12/22/2014

REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE

UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA















REFLEXÕES SOBRE A PRÁTICA DOCENTE







LEONARA PIRAN FRIGERI













CONSTANTINA, 2014
UNIVERSIDADE ABERTA DO BRASIL
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PELOTAS
CURSO DE PEDAGOGIA A DISTÂNCIA















CONCEITUAÇÃO DA TRAJETÓRIA DO CURSO (CTC)






Trabalho apresentado ao Curso de Licenciatura em Pedagogia a Distância da Universidade Federal de Pelotas – Programa Universidade Aberta do Brasil, como requisito para a Conclusão da Licenciatura em Pedagogia, sob orientação da Profª Msc. Cláudia Cardoso Goularte.










Leonara Piran Frigeri
CONSTANTINA, 2014


RESUMO
 



Este trabalho faz a contextualização da escola parceira onde foi realizado as práticas docentes, analisando a organização, as abordagens epistemológicas e pedagógicas dos docentes, a proposta pedagógica e relacionar com a teoria vista durante o curso. Divide-se em dois capítulos. O primeiro capítulo versa sobre a Escola abordando a comunidade escolar, o conselho escolar, a formação, a equipe diretiva, o ensino, a aprendizagem, a matriz curricular, o poder público, os espaços físicos, o currículo, o Projeto Político Pedagógico, os processos ensino-aprendizagem e a avaliação. Já o segundo capítulo aborda a Ação Docente efetivada no estágio discorrendo sobre a organização dos planos de estudo, a intervenção e mediação pedagógica, as linguagens, o conhecimento do objeto de conhecimento, a investigação dos fatores que interferem na aprendizagem, a concepção de aprendizagem, a avaliação do processo de aprendizagem, o conhecimento da realidade do aluno, a organização do espaço-tempo escolar e a diversidade.

Palavras-chave: Escola Parceira. Ação docente. Ensino. Aprendizagem.



SUMÁRIO


1. APRESENTAÇÃO........................................................................................................  05
2. ESCOLA PARCEIRA: DOS ESPAÇOS AO SEU PROJETO.................................    07
2.1 HISTÓRICO DA ESCOLA........................................................................................     07
2.2 FILOSOFIA DA ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA...........................................................                    07
2.2.1 OBJETIVOS DO ESTABELECIMENTO.............................................................    07
2.2.2 MISSÃO DO ESTABELECIMENTO....................................................................    08
2.2.3 VALORES DO ESTABELECIMENTO................................................................    08
2.3 OBJETIVOS DO ENSINO FUNDAMENTAL........................................................     08
2.4 OBJETIVOS DA EDUCAÇÃO INFANTIL.............................................................    09
2.5 ORGANIZAÇÃO DA ESCOLA................................................................................     09
2.5.1 ROTINAS DA ESCOLA..........................................................................................    10
2.6 CONTEXTUALIZAÇÃO DA ESCOLA PARCEIRA.............................................   10
2.7 PRINCIPAIS DESAFIOS...........................................................................................     12
2.8 UTILIZAÇÃO DOS ESPAÇOS DA ESCOLA PARCEIRA..................................    13
2.9 A ESCOLA SOB A PERCEPÇÃO DOS SUJEITOS...............................................    16
2.9.1 IDENTIDADE ESCOLAR......................................................................................     18
2.9.2. FRAGILIDADES DA ESCOLA............................................................................    19
2.10 POTENCIALIDADES DA ESCOLA......................................................................    21
2.11 A ESCOLA E SUA IDENTIDADE..........................................................................    22
2.11.1 FORMAS METODOLÓGICAS DE CONDUÇÃO DO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM............................................................................................                     23
2.11.2 AVALIAÇÃO DA ESCOLA.................................................................................     25
2.11.3 A ESCOLA E A FORMAÇÃO INTELECTUAL, SOCIAL E EMOCIONAL   26
2.11.4 A ESCOLA E A FAMÍLIA....................................................................................    26

3. A AÇÃO DOCENTE.....................................................................................................    29
3.1 O EDUCADOR............................................................................................................     29
3.2 O CURRÍCULO..........................................................................................................     30
3.3 METODOLOGIA DE PROJETOS...........................................................................     34
3.4 ORGANIZAÇÃO DO TEMPO E DO ESPAÇO NO PROCESSO DE ENSINO APRENDIZAGEM............................................................................................................     37
3.5 A AVALIAÇÃO...........................................................................................................    39

4. CONSIDERAÇÕES E PROSPECÇÃO......................................................................    43

5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS........................................................................    46




1. APRESENTAÇÃO

O objetivo do Curso de Pedagogia é formar Pedagogos voltados para a construção de uma cidadania consciente e ativa com bases culturais e científico-tecnológicas que o possibilite identificar e posicionar-se frente às mudanças sociais, de forma a incorporar e intervir na vida produtiva e sociopolítica, respeitando a diversidade pessoal, social e cultural da contemporaneidade.
O papel desempenhado pelo educador no processo ensino-aprendizagem é fundamental, partindo de uma concepção metodológica básica: prática-teoria-prática. Teorizar sobre a prática significativa, ir além das experiências imediatas, refletindo, discutindo, buscando e conhecendo melhor o tema problematizado, estudar criativamente. Freire (1996, p.42-43) chama a atenção para a reflexão crítica sobre a prática como educadores formadores.

A prática docente crítica, envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. Por isso, é fundamental que, na prática da formação docente, o aprendiz de educador assuma que o indispensável pensar certo não é presente dos deuses nem se acha nos guias de professores que iluminados intelectuais escrevem, mas pelo contrário, o pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador.

Reconhecer que a finalidade maior do ato educativo não é somente a transmissão metódica e ordenada do saber sistemático pela humanidade, mas, fundamentalmente, estabelecer novas formas de produzir conhecimento, suscita a necessidade de entender o fazer pedagógico como um processo, que tem como ponto de partida e chegada à prática social.
O presente trabalho constitui-se num relatório de Conceituação da Trajetória do Curso (CTC). O objetivo geral é contextualizar a escola parceira onde foi realizado as práticas docentes, analisando a organização, as abordagens epistemológicas e pedagógicas dos docentes, a proposta pedagógica e relacionar com a teoria vista durante o curso.
Este Relatório divide-se em dois capítulos. O primeiro capítulo trata da Escola abordando a comunidade escolar, o conselho escolar, a formação, a equipe diretiva, o ensino, a aprendizagem, a matriz curricular, o poder público, os espaços físicos, o currículo, o Projeto Político Pedagógico, os processos ensino-aprendizagem e a avaliação.
O segundo capítulo aborda a Ação Docente efetivada no estágio discorrendo sobre a organização dos planos de estudo, a intervenção e mediação pedagógica, as linguagens, o conhecimento do objeto de conhecimento, a investigação dos fatores que interferem na aprendizagem, a concepção de aprendizagem, a avaliação do processo de aprendizagem, o conhecimento da realidade do aluno, a organização do espaço-tempo escolar e a diversidade.
Por fim, foram relacionadas algumas considerações que corresponderam entre os limites e as possibilidades, que proposta de ação pedagógica é possível construir para que seja construída uma Escola transformadora e uma sociedade melhor, além de formar sujeitos que possam transformar suas realidades.
2. ESCOLA PARCEIRA: DOS ESPAÇOS AO SEU PROJETO

2.1 Histórico da Escola

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, foi criada através do Decreto Municipal número 032/2007, de 17 de dezembro de 2007, pelo Prefeito Municipal Bianor Santin. Onde o mesmo decretou a transformação da Escola Municipal de Ensino Fundamental Epitácio Pessoa, localizada na Rua Antônio Trombetta, número 58, em Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa, localizada na Rua André Martinelli, número 13, no Município de Engenho Velho, que entrou em funcionamento no mês de março de 2008, com ótima estrutura atendendo os alunos da Rede Pública Municipal nos primeiros anos do Ensino Fundamental e na Educação Infantil.

2.2 Filosofia da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como filosofia “A integração do aluno na comunidade na qual faz parte, tornando-o um ser participativo, responsável, pensante e autônomo em suas decisões” (PLANO DE CURSO DO ENSINO FUNDAMENTAL-ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2014, p.4).

2.2.1 Objetivos do Estabelecimento

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como objetivos:

Promover situações para que a Comunidade Escolar possa trocar conhecimentos e construir um processo de ensino aprendizagem que lhes possibilite o acesso a informações e atividades complementares e que lhes permita tornar estes cidadãos críticos, politizados, capazes de exercer conscientemente sua cidadania, buscando através de uma ação coletiva a garantia de uma vida mais digna e mais justa (PLANO DE CURSO DO ENSINO FUNDAMENTAL- ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2014, p.4).


2.2.2 Missão do Estabelecimento

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como missão "oferecer um ensino de qualidade, garantindo a participação ativa da comunidade escolar, contribuindo para a formação integral dos alunos, para que eles possam agir construtivamente na transformação de seu meio" (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO-ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2008, p.21).

2.2.3 Valores do Estabelecimento

São valores que a escola preza e trabalha com a comunidade escolar:

Respeito: respeitamos a dignidade e os direitos de todas as pessoas em nossa escola.
Participação: trabalhamos em equipe, com forte senso de comprometimento e solidariedade.
Igualdade: tratamos com equidade nossos alunos e colaboradores respeitando as necessidades e a capacidade de cada um.
Valorização: incentivamos, valorizamos e reconhecemos as contribuições individuais e coletivas de nossos alunos e colaboradores.
Ética: trabalhamos com elevado senso de comprometimento e colaboração no alcance dos objetivos institucionais.
Solidariedade: valorização o espírito coletivo, comprometimento e colaboração no alcance dos objetivos institucionais.
Criatividade: apoiamos a criatividade e a inovação individuais, valorizando as ações empreendedoras, criativas e flexíveis (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO- ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2008, p. 22).

2.3 Objetivos do Ensino Fundamental

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como objetivos do Ensino Fundamental:

O Ensino Fundamental, com duração de nove anos, obrigatório e gratuito na escola pública, tem por objetivo a formação básica do cidadão, mediante:
a) o desenvolvimento da capacidade de aprender, tendo como meios básicos o pleno domínio da leitura, da escrita e do cálculo;
b) a compreensão do ambiente natural e social, do sistema político, da tecnologia, das artes e dos valores em que se fundamenta a sociedade;
c) o desenvolvimento da capacidade de aprendizagem, tendo em vista a aquisição de conhecimentos e habilidades e a formação de atitudes e valores;
d) o fortalecimento dos vínculos de família, dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca em que se assenta a vida social (PLANO DE CURSO DO ENSINO FUNDAMENTAL-ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2014, p.4).

2.4 Objetivos da Educação Infantil

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa tem como objetivos na Educação Infantil:

I - proporcionar condições adequadas para promover o bem-estar da criança, seu desenvolvimento físico, motor, emocional, afetivo, cognitivo/linguístico, moral e social, entendendo que ela é um ser completo, total e indivisível;
II - contribuir para a formação global e harmônica da criança, propiciando-lhe experiências concretas que levem ao seu desenvolvimento integral;
III - tornar - se espaço lúdico, um tempo fantasioso e acolhedor para a criança, em ambiente estimulante;
IV - colaborar para a aquisição de um conjunto de conceitos básicos, habilidades, atitudes e hábitos que se transformem em comportamentos indispensáveis para o pleno desenvolvimento infantil e crescimento saudável (PLANO DE CURSO DA EDUCAÇÃO INFANTIL- ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2014, p.4).

2.5 Organização da Escola

A Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa está localizada na Rua André Martinelli, número 13, no município de Engenho Velho/RS. Estão matriculados cento e vinte e seis (126) alunos, sendo nove (9) alunos do pré-escolar A (4 anos), vinte e três (23) do pré-escolar B (5 anos); dezessete (17) alunos do 1º ano, dezesseis (16) do 2º ano, vinte e um (21) do 3º ano; dezenove (19) do 4º ano e vinte e um (21) alunos do 5º ano.

2.5.1 Rotinas da Escola

As aulas funcionam pelo turno da manhã e da tarde, no turno da manhã, iniciando às 7:45 horas e finalizando às 11:45 horas e no turno da tarde iniciando às 13:00 horas e terminando às 17:00 horas. No turno da manhã o recreio é das 10:00 às 10:15 e no turno da tarde das 15:15 às 15:30 horas. Na segunda-feira é desenvolvido parte do projeto globalizador do ano de 2013 "Mais Valores na Escola", onde são desenvolvidas com as crianças as disciplinas diversificadas com professores de área e, nesse tempo, os professores titulares das turmas, tem sua hora atividade na escola. As disciplinas diversificadas são Música, Expressão Corporal, Arte, Kaingang, Educação Física e Informática. Nos demais dias da semana os alunos tem aula normal com seus professores titulares.
As aulas de Música, Arte (Educação Artística) e Educação Física, são ministradas por professores habilitados na área onde são os conteúdos curriculares de cada disciplina.
As aulas de Kaingang são ministradas por um indígena que ensina a leitura a escrita da língua Kaingang aos alunos indígenas.
As aulas de Informática são ministradas pela Agente de Educação que trabalha com as crianças no laboratório de informática, onde é ensinado aos alunos a utilização do computador, digitação de textos, jogos, editor de desenho, pesquisas na internet, etc. sendo que para a maioria dos alunos é a única oportunidade de manusear um computador.
As aulas de Expressão Corporal são ministradas por uma professora habilitada em Magistério e é Psicóloga, além de ter formação em dança. É trabalhado com as crianças a dança em geral buscando trabalhar os aspectos da atenção, concentração, criatividade e desinibição.
As aulas da segunda-feira, como são chamadas pelas crianças, são as mais esperadas pela grande maioria dos alunos, pois são atividades diferentes e práticas.

2.6 Contextualização da Escola Parceira

O prédio da escola tem ótima infraestrutura, possui uma área de 6.300 m², com área construída de 883,89 m², com um prédio de dois pisos, tendo uma clientela escolar mesclada entre índios e não índios, sendo cerca de 75% indígena, devido o município ter 53% de sua área tomada por uma Reserva Indígena, mais especificamente a Reserva Indígena da Serrinha que abrande o município de Engenho Velho, Constantina, Ronda Alta e Três Palmeiras.
No que diz respeito aos recursos humanos, a escola conta com a seguinte estrutura: 1 diretor (40 horas), 1 coordenadora pedagógica (20 horas), 7 professoras (20 horas), 1 professor que atende na Sala de Recursos Multifuncional no turno inverso (20 horas), 1 professor que trabalha com a Correção de Fluxo no turno inverso (20 horas) 1 agente de educação (40 horas),  1 merendeira (40 horas), 3 serventes (40 horas), 1 professora de Educação Física (12 horas), 1 professora de Língua Kaingang (12 horas), 1 professor de Música (8 horas), 1 professora de Expressão Corporal (8 horas), 1 professora de Arte (12 horas), 1 dentista (20 horas) e 1 nutricionista que acompanha a merenda escolar e trabalha com os alunos quando necessário. Alunos matriculados na Educação Infantil em 2014 é de 32 e alunos no Ensino Fundamental de 1º a 5º ano são 91.
Quanto à formação dos docentes da Escola: Diretor tem Licenciatura em Pedagogia com especialização em Práticas Pedagógicas Interdisciplinares. Os Professores de Educação Infantil possuem Habilitação em Pedagogia Habilitação Séries Iniciais e Educação Infantil. Os professores de séries iniciais todos possuem Habilitação ao Magistério, 3 com Pedagogia e 1 cursando, 2 com Licenciatura em Áreas afins da Educação.
O prédio escolar tem 8 anos de existência e encontra-se em ótimo estado de conservação. No pavimento superior tem: 5 salas de aula para o ensino fundamental, 2 banheiros com 4 sanitários cada um para atendimento dos alunos, 1 biblioteca, 1 sala de direção, 1 sala de professores, 1 sala para a coordenação pedagógica, 2 banheiros para professores, 1 sala de aula para a educação infantil com 2 banheiros de uso deles, 1 sala de brinquedoteca, 1 cozinha, 1 refeitório, 1 depósito de merenda escolar e 1 área de serviço. As salas de aulas possuem espaço adequado à quantidade de alunos, são bem iluminadas, possuem ventiladores e ar condicionado, janelas basculantes, carteiras em bom estado e armário.
No pavimento inferior tem: 1 laboratório de informática (PROINFO urbano) com acesso a internet, 1 laboratório de informática onde funciona o Telecentro Municipal, 1 Sala de Recursos Multifuncional, 1 consultório dentário, 1 banheiro acessível, 1 cozinha e um espaço coberto onde realiza-se as aulas de Expressão Corporal, às vezes Educação Física, reuniões, etc.
Tem uma quadra descoberta pequena para a prática de esportes, sendo que, está sendo construída uma quadra coberta para esta escola, via PAR pelo FNDE. Uma dificuldade é em relação ao pátio da escola que é pequeno. Este ano foi montada uma pracinha para o atendimento das crianças da Educação Infantil com espaço para eles brincarem. A escola utiliza o calçadão em frente a escola na hora do recreio e para brincadeiras com os alunos.
Quanto ao mobiliário da escola é praticamente tudo novo e as salas de aula são todas climatizadas. No que tange ao material escolar, os alunos que necessitam ganham todo o material que utilizam. A escola tem um acervo muito bom de material didático pedagógico, o que falta é a utilização dos mesmos pelos professores, que poderiam explorá-los mais os utilizando com os alunos. Essa não utilização talvez ocorra por acomodação dos professores, uma vez que dispõe de tempo para planejamento semanal, sendo assim, teoricamente teriam tempo para explorar os materiais didáticos pedagógicos, jogos ou livros de literatura infantil que a escola dispõe para uso do professor, bem como a internet para a pesquisa de novas práticas pedagógicas.

2.7 Principais Desafios

A escola possui o Projeto Pedagógico para Educação Infantil e Séries Iniciais, construído com a orientação da Secretaria Municipal de Educação, no qual estão envolvidos no processo de construção: Direção, Professores, Funcionários e comunidade escolar.
São realizadas reuniões pedagógicas semanais ou quinzenais com os professores, nessas reuniões são discutidos assuntos sobre o andamento do ano letivo, temas ou trabalhos pedagógicos e projetos a serem desenvolvidos na escola.
As reuniões pedagógicas acontecem semanalmente com a equipe diretiva e, quando há necessidade, há a participação da Secretaria Municipal de Educação. Nessas reuniões são repassados os avisos das programações futuras, bem como é repassados avisos e feito combinações necessários sobre o andamento escolar quanto a alunos e professores.
No final do ano passado, foi realizado com as escolas municipais e a Secretaria Municipal de Educação, a elaboração do calendário escolar deste ano. Sendo assim, foi definido um tema gerador para 2014 e definido um projeto a ser desenvolvido em cada mês dentro desse tema gerador. Então, no final de cada mês, é reunida toda a escola e planejado as ações que serão desenvolvidas para o desenvolvimento do próximo projeto, bem como as ações práticas a serem desenvolvidas na escola.
A participação da família na escola vem melhorando gradativamente, pois quase sempre que solicitada comparece e participa para discutir os assuntos relacionados aos seus filhos, embora ainda precise se realizar um trabalho para que essa participação seja cada vez maior. É de grande importância que escola trabalhe cooperativamente, promovendo o envolvimento de todos, só assim o trabalho é produtivo e apresenta resultados positivos. A comunidade escolar é composta de pessoas de baixa e média renda. Os alunos na maioria são oriundos da Zona Rural, de localidades como Linha Bela Vista, Linha Polita, Linha Santa Maria, Linha Luzatto, Linha Cachoeirinha, entre outras e da Zona Urbana. São filhos de agricultores, operários, funcionários públicos, desempregados, trabalhadores autônomos, professores, comerciantes, etc.
Os alunos que vêm do interior recebem transporte escolar gratuito para se deslocarem até a escola, o qual é fornecido pela Secretaria Municipal de Educação e Cultura, que também fornece o material escolar e a merenda para toda a escola.
O Currículo é organizado de forma coletiva e cognitiva entre todos, buscando deixar qualquer tipo de descriminação fora do segmento da escola, respeitando as diferenças, enfatizando sempre a Educação Inclusiva. Fixando metas, diretrizes e planos. A avaliação na escola é feita num todo, diariamente e através de parecer descritivo do professor.
A escola preocupa-se muito com o rendimento e aproveitamento dos alunos. Para tanto, periodicamente realiza reuniões de estudo e, neste ano, conselho de classe, participa de cursos e seminários e proporciona espaço para a participação dos alunos, pais e comunidade escolar.
Partindo do princípio que a educação deve formar indivíduos mais humanos, conscientes, responsáveis, justos e participativos, a escola preza por uma educação renovada, democrática, motivada e comprometida, a fim de desenvolver habilidades de pensamento, despertando o espírito crítico, dando subsídios para que o aluno possa crescer como ser humano, ocupando seu espaço social para a construção de uma sociedade justa e igualitária. Sendo assim, a escola desenvolve atividades práticas como campanhas de preservação do meio ambiente, pedágio ecológico, campanha de separação e recolhimento de lixo, palestras, passeios de estudo, etc.

2.8 Utilização dos espaços da Escola Parceira

Na parte superior do prédio da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa encontra-se a sala da Direção, Coordenação Pedagógica, dos Professores, cozinha, refeitório, depósito da merenda escolar, área de serviço, brinquedoteca, sala de educação infantil, biblioteca, salas de aula, banheiros dos alunos e banheiros dos professores. A sala de Direção é ocupada pela diretora Sandra O. Martinelli que realiza os trabalhos diretivos e burocráticos da escola, bem como o atendimento a pais, professores, funcionários e alunos. É a pessoa que diretamente articula e dialoga com todos os setores da escola. A sala da Coordenação Pedagógica é ocupada pela professora Caticiane B. Serafini que auxilia o diretor no atendimento pedagógico da escola e é ocupada também, pela Agente de Educação, Pricila Carpenedo, que tira cópias de materiais para os professores e alunos, faz o atendimento telefônico da escola e da secretaria. A coordenadora pedagógica faz o atendimento pedagógico aos professores e quando necessários, aos alunos. Repassa materiais didáticos, organiza e planeja as atividades pedagógicas da escola, colabora com a direção formando a equipe diretiva da mesma.
A sala dos professores é o local onde se encontram todos os professores nos períodos antes da aula, no recreio e na saída, bem como nos períodos vagos. Nesse espaço ocorre o diálogo, o repasse de avisos da escola, eventuais reclamações dos e sobre os professores, reuniões pedagógicas da direção ou Secretaria Municipal de Educação com os professores da escola. Também é utilizada pelos professores para planejar aulas, realizar pesquisas na internet, pois tem computadores no local.
A biblioteca é um espaço utilizado pelos alunos da escola para momentos de leitura ou para assistir vídeos e filmes, pois tem TV e DVD no local. O atendimento na biblioteca, no período de biblioteca que as turmas tem durante a semana é de responsabilidade do professor da turma. A biblioteca não é muito utilizada pelos professores, pois os livros didáticos e materiais pedagógicos ficam depositados na sala dos professores. Esse espaço poderia ser mais explorado levando os alunos a usar esse ambiente para realizar pesquisas, fazer leitura e releitura das obras literárias ali presentes, usar técnicas diferentes de contação de histórias a fim de despertar o gosto pela leitura e pelo manuseio dos livros.
As salas de aula são ocupadas pelas suas turmas, nos seus horários e turnos, conforme o horário escolar. De manhã uma turma e de tarde outra. Alunos da Educação Infantil ao 2º ano estudam no turno da tarde. Alunos do 3º ano ao 5º ano no turno da manhã.
A sala de Educação Infantil é ocupada pela turma da Pré-Escola de 4 anos, sendo que a Pré-Escola de 5 anos tem atendimento em duas salas de aula próximas aos banheiros. Sendo que de manhã esta sala fica desocupada, porém foi uma solicitação dos pais que a Educação Infantil funcionasse pela parte da tarde e também porque os alunos maiores não tinham cuidado com os pequeninos o que acabava provocando queda e empurrões nos pequenos, os quais acabavam se machucando.
A brinquedoteca, que fica ao lado da sala de Educação Infantil é ocupada por todas as turmas com o seu professor, em horário organizado, aonde são desenvolvidas atividades lúdicas com jogos didáticos e pedagógicos. O lúdico é imprescindível para a Educação Infantil e para os anos iniciais do Ensino Fundamental, devido a faixa etária em que esses alunos se encontram, mas é necessário que a utilização da ludicidade e dos jogos tenham sentido e tenham objetivos a serem atingidos, ou seja, que venham contribuir para o desenvolvimento integral dos alunos.
A cozinha é utilizada pela merendeira e pelas serventes da escola, as quais fazem a merenda escolar e servem a mesma no refeitório, sendo que o qual é utilizado por todos os alunos. Eventualmente, se o professor quiser, utiliza a cozinha para desenvolver atividades pedagógicas com os alunos como fazer bolo, suco, etc. Esses funcionários utilizam, o depósito da merenda, para armazenar o estoque de merenda que é mandada para a escola pela Secretaria Municipal de Educação e, a área de serviço para fazer a lavagem de panos e toalhas utilizadas na cozinha e na limpeza da escola.
Na parte inferior da escola, encontra-se o laboratório de informática da escola, o laboratório do Telecentro Municipal, a sala de Recursos Multifuncional, o consultório dentário, cozinha, banheiros e uma área coberta.
O laboratório de informática tem acesso a internet, é utilizado no período de informática pelas turmas da escola e fica à disposição dos professores nos horários vagos para pesquisas com os alunos ou outras atividades que queiram realizar com essas tecnologias. Também é utilizado para passar filme quando estão reunidos todos os alunos do mesmo turno. Quem atende o laboratório de Informática é uma Agente de Educação. A formação exigida para exercer este cargo é ensino fundamental e sua função é executar funções gerais ligadas ao ensino, auxiliar em secretarias de escolas, secretaria municipal de educação, bibliotecas, auxiliar na preparação do material destinado as atividades dos professores, extrair e distribuir cópias de materiais de interesse das repartições.
A sala de Recursos Multifuncional entrou em funcionamento no passado, com atendimento aos alunos que necessitam de tal serviço em turno inverso. A profissional que atende neste espaço é habilitada em Pedagogia e especialização em Piscopedagogia. Esse atendimento está sendo muito importante para os alunos que frequentam esse espaço, pois se observa uma melhoria no aprendizado desses alunos na sala de aula. Atualmente, como são poucos os alunos que necessitam desse atendimento, abriu-se vagas para o atendimento das crianças que estão com déficit de aprendizagem para que tenham um atendimento individualizado e consigam sanar as dificuldades mais acentuadas observadas em sala de aula. Sendo assim a professora titular repassa para a outra as dificuldades dos alunos e essa busca trabalhá-las.
O consultório dentário é ocupado pela dentista que atende aos alunos da escola em horário pré-estabelecido e conforme a necessidade das crianças. A profissional também desenvolve o projeto do SESC Sorrindo para o Futuro e realiza um trabalho de prevenção a saúde bucal com os alunos.
A cozinha é de uso dos profissionais que utilizam a parte inferior da escola, bem como o banheiro, que também são utilizados pelas pessoas que ali frequentam.
A área coberta que ali existe é utilizada, nas segundas-feiras nas aulas de Expressão Corporal, para reunião com os pais, formatura da pré-escola, na comemoração das datas comemorativas, é também emprestada para algumas entidades, como o Grupo da Terceira Idade, que faz ginástica e encontros neste local, além do Programa Infância Melhor, grupo de danças Bel Ballare, etc.
Por fim, a quadra escolar é utilizada para a prática de exercícios físicos e para o desenvolvimento das aulas de Educação Física.

2.9 A Escola sob a Percepção dos Sujeitos
 


Atualmente, com a velocidade das transformações tecnológicas e administrativas, percebe-se a necessidade de ampliar conhecimentos e, sobretudo, a capacidade de aprender cada vez mais. Estamos na era do conhecimento, por isso a educação nos tempos atuais é questão de debates e discussões no mundo todo. Isso não acontece somente nos países de terceiro mundo, mas também naqueles países onde a economia é mais estabilizada. Porque mais uma vez, a educação caminha para cumprir as exigências do mercado atual, ou seja, o consumismo e a competitividade da sociedade com base na economia globalizada mundialmente atuante.
Assim, toda a sociedade se julga no direito de avaliar a educação, mas na verdade, o que ocorre na maioria das vezes, é a impregnação de que a responsabilidade por todo processo educativo de uma sociedade é da escola. Sabe-se que essa instituição isolada não causa impacto tão grande, quanto se todos os segmentos sociais estivessem envolvidos nesse processo. O que ocorre de contraditório entre a escola e a sociedade quando não engajadas pelo mesmo objetivo é que, enquanto a escola e professores lutam para formar cidadãos com caráter emancipatório, autônomo, sendo sujeitos atuantes no meio social em que vivem, a sociedade parece lutar para algo meramente contrário; isto é, os meios de comunicações com seu poder de massa, alienam pessoas, criam ilusões e mundos diferentes da realidade, acabando estes por pensar da maneira que a classe dominante deseja.
Desta forma, é difícil de atingir uma educação integral, onde escola e sociedade lutam por objetivos opostos. Mesmo havendo pouco interesse da sociedade em relação à educação, a escola e professores devem lutar e buscar pela qualidade da Educação. Acredita-se que esta qualidade passa, primeiramente, pela revisão da formação do professor, a qual deve ter mais ênfase em fatores do caráter ético, moral, político, histórico e filosófico. "Se a negatividade vem da falta de consciência política ideológica, a solução será a reeducação política, a formação da consciência de classe ou de categoria, de partido” (ARROYO, 2000, p. 203).
Ensinar exige comprometimento; não é possível ser educador sem revelar a maneira de ser e de pensar politicamente. Para Freire (1996, p.110), “Minha presença de professor, que não pode passar despercebido dos alunos na classe e na escola, é uma presença em si política. Enquanto presença não posso ser uma omissão, mas um sujeito de opções”.
Atualmente é urgente pensar em uma tomada de consciência dos educadores, professores e especialistas da educação, formando uma consciência crítica, procurando dar outro rumo para a educação, conjuntamente com o país, procurando mudar essa tendência para qual se encaminha a sociedade. Conseguindo transformar essa realidade e construir um país melhor para viver, mais igualitário e menos assistencialista.
Por isso, a preparação do profissional da educação para o exercício de seu ofício, deve ser amplamente crítica, reflexiva e continuada, ou seja, o professor deve ser um eterno pesquisador. Para não vir a ser massa de manobra, reproduzindo os interesses da sociedade capitalista na escola. A escola deveria ser mediadora da educação, que tem papel de ensinar, mas que está fazendo o contrário, fazendo papel de pai e mãe. Para o Sujeito A[1], “Muitas vezes o pai manda a criança doente para a escola propositalmente, fugindo da sua obrigação e a escola acaba fazendo mais que a sua atribuição, pois não deixa o aluno perecer em sala de aula”. Essa afirmação é reforçada para o Sujeito B[2] que afirma "A escola é pra ensinar o currículo e complementar a educação". Sendo também reafirmada pelo Sujeito C[3] "A escola tem função social, possibilitar o acesso ao conhecimento, garantir a inclusão, construção ou emancipação intelectual, atingir grau de instrução".
A parceria família e escola é essencial para o desenvolvimento de pessoas mais preparadas para a sociedade atual, portanto, o papel que a escola possui na construção dessa parceria é fundamental, devendo considerar a necessidade da família, levando-as a vivenciar situações que lhes possibilitem se sentirem participantes ativos nessa parceria. Vale ainda ressaltar que escola e família precisam se unir e juntas procurar entender o que é Família, o que é Escola, como eram vistas estas anteriormente e como são vistas hoje, e ainda o que é desenvolvimento humano e aprendizagem, como a criança aprende etc., pois como diz Arroyo "os aprendizes se ajudam uns aos outros a aprender, trocando saberes, vivências, significados, culturas. Trocando questionamentos seus, de seu tempo cultural, trocando incertezas, perguntas, mais do que respostas, talvez, mas trocando" (ARROYO, 2000, p.166).

2.9.1 Identidade Escolar

Toda escola deve ter definida para si uma identidade, uma qualidade que a faz ser única para todos que nela passam uma parte de suas vidas. Esse vínculo cognitivo e afetivo deve ser construído a partir das vivências propiciadas a toda a comunidade escolar. E essa preocupação deve estar presente na elaboração do Projeto Político Pedagógico, o qual deve contribuir para criar ou fortalecer a identidade da escola. Quanto a esse aspecto, a comunidade escolar deve levantar as características atuais da escola, suas limitações e possibilidades, os seus elementos identificadores, a imagem que se quer construir quanto a seu papel na comunidade em que está inserida.
A escola é identificada pelos sujeitos como "uma escola de qualidade, com professores comprometidos e que dão o melhor de si" (Sujeito D[4]). "Uma escola muito boa, que acolhe bem nossos filhos, que se preocupa em dar o melhor. Unida e comprometida" (Sujeito E[5]). "Minha escola é muito boa, porque conheço algumas escolas, lá onde mora meu pai, que não é tão boa assim" (Sujeito F[6]).
Ao falar em identidade escolar está-se referindo a características que especificam uma determinada escola. No entanto, a identidade da escola não é estática. Pelo contrário, ela está em permanente elaboração, num contexto social de interação de indivíduos e grupos. 
A identidade da escola vai sendo construída no meio social de que ela faz parte, com todos os segmentos que a compõem, levando-se em conta necessidades, dificuldades e valores ali praticados. Essa identidade se afirma na articulação com as outras instituições sociais como a família, a comunidade, as associações, as empresas, enfim todos que estão no entorno escolar.
A identidade escolar muda e isso significa que a escola leva em consideração as transformações sociais que a cercam desafiando os educadores que nela trabalham, especialmente os gestores, que sentirão necessidade de pensar e repensar soluções em busca de sanar as dificuldades que surgirem. Cada escola é única e singular e, assim sendo, cada uma possui sua própria identidade construída a partir de traços característicos da comunidade onde está inserida. Cada escola é, também, parte de uma rede de ensino à qual pertence. Desta forma cada escola necessita refletir sobre suas próprias características, o contexto onde está localizada, o tipo de clientela que atende, o tipo de profissionais que fazem parte da comunidade, as manifestações culturais mais relevantes, o espaço geográfico onde está situada.


2.9.2. Fragilidades da Escola

A escola, bem como a educação, nem sempre é cercada somente por sucessos e aprovações. Muitas vezes, no decorrer o percurso, depara-se com problemas que deixam a comunidade escolar paralisada diante do processo de ensino-aprendizagem, deparando com situações novas e problemáticas. É importante que todos os envolvidos no processo educativo estejam atentos a essas dificuldades, observando se são momentâneas, se persistem há algum tempo ou se existirão para sempre.
Algumas dificuldades que foram apontadas na escola, como afirma o Sujeito G[7] “é a baixa de frequência escolar de alunos indígenas, devido a sua cultura de não permanecer sempre no mesmo local e também pela necessidade de vender balaios”. A escola atende alunos indígenas, na sua maioria, e alunos não indígenas e essa mescla causou uma desacomodação desde o princípio, porém até hoje, não se encontrou uma maneira eficaz para tratar com essa situação que incomoda, ou desacomoda, toda a comunidade escolar.
Essa convivência intercultural, não é vista pelos indígenas como uma dificuldade, pois em nenhum momento eles expressaram que não gostam dessa situação. A reivindicação feita por essa comunidade foi atendida pela escola, que era quanto aos alunos terem aulas de kaingang, uma vez que querem preservar sua língua materna. Tanto é, que preferem estudar nessa escola onde tem essa mistura, a estudar dentro da reserva indígena, na escola só indígena. Isso pode ser observado no número de alunos matriculados em ambas as escolas, pois a maioria estão matriculados nesta escola.
Incomoda alunos porque os não índios afirmam que precisam "ir devagar" porque os colegas não acompanham. Os professores relatam a mesma coisa quando dizem "preciso ir mais devagar porque muitos não acompanham, vem pra escola com problemas sérios de aprendizagem. Há muito entra e sai de alunos, com isso os que não são índios saem perdendo porque tem que esperar os outros e ficar revendo coisas que já sabem". Os funcionários também afirmam que é difícil trabalhar com os indígenas porque "eles são diferentes".
A presença indígena na sala de aula é uma realidade para sempre, pois 53% do município é área indígena e a população precisará encontrar uma forma de conviver com isso, bem como a escola. Faz-se necessário pensar em políticas públicas integradas com outros setores como Assistência Social, Saúde, Agricultura e Departamento Indígena, que vão de encontro com essa realidade e que contribua com a educação também. Por isso é muito importante fazer um trabalho amplo e eficaz junto às famílias para que participem da escola. “Abrir as portas à participação de familiares e comunidade ajuda os alunos a ter sucesso na vida escolar e colabora para diminuir a evasão e a violência” (GENTILE, 2006, p.32).
Saber relacionar-se com as famílias é ainda uma competência profissional, uma vez que o professor acolhe não só as crianças, mas também suas famílias. O papel da instituição é ajudar, é interceder a favor da criança, é favorecer que o vínculo entre ela e sua família seja cada vez mais fortalecido, é sempre procurar valorizar os avanços e conquistas e compartilhar com as famílias os diferentes momentos da vida das crianças na escola.
A escola percebe que há diferença entre os indígenas e não indígenas. Entre os indígenas percebe-se a pobreza, falta de carinho, falta de comprometimento por parte de alguns alunos e pais. Isso pode ser percebido na aquisição de materiais, nos passeios realizados, onde os alunos indígenas não desfrutam de recursos financeiros para pagar entradas ou ingressos de visitação, sendo que se a escola não disponibilizar a eles, eles não participam dessas atividades. Também se percebe a carência afetiva, porque eles ficam ao redor dos professores o maior tempo que puderem e os menores gostam de sentar no colo das professoras e que essas os acarinhem seguidamente. Percebe-se essa carência em alguns pais que vem a escola só para conversar com a diretora ou com a professora, a fim de que lhes deem atenção.
Outro aspecto destacado são os alunos oriundos de outras escolas, com problemas sérios de aprendizagem ou que nunca estiveram em sala de aula mesmo estando na idade escolar, para sanar essas dificuldades são encaminhados a Sala de Recursos Multifuncional para atendimento com a psicopedagoga a fim de contribuir com as crianças.
Na realidade a escola e família têm os mesmos objetivos: fazer a criança se desenvolver em todos os aspectos, ter sucesso na aprendizagem e na vida pessoal. Então as instituições que conseguirem transformar os pais ou responsáveis em parceiros diminuirão os índices de evasão, infrequência e de violência e, com certeza, melhorarão o rendimento dos alunos de forma significativa.

2.10 Potencialidades da Escola

Mais do que transmitir conteúdo pedagógico aos alunos, as escolas devem tentar identificar suas potencialidades para usá-las em seu favor em prol da melhoria educacional. Além das potencialidades físicas, a escola deverá procurar descobrir nos alunos quais são suas habilidades para desenvolvê-las, pois segundo a teoria de inteligências múltiplas, Gardner (2001, p.263) afirma a respeito das capacidades intelectuais e destaca a possibilidade de adequá-las as habilidades de cada um.
Pensando no papel da escola, em gerar condições que facilitem o desenvolvimento individual do aluno, a escola optou por uma grade curricular diversificada e novas estratégias de ensino que permitam trabalhar diversas questões que envolvem a criatividade como dança, música, expressão corporal, etc. buscando conseguir impulsionar os diferentes alunos através do autoconhecimento para que possam perceber o seu verdadeiro potencial e sentir-se fortalecidos para vencer novos desafios, abrangendo todos os alunos da escola indígenas e não indígenas.
As potencialidades apontadas pelo Sujeito H[8] foi "à merenda, a receptividade e a dedicação por parte de todos os professores e funcionários". O Sujeito I[9], no que toca as potencialidades, destaca "a infraestrutura, os espaços, os cursos de formação, os profissionais a maioria tem curso universitário e os que não têm estão cursando. Atendimentos especializados como a Sala de Recursos Multifuncional e o consultório dentário, só da escola e o projeto das aulas diferenciadas que desenvolvem as aptidões e destaca as habilidades dos alunos". O Sujeito J[10] destacou "a estrutura física, a merenda, o material pedagógico".  O Sujeito K[11] destacou "a escola tem de bom o laboratório de informática, os professores, as aulas de segunda-feira, a estrutura da escola e a brinquedoteca".
A infraestrutura da escola é um ponto positivo, pois a escola é muito bem equipada, mobiliada e dispõe de recursos pedagógicos bons e tecnológicos de qualidade. A merenda de qualidade onde alunos comem na hora do recreio e outros até almoçam para ficar no turno inverso. Poucas escolas dispõe de consultório dentário próprio, o que acaba sendo um diferencial que esta escola tem. O projeto das segundas-feiras é bem visto por todos também, porque os alunos esperam e anseiam durante a semana por essas aulas diferenciadas.

2.11 A Escola e Sua Identidade
 


A educação tem o poder de mexer com ânimo e com engajamento da comunidade escolar, podendo transformar cada um que passa pela escola em autor e responsável pelo crescimento da mesma e pela boa operacionalização das atividades que acontecem naquele espaço. A escola passa a ser o lugar onde ocorre a organização da esperança em prol de uma vida melhor, econômica, social e culturalmente.
É inegável que o momento atual exige dos homens novos pensamentos e atitudes. Percebe-se em todos os aspectos (profissional, familiar, religioso, social) as influências e as consequências das mudanças e transformações ocorridas ao longo do processo de formação da humanidade. Percebe-se a necessidade de formar cidadãos críticos e atuantes na sociedade, que busquem colaborar com a comunidade e com a escola. Pessoas que saibam trabalhar de forma cooperativa e colaborativa, onde se sintam responsáveis pela melhoria do mundo onde vivem.
Acredita-se que a grande maioria das pessoas aspira sempre por uma vida melhor, mais harmoniosa, com menos violência, mais compreensão e amor entre os homens. Enfim, quantidade e qualidade de bem-estar são desejos constantes a permear a vida de todos e, muito disso, se consegue através de uma boa educação.
A escola busca contemplar as inovações necessárias a real formação do cidadão se respaldando em princípios e valores que propiciem à humanização e a cidadania, como a solidariedade, a justiça, a cooperação, o saber, o senso crítico, entre outros. Aspira que toda a comunidade escolar (pais, alunos, funcionários, professores, direção e comunidade escolar) sejam parceiros nesta busca para educar para a cidadania e a cooperação.

2.11.1 Formas Metodológicas de condução do Processo de Ensino Aprendizagem

O Projeto Político Pedagógico da escola, expressa algumas possibilidades que vem sanar às necessidades levantadas pela comunidade escolar e define ações concretas a serem realizadas, apresentando orientações para a ação pedagógica na escola. Como já dizia Paulo Freire, “Na história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. Uma das grandes tarefas políticas que se deve observar é a perseguição constante tornar possível amanhã o impossível hoje” (1992, p. 171), dessa forma a escola apresenta alternativas metodológicas que podem vir auxiliar o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica e diferenciada.

-Promover cursos de aperfeiçoamento e atualização aos professores
-Prover a escola de todos os materiais de ensino, consumo, materiais didáticos, pedagógicos e de higiene e conservação do prédio.
-Prover a escola de merenda escolar de qualidade.
-Realizar acompanhamento periódico do processo de ensino-aprendizagem dos alunos.
-Promover aulas de informática a todos os alunos da Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa.
-Realizar junto aos alunos e a comunidade escolar a criação de coral infantil e grupo de dança da própria escola.
-Propiciar assistência odontológica, fonoaudióloga, psicológica, médica e atendimento pedagógico especializado, aos alunos da Escola Cleiton Costa que necessitam deste atendimento.
-Apoiar e incentivar a participação dos pais nas reuniões e atividades desenvolvidas na escola.
-Proporcionar condições ao ensino da educação infantil e ensino fundamental para o efetivo desempenho das atividades com materiais, serviços e recursos humanos.
-Proporcionar condições ao ensino da educação infantil e ensino fundamental para o efetivo desempenho das atividades com materiais, serviços e recursos humanos para alunos com necessidades especiais.
-Realizar junto à comunidade um resgate do acervo histórico do município.
-Manter um Conselho Escolar atuante e participativo, promovendo assim uma gestão escolar democrática.
-A participação do Conselho Escolar na organização e no planejamento do calendário escolar, no projeto pedagógico da escola, na avaliação dos resultados finais da instituição.
-Apoiar e incentivar as entidades sociais, esportivas, culturais e religiosas, proporcionando a integração dos diversos segmentos da comunidade.
-Realização de Amostras de oficinas pedagógicas.
-Realização de Visitas de estudo e lazer.
-Desenvolver projetos de confraternização de datas comemorativas na escola.
-Confraternizar, com entrega de presentes no dia do estudante e da criança para todos os alunos da escola.
-Confraternizar, com entrega de presentes no dia do professor para todos os docentes e funcionários da escola.
-Confraternizar com entrega de lembranças no dia das mães e pais com toda a comunidade escolar.
-Realizar janta anual de confraternização entre todos os segmentos da escola.
-Integração, parcerias com professores e alunos da escola Estadual.
-Parcerias com as secretarias: Educação, Saúde, Agricultura, Assistência Social.
P-arceria com EMATER e outras entidades ou empresas que venham a beneficiar a qualidade educacional escolar.
-Manter o Transporte escolar na educação infantil e no ensino fundamental.
-Oferecer o transporte aos alunos, portadores de necessidades especiais, quando for necessário.
-Acompanhar e avaliar a prática pedagógica dos professores na escola.
-Acompanhar e avaliar as práticas dos funcionários da escola.
-Implantação de um plano de Carreira para os professores e funcionários de escola.
-Estudos aprofundados dos Planos de Estudos e Projeto Político Pedagógico da escola por todos os segmentos da mesma.
-Proporcionar espaços de estudos pedagógicos aos professores e funcionários da escola.
-Aquisição de materiais pedagógicos para fonte de pesquisa (jornais, revistas, livros e recursos audiovisuais (CD e DVD) e outros).
-Aquisição de uma maquina xerográfica para a escola.
-Aquisição de recursos audiovisuais (notebook, data show, telão e caixa de som amplificada) para a escola.
-Aquisição de uma máquina de fotografia digital.
-Buscar parcerias com a comunidade escolar para manter a arborização e jardinagem da escola.
-Construir Horta na escola.
-Desenvolver campanhas de saúde preventiva como: Saúde bucal e nutrição.
-Participação de toda a comunidade nas festividades alusivas da escola.
-Participação da escola nas atividades alusivas desenvolvidas pela secretaria de Educação e cultura de nosso município.
-Trabalho desenvolvido através de projetos com apoio da Secretaria de Educação.
-Divulgar as experiências concretas de transformação que a escola está realizando na prática do dia a dia.
-Exercitar-se na autonomia e interdependência dos serviços com a participação efetiva do Conselho Escolar e CPM da escola.
-Exigir qualificação dos recursos humanos (professores e funcionários), encaminhando-os a cursos de habilitação e atualização em suas áreas de atuação.
-Promover um Seminário de Educação anual para os professores da rede municipal e estadual de educação.
-Promover um curso de aperfeiçoamento ao funcionário, conselho Escolar e CPM da escola.
-Promover palestra aos pais e comunidades escolar com temas previamente selecionado pelos mesmos.
-Propor atividade em contraturno escolar para alunos com baixo rendimento na aprendizagem.
-Oferecer atividades em contraturno escolar em sala multifuncional, para alunos com necessidades especiais (PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO- ESCOLA MUNICIPAL DE EDUCAÇÃO INFANTIL E ENSINO FUNDAMENTAL CLEITON COSTA, 2008, p.26-29).

Sendo assim, a escola procura promover o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica, saindo da sala de aula e vivenciando o ambiente onde os alunos vivem. Dessa forma amplia-se o conhecimento, aproximando a teoria da prática para que os educandos consigam estabelecer as devidas relações, tão necessárias para a construção do conhecimento, pois é através da ação-reflexão-ação que o saber é construído e reconstruído constantemente.

2.11.2 Avaliação da Escola

A escola tem a avaliação classificatória, porém não tem como pressuposto a punição ou premiação. Ela prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Mesmo sendo classificatória ela é compreendida como um processo que observa o aluno como um todo.
Para que isso aconteça é desenvolvido um processo de avaliação contínuo, valorizando a construção das diversas competências e habilidades por área de conhecimento, como um meio de diagnosticar o que ainda não foi apreendido e vivenciado por educando e educador. Através dos resultados obtidos, busca-se redimensionar o planejamento para facilitar novas descobertas e a reconstrução dos conhecimentos, favorecendo, desta forma, a auto-avaliação.
Para isso acontecer, a escola procura comprometer os professores, mantendo-os entusiasmados, politizados, críticos, sensíveis às transformações sociais, mediadores da aprendizagem, estimulando os alunos a serem protagonistas da história, capazes de transformá-la com autenticidade e coerência, conscientes das suas responsabilidades no processo ensino aprendizagem, através de uma relação dialógica, que favoreça a integração entre os vários setores da escola e a realização de projetos interdisciplinares. 

2.11.3 A Escola e a formação Intelectual, Social e Emocional

Na escola, tanto a Educação Infantil como o Ensino Fundamental, tem como finalidade o desenvolvimento integral de crianças nos aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da  comunidade. Procura educar para a cidadania e criando condições que viabilizam a dimensão e socialização como princípios da comunidade escolar. As relações humanas são construídas através do diálogo, possibilitando a construção da ética e do respeito entre professor, pais e alunos.
A escola procura trabalhar embasado nos três princípios: Educar, Brincar e cuidar, proporcionando situações que desenvolvam a crianças em todos os aspectos: cognitivos, psíquicos, emocionais e afetivos.

2.11.4 A escola e a família

A família é à base da sociedade. É nela que nascem os integrantes desta sociedade. Os valores morais, culturais, sociais e educacionais são estruturados neste primeiro grupo social. O homem constrói a sua história a partir de sua vivência, da experiência e da busca de conhecimentos que iniciou na família.
A escola conta com uma comunidade de pais pouco atuantes, porém trabalha para melhorar esta situação, pois acredita que:

Tudo o que puder fazer no sentido de convocar os que vivem em torno da escola, e dentro da escola, participarem, de tomarem um pouco o destino da escola na mão. Tudo o que, puder fazer nesse sentido é pouco ainda, considerando o trabalho imenso que se põe diante dos que acreditam num país verdadeiramente democrático (MEC, 2006, p. 07).

Sendo assim, buscam trazer a família para a escola oferecendo reuniões, palestras, encontros, homenagens. Mas é inegável que o momento atual exige dos homens, novos pensamentos e atitudes. Percebem-se em todos os aspectos (profissional, familiar, religioso, social) as influências e as consequências das mudanças e transformações ocorridas ao longo do processo de formação da humanidade e, por isso também, que a família deve acompanhar a vida escolar do filho e o trabalho que é realizado na escola bem como sua proposta educacional.
A escola trabalha com criança de nível sócio-econômico extremamente baixo e médio. A escola desenvolve um trabalho, em relação a isso, respeitando a individualidade e diferenças de cada um. A escola também oferece às crianças um lanche, seguindo um cardápio elaborado por uma nutricionista que desenvolve atividades na escola. Os produtos para a preparação são de ótima qualidade, naturais e variados com vistoria do Conselho de Alimentação; suprindo a falta que muitas crianças têm na família.
“Na história se faz o que se pode e não o que se gostaria de fazer. Uma das grandes tarefas políticas que se deve observar é a perseguição constante de tornar possível amanhã o impossível hoje” (Freire, 1992). Sendo assim, de posse das falas dos sujeitos, seria interessante proporcionar um momento de reflexão com os professores sobre a educação indígena para procurar entender como o aluno indígena aprende, buscando conhecer a sua cultura mais profundamente. Com isso, busca-se refletir sobre os assuntos trabalhados em sala de aula e a metodologia de trabalho do professor com os alunos, bem como a forma de avaliação utilizada. Num segundo momento, seria importante buscar um contato com o poder público municipal, para dialogar sobre a realidade educacional da escola, procurando levantar soluções a nível municipal, pois se tem uma realidade que será permanente e por isso uma política educacional diferenciada precisa ser pensada.
Uma alternativa a ser pensada é a educação integral dessas crianças, que na sua grande maioria, são extremamente carentes e vivem em situação de risco e vulnerabilidade social. Então a educação integral tiraria essas crianças desse ambiente, procurando desenvolver atividades pedagógicas num turno e atividades diversificadas no outro turno, inclusive com reforço escolar, para fortalecer o processo de ensino-aprendizagem e retirar as crianças desse ambiente de vulnerabilidade por um tempo maior do dia. Com isso também, as crianças estariam por um tempo maior envolvidas e cercadas de recursos didático-pedagógicos e do mundo letrado que não existe em suas casas.
Também se faz necessário um trabalho integrado com os setores da Saúde e Assistência Social para que sejam desenvolvidos programas de prevenção e melhoria da qualidade de vida dessas famílias carentes. O atendimento psicológico às crianças é um serviço que precisa ser disponibilizado a escola também, para que o trabalho desenvolvido na Sala de Recursos Multifuncional dê mais resultado.
Por fim, o planejamento coletivo e o trabalho integrado com os diversos setores públicos poderão render frutos que serão colhidos futuramente, já que os frutos da educação não são imediatos e a realidade educacional possa ser melhorada.



3. A AÇÃO DOCENTE

3.1 O Educador

As reformas educacionais dos últimos anos buscaram a qualidade do ensino brasileiro. Nessa perspectiva de educação qualificada, a qual todos desejam e anseiam, o educador foi um dos sujeitos do processo que também foi atingido.
Devido a essas mudanças socioeconômicas e, por que não, educacionais, surgiram novas exigências, fazendo com que o educador viva tempos contraditórios. Seu trabalho ampliou-se, assim como as dificuldades de sua carreira, fazendo-o buscar melhor formação profissional para competir no mercado de trabalho. Formação prerrogativa de si mesmo no momento em que procura descobrir sua vocação e aptidões, entrando em um curso de magistério ou em um curso de nível superior, como a Pedagogia.
Os profissionais da educação constituem um dos segmentos profissionais com maiores dificuldades para definir ou identificar os pressupostos básicos, a partir dos quais entendem e justificam o exercício de sua profissão. Espera-se que o educador possua uma capacitação que abranja o domínio de conhecimentos científicos e empíricos, saberes curriculares, reflexão crítica da sua práxis pedagógica, constante atualização, bem como sua própria experiência pedagógica. Talvez nenhuma profissão é mais desgastante que a do educador, pois ele precisa trabalhar e respeitar a diversidade cultural e de conhecimentos de cada aluno que se encontra na sua sala de aula e mesmo assim, é necessário admitir que muitos profissionais da área da educação não estudam e nem se atualizam adequadamente.
O educador é um profissional que necessita estar sempre em constante atualização sobre tudo o que diz respeito à educação, especialmente sobre as áreas do conhecimento. Para tanto, a formação precisa ser ampla e o educador tem de colocar-se, também na condição de aprendiz, sempre avaliando sua teoria, sua prática pedagógica e dialogando com os demais colegas educadores, com os familiares das crianças e com toda a comunidade, na qual a escola está inserida, a fim de subsidiar seus trabalhos em sala de aula. Esse diálogo, com os diferentes segmentos da comunidade escolar, precisa ser construído gradativamente para que se estabeleça e se firme essa relação tão importante para a construção de uma escola de qualidade.
Uma proposta curricular de qualidade origina-se de ações planejadas e compartilhadas com os demais educadores da instituição, a fim de edificar projetos educativos que englobam família e criança. Os educadores têm que ser responsáveis e comprometidos com a educação, atendendo as expectativas dos pais e dos alunos e também atendendo questões referentes as aprendizagens das crianças.
Um educador que esteja engajado numa prática transformadora, procurará desmistificar e questionar, com seu aluno, a cultura dominante, valorizando a cultura e a linguagem deste, criando condições para que cada um deles analise seu contexto e produza cultura. Estas considerações parecem, de certo modo, relacionar-se com a perspectiva recente de discussões sobre a formação de professores, que tem considerado o saber prático e a reflexão na prática e sobre a prática como aspectos fundamentais. Para Libâneo (2001, p. 85):

especificadamente quanto às práticas de formação de professores, a tendência investigativa mais recente e mais forte é a que concebe o ensino como atividade reflexiva. Trata-se de um conceito que perpassa não apenas a formação de professores como também o currículo, a metodologia de docência.

Zeichner (apud LIBÂNEO, 2001, p. 85) complementa: “o movimento da prática reflexiva atribui ao professor um papel ativo na formulação dos objetivos e meios de trabalho”. Isso demonstra a necessidade de uma teoria, não com direcionamento à prática, mas com apoio à reflexão sobre ela.
Com a contribuição da abordagem sócio-histórica de Vygotsky, pode-se deduzir a grande importância da ação mediadora dos agentes formadores nos cursos de formação de professores, na articulação entre os saberes da vida cotidiana e o conhecimento sistematizado. Por isso, o processo de formação não pode deixar de considerar os objetivos da educação, o contexto social, o cotidiano escolar, como também as características afetivas e cognitivas dos sujeitos envolvidos, como os valores, crenças, pensamentos, sentimentos, etc.

3.2 O Currículo

Uma das tendências mais enfatizadas nas teorias educacionais nos últimos tempos é a atenção voltada ao currículo escolar. Ele passou a ser objeto essencial de estudo dos cursos de formação de professores. Busca analisar as escolas nos contextos históricos, sociais e políticos da sociedade dominante, opondo-se ao positivismo.
Segundo Kliembard (apud MOREIRA e SILVA, 2000, p. 11), “duas tendências podem ser observadas nos primeiros estudos e propostas: uma voltada à elaboração de um currículo que valorizasse o interesse do aluno e outra para a construção científica de um currículo que desenvolve os aspectos da personalidade adulta”.
Por currículo entendemos nas palavras de Veiga e Cardoso (1995, p. 82), “um conjunto das atividades da escola que afetam direta ou indiretamente, o processo de transmissão-assimilação e produção do conhecimento. Um instrumento de confronto de saberes sistematizados, indispensáveis à compreensão crítica da realidade”.
Segundo Moreira e Silva (2000, p. 07), “o currículo é considerado um artefato social e cultural”. Isso porque o currículo não é uma produção neutra e desinteressada do conhecimento social, mas um contexto social e histórico consequente das relações de poder e dos olhares sociais e individuais. É um processo em constante transformação, constituído de conhecimento socialmente válidos. Giroux (apud MCLAREN, 1997) complementa dizendo que o currículo pode ser entendido como uma teoria de interesse, isto é, que o currículo reflete os interesses dos que o rodeiam como, por exemplo, as relações sociais e as visões do passado e presente que representa, e também como uma teoria de experiência, ou seja, um currículo narrativo da história que produz e organiza as experiências do aluno.
A presença do currículo nas escolas objetiva uma preparação dos educandos à atividade social, à criticidade, à democracia e à solidariedade. Santomé (1995) acredita que para tanto é necessário uma seleção adequada dos conteúdos curriculares, dos recursos, das experiências diárias de ensino-aprendizagem e das avaliações, para que estes possibilitem a edificação da cognição, normas e valores, indispensáveis à formação de cidadãos conscientes e participativos.
O currículo e, consequentemente a educação, são maneiras regulamentadas de transmitir as culturas sociais. Também estão diretamente ligados às culturas, principalmente às populares, pois é na escola que ocorrem as maiores demonstrações culturais trazidas pelos alunos e suas etnias, crenças, etc. Daí a necessidade de um currículo que possa agregar as culturas trazidas à escola.
Sendo assim, a escola procura promover o processo de ensino aprendizagem de forma dinâmica, saindo da sala de aula e vivenciando o ambiente onde os alunos vivem. Dessa forma amplia-se o conhecimento, aproximando a teoria da prática para que os educandos consigam estabelecer as devidas relações, tão necessárias para a construção do conhecimento, pois é através da ação-reflexão-ação que o saber é construído e reconstruído constantemente.
Na escola, tanto a Educação Infantil como o Ensino Fundamental, tem como finalidade o desenvolvimento integral de crianças nos aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social, complementando a ação da família e da comunidade. Procura educar para a cidadania e criando condições que viabilizam a dimensão e socialização como princípios da comunidade escolar. As relações humanas são construídas através do diálogo, possibilitando a construção da ética e do respeito entre professor, pais e alunos.
Santomé (1995) destaca que em nossas salas de aula, os conteúdos não tem nenhuma relação com a vida e os interesses dos alunos, que se tornam apenas meros gravadores, seres estáticos em suas carteiras. Sendo assim, a recompensa extrínseca, por meio de notas e conceitos, torna-se mais importante do que a utilidade e a posse real dos que precisam aprender. Não é possível esquecer que os educadores provêm de uma socialização profissional que ignora o objeto de sua incumbência à seleção clara dos conteúdos culturais que valoriza os objetivos e metodologias, as quais permite serem elaboradas pelos livros didáticos, principalmente. Assim, os conteúdos são assimilados sem efeito e sem o devido entendimento de sua essência, pois geralmente, os livros os apresentam como os únicos possíveis.
Na realidade, os currículos deveriam determinar maneiras de compreender e sugerir processos educativos e conteúdos culturais que despertem o interesse dos indivíduos, proporcionando-os uma construção crítica e reflexiva de mundo, partindo da própria cultura. Contudo, a presença das culturas nas propostas curriculares são, sem dúvida nenhuma, ignoradas, silenciadas e degeneradas, acabando com qualquer oportunidade de reação de grupos sociais minoritários, dessa forma, deve-se unir o ensino escolar ao contexto e interesses dos alunos e as visões que eles têm da realidade.
Santos e Oliveira (apud MOREIRA, 1998, p. 15) destacam que “o campo do Currículo se volta predominantemente para questões relacionadas à seleção e à organização do conhecimento escolar, enquanto a Didática prioriza o ensino como seu objetivo de estudo”. A proximidade entre eles é necessária devido ao fato de que o conhecimento escolar não é estudado sem referência às situações em que é ensinado. De acordo com alguns autores, o espaço curricular engloba estudos pedagógicos e diálogos sobre o ensino e, por dedução, a didática. Para outros, esta última, quando analisa o ensino, no qual está contido os conteúdos,  insere o currículo.
Tudo isso repercute diretamente na relação entre didática e currículo. Embora o primeiro esteja mais envolvido com o ensino e o segundo com os conteúdos, ambos estão em campos próximos, porque fazem parte do processo ensino-aprendizagem. Na verdade, não se deve ignorar as divergências entre currículo e didática, mas procurar seus pontos em comum para ampliar as discussões e práticas em sala de aula, unindo-os à teoria.
Para Libâneo, Oliveira e Toschi (2003), há, no mínimo, três tipos de manifestações de currículo, o formal, o real e o oculto. O currículo formal, também chamado de oficial, é aquele fixado pelos sistemas de ensino através de diretrizes curriculares, objetivos e conteúdos para as áreas de conhecimento ou disciplinas de estudo. Os Parâmetros Curriculares Nacionais e as propostas curriculares dos estados e municípios, são exemplos de currículo formal.
Este currículo tem um caráter histórico que auxilia na organização dos objetivos e na disposição curricular. A história do currículo é fundamental para questionar o currículo atual das escolas num foco especial, a disciplinaridade. Moreira e Silva (2000, p. 32) relatam que,

apesar de todas as transformações importantes ocorridas na natureza e na extensão da produção do conhecimento, o currículo continua centrado em disciplinas tradicionais. [...] Seria central a esse movimento reconhecer a disciplinaridade da presente estrutura curricular [...] como a inscrição e recontextualização desses campos em um contexto em que processos de regulação moral e controle tornam-se mais centrais.

O currículo real, por sua vez, é aquele que se constitui na sala de aula, decorrente do Projeto Pedagógico da escola e dos planos de ensino. Essa manifestação de currículo se faz através das ideias e práticas dos educadores e das percepções e usos que fazem do currículo formal. O educador e a escola precisam ter a sensibilidade necessária para perceber que aquilo que ensinam, realmente é aprendido, compreendido e retido pelos alunos.
Por último, o currículo oculto apresenta-se como consequência não intencional do processo educativo, não esclarecidos no currículo oficial. O currículo é uma forma particular de vida e serve para preparar os indivíduos a posicionarem-se como dominantes ou dominados na sociedade. Ele beneficia alguns conhecimentos em detrimento de outros, além de praticar a discriminação. Mais do que isso, o currículo oculto envolve maneiras de ensino-aprendizagem salientadas no ambiente escolar utilizados por professores como uma seleção de estudantes.
As diversas manifestações do currículo buscam demonstrar que o que os alunos aprendem na escola ou deixam de aprender dependem de inúmeros fatores e não somente das disciplinas e seus conteúdos, previstos na grade curricular.
Ao planejar o currículo, utilizando o currículo oficial, as escolas precisam seguir princípios práticos, como a democracia, garantida por uma base cultural e científica comum e práticas de cidadania, o cruzamento de culturas, o fortalecimento da identidade pessoal e a interdisciplinaridade e coordenação de disciplinas, por meio de projetos comuns, etc.
Há muitos conceitos sobre currículo, mas todos concordam num ponto: a formação de cidadãos críticos e preparados para atuar em sociedade. Porém, na atual prática, o currículo está mais voltado aos privilegiados da classe dominante, silenciando e ocultando os conteúdos que poderiam relacionar-se com as camadas populares.
Com a Teoria Crítica do Currículo, procurou-se avançar na teoria social e no desenvolvimento de novas metodologias, a partir de uma teoria mais radical e análises de escolarização. Os teóricos críticos buscam uma educação sem qualquer discriminação, que valorize as potencialidade e experiências de cada um.
Como se observa, a Teoria Crítica do Currículo é uma atuação progressiva e incessante de crítica e construção, de questionamento e problemática.

3.3 Metodologia de Projetos

As situações de aprendizagem devem estar mais próximas da realidade envolvendo questões do cotidiano escolar para facilitar a compreensão dos conhecimentos científicos, bem como a articulação do conhecimento teórico com outros momentos da formação profissional, tendo em vista a melhoria da prática pedagógica. Para Paulo Freire (1996, p.33-34),

ensinar exige respeito ao saber dos educandos [...]. O dever de não só respeitar os saberes com que os educandos chegam à escola, mas também, discutir com os alunos a razão de ser de alguns desses saberes em relação ao ensino de conteúdos. Por que não estabelecer uma necessária ‘intimidade’ entre os saberes curriculares fundamentais ao aluno e a experiência social que eles tem como indivíduos?

A maioria das escolas, hoje, ensina conteúdos preestabelecidos no currículo. O discurso torna-se chato e as crianças ficam dispersivas, entediadas e são obrigadas a suportá-lo, pois precisam passar de ano. Por outro lado, é preciso encontrar educadores com uma visão mais ampla de educação voltada à prática social, buscando mudanças significativas à escola. Esta precisa ser um ambiente de interesse, crescimento, conhecimento, aprendizagem prazerosa, de construção da autonomia, criticidade e da própria identidade.
Conforme Gandin (2001, p. 14-15),

uma possível saída é a Metodologia de Projetos,  porque:
Possibilita o estudo de temas vitais, no horizonte político-pedagógico da comunidade e, ao mesmo tempo, no interesse dos alunos;
Permite a participação de todos, porque é da essência do projeto levar as pessoas ao fazer; os alunos são motivados a não ficarem parados, só ouvindo o professor...;
Abre perspectivas para a construção do conhecimento, a partir de questões reais, tão simples como aprender a ver televisão, com espírito crítico, ou tão complexas, como estabelecer a relação entre economia e bem social.
Os projetos de trabalho também colaboram para recriar a escola “enquanto mediadora na construção de identidades das crianças...” (Hernández, Pátio, 1998, p.31). Essa concepção advém da ação de reconceitualizar, que considera fundamental, que no mundo atual, o homem saiba lidar com a infinidade de informações que recebe. Portanto, é necessário que os projetos de trabalho consigam elevar o ensino a compreensões e reflexões e que os alunos possam ser agentes transformadores da realidade e sejam participantes de algo que realmente faça sentido para eles.
A escolha do tema para um projeto não é tão simples quanto aparenta. Ele precisa ser o resultado de um entendimento entre o educador e os alunos sobre experiências anteriores, fatos atuais que intrigam a turma, questões pendentes, etc. Após a escolha do Projeto, conforme Hernández (1998), a atividade docente durante o desenvolvimento do mesmo será especificar seu fio condutor, que possibilitará ir além da instrumentalização ou informação imediata; buscar materiais, especificando objetivos e conteúdos a serem alcançados e o que os alunos irão aprender com esse Projeto; estudar e preparar o tema, escolhendo novas informações e planejamento problemas que futuramente serão resolvidos; envolver os alunos para que estes se interessem pelo que se está trabalhando, despertando a consciência do aprender, enfatizar a atualidade do tema do Projeto, prevendo alguns recursos que favoreçam isso, planejar avaliações constantes sobre o que os alunos já sabem sobre o tema, o que eles virão a aprender no desenrolar das aulas e o que aprenderam de novo ao final do Projeto; e finalmente, sintetizar todo o processo de criação do Projeto desde seu início até o fim e realizar um intercâmbio com as demais turmas e professores, a fim de divulgar tudo o que for feito, já objetivando um novo Projeto.
Os alunos também possuem suas atividades durante o projeto (Hernández, 1998). Eles auxiliam na escolha do tema e coletivamente vão elencar as atividades que assumirão durante o projeto; planejam o desenvolvimento do tema; participam na busca de informações entrando em contato com diversas fontes; debatem as informações coletadas, pois estas fornecem interpretações e apresentação da realidade, fornecendo novos questionamentos; fazem uma análise individual ou grupal sobre a realização das atividades preestabelecidas no início, realizam um dossiê de sínteses, realizam avaliações utilizando os conteúdos estudados para dar continuidade a Projetos seguintes.
Hernández (Pátio, 1998, p.27), associa os projetos de trabalho como “uma concepção de ensino, uma maneira diferente de suscitar a compreensão dos alunos sobre os conhecimentos que circulam fora da Escola e de ajudá-los a construir sua própria identidade”.
A partir dos projetos de trabalho é possível repensar a verdadeira função da escola, frente a mudanças atuais como as mudanças na sociedade, nas relações, nos sistemas de representação dos valores e identidades que se propagam através dos meios de comunicação de massa e tecnologias da informação e comunicação, que são vivenciadas pelas crianças diariamente. Segundo Mcclintock (apud HERNÁNDEZ, Pátio, 1998, p.27),

a educação escolar precisa ser repensada, porque as representações, os valores sociais e os conhecimentos disciplinares estão sofrendo modificações e as escolas que temos hoje é [...] uma resposta aos problemas e as necessidades do século XIX e as alternativas que se oferecem tem raízes no século XVII.

Através dos projetos de trabalho é possível chegar perto da identidade dos alunos, revisar a disposição do currículo por disciplina, instituindo-os no tempo e no espaço escolar, recuperar o que acontece fora da escola, as informações contidas na sociedade, dialogando criticamente sobre elas. Os projetos presumem uma abordagem de ensino que esclareça a concepção e as práticas educativas respondendo às mudanças sociais, vivenciadas pelas crianças.
Hernández (1998), juntamente com colegas do grupo Minerva, elencaram algumas concepções para os demais educadores situarem-se frente aos Projetos. Estes, são considerados uma metodologia, na qual se destaca a importância do saber fazer que atenta para ações inovadoras. Também são atitudinais, quando os docentes consideram válido o ambiente vivenciado pelas crianças como fonte de aprendizagem. Isso porque os educadores não acreditam que se possa aprender algo através do acúmulo de conteúdos, mas aprender através das relações, experiências e observações.
Outra concepção consiste na transdisciplinaridade, que busca esclarecer o sentido das disciplinas, dos conteúdos estudados, dos modos de ensinar e aprender. Através dos projetos de trabalho, os problemas reais podem ser analisados e questionados, a fim de auxiliar nas aprendizagens em sala de aula. O ensino mediante pesquisas em diversos contextos sociais permite que os alunos se interessem pela realidade em que estão inseridos, suas origens, tendo a oportunidade de conhecê-las melhor e ao mesmo tempo interpretá-las.
Ao final de um Projeto de Trabalho, Gandin (2001, p.17) afirma que os “momentos de estudo e reflexão tem favorecido o trabalho coletivo. Deles sempre surgem propostas de ações concretas, efetivadas na prática pedagógica cotidiana, ancorada no Projeto Político-Pedagógico”. Como os Projetos constituem-se numa construção coletiva de planejamento participativo é importante salientar a relação pedagógica entre professor-aluno para o sucesso dos mesmos. É uma relação de “confiança, autonomia, diálogo, respeito às diferenças e pela definição de limites” (Gandin, 2001, p.17). Outro fator importante é nunca duvidar das potencialidades dos alunos mesmo que eles sejam da Educação Infantil, pois eles são capazes de nos surpreender quando trabalham com um assunto que faça sentido para suas vidas. Assim, a construção de sua história e identidade poderão se concretizar.

3.4 Organização do Tempo e do Espaço no processo de Ensino Aprendizagem

Para que os objetivos básicos do Ensino Fundamental possam ser atingidos, os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997, v. 1), propõem uma prática educativa que priorize a formação de um cidadão autônomo e participativo. Para tanto, são necessárias determinadas orientações didáticas que direcionem a reflexão sobre essa prática.
“Cada aluno é sujeito de seu próprio processo de aprendizagem, enquanto o professor é o mediador na interação dos alunos com os objetos de conhecimento” (Parâmetros Curriculares Nacionais, 1999, p. 93, v. 1). Consequentemente, as orientações didáticas enfatizam especialmente a ação do educador como criador de situações de aprendizagens, condizentes com essa abordagem. Para cada área do conhecimento são necessárias certas orientações mais abrangentes, ao passo que os conteúdos precisam de orientações especiais que visam demonstrar como tais assuntos devem ser considerados. Portanto, essas orientações didáticas estão intimamente ligadas ao ensinar e ao aprender os conteúdos ou temas.
Sendo assim, deve ser uma prática que considere desde as questões afetivas, emocionais, cognitivas, físicas e pessoais.
A organização do tempo e do espaço na escola e na sala de aula é um dos pontos mais importantes para os educadores dentro da didática, tanto que influenciam na construção de situações em que o aluno possa progredir nas suas aprendizagens como na disposição das carteiras na sala de aula, respectivamente.
No que diz respeito à organização do tempo, é importante lembrar que ele é uma variável que interfere consideravelmente na construção da autonomia dos alunos. O professor cria momentos para que eles possam efetuar as atividades, dando-lhes a autonomia para planejá-las e executá-las, tornando-se apenas um mediador das aprendizagens que seus alunos poderão obter através dos erros e acertos, testando suas próprias possibilidades. Nessa relação, o aluno é capaz de perceber seu ritmo, organizando-se no seu tempo, dentro dos limites estabelecidos pelo professor e a turma (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997, v.1).
Para que tudo isso possa acontecer, o professor deve, primeiramente, esclarecer as atividades, fixar a organização dos grupos, oferecer as atividades necessárias a essa atividade, para depois estabelecer o tempo para a realização do trabalho.
A organização do tempo está intimamente ligada à organização do espaço em sala de aula. Como um professor pretende propor uma atividade em grupo sem permitir o deslocamento das carteiras pela sala, ou, sem oferecer ao aluno os materiais necessários à realização de certa atividade, deixando o armário trancado, por exemplo? “A organização do espaço reflete a concepção metodológica adotada pelo professor e pela escola.” (PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS, 1997, p. 103, v. 1).
O espaço da sala de aula precisa ter vida, isto é, as paredes decoradas pelos próprios alunos, que se movem livremente pelo ambiente, tendo acesso aos materiais de uso frequente, movimentando as carteiras, responsabilizando-se pela ordem e pela manutenção da limpeza na classe. Desse modo, o espaço da sala de aula passa a ser um objeto de conhecimento, aprendizagem e respeito. Contudo, esse espaço de aprendizagem não está só na escola, mas também em atividades que ocorrem fora dela, como passeios, excursões, visitas a departamentos públicos, participação em palestras, etc. Os espaços externos à escola devem ser aproveitados no dia-a-dia da criança, pois já fazem parte de seu convívio. Pode-se utilizá-los para momentos de leitura, contos de histórias, observações e desenhos, coleta de materiais, etc.
A organização e o bom uso do tempo e do espaço pelo professor e pela escola revelam a concepção pedagógica de ambos e interferem na construção da autonomia dos alunos.

3.5 A Avaliação

As instituições de ensino buscam adequar-se às novas exigências expressas na Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, bem como buscam legalmente novos métodos de avaliação dos alunos. Em seu Artigo 23, a Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, a Educação Básica,

organiza-se em séries anuais, períodos semestrais, ciclos, alternância regular de períodos de estudos, grupos não-seriados, com base na idade, na competência e em outros critérios, ou por forma diversa de organização, sempre que o interesse do processo de aprendizagem assim o recomendar (STREHL e RÉQUIA, 2000, p. 71).

Para tanto, a mesma Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96 prevê a organização mediante regras comuns, inclusive na verificação do rendimento escolar com alternativas de promoção dos alunos para além da seriação, como a possibilidade de ciclos, com avaliação contínua e cumulativa, a prevalência da análise dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos do desempenho do aluno, bem como a preferência aos estudos de recuperação paralelos ao período letivo (Artigo 24, Inciso V, Alíneas “a” a “e”).
A Lei de Diretrizes e Bases 5.692/71 já fazia referência a uma avaliação formativa e à prevalência de aspectos qualitativos sobre os quantitativos, e a análise do desempenho global do aluno por meio de acompanhamento contínuo. A inquietação diante da avaliação conforme a Lei de Diretrizes e Bases surge no acompanhamento contínuo, pois tais pressupostos, mesmo previstos na antiga lei, nunca foram seguidos pela maioria dos educadores.
As críticas feitas ao processo avaliativo em que os resultados finais quantitativos eram válidos e aceitos, sem qualquer tipo de acompanhamento a aprendizagem do aluno, ocorrem desde os anos 70, no qual surgiu a nomenclatura “avaliação formativa”, isto é, o acompanhamento do processo avaliativo por etapas, que no final formariam um conjunto de dados a serem analisados. A recuperação preventiva também surgiu nessa época e objetivava a retomada parcial e gradativa das dificuldades apresentadas pelos alunos ao longo do período letivo, a fim de prevenir dificuldades posteriores. Também havia, no final do ano letivo, uma recuperação final, das dificuldades que ainda permanecessem (HOFFMAN, 1998).
Observa-se, ainda que em muitas escolas, não há nenhum tipo de acompanhamento das aprendizagens dos alunos e, consequentemente, nenhuma ação preventiva para as dificuldades que os mesmos enfrentam. Daí, o susto que as escolas levaram frente a Lei de Diretrizes e Bases 9.394/96, que exige das instituições de ensino um efetivo processo avaliativo contínuo, qualificativo, mediador, frente aos altos índices de evasão e repetência registrados nos últimos anos.
São fatos como estes que deram à avaliação uma imagem distorcida de prática perversa de seleção e exclusão nas escolas. Na verdade, foram às próprias escolas e professores que rotularam a avaliação por tanto tempo, porém, atualmente essa falsa máscara começa a cair e os bons propósitos da avaliação começam a surgir. Conforme Perrenoud (1999, p. 11), “a avaliação é tradicionalmente associada, na escola, à criação de hierarquias de excelência. Os alunos são comparados e depois classificados em virtude de uma norma de excelência, definida no absoluto e encarnada pelo professor e pelos melhores alunos”. A escola aprendeu a conviver com as desigualdades de êxito dos alunos, o que lhe parecia perfeitamente normal.
Sendo assim, a avaliação formativa não tinha sentido algum, porque a escola cumpria tão somente seu papel de ensinar e se os alunos tivessem vontade e inteligência, certamente aprenderiam. A escola limitava-se a oportunizar ensinamentos, sem qualquer responsabilidade pelas aprendizagens. Ocorre que, a prática avaliativa nas escolas é comum a todos e privilegia somente uma nota final, sem considerar as especificidades individuais dos alunos, em quaisquer áreas do desenvolvimento, tanto social como intelectual, física ou afetiva.  
Para Schimitz (1993), qualquer atividade necessita ser bem planejada e avaliada criticamente para que alcance o sucesso. Portanto, “pode-se caracterizar a avaliação como o processo de acompanhamento e julgamento sistemático de toda atividade” (p. 161). Na verdade, a avaliação não significa nada mais do que a verificação da validade e da eficácia de uma proposta de ensino desenvolvida na escola, mas essa visão dependerá muito da concepção que o educador possui sobre avaliação e do uso que se faz dela.
A escola tem a avaliação classificatória, porém não tem como pressuposto a punição ou premiação. Ela prevê que os estudantes possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes. Mesmo sendo classificatória ela é compreendida como um processo que observa o aluno como um todo.
Para que isso aconteça é desenvolvido um processo de avaliação contínuo, valorizando a construção das diversas competências e habilidades por área de conhecimento, como um meio de diagnosticar o que ainda não foi apreendido e vivenciado por educando e educador. Através dos resultados obtidos, busca-se redimensionar o planejamento para facilitar novas descobertas e a reconstrução dos conhecimentos, favorecendo, desta forma, a auto-avaliação.
Atualmente, a avaliação escolar só faz sentido se tiver o intuito de buscar caminhos para melhorar a aprendizagem do aluno; a ênfase está no aprender. Para tanto, são necessárias mudanças em quase todos os níveis educacionais, como currículo, gestão escolar, organização da sala de aula, atividades, etc.
Na avaliação formativa, o professor é um dos principais fatores de mudança, quando deixa de ser o centro de todas as informações e passa a ser colaborador para que os alunos elaborem seus conhecimentos. Ao invés de despejar conteúdos, o professor desenvolve práticas inovadoras que permitem ao aluno aplicar os conhecimentos diários. A avaliação formativa não pressupõe punição ou promoção, ao contrário, prevê que os alunos possuem ritmos e processos de aprendizagem diferentes e, portanto, é essencial conhecer os alunos e suas necessidades para depois pensar em caminhos onde todos possam alcançar os objetivos propostos. Quando o educador debate com os alunos os objetivos de uma atividade, dá meios para que eles acompanhem o próprio desenvolvimento.
Ao pensar em avaliação precisa-se ter claro que ela revelará os passos alcançados e aqueles que ainda serão alcançados e não consiste em mostrar os erros ou aquilo que não foi aprendido. Se o professor compreende como está acontecendo o processo de aprendizagem do aluno, certamente saberá quais intervenções serão necessárias para apoiá-lo neste processo. É preciso desligar-se do conteudismo, refletindo sobre como práticas iguais a esta prejudicam o desempenho das aulas, do aluno e do professor e como elas colaboram com o fracasso escolar.
Para Vasconcelos (1998, p. 42), “fazer avaliação em várias situações é uma forma de superar a concentração de determinados momentos especiais, que leva à distorção do sentido da avaliação”. A finalidade principal dessa prática não é gerar formas de criar mais notas para o aluno, mas acompanhá-lo em seu processo de conhecimento e fazer as retomadas, caso precise.
Na perspectiva de construção do conhecimento, Hoffmann (1991) considera a avaliação sob a confiança no potencial que os educandos têm em construir suas verdades e na valorização de suas manifestações e interesses. Sendo assim, os erros e as dúvidas são significativos durante a prática pedagógica, impulsionando novas práticas. “Nessa dimensão, avaliar é dinamizar oportunidades de ação-reflexão, num acompanhamento permanente do professor, que incitará o aluno a novas questões a partir de respostas formuladas” (p.20).
Contudo, nada disso será fácil para o educador se ele não aprofundar suas teorias do conhecimento e apropriar-se de fundamentos teóricos necessários à conexão entre hipóteses formuladas pelo aluno, o conhecimento científico e a base científica. Segundo Chiarottino (apud Hoffmann, 1991, p. 23) “a ação avaliativa abrange a compreensão do processo de cognição. Porque o que interessa fundamentalmente ao educador é dinamizar oportunidades de o aluno refletir sobre o mundo e de conduzi-lo à construção de um maior número de verdades...”. Para efetivar tais verdades, na grande maioria das vezes o aluno tende a cometer erros, que são aceitáveis, pois a construção de seu conhecimento encontra-se em processo de superação. São situações como estas que Hoffmann (1991) denominou de erro construtivo. O aluno vai construir alternativas de soluções para as situações e estão sujeitos ao erro. O educador, por sua vez, precisa colocar-se favorável à concepção do erro de forma construtiva, pois o aluno aprimora seu modo de pensar o mundo à medida que se depara com novas situações e desafios, formulando hipóteses, testando-as e reformulando-as se necessário.
Diante do erro construtivo, a avaliação é a mediadora pela qual o saber seria reorganizado. É ação, movimento e provação, a fim de que professor e aluno troquem ideias, discutam-nas e reorganizem-nas.
Consequentemente a tudo isso, é fundamental que se desenvolvam práticas inovadoras que colaborem no processo da avaliação formativa. Vasconcellos (1998) apresenta um conjunto de práticas que contribuem para diminuir a avaliação tradicional e transformá-la em formativa e processual, como a não existência das semanas das provas, a elaboração de uma avaliação do próprio educador baseada nas observações cotidianas, diagnósticos rápidos sem valer nota, análises, elaboração de questões pelos alunos, auto-avaliação, avaliação em grupo, diversificação dos tipos de questões, combate à competição de notas entre os alunos, avaliação com consulta, etc.
Cada atividade pede uma forma própria de avaliação. Quanto mais recursos e instrumentos avaliativos o professor usar, maior serão as possibilidades de êxito e de bons resultados, não só da avaliação, mas da aprendizagem.
Na visão de Hoffmann (1991), avaliar constitui-se um mito e um desafio. Mito, porque a avaliação decorre de uma história onde se perpetuou os fantasmas do controle e do autoritarismo há muitas décadas. A avaliação é um desafio a ser enfrentado, a fim de que mais e mais educadores preocupem-se com ela. Precisamos aceitar o desafio e derrubar o mito que a avaliação trás, construindo outra história para as futuras gerações e buscando ações libertadoras. Não existem fórmulas prontas para avaliar, o que existe são estratégias que foram pensadas e deram certo em determinadas situações. Cabe a escola e aos educadores pensar o seu melhor método de avaliação formativa.



4. CONSIDERAÇÕES E PROSPECÇÃO


O presente trabalho teve por objetivo fazer uma reflexão sobre ação pedagógica desenvolvida nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental bem como na Educação Infantil, aliando os conhecimentos teóricos aos conhecimentos adquiridos durante as práticas docentes.
Por compreender o indivíduo como um ser social, que se desenvolve e aprende através das trocas que estabelece com o ambiente onde vive e com os outros indivíduos, transformando-os ao mesmo tempo em que é transformado pelo contato humano, corporal e com o ambiente, as crianças se desenvolvem afetivamente, bem como desenvolvem a sensibilidade, a auto-estima, raciocínio, pensamento e linguagem. Tanto Vygotsky como Piaget “buscam compreender a origem e o desenvolvimento dos processos psicológicos ao longo da história da espécie humana [...] e da história individual das pessoas [...], colocando a adaptação como estratégia para a sobrevivência da espécie humana” (CARVALHO, 2002, p. 28).
A Metodologia de Projetos de Trabalho foi destacada tendo em vista as possibilidades de participação tanto do educador quanto dos alunos em sua elaboração, bem como por abrir perspectivas para a construção do conhecimento a partir de questões reais simplificadas ou complexas. A proposta parte dos Projetos de Trabalho para elevar o ensino a maiores compreensões e reflexões e para capacitar os alunos a serem agentes transformadores da realidade, participando efetivamente de algo que lhes faça sentido. Hernández (PÁTIO, 1998, p.27), associa os Projetos de Trabalho a “uma concepção de ensino, uma maneira diferente de suscitar a compreensão dos alunos sobre os conhecimentos que circulam fora da Escola e de ajudá-los a construir a própria identidade”. Sendo assim, as situações de aprendizagem devem estar mais próximas da realidade envolvendo questões do cotidiano escolar para facilitar a compreensão dos conhecimentos científicos, bem como a articulação do conhecimento teórico com outros momentos da formação profissional, tendo em vista a melhoria da prática pedagógica.
Contudo, um educador sem conhecimentos e sem formação adequada não saberá fazer as intervenções pedagógicas necessárias e no momento certo para auxiliar as crianças em seu desenvolvimento intelectual. Daí a importância de saber sobre aquilo com que se está trabalhando. O papel do educador no desenvolvimento infantil é fundamental no que se refere a oportunizar experiências diversificadas e enriquecedoras para que as crianças sintam-se seguras, confiantes e para que suas capacidades possam aflorar plenamente. Para tanto, o educador precisa saber como agir de forma mediadora para que o aluno relacione os conhecimentos que já possui e que adquire cotidianamente com os conhecimentos científicos abordados pela escola. As ideias e conhecimentos oriundos do meio social onde as crianças vivem diariamente colaboram significativamente na aprendizagem dos mesmos, mas isso só terá valor se o educador oportunizá-los o pensamento e a manifestação. Além disso, os conhecimentos empíricos são básicos para os conhecimentos científicos, como a observação de fenômenos, coleta, seleção e organização de informações, etc.
As orientações didáticas enfatizam especialmente a ação do educador como criador de situações de aprendizagens, condizentes com essa abordagem. Para cada área do conhecimento são necessárias certas orientações mais abrangentes, ao passo que os conteúdos precisam de orientações especiais que visam demonstrar como tais assuntos devem ser considerados. Portanto, essas orientações didáticas estão intimamente ligadas ao ensinar e ao aprender os conteúdos ou temas.
 Portanto, a formação precisa ser ampla e o educador tem de colocar-se também na condição de aprendiz, sempre avaliando sua teoria e prática pedagógica e dialogando com os demais colegas educadores, com os familiares das crianças e com toda a comunidade na qual a escola está inserida, a fim de subsidiar seus trabalhos em sala de aula.
O professor é um dos principais fatores de mudança, quando deixa de ser o centro de todas as informações e passa a ser colaborador para que os alunos elaborem seus conhecimentos. Ao invés de despejar conteúdos, o professor desenvolve práticas inovadoras que permitem ao aluno aplicar os conhecimentos diários.
Sendo assim, o currículo escolar deve favorecer tais ações desde a organização do seu currículo, o que, nas palavras de Veiga e Cardoso (1995, p. 82), significa “um conjunto das atividades da escola que afetam direta ou indiretamente, o processo de transmissão-assimilação e produção do conhecimento. Um instrumento de confronto de saberes sistematizados, indispensáveis à compreensão crítica da realidade.
O que não pode ocorrer é que o currículo esteja alheio à realidade da demanda escolar. O que Santomé (1995) relembra quando afirma que contentemente em nossas salas de aula, os conteúdos não tem nenhuma relação com a vida e os interesses dos alunos, tornando-os apenas meros gravadores e reprodutores de um saber deslocado da realidade, seres estáticos, sem atuação social.
Portanto, a ação pedagógica deve promover o pleno desenvolvimento da criança, considerando as possibilidades de conhecimento que apresentam em cada faixa etária. O progresso dessa ação pedagógica se efetiva por meio de um planejamento que possa integrar conteúdos conceituais, procedimentais e atitudinais.



5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


ARROYO, Miguel G. Ofício de Mestre: imagem e auto-imagens. Petrópolis, Rio de Janeiro: Vozes. 2000.


BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais. Brasília: MEC/SEF, 1997, v.1-10.


____. Leis, etc. Lei de diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei n.º 9394/96, de 20.12.1996. (Lei Darcy Ribeiro) - Bauru, SP: EDIPRO, 2001.


FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia – saberes necessários à prática educativa. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1996.


____. A Sombra desta Mangueira. São Paulo: 2º ed. 1996.


____. Educação como Prática de Liberdade. 21.ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.


____. Pedagogia da esperança: um reencontro com a pedagogia do oprimido. São Paulo: Paz e Terra, 1992.


GANDIN, Adriana Beatriz. Metodologia de projetos em sala de aula: relato de uma experiência. São Paulo: Loyola, 2001.


GARDNER, H. Inteligência: Um Conceito Reformulado. Rio de Janeiro: Objetiva,
2001.


GENTILE, Paola. Abrir as portas à participação de familiares e da comunidade ajuda os alunos a ter sucesso na vida escolar e colabora para diminuir a evasão e a violência.
Belo Horizonte: Nova Escola, n° 193, Junho/Julho, 2006.


HERNÁNDEZ, Fernando. Repensar a função da escola a partir de projetos de trabalho.  Revista Pátio, Porto Alegre, p. 26-31, ago.-out. 1998.


____; VENTURA, Montserrat. A organização do currículo por projetos de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998.

HOFFMANN, Jussara Maria Lerch. Avaliação: mito e desafio: uma perspectiva construtivista. Porto Alegre: Mediação, 1991.


____. Pontos e contrapontos: do pensar ao agir em avaliação. Porto Alegre, RS: Mediação, 1998.


LIBÂNEO, José Carlos. Adeus professor, adeus professora: novas exigências educacionais e profissão docente. São Paulo: Cortez, 2001.


____; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação escolar: políticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2003.


MEC - Ministério da Educação. Caderno 6 – Conselho Escolar como espaço de formação humana: círculo de cultura e qualidade da educação. Secretaria de Educação Básica. Brasília, 2006. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/Consescol/cad%206.pdf. Acesso em: 10 de julho de 2013.


MCLAREN, Peter. A vida nas escolas: uma introdução à pedagogia crítica nos fundamentos da educação. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1997.


MOREIRA, A. F. Didática e currículo: questionando fronteiras. Educação e Realidade, Porto Alegre, n. 2, p. 11-26, jul.-dez. 1998.


____; SILVA, T. T. da (orgs.) Currículo, cultura e sociedade. São Paulo: Cortez, 2000.         


PERRENOUD, Philippe. Avaliação: da excelência à regulação das aprendizagens - entre duas lógicas. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.


PROJETO POLÍTICO PEDAGÓGICO. Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa de Engenho Velho, 2008.

PLANO DE CURSO DO ENSINO FUNDAMENTAL. Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa de Engenho Velho, 2014.


PLANO DE CURSO DA EDUCAÇÃO INFANTIL. Escola Municipal de Educação Infantil e Ensino Fundamental Cleiton Costa de Engenho Velho, 2014.


SANTOMÉ, J. TORRES. As culturas negadas e silenciadas no currículo. In: SILVA, T. T. da (org.). Alienígenas na sala de aula: uma introdução aos estudos culturais. Petrópolis, RJ: Vozes, 1995.


SCHIMITZ, Egídio Francisco. Fundamentos da Didática. São Leopoldo, RS: Ed. UNISINOS, 1993.


STREHL, Afonso; RÉQUIA, Ivany da Rovha. Estrutura e Funcionamento da Educação Básica: subsídios para alunos, professores, candidatos aos concursos do magistério, de acordo com a lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996 - LDB. Porto Alegre: Sagra Luzzatto, 2000.


VASCONCELLOS, Celso dos Santos. Avaliação da Aprendizagem: Práticas de Mudança - por uma práxis transformadora. São Paulo: Libertad, 1998.


VEIGA, I; CARDOSO, Maria H. (orgs.). Escola fundamental: currículo e ensino. Campinas, SP: Papirus, 1995.



[1] Sujeito A: Funcionário da escola entrevistado em 2013.
[2] Sujeito B: Pai de aluno da escola entrevistado em 2013.
[3] Sujeito C: Professor da escola entrevistada em 2013.
[4] Sujeito D: Funcionário da Escola entrevistado em 2013.
[5] Sujeito E: Pai de aluno da Escola entrevistado em 2013.
[6] Sujeito F: Aluno da Escola entrevistado em 2013.
[7] Sujeito G: diretor da escola entrevistado em 2013.
[8] Sujeito H: funcionário da escola entrevistado em 2013.
[9] Sujeito I: professora da escola entrevistada em 2013.
[10] Sujeito J: mãe de aluno da escola entrevistada em 2013.
[11] Sujeito K: aluna da escola entrevistada em 2013.

10 jogos de escuta para crianças em idade pré-escolar

  Jogos de escuta para seguir instruções 1. O Rei Manda (ou O Mestre Mandou) Lembra-se deste jogo na nossa infância? É muito simples, não pr...