendem na escola ou deixam de
aprender dependem de inúmeros fatores e não somente das disciplinas e seus
conteúdos, previstos na grade curricular.
Ao planejar o currículo, utilizando
o currículo oficial, as escolas precisam seguir princípios práticos, como a
democracia, garantida por uma base cultural e científica comum e práticas de
cidadania, o cruzamento de culturas, o fortalecimento da identidade pessoal e a
interdisciplinaridade e coordenação de disciplinas, por meio de projetos comuns,
etc.
Há muitos conceitos sobre
currículo, mas todos concordam num ponto: a formação de cidadãos críticos e
preparados para atuar em sociedade. Porém, na atual prática, o currículo está
mais voltado aos privilegiados da classe dominante, silenciando e ocultando os
conteúdos que poderiam relacionar-se com as camadas populares.
Com a Teoria Crítica do Currículo,
procurou-se avançar na teoria social e no desenvolvimento de novas
metodologias, a partir de uma teoria mais radical e análises de escolarização. Os
teóricos críticos buscam uma educação sem qualquer discriminação, que valorize
as potencialidade e experiências de cada um.
Como se observa, a Teoria Crítica
do Currículo é uma atuação progressiva e incessante de crítica e construção, de
questionamento e problemática.
3.3
Metodologia de Projetos
As situações de aprendizagem devem
estar mais próximas da realidade envolvendo questões do cotidiano escolar para
facilitar a compreensão dos conhecimentos científicos, bem como a articulação
do conhecimento teórico com outros momentos da formação profissional, tendo em
vista a melhoria da prática pedagógica. Para Paulo Freire (1996, p.33-34),
ensinar
exige respeito ao saber dos educandos [...]. O dever de não só respeitar os
saberes com que os educandos chegam à escola, mas também, discutir com os
alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação ao ensino de
conteúdos. Por que não estabelecer uma necessária ‘intimidade’ entre os saberes
curriculares fundamentais ao aluno e a experiência social que eles tem como
indivíduos?
A maioria das escolas, hoje, ensina
conteúdos preestabelecidos no currículo. O discurso torna-se chato e as
crianças ficam dispersivas, entediadas e são obrigadas a suportá-lo, pois
precisam passar de ano. Por outro lado, é preciso encontrar educadores com uma
visão mais ampla de educação voltada à prática social, buscando mudanças
significativas à escola. Esta precisa ser um ambiente de interesse,
crescimento, conhecimento, aprendizagem prazerosa, de construção da autonomia,
criticidade e da própria identidade.
Conforme Gandin (2001, p. 14-15),
uma
possível saída é a Metodologia de Projetos,
porque:
Possibilita
o estudo de temas vitais, no horizonte político-pedagógico da comunidade e, ao
mesmo tempo, no interesse dos alunos;
Permite
a participação de todos, porque é da essência do projeto levar as pessoas ao
fazer; os alunos são motivados a não ficarem parados, só ouvindo o
professor...;
Abre
perspectivas para a construção do conhecimento, a partir de questões reais, tão
simples como aprender a ver televisão, com espírito crítico, ou tão complexas,
como estabelecer a relação entre economia e bem social.
Os projetos de trabalho também
colaboram para recriar a escola “enquanto mediadora na construção de
identidades das crianças...” (Hernández, Pátio, 1998, p.31). Essa concepção
advém da ação de reconceitualizar, que considera fundamental, que no mundo
atual, o homem saiba lidar com a infinidade de informações que recebe.
Portanto, é necessário que os projetos de trabalho consigam elevar o ensino a
compreensões e reflexões e que os alunos possam ser agentes transformadores da
realidade e sejam participantes de algo que realmente faça sentido para eles.
A escolha do tema para um projeto
não é tão simples quanto aparenta. Ele precisa ser o resultado de um
entendimento entre o educador e os alunos sobre experiências anteriores, fatos
atuais que intrigam a turma, questões pendentes, etc. Após a escolha do
Projeto, conforme Hernández (1998), a atividade docente durante o
desenvolvimento do mesmo será especificar seu fio condutor, que possibilitará
ir além da instrumentalização ou informação imediata; buscar materiais,
especificando objetivos e conteúdos a serem alcançados e o que os alunos irão
aprender com esse Projeto; estudar e preparar o tema, escolhendo novas
informações e planejamento problemas que futuramente serão resolvidos; envolver
os alunos para que estes se interessem pelo que se está trabalhando,
despertando a consciência do aprender, enfatizar a atualidade do tema do Projeto,
prevendo alguns recursos que favoreçam isso, planejar avaliações constantes
sobre o que os alunos já sabem sobre o tema, o que eles virão a aprender no
desenrolar das aulas e o que aprenderam de novo ao final do Projeto; e
finalmente, sintetizar todo o processo de criação do Projeto desde seu início
até o fim e realizar um intercâmbio com as demais turmas e professores, a fim
de divulgar tudo o que for feito, já objetivando um novo Projeto.
Os alunos também possuem suas
atividades durante o projeto (Hernández, 1998). Eles auxiliam na escolha do
tema e coletivamente vão elencar as atividades que assumirão durante o projeto;
planejam o desenvolvimento do tema; participam na busca de informações entrando
em contato com diversas fontes; debatem as informações coletadas, pois estas
fornecem interpretações e apresentação da realidade, fornecendo novos
questionamentos; fazem uma análise individual ou grupal sobre a realização das
atividades preestabelecidas no início, realizam um dossiê de sínteses, realizam
avaliações utilizando os conteúdos estudados para dar continuidade a Projetos
seguintes.
Hernández (Pátio, 1998, p.27),
associa os projetos de trabalho como “uma concepção de ensino, uma maneira
diferente de suscitar a compreensão dos alunos sobre os conhecimentos que
circulam fora da Escola e de ajudá-los a construir sua própria identidade”.
A partir dos projetos de trabalho é
possível repensar a verdadeira função da escola, frente a mudanças atuais como
as mudanças na sociedade, nas relações, nos sistemas de representação dos
valores e identidades que se propagam através dos meios de comunicação de massa
e tecnologias da informação e comunicação, que são vivenciadas pelas crianças
diariamente. Segundo Mcclintock (apud HERNÁNDEZ, Pátio, 1998, p.27),
a
educação escolar precisa ser repensada, porque as representações, os valores
sociais e os conhecimentos disciplinares estão sofrendo modificações e as
escolas que temos hoje é [...] uma resposta aos problemas e as necessidades do
século XIX e as alternativas que se oferecem tem raízes no século XVII.
Através dos projetos de trabalho é
possível chegar perto da identidade dos alunos, revisar a disposição do
currículo por disciplina, instituindo-os no tempo e no espaço escolar,
recuperar o que acontece fora da escola, as informações contidas na sociedade,
dialogando criticamente sobre elas. Os projetos presumem uma abordagem de
ensino que esclareça a concepção e as práticas educativas respondendo às
mudanças sociais, vivenciadas pelas crianças.
Hernández (1998), juntamente com
colegas do grupo Minerva, elencaram algumas concepções para os demais
educadores situarem-se frente aos Projetos. Estes, são considerados uma
metodologia, na qual se destaca a importância do saber fazer que atenta para
ações inovadoras. Também são atitudinais, quando os docentes consideram válido
o ambiente vivenciado pelas crianças como fonte de aprendizagem. Isso porque os
educadores não acreditam que se possa aprender algo através do acúmulo de
conteúdos, mas aprender através das relações, experiências e observações.
Outra concepção consiste na
transdisciplinaridade, que busca esclarecer o sentido das disciplinas, dos
conteúdos estudados, dos modos de ensinar e aprender. Através dos projetos de
trabalho, os problemas reais podem ser analisados e questionados, a fim de
auxiliar nas aprendizagens em sala de aula. O ensino mediante pesquisas em
diversos contextos sociais permite que os alunos se interessem pela realidade
em que estão inseridos, suas origens, tendo a oportunidade de conhecê-las melhor
e ao mesmo tempo interpretá-las.
Ao final de um Projeto de Trabalho,
Gandin (2001, p.17) afirma que os “momentos de estudo e reflexão tem favorecido
o trabalho coletivo. Deles sempre surgem propostas de ações concretas,
efetivadas na prática pedagógica cotidiana, ancorada no Projeto
Político-Pedagógico”. Como os Projetos constituem-se numa construção coletiva
de planejamento participativo é importante salientar a relação pedagógica entre
professor-aluno para o sucesso dos mesmos. É uma relação de “confiança,
autonomia, diálogo, respeito às diferenças e pela definição de limites”
(Gandin, 2001, p.17). Outro fator importante é nunca duvidar das
potencialidades dos alunos mesmo que eles sejam da Educação Infantil, pois eles
são capazes de nos surpreender quando trabalham com um assunto que faça sentido
para suas vidas. Assim, a construção de sua história e identidade poderão se
concretizar.
3.4 Organização do Tempo e do Espaço no processo de
Ensino Aprendizagem
Para que os objetivos básicos do
Ensino Fundamental possam ser atingidos, os Parâmetros Curriculares Nacionais
(1997, v. 1), propõem uma prática educativa que priorize a formação de um
cidadão autônomo e participativo. Para tanto, são necessárias determinadas
orientações didáticas que direcionem a reflexão sobre essa prática.
“Cada aluno é sujeito de seu
próprio processo de aprendizagem, enquanto o professor é o mediador na
interação dos alunos com os objetos de conhecimento” (Parâmetros Curriculares
Nacionais, 1999, p. 93, v. 1). Consequentemente, as orientações didáticas
enfatizam especialmente a ação do educador como criador de situações de
aprendizagens, condizentes com essa abordagem. Para cada área do conhecimento
são necessárias certas orientações mais abrangentes, ao passo que os conteúdos
precisam de orientações especiais que visam demonstrar como tais assuntos devem
ser considerados. Portanto, essas orientações didáticas estão intimamente
ligadas ao ensinar e ao aprender os conteúdos ou temas.
Sendo assim, deve ser uma prática
que considere desde as questões afetivas, emocionais, cognitivas, físicas e
pessoais.
A organização do tempo e do espaço
na escola e na sala de aula é um dos pontos mais importantes para os educadores
dentro da didática, tanto que influenciam na construção de situações em que o
aluno possa progredir nas suas aprendizagens como na disposição das carteiras
na sala de aula, respectivamente.
No que diz respeito à organização
do tempo, é importante lembrar que ele é uma variável que interfere
consideravelmente na construção da autonomia dos alunos. O professor cria
momentos para que eles possam efetuar as atividades, dando-lhes a autonomia
para planejá-las e executá-las, tornando-se apenas um mediador das
aprendizagens que seus alunos poderão obter através dos erros e acertos, testando
suas próprias possibilidades. Nessa relação, o aluno é capaz de perceber seu
ritmo, organizando-se no seu tempo, dentro dos limites estabelecidos pelo
professor e a turma (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997, v.1).
Para que tudo isso possa acontecer,
o professor deve, primeiramente, esclarecer as atividades, fixar a organização
dos grupos, oferecer as atividades necessárias a essa atividade, para depois
estabelecer o tempo para a realização do trabalho.
A organização do tempo está
intimamente ligada à organização do espaço em sala de aula. Como um professor
pretende propor uma atividade em grupo sem permitir o deslocamento das
carteiras pela sala, ou, sem oferecer ao aluno os materiais necessários à
realização de certa atividade, deixando o armário trancado, por exemplo? “A
organização do espaço reflete a concepção metodológica adotada pelo professor e
pela escola.” (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997, p. 103, v. 1).
O espaço da sala de aula precisa
ter vida, isto é, as paredes decoradas pelos próprios alunos, que se movem
livremente pelo ambiente, tendo acesso aos materiais de uso frequente,
movimentando as carteiras, responsabilizando-se pela ordem e pela manutenção da
limpeza na classe. Desse modo, o espaço da sala de aula passa a ser um objeto
de conhecimento, aprendizagem e respeito. Contudo, esse espaço de aprendizagem
não está só na escola, mas também em atividades que ocorrem fora dela, como
passeios, excursões, visitas a departamentos públicos, participação em
palestras, etc. Os espaços externos à escola devem ser aproveitados no
dia-a-dia da criança, pois já fazem parte de seu convívio. Pode-se utilizá-los
para momentos de leitura, contos de histórias, observações e desenhos, coleta
de materiais, etc.
A organização e o bom uso do tempo e
do espaço pelo professor e pela escola revelam a concepção pedagógica de ambos
e interferem na construção da autonomia dos alunos.
3.5
A Avaliação
As instituições de ensino buscam
adequar-se às novas exigências expressas na Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96,
bem como buscam legalmente novos métodos de avaliação dos alunos. Em seu Artigo
23, a Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, a Educação Básica,
organiza-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância
regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na
competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre
que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar (STREHL e
RÉQUIA, 2000, p. 71).
Para tanto, a mesma Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96
prevê a organização mediante regras comuns, inclusive na verificação do
rendimento escolar com alternativas de promoção dos alunos para além da
seriação, como a possibilidade de ciclos, com avaliação contínua e cumulativa,
a prevalência da análise dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos do
desempenho do aluno, bem como a preferência aos estudos de recuperação
paralelos ao período letivo (Artigo 24, Inciso V, Alíneas “a” a “e”).
A Lei de Diretrizes e Bases
5.692/71 já fazia referência a uma avaliação formativa e à prevalência de
aspectos qualitativos sobre os quantitativos, e a análise do desempenho global
do aluno por meio de acompanhamento contínuo. A inquietação diante da avaliação
conforme a Lei de Diretrizes e Bases surge no acompanhamento contínuo, pois
tais pressupostos, mesmo previstos na antiga lei, nunca foram seguidos pela
maioria dos educadores.
As críticas feitas ao processo
avaliativo em que os resultados finais quantitativos eram válidos e aceitos,
sem qualquer tipo de acompanhamento a aprendizagem do aluno, ocorrem desde os
anos 70, no qual surgiu a nomenclatura “avaliação formativa”, isto é, o
acompanhamento do processo avaliativo por etapas, que no final formariam um
conjunto de dados a serem analisados. A recuperação preventiva também surgiu
nessa época e objetivava a retomada parcial e gradativa das dificuldades
apresentadas pelos alunos ao longo do período letivo, a fim de prevenir
dificuldades posteriores. Também havia, no final do ano letivo, uma recuperação
final, das dificuldades que ainda permanecessem (HOFFMAN, 1998).
Observa-se,
ainda que em muitas escolas, não há nenhum tipo de acompanhamento das
aprendizagens dos alunos e, consequentemente, nenhuma ação preventiva para as
dificuldades que os mesmos enfrentam. Daí, o susto que as escolas levaram
frente a Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, que exige das instituições de
ensino um efetivo processo avaliativo contínuo, qualificativo, mediador, frente
aos altos índices de evasão e repetência registrados nos últimos anos.
São
fatos como estes que deram à avaliação uma imagem distorcida de prática
perversa de seleção e exclusão nas escolas. Na verdade, foram às próprias
escolas e professores que rotularam a avaliação por tanto tempo, porém,
atualmente essa falsa máscara começa a cair e os bons propósitos da avaliação
começam a surgir. Conforme Perrenoud (1999, p. 11), “a avaliação é
tradicionalmente associada, na escola, à criação de hierarquias de excelência.
Os alunos são comparados e depois classificados em virtude de uma norma de
excelência, definida no absoluto e encarnada pelo professor e pelos melhores
alunos”. A escola aprendeu a conviver com as desigualdades de êxito dos alunos,
o que lhe parecia perfeitamente normal.
Sendo
assim, a avaliação formativa não tinha sentido algum, porque a escola cumpria
tão somente seu papel de ensinar e se os alunos tivessem vontade e
inteligência, certamente aprenderiam. A escola limitava-se a oportunizar
ensinamentos, sem qualquer responsabilidade pelas aprendizagens. Ocorre que, a
prática avaliativa nas escolas é comum a todos e privilegia somente uma nota
final, sem considerar as especificidades individuais dos alunos, em quaisquer
áreas do desenvolvimento, tanto social como intelectual, física ou afetiva.
Para
Schimitz (1993), qualquer atividade necessita ser bem planejada e avaliada
criticamente para que alcance o sucesso. Portanto, “pode-se caracterizar a
avaliação como o processo de acompanhamento e julgamento sistemático de toda
atividade” (p. 161). Na verdade, a avaliação não significa nada mais do que a
verificação da validade e da eficácia de uma proposta de ensino desenvolvida na
escola, mas essa visão dependerá muito da concepção que o educador possui sobre
avaliação e do uso que se faz dela.
A escola tem a avaliação classificatória,
porém não tem como pressuposto a punição ou premiação. Ela prevê que os
estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Mesmo sendo
classificatória ela é compreendida como um processo que observa o aluno como um
todo.
Para que isso aconteça é
desenvolvido um processo de avaliação contínuo, valorizando a construção das
diversas competências e habilidades por área de conhecimento, como um meio de
diagnosticar o que ainda não foi apreendido e vivenciado por educando e educador.
Através dos resultados obtidos, busca-se redimensionar o planejamento para
facilitar novas descobertas e a reconstrução dos conhecimentos, favorecendo,
desta forma, a auto-avaliação.
Atualmente,
a avaliação escolar só faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para
melhorar a aprendizagem do aluno; a ênfase está no aprender. Para tanto, são
necessárias mudanças em quase todos os níveis educacionais, como currículo,
gestão escolar, organização da sala de aula, atividades, etc.
Na
avaliação formativa, o professor é um dos principais fatores de mudança, quando
deixa de ser o centro de todas as informações e passa a ser colaborador para
que os alunos elaborem seus conhecimentos. Ao invés de despejar conteúdos, o
professor desenvolve práticas inovadoras que permitem ao aluno aplicar os
conhecimentos diários. A avaliação formativa não pressupõe punição ou promoção,
ao contrário, prevê que os alunos possuem ritmos e processos de aprendizagem
diferentes e, portanto, é essencial conhecer os alunos e suas necessidades para
depois pensar em caminhos onde todos possam alcançar os objetivos propostos.
Quando o educador debate com os alunos os objetivos de uma atividade, dá meios
para que eles acompanhem o próprio desenvolvimento.
Ao
pensar em avaliação precisa-se ter claro que ela revelará os passos alcançados
e aqueles que ainda serão alcançados e não consiste em mostrar os erros ou
aquilo que não foi aprendido. Se o professor compreende como está acontecendo o
processo de aprendizagem do aluno, certamente saberá quais intervenções serão
necessárias para apoiá-lo neste processo. É preciso desligar-se do conteudismo,
refletindo sobre como práticas iguais a esta prejudicam o desempenho das aulas,
do aluno e do professor e como elas colaboram com o fracasso escolar.
Para
Vasconcelos (1998, p. 42), “fazer avaliação em várias situações é uma forma de
superar a concentração de determinados momentos especiais, que leva à distorção
do sentido da avaliação”. A finalidade principal dessa prática não é gerar
formas de criar mais notas para o aluno, mas acompanhá-lo em seu processo de
conhecimento e fazer as retomadas, caso precise.
Na
perspectiva de construção do conhecimento, Hoffmann (1991) considera a
avaliação sob a confiança no potencial que os educandos têm em construir suas
verdades e na valorização de suas manifestações e interesses. Sendo assim, os
erros e as dúvidas são significativos durante a prática pedagógica,
impulsionando novas práticas. “Nessa dimensão, avaliar é dinamizar
oportunidades de ação-reflexão, num acompanhamento permanente do professor, que
incitará o aluno a novas questões a partir de respostas formuladas” (p.20).
Contudo,
nada disso será fácil para o educador se ele não aprofundar suas teorias do
conhecimento e apropriar-se de fundamentos teóricos necessários à conexão entre
hipóteses formuladas pelo aluno, o conhecimento científico e a base científica.
Segundo Chiarottino (apud Hoffmann, 1991, p. 23) “a ação avaliativa abrange a
compreensão do processo de cognição. Porque o que interessa fundamentalmente ao
educador é dinamizar oportunidades de o aluno refletir sobre o mundo e de
conduzi-lo à construção de um maior número de verdades...”. Para efetivar tais
verdades, na grande maioria das vezes o aluno tende a cometer erros, que são
aceitáveis, pois a construção de seu conhecimento encontra-se em processo de
superação. São situações como estas que Hoffmann (1991) denominou de erro
construtivo. O aluno vai construir alternativas de soluções para as situações e
estão sujeitos ao erro. O educador, por sua vez, precisa colocar-se favorável à
concepção do erro de forma construtiva, pois o aluno aprimora seu modo de
pensar o mundo à medida que se depara com novas situações e desafios,
formulando hipóteses, testando-as e reformulando-as se necessário.
Diante
do erro construtivo, a avaliação é a mediadora pela qual o saber seria
reorganizado. É ação, movimento e provação, a fim de que professor e aluno
troquem ideias, discutam-nas e reorganizem-nas.
Consequentemente
a tudo isso, é fundamental que se desenvolvam práticas inovadoras que colaborem
no processo da avaliação formativa. Vasconcellos (1998) apresenta um conjunto
de práticas que contribuem para diminuir a avaliação tradicional e
transformá-la em formativa e processual, como a não existência das semanas das
provas, a elaboração de uma avaliação do próprio educador baseada nas
observações cotidianas, diagnósticos rápidos sem valer nota, análises,
elaboração de questões pelos alunos, auto-avaliação, avaliação em grupo,
diversificação dos tipos de questões, combate à competição de notas entre os
alunos, avaliação com consulta, etc.
Cada
atividade pede uma forma própria de avaliação. Quanto mais recursos e
instrumentos avaliativos o professor usar, maior serão as possibilidades de
êxito e de bons resultados, não só da avaliação, mas da aprendizagem.
Na
visão de Hoffmann (1991), avaliar constitui-se um mito e um desafio. Mito,
porque a avaliação decorre de uma história onde se perpetuou os fantasmas do
controle e do autoritarismo há muitas décadas. A avaliação é um desafio a ser
enfrentado, a fim de que mais e mais educadores preocupem-se com ela.
Precisamos aceitar o desafio e derrubar o mito que a avaliação trás,
construindo outra história para as futuras gerações e buscando ações
libertadoras. Não existem fórmulas prontas para avaliar, o que existe são
estratégias que foram pensadas e deram certo em determinadas situações. Cabe a
escola e aos educadores pensar o seu melhor método de avaliação formativa.
4.
CONSIDERAÇÕES E PROSPECÇÃO
O
presente trabalho teve por objetivo fazer uma reflexão sobre ação pedagógica desenvolvida
nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental bem como na Educação Infantil, aliando
os conhecimentos teóricos aos conhecimentos adquiridos durante as práticas
docentes.
Por
compreender o indivíduo como um ser social, que se desenvolve e aprende através
das trocas que estabelece com o ambiente onde vive e com os outros indivíduos,
transformando-os ao mesmo tempo em que é transformado pelo contato humano, corporal e com o
ambiente, as crianças se desenvolvem afetivamente, bem como desenvolvem a
sensibilidade, a auto-estima, raciocínio, pensamento e linguagem. Tanto
Vygotsky como Piaget “buscam compreender a origem e o desenvolvimento dos
processos psicológicos ao longo da história da espécie humana [...] e da
história individual das pessoas [...], colocando a adaptação como estratégia
para a sobrevivência da espécie humana” (CARVALHO, 2002, p. 28).
A
Metodologia de Projetos de Trabalho foi destacada tendo em vista as possibilidades de participação tanto do
educador quanto dos alunos em sua elaboração, bem como por abrir perspectivas
para a construção do conhecimento a partir de questões reais simplificadas ou
complexas. A proposta parte dos Projetos de Trabalho para elevar o ensino a
maiores compreensões e reflexões e para capacitar os alunos a serem agentes
transformadores da realidade, participando efetivamente de algo que lhes faça
sentido. Hernández (PÁTIO, 1998, p.27), associa os Projetos de Trabalho a “uma
concepção de ensino, uma maneira diferente de suscitar a compreensão dos alunos
sobre os conhecimentos que circulam fora da Escola e de ajudá-los a construir a
própria identidade”. Sendo assim, as situações de aprendizagem devem estar mais
próximas da realidade envolvendo questões do cotidiano escolar para facilitar a
compreensão dos conhecimentos científicos, bem como a articulação do
conhecimento teórico com outros momentos da formação profissional, tendo em
vista a melhoria da prática pedagógica.
Contudo,
um educador sem conhecimentos e sem formação adequada não saberá fazer as
intervenções pedagógicas necessárias e no momento certo para auxiliar as crianças
em seu desenvolvimento intelectual. Daí a importância de saber sobre aquilo com que se está
trabalhando. O papel do educador no desenvolvimento infantil é fundamental no
que se refere a oportunizar experiências diversificadas e enriquecedoras para
que as crianças sintam-se seguras, confiantes e para que suas capacidades
possam aflorar plenamente. Para tanto, o educador precisa saber como agir de
forma mediadora para que o aluno relacione os conhecimentos que já possui e que
adquire cotidianamente com os conhecimentos científicos abordados pela escola.
As ideias e conhecimentos oriundos do meio
social onde as crianças vivem diariamente colaboram significativamente na
aprendizagem dos mesmos, mas isso só terá valor se o educador oportunizá-los o pensamento e a manifestação. Além
disso, os conhecimentos empíricos são básicos para os conhecimentos
científicos, como a observação de fenômenos, coleta, seleção e organização de
informações, etc.
As
orientações didáticas enfatizam especialmente a ação do educador como criador
de situações de aprendizagens, condizentes com essa abordagem. Para cada área
do conhecimento são necessárias certas orientações mais abrangentes, ao passo
que os conteúdos precisam de orientações especiais que visam demonstrar como
tais assuntos devem ser considerados. Portanto, essas orientações didáticas
estão intimamente ligadas ao ensinar e ao aprender os conteúdos ou temas.
Portanto, a formação precisa ser ampla e o
educador tem de colocar-se também na condição de aprendiz, sempre avaliando sua
teoria e prática pedagógica e dialogando com os demais colegas educadores, com
os familiares das crianças e com toda a comunidade na qual a escola está
inserida, a fim de subsidiar seus trabalhos em sala de aula.
O
professor é um dos principais fatores de mudança, quando deixa de ser o centro
de todas as informações e passa a ser colaborador para que os alunos elaborem
seus conhecimentos. Ao invés de despejar conteúdos, o professor desenvolve
práticas inovadoras que permitem ao aluno aplicar os conhecimentos diários.
Sendo
assim, o currículo escolar deve favorecer tais ações desde a organização do seu
currículo, o que, nas palavras de Veiga e Cardoso (1995, p. 82), significa “um conjunto das atividades da escola
que afetam direta ou indiretamente, o processo de transmissão-assimilação e
produção do conhecimento. Um instrumento de confronto de saberes
sistematizados, indispensáveis à compreensão crítica da realidade”.
O
que não pode ocorrer é que o currículo esteja alheio à realidade da demanda
escolar. O que Santomé (1995) relembra quando afirma que contentemente em
nossas salas de aula, os conteúdos não tem nenhuma relação com a vida e os
interesses dos alunos, tornando-os apenas meros gravadores e reprodutores de um
saber deslocado da realidade, seres estáticos, sem atuação social.
Portanto,
a ação pedagógica deve promover o pleno desenvolvimento da criança,
considerando as possibilidades de conhecimento que apresentam em cada faixa
etária. O progresso dessa ação pedagógica se efetiva por meio de um
planejamento que possa integrar conteúdos conceituais, procedimentais e
atitudinais.
5.
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[1] Sujeito A: Funcionário da
escola entrevistado em 2013.
[2] Sujeito B: Pai de aluno da
escola entrevistado em 2013.
[3] Sujeito C:
Professor da escola entrevistada em 2013.
[4] Sujeito D:
Funcionário da Escola entrevistado em 2013.
[7] Sujeito G: diretor da escola
entrevistado em 2013.
[8] Sujeito H: funcionário da
escola entrevistado em 2013.
[9] Sujeito I: professora da
escola entrevistada em 2013.
[10] Sujeito J: mãe de aluno da
escola entrevistada em 2013.
[11] Sujeito K: aluna da escola entrevistada
em 2013.